domingo, 21 de junho de 2009

Solstício de Verão


«Madrugada de 21 de Junho. A noite desaparece diante do dia nascente. Lá em baixo, na direcção do leste, o céu cobre-se de verde esmeralda, como um oceano tranquilo. A seguir, tudo passa ao rosa, como se mil flores de pétalas delicadas resplandecessem no meio de nuvens cinzentas.

Enfim, do solo mesmo da velha Inglaterra parece ter surgido o disco do sol, vermelho vivo. Com ele, o fogo e o sangue abrasam o céu. Vai cumprir-se hoje o seu curso mais longo. Nunca, a não ser no solstício de Verão, ele se demora tanto entre os homens, com semelhante calor, tamanha força, tal poder.

O sol cumpre finalmente a promessa dos longos meses de Inverno. Volta para o meio de nós. Aquece-nos e ilumina-nos. Protege o oceano das searas e anuncia o ouro das ceifas.

Nesta manhã sagrada estamos em Stonehenge, nas terras altas e nuas da planície de Salisbury, no condado de Wiltshire. Ao norte, o País de Gales e as suas colinas verdes. Ao sul, a península da Cornualha e os seus rochedos ruivos. Atrás de nós, na direcção do oeste, o oceano onde vais, esta noite, no termo da sua mais longa jornada de labor, afundar-se o sol. Quando tiver terminado o seu curso, desparecerá no mar onde dormem para sempre, nos grandes fundos, os templos e os homens da Hiperbórea.»

Jean Mabire
in “Os Solstícios – História e Actualidade”, Hugin (1995).

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