sábado, 23 de maio de 2009

Um céliniano esclarece

O FSantos, meu grande amigo, presenteou-nos com um brilhante comentário vindo de um verdadeiro céliniano, em resposta a mais um texto dos do costume sobre o grande autor francês. Esclarece ele: “Céline não colaborou com a Alemanha. Era anti-semita e esse aspecto da Alemanha nazi atraíu-o mas nunca o levou a actos concretos de colaboração com o ocupante. O resistente Robert Champfleury era o vizinho do andar inferior ao de Céline na Rue Girardon (Montmartre) e conta no seu testemunho "Céline ne nous a pas trahi" como o Dr. Destouches sabia das actividades resistentes que se desenrolavam no andar de baixo, das reuniões conspiratórias que lá decorriam. Obviamente nunca as denunciou. O mesmo Dr. Destouches que passava falsos atestados médicos para livrar jovens do STO, o serviço de trabalho obrigatório nas fábricas alemãs (por cada duas pessoas enviadas os alemães libertavam um prisioneiro francês). O mesmo Céline que, na embaixada alemã, com a cumplicidade do seu amigo e actor Gen Paul, ridicularizou completamente Adolf Hitler, perante o choque dos assistentes, no que terá sido um jantar memorável. Céline, a ter um rótulo, seria anarquista, dizia o que pensava sem se preocupar com as conveniências e com as consequências. Só sofreu com isso. Não era perfeito mas era uma pessoa humana, procurando bizarramente não o demonstrar. Quem com ele de perto privou sabia isso. Como escritor foi dos melhores do séc. XX. A pura apreciação literária da sua obra continua a sofrer com o estigma de estar identificado com o campo perdedor da II Guerra. Porque é que ninguém denuncia o fanático estalinismo de escritores consagrados como Aragon ou Jorge Amado? Porque é que não se fala na abominável “Ode ao GPU” de Aragon, elogio vergonhoso do antecessor da KGB. Ou do prémio literário que Amado recebeu da URSS nos anos 30, no auge do terror?

Sobre o tema volto a aconselhar “Céline e a Alemanha (1933-1945)”, de Alain de Benoist, que considero que, “desmistifica o infundado retrato de "nazi colaboracionista" de Céline, feito por alguma esquerda, bem como certas partes da defesa deste escritor a seguir à Guerra”.

2 comentários:

  1. Caro amigo, obrigado pela referência. Perante a desinformação constante, há que continuar a esclarecer as potenciais vítima daquela.
    Um abraço.

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