quarta-feira, 27 de maio de 2009

Impressões romanas (I): Entre os tifosi

Para o Roma, o Sérgio e o Chico.

Começo a série de posts “impressões romanas”, sobre a minha recente ida à cidade eterna, desrespeitando a ordem cronológica, pelo futebol. Estranharão os que me conhecem, com certeza, já que não é coisa a que dê demasiada importância. Mas como hoje se jogou a final da Champions League em Roma, não resisti. Se em Roma temos que ser romanos, como diz o ditado, desta vez até fui romano de clube, pelo menos por um jogo.

A AS Roma recebia o Catania e eu juntei-me aos meus amigos portugueses e italianos, que levam estas coisas da bola a sério, para assistir. Depois de não termos conseguido comprar bilhetes, já que o jogo era considerado “perigoso” devido a confrontos anteriores e, por isso, vedado a não-residentes na cidade, conseguimo-los através dos ragazzi dos Padroni di Casa, que nos abriram as portas da mítica Curva Sud.

À entrada do estádio olímpico de Roma, ao qual nunca tinha ido, deparámo-nos com o impressionante obelisco de mármore, com 17,5 metros de altura, com as inscrições “Mussolini Dux”. Juntamente com os mosaicos fascistas no chão e o Stado dei Marmi, já dentro do perímetro do complexo desportivo, são algumas das réstias do inicialmente chamado Foro Mussolini, construído entre 1928 e 1938, segundo o projecto de Enrico del Debbio e depois de Luigi Moretti.

Uma vez dentro do estádio, depois de revistado pela polícia, uma coisa supreendeu-me logo, é permitido comprar bebidas alcoólicas. Os vendedores correm as bancadas servindo cerveja de lata em copos de papel por 4 euros, entre outras coisas, como é o caso do Amaro, um licor de café vendido por 2 euros em garrafinhas cilíndricas, que fiquei a saber ser a bebida dos ultras. Provei, mas é demasiado doce para o meu gosto. Enquanto provava, assisti a um verdadeiro desporto de bancada que é o salto para a Curva Sud. Explicaram-me que os que não conseguem bilhete de época para esta tão apetecida zona, compram para o lado e saltam as barreiras de acrílico depois de fintar os stewards. Algo que começa antes do início do jogo e se arrasta pela primeira parte. Esta travessia para a “terra prometida” dos hooligans é feita por rapazes bastante jovens, que assim provam, de alguma forma, a sua coragem.

O jogo teve sete golos, algo que nunca esperei de uma partida italiana, e a Roma ganhou por 4-3, no último minuto. Seria de esperar que fosse uma festa nas bancadas, mas não. Nem quis acreditar quando no primeiro golo os adeptos não só não festejaram como vaiaram a equipa. A maioria dos cânticos eram também contra a presidente do clube, que me disseram não investir na equipa, preocupando-se apenas em ganhar dinheiro para si própria. Rosella Senci, proprietária da Roma desde a morte do seu pai Franco Senci, no ano passado, era o alvo da ira dos tifosi. Cânticos, palavras de ordem, vaias, panos, tudo serviu para a atacar.

Resultado: uma óptima e divertida experiência que me ocupou até quase à hora do concerto que se ia realizar ali perto.

10 comentários:

  1. Excelente! Já agora, o que dizia a faixa dos Ultras?

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  2. Curiosamente (ou talvez não) o tal Amaro é o tema central de uma faixa dos ZetaZeroAlfa.

    - Buonasera...
    - Eh, buonasera un cazzo!
    - Come ha detto, scusi?
    - Hai capito bbène... lassa perde er collega mio sinnò scavarco e tte sfonno!
    - Sì, vabbè, ma io volevo solo un caffè...
    - Sì, vabbè, bevetene n'artro... Qui non vendiamo caffè, vendiamo solo amari!
    - Ma come? Un bar che vende solo amari?
    - Mbè? Che è? Solo amari! Che è?
    - Vabbè, datemi il migliore amaro che avete...
    - Questo è l'amaro d'a casa, tiè!
    - Aaahhh!!! Ma cosa mi avete dato??? Mi avete avvelenato!!! Ma che amaro è???
    - ZETAZEROALFA... L'AMARO DEL GIUSTO!

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  3. Fizeste bem em ver a grande AS Roma (que o laziale Guedes não veja isto!).
    Aproveito para lembrar os meus postais sobe a Cidade Eterna:
    http://linha-horizonte.blogspot.com/2007/06/visto-em-roma-1.html
    http://linha-horizonte.blogspot.com/2007/06/visto-em-roma-2.html
    http://linha-horizonte.blogspot.com/2007/06/visto-em-roma-concluso.html

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  4. A AS Roma??? Credo! O nosso Di Canio nunca mais te fala... ;)

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  5. Di Canio? Ah, sim, o grande jogador do Cisco Roma! :-)

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  6. Também tinha essas ideias sobre a politização da Roma vs. Lazio, mas rapidamente me explicaram que não era assim tão simples... Um dos exemplos são os Padroni di Casa.

    Não me recordava desses posts romanos FSantos, vou dar uma vista de olhos.

    Abraços.

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  7. Boas Duarte.
    o licor é o Borgheti. é bem doce mas cuidado porque tem mais de 30% de alcool...
    A Rosella é contestada como ja o era o pai anteriormente, porque ve-se que a familia não consegue investir mais no clube, tem dividas á unicredit de cerca de 300m e ela de frente a algumas propostas bastante tentadoras e justas para a realidade da ASR prefere brincar á bolsa e tentar levantar as acçoes do que negociar definitivamente e de um modo correcto. não é o personagem que gostaria de ver a frente da ASR mas o ano passado o Soros chegou-se a frente e ela disse que não, que tinha mais interessados e bla bla bla. :)
    Uma cidade como Roma pode ter um clube mais competitivo. Tem das melhores escolas de futebol(Totti, De Rossi,Aquilani), tem bastantes adeptos mas a presidente não tem estado á altura.
    Os italianos com as leis de impedimentos de venda de bilhetes a não residentes na região, obrigaram os nossos camaradas dos padroni di casa a utilizarem documentos de outros camaradas para nos fazerem entrar no estadio.
    nota para os mais interessados na curva sud: para o ano muito provavelmente surgirá um grupo unico em baixo com a fusão dos irish clan, giovinezza e padroni di casa e com o apoio dos fedayn(a coisa mais importante a meu ver...)
    ultras romani postos a andar por serem pro-rosella sensi e mercanti.
    ps curva: foi preciso entrar pessoas que fazem politica diariamente na rua para pararem a politica no estadio e unirem a curva. é a razao dos fedayn terem tao boas relaçoes com os padroni di casa. respeito mutuo e asroma na cabeça.depois na rua os fedayn não fazem politica e os padroni e outros fazem o que quiserem.

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  8. para o Vaz:
    a faixa dizia
    se uma oferta existir verdadeiramente faz como a Rosella (não me lembro o outro nome...) e vai com o vento.
    usaram o filme para fazer o trocadilho. gone with the wind...

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  9. Obrigado pelos esclarecimentos, Roma. Nada como um especialista... ;)

    O nome dado à Senci na faixa era Rosella "O'Hara", numa alusão à personagem de "E Tudo o Vento Levou", Scarlett O'Hara.

    Abraço.

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