sábado, 9 de maio de 2009

Tarde alternativa


Consegui assitir a todas as intervenções e ao início do debate que se seguiu, no encontro que referi aqui ontem, na Fnac do Colombo, sobre o livro Alvorada Desfeita, de Diogo de Andrade. Encontrei vários amigos, entre os quais o Miguel Vaz, com quem muito apreciei o Prof. Marques Bessa, que no seu estilo característico falou sem rodeios sobre o paupérrimo panorama da história alternativa em Portugal e afirmou que “escrever um livro destes é um acto de coragem” e “pensar um livro destes é um acto de liberdade individual”. Seguiu-se Luís Salgado Matos que considerou a obra — de que gostou — um livro de acção, cinematográfico, onde “não há página onde não caia o mundo”. Depois teceu algumas críticas, nomeadamente à quase ausência da Marinha e a certos pormenores militares, bem como à simplicidade de construção das figuras femininas. A última intervenção coube a Joaquim Aguiar, que se centrou no exercício de história alternativa do livro, considerando a sua trajectória curta e criticando a possibilidade real desta diferente versão dos acontecimentos. Segundo ele, na altura, perante a contingência inevitável da alteração da natureza das Forças Armadas, a sorte do regime e da manutenção império português não poderia ser muito diferente da dos outros impérios europeus. Considerando que em Abril de 74 não houve uma mudança de ciclo histórico mas um corte, afirmou que hoje estamos numa crise do mesmo tipo. O que é muito mais complicado, para Joaquim Aguiar, é que hoje não podemos simplesmente abandonar as dívidas, como abandonámos o império.

1 comentário:

  1. Muito bem! Consegues sempre dizer mais do que eu com menos caracteres ;D

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