sábado, 2 de maio de 2009

Anonimatos

Sobre mais uma ideia brilhante parida pelo politicamente correcto, desta vez o currículo anónimo, escreve Helena Matos, na sua coluna “O certo e o errado”, na última edição da revista «Sábado»: “É um disparate saído da cabeça do patronato francês, para se livrar das acusações de racismo e discriminação.” Claro está que medidas imbecis deste género não acabam com a “discriminação”, nomeadamente porque na entrevista profissional, como nos diz a jornalista, “inevitavelmente se percebe se o candidato é preto, branco ou chinês, homem ou mulher.” Uma coisa é óbvia: seleccionar é discriminar. Para além da necessidade indiscutível de discriminação racial num casting para os papéis de Malcom X, Jeanne D'Arc, ou Mao Tse Tung, por que não poderemos discriminar, mesmo baseados em premissas erradas? Se eu abrir um restaurante chinês não posso querer que todos os meus empregados sejam chineses? Pode ser absurdo, mas não cabe ao proprietário decidir, da mesma forma que decide que marca de molho de soja vai utilizar? Hoje em dia acha-se cada vez mais que não, por medo de “racismo” e vontade de parecer “moderno”.

Destes anonimatos, cheios de boas intenções, se vai a caminho da tentativa do apagamento gradual da nossa diversidade. O caminho do nivelamento e da uniformização, que nos levará dos povos aos tipos de consumidores: o mundo massificado do homo consumans. Algo que apenas pela afirmação e valorização das nossas diferenças poderemos evitar.

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