quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Reverte revisitado

O João Marchante fez uma releitura de "O Hussardo" e decidiu, em boa hora, partilhar as suas conclusões. O Miguel Vaz, inspirado, fez alguns apontamentos sobre a obra. Por mim, confesso não ter resistido a evocar aqui aquele que foi o primeiro livro escrito por Arturo Pérez-Reverte e também o primeiro que li deste autor espanhol que rapidamente se tornou leitura habitual.

Não repetirei comentários à história, antes prefiro recordar a personagem que mais me marcou: Frederic Glüntz, de Estrasburgo, que "estava preparado para tudo, mesmo para o caso de, como contavam as velhas sagas escandinavas que tanto gostava de ler quando era criança, as valquírias o distinguissem durante o combate com um beijo na testa dos valentes que iam morrer". Este oficial de dezanove anos "aspirava a ganhar a glória: a admiração dos seus camaradas, o respeito dos seus chefes, a auto-estima através da experimentação desse belo e desinteressado sentimento de viver com a consciência de que era doce e bonito lutar, sofrer e talvez morrer por uma ideia. A Ideia. Era isso precisamente o que diferenciava o homem que se erguia acima do material, de todos esses outros, a maior parte, que viviam prisioneiros do que era palpável." Mas a guerra estava distante dos ensinamentos da escola militar, dos manuais e dos desfiles. Não obstante, o alferes Glüntz manifestou o seu espírito superior até à "cansada indiferença" final.

1 comentário:

  1. É um livro extraordinário de um autor extraordinário. E uma excelente prenda de natal!

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