segunda-feira, 28 de abril de 2008

Quatro anos

O dia do quarto aniversário desta casa fica marcado por uma diligência de interrogatório adiada. Assim vai “O Processo”...

Vendo que grande parte da esquerdalha continua agarrada aos “belos” objectivos de mandar “os fascistas para o Campo Pequeno”, lembro-me do poema de Martin Niemöller, repetido até à exaustão como demonstração de “anti-nazismo”. Seguro de que tais cobardes que sonham em ser carrascos não entendem — ou pior, não querem entender — o alcance dessas palavras, ensaio aqui a minha versão livre:

Quando vieram buscar os “nazis”, eles regozijaram-se e saudaram o sistema por ter alterado as regras para ser implacável em “casos especiais”.
Quando os vieram buscar a eles, espantaram-se e finalmente perceberam como tinham contribuído para o seu próprio fim.

E assim se cumprem quatro anos de blog — livre e anti-dogmático. Um local onde se preza a discussão séria de ideias e se cultiva o pensamento crítico. Amado, odiado ou ignorado, mas sempre fiel aos seus princípios e valores. Aos que por aqui têm passado, obrigado.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Abril

Em mais um 25 de Abril que alarga o fim-de-semana, reitero o que já disse sobre os feriados políticos. Mas hoje, estando a minha outra casa blogosférica em período de nojo, não posso evitar referir aqui o que começa a ser característico deste mês, ameaçando tornar-se novo ditado popular.

No ano passado, no quarto mês, a polícia (do pensamento?) irrompeu em vários lares e apreendeu, entre muitas outras coisas inacreditáveis, livros! Este ano, no mesmo mês, a (in)justiça portuguesa está a braços com um processo onde o que mais motiva a acusação são alegadas ideias e convicções políticas. A lembrar outros tempos...

Assim, as páginas obrigatórias a visitar nesta data são Abril... Prisões mil! e Prisões de Abril, ontem como hoje este é o mês das perseguições por motivos políticos.

Para mais leituras abrilinas, o meu caro amigo Nonas oferece Miguel Torga, Manuel Maria Múrias, Rodrigo Emílio, António José Saraiva e António Silva Cardoso.

Filmes de culto (XXI)

A Canção de Lisboa, Cottinelli Telmo, 1933.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Exemplo italiano

O Grupo Vector, um movimento informal de alunos nacionalistas do Instituto Superior Técnico, de que dei notícia aqui, publica na sua página uma interessante entrevista com o CUIB d'Avanguardia - Comitato Universitario Iniziative di Base, um grupo criado na Universidade Católica de Milão, em Janeiro de 2007, que é muito activo, tendo conseguido já subsídios para a concretização de um projecto para um arquivo de teses de acesso gratuito. Sem dúvida, uma inspiração para o activismo nacionalista universitário no nosso país. CUIB d'Avanguardia è un passo davanti a tutti .

terça-feira, 22 de abril de 2008

Céline e a Alemanha

Alertei vários amigos para uma mini-feira do livro na Av. de Roma, onde é possível encontrar algumas coisas interessantes a preços razoáveis. Um deles foi o Miguel Vaz que, entre outras coisas, comprou “Céline e a Alemanha (1933-1945)”, de Alain de Benoist, publicado entre nós pela Hugin, em 2001, com tradução de Bernardo Calheiros. Leu, gostou e ficou surpreendido. Para avivar a memória fui resgatar o meu exemplar da prateleira e reli-o de um fôlego.

Este pequeno livro é bastante revelador. Alain de Benoist, com a sua habitual erudição, desmistifica o infundado retrato de “nazi colaboracionista” de Céline, feito por alguma esquerda, bem como certas partes da defesa deste escritor a seguir à Guerra. É, como muito bem nos revela o subtítulo original, une mise au point.

Uma obra onde, para além de vermos que Céline não era um autor do agrado do III Reich tendo a sua obra sido censurada na Alemanha durante esse período, nos apercebemos de diferentes correntes e personalidades dentro do nacional-socialismo. Ao contrário da imagem de regime monolítico que habitualmente se quer fazer passar, é interessante verificar, por exemplo, o caso do Instituto Alemão em Paris, mais concretamente do seu director Karl Epting, muito criticado pelo seu apoio a Céline e pelos autores alemães traduzidos pela instituição, como é o caso de Jünger. Epting é afastado durante algum tempos, mas acaba por regressar, “apesar da opinião desfavorável da chancelaria do partido, que denuncia de novo o seu "liberalismo"”.

Bastante interessante, também, é a análise das traduções da obra de Céline na Alemanha, bem atribuladas, que implicaram várias alterações e deturpações. Não posso ainda deixar de referir, para terminar, a parte relativa às péssimas relações entre Céline e Ernst Jünger, nomeadamente no que respeita a uma referência nada elogiosa deste último no seu diário, onde substituiu o nome do escritor francês por “Merlin”.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Filmes de culto (XX)

Metropolis, Fritz Lang, 1927.

Guerras contra a Europa

Outros dos livros que referi na conferência «Kosovo é Sérvia: Um grito contra a nova ordem mundial», no passado dia 12 de Abril, foi “Guerras contra a Europa”, de Alexandre del Valle, publicado pela Hugin em 2001. Esta é uma obra fundamental para compreendermos como o Kosovo é um dos conflitos locais utilizados pela estratégia dos EUA de apoio localizado ao islão, tanto aos wahabbitas como ao panturquismo, contra o bloco ortodoxo e para evitar a constituição de um grande bloco geopolítico europeu. Tudo feito sob a capa do “Ocidente”, verdadeiro “logro civilizacional” nas palavras do autor, para garantir o hegemonismo americano.

Para Del Valle, a Europa “não poderá afirmar-se verdadeiramente como potência senão quando pensar como continental e reivindicar alto e bom som a sua independência e a sua soberania geopolítica, condições sine qua non do seu regresso à história e ao domínio do seu destino, intimando os Estados Unidos, se necessário, a não se imiscuírem nos seus assuntos "internos"”.

Óptimo mesmo para quem não está familiarizado com a geopolítica, devido à clareza com que o autor nos fala da “guerra das representações”, ou das “zonas moles” e “zonas duras”, por exemplo, bem como pelos vários mapas anexos e o glossário, essenciais para a melhor compreensão das questões.Um livro bastante interessante e inspirador, que gostei de revisitar na preparação da conferência, verificando que apesar de não ter a minha total concordância continua a ser uma obra de referência. Como tive oportunidade de referir, considero que toda esta estratégia, na qual o Kosovo se integra, não é “contra a Europa” mas, como afirma Pierre Vial, “contra os Europeus”.

domingo, 20 de abril de 2008

Boletim Evoliano n.º 3

«IdentidaD» n.º 7

Filmes de culto (XIX)

Triumph des Willens, Leni Riefenstahl, 1935.

Da Jugoslávia à Jugoslávia

Dado o interesse manifestado por alguns dos presentes na conferência «Kosovo é Sérvia: Um grito contra a nova ordem mundial», no passado dia 12 de Abril, falo de um dos livros que referi e que é uma obra essencial para a compreensão dos chamados “conflitos balcânicos”. Trata-se de “Da Jugoslávia à Jugoslávia — Os Balcãs e a Nova Ordem Europeia”, de Carlos Santos Pereira, mais concretamente da 3.ª edição, publicada pela Cotovia em 1999, revista e aumentada com novos mapas e um capítulo sobre o Kosovo.

O autor, jornalista e formado em História, cobriu a Guerra da Jugoslávia e recusou-se a fazer o que os seus colegas de profissão fizeram nosso país, nas suas palavras: “É impossível não registar como um péssimo serviço ao público português a forma perfeitamente leviana como alguns dos mais prestigiados títulos da nossa imprensa papagueavam, sem o mais elementar cuidado de verificação dos factos, tudo quanto agências e jornais da estranja se lembravam de despejar”.

Carlos Santos Pereira foi uma honrosa excepção em Portugal ao escrever este livro obrigatório, onde não tem problemas em afirmar: “os sérvios foram muito simplesmente imolados no altar da "nova ordem". Dificilmente haverá memória de uma operação tão sistemática e implacável de satanização de todo um povo, de punição de toda uma condição histórica”.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Há um ano

«Todos os seus pensamentos, ideias e convicções poderão ser utilizados contra si...»

Delito de opinião

Brigitte Bardot está novamente debaixo do fogo da brigada do politicamente correcto. Para os guardiães do pensamento único há opiniões proibidas e como a consagrada actriz francesa e activa defensora dos animais não se coíbe de exprimi-las, está pela quinta vez em tribunal acusada de “incitar ao ódio racial”. Agora, por ter afirmado que a comunidade muçulmana em França “está a destruir o país e a impor as suas crenças aos franceses”, pode ser condenada a dois meses de prisão com pena suspensa e a pagar uma multa de 15 mil euros. Assim vai a liberdade de palavra na União (Soviética) Europeia...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Aos futuros engenheiros


O Grupo Vector é um movimento informal de alunos nacionalistas do Instituto Superior Técnico. Tem como principais objectivos a procura de novas formas de expressão e de agitação político-cultural, numa época em que, mais que nunca, os interesses dos estudantes e da própria instituição são postos em causa.

Em acção!

«IdentidaD» n.º 6

Filmes de culto (XVII)

O Pai Tirano, António Lopes Ribeiro, 1941.

terça-feira, 15 de abril de 2008

O (des)acordo

Sobre aquele a que chama “O acordo ortopédico”, diz-nos o Walter Ventura, no seu estilo característico, na edição de hoje do semanário «O Diabo»:

Durante os últimos tempos têm-me matado o bichinho do ouvido com a história do Acordo Ortográfico que, quanto mais o olho mais me parece um acordo ortopédico. Um assunto excelente para as cabeças de serviço perorarem nas televisões e afins. E para glória dessa espécie de jornalismo televisivo que dirime questões como se o pequeno ecrã fosse um ringue de box.
Para já, do que entendi, os que defendem o acordo (com bastante mais exaltação do que a dos que estão contra), esgrimem argumentos economicistas que muito me fazem desconfiar. Foi assim com a adesão à CEE e, há poucos meses, com o afamado tratado de Lisboa que nos podou os restos da soberania. Que importa? Soberania ou língua, que também o é, podem alijar-se quando alguém se resolva a pagar por elas.
Só que, como de costume, parece que o negócio acabará furado. Mostrámos o rabo e em troca nem a tigela das lentilhas que a avidez exige.
De resto, digam o que disserem, não é a aceitação de umas dúzias de palavras deturpadas pelos brasileiros que nos vão aproximar. No Brasil, fala-se uma algaraviada que dificilmente entendo e não só pela diferença de entoação. Aquilo é a subversão completa da nossa sintaxe e, com os anos, a coisa piorará. A menos que, como se tem visto, a malta cá da paróquia continue a instruir-se nas telenovelas brasileiras e a macaquear os nossos irmãos de além-mar. Assim, ao fim de mais uns vinte ou trinta anos, não haverá quem consiga distinguir diferenças entre o "português" falado nas duas margens do Atlântico.
Por essas e por outras, continuarei a escrever como até aqui, sem cuidar do mimoso acordo que nos vão impor.
Darei alguns erros ortográficos? Pois! Menos, porém, dos que os que cato em muitos jornais de referência, mesmo antes do acordo entrar em vigor.

Exterminar pelo espectáculo

Ontem foi um dia de luto para qualquer pessoa que respeite os animais. Foi publicado do despacho de proibição de cães de “raças perigosas”. Não há informação, conhecimento, argumentos, discussões, seriedade, ponderação — nada. Uma vitória da ignorância. Tudo se faz em troca de notícias sensacionalistas, para agradar a uma sociedade do espectáculo cada vez mais alheada da realidade. A mesma que, para além dos crimes passionais e das “revistas cor-de-rosa”, se droga com alarmismos do tipo “vacas loucas”, “gripe das aves”, “cães perigosos”, etc.

Enquanto assisto impotente a esta barbárie, lembro-me do caso da idosa que atacou um pit bull à dentada...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Rosa Coutinho no Holocausto em Angola

O meu amigo Nonas já me havia falado no livro “Holocausto em Angola - Memórias de entre o cárcere e o cemitério”, de Américo Cardoso Botelho, e despertara a minha curiosidade. Mas depois de ler o excelente e corajoso artigo de António Barreto na edição de ontem do jornal «Público», passou a ser obrigatório.

Na sua lúcida análise e reflexão, lembrei-me do meu avô materno, oficial de Marinha que esteve colocado na Base Naval de Luanda. Fiquei com pena de ele não poder ler isto por já ter falecido. Sabia muito bem quem era Rosa Coutinho e o que tinha feito. Chocava-o um militar ser capaz de atraiçoar a Pátria que jurara defender. Sentia repulsa pelos traidores tornados “heróis”. Mas não deixei de sentir alguma felicidade em ver como as verdades incómodas começam a vir à tona. Ainda para mais, por uma pena insuspeita, como neste caso.

Diz António Barreto no seu texto: “O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA, tudo fez para derrotar os outros movimentos e se aliou explicitamente ao PCP, à União Soviética e a Cuba. Terá sido mesmo um dos autores dos planos de intervenção, em Angola, de dezenas de milhares de militares cubanos e de quantidades imensas de armamento soviético. O livro publica, em fac simile, uma carta do Alto-Comissário (em papel timbrado do antigo gabinete do Governador-geral) dirigida, em Dezembro de 1974, ao então Presidente do MPLA, Agostinho Neto, futuro presidente da República. Diz ele: "Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela".”

Kosovo é Sérvia: Um grito contra a nova ordem mundial

No Sábado passado, depois de algumas atribulações, nomeadamente quanto à mudança de local (que não se deveu a boicote do hotel, como alguns chegaram a suspeitar), realizou-se a conferência prevista, intitulada «Kosovo é Sérvia: Um grito contra a nova ordem mundial». Perante pouco mais de 30 pessoas, interessadas e intervenientes, o Humberto Nuno de Oliveira foi o primeiro orador, traçando a evolução histórica do Kosovo até aos bombardeamentos da OTAN em 1994. De seguida, coube-me fazer uma análise geopolítica deste caso, falar da situação do Kosovo actual e das condições da população sérvia que ainda lá vive.

Agradeço ao PNR, promotor desta conferência, ao Humberto, pela qualidade da intervenção e pela disponibilidade, e a todos os presentes, pelo interesse e participação. Fica a promessa de iniciativas semelhantes para breve.

sábado, 12 de abril de 2008

Dos 7 aos 77 anos

O Eurico de Barros lembra hoje no «DN» “Tintim na morte de Raymond Leblanc”. Falecido no passado dia 20 de Março, com 92 anos, este foi o “pai” da revista «Tintin», que rapidamente se tornou um sucesso e se internacionalizou.

Raymond Leblanc e Hergé

Leblanc foi o “resistente” que não hesitou em contactar o “colaborador” Hergé para fundar uma “revista para jovens”, que se tornou a referência da banda desenhada franco-belga.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Éléments n.º 127

“Ainda podemos salvar a Europa!” diz-nos Alain de Benoist nesta edição da revista «Éléments», dando o mote ao dossier intitulado “A Europa, da decepção à esperança”, com dois artigos seus de fundo, os quais, longe de merecer a minha total concordância, são excelentes reflexões thought-provoking, das que este autor nos habituou, seguidos da entrevista com Henri de Grossouvre, defensor de um eixo “Paris-Berlim-Moscovo” e que publicou recentemente o livro “Pour une Europe européenne”.

A destacar, também, a entrevista sobre o decrescimento com Alain de Benoist, na sequência da publicação de “Demain, la décroissance ! Penser l'écologie jusqu'au bout”, a entrevista com o sociólogo italiano Carlo Gambescia e o artigo sobre o filósofo alemão Peter Sloterdijk e a sua última obra “Cólera e tempo. Ensaio político-psicológico”. Nesta revista de 60 páginas há ainda muitas outras coisas a descobrir, entre vários artigos, ideias, críticas a livros e filmes, etc.

Filmes de culto (XVI)

Citizen Kane, Orson Welles, 1941.

Publicado

O «Público» de ontem brindou este blog com a publicação de um excerto do postFaça-se justiça!”, que encabeçou uma série de textos relativos ao julgamento “dos skinheads” na secção “Blogues em papel” do Caderno P2. Obrigado ao jornal e ao grande número de leitores que tem visitado esta casa nos últimos dias.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

“Este país não é para velhos”

Vi recentemente o aclamado filme dos irmãos Coen “Este país não é para velhos” com grande satisfação, já que as minhas expectativas estavam bem altas depois de tantas críticas favoráveis e prémios internacionais, incluindo óscares.

Passado nos anos 80 no Texas, conta-nos a história de um redneck que encontra uma mala recheada notas no meio do deserto, num local onde houve um tiroteio resultante de um desaguisado no tráfico de droga. O que parece um golpe de sorte para Llewelyn Moss, que vive num trailer park com a mulher, transforma-se numa perseguição que irá jorrar muito sangue, depois de um erro reconhecido a priori pelo próprio.

Num filme intenso, mas nunca acelerado, os realizadores voltam a explorar como ninguém os pormenores do interior da América: os hábitos, os ritmos, os nomes, o sotaque, os erros gramaticais, etc. Tudo características que reconhecemos num mundo que vemos em mudança. A violência desmedida e a ânsia do dinheiro, num país onde sempre tudo foi duro, atingem tais proporções que entram na normalidade.

Este é um enredo onde tudo se cruza, mas onde aqueles que esperamos nunca se encontram. As sequências pré-formatadas de Hollywood não se aplicam aqui. O herói clássico está à beira da reforma e nada pode, o herói ocasional não vence triunfante e o vilão principal, de uma frieza aterradora e ausência de sentimentos, é o único fiel a princípios em quem mais ninguém se revê.

Com uma óptima história, excelente passagem à tela e excepcionais representações, este é um must see, de que apenas posso dizer que consegue superar “Fargo”.

Conferência: Kosovo é Sérvia

No próximo Sábado, pelas 14:30, terá lugar em Lisboa uma conferência intitulada «Kosovo é Sérvia: Um grito contra a nova ordem mundial», que contará comigo e com o meu amigo e camarada Humberto Nuno de Oliveira como oradores. Espero a vossa presença.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Danos colaterais

«O Senhor não pode sair, está preso.» «Assim parece», disse K. «Mas por que razão?», acrescentou. «Não estamos autorizados a dizer-lhe a razão. Vá para o seu quarto e aguarde lá. Foi-lhe movido um processo e o senhor será informado de tudo na altura oportuna. (...)»
O Processo, Franz Kafka

No seguimento do post anterior, aproveito para lembrar que devido a este caso várias pessoas viram os seus lares revistados e pertences seus apreendidos, foram constituídas arguidas e submetidas a termo de identidade e residência, não tendo até agora qualquer acusação formada, ou qualquer justificação para esta devassa da sua vida privada.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Faça-se justiça!

Este é o meu desejo para o julgamento, a que os media chamam “dos skinheads” , que hoje começou no Tribunal de Monsanto. Se o meu desejo parece estranho, porque supomos habitualmente de a Justiça é justa, ele impõe-se por oposição ao “faça-se vingança” ou “faça-se espectáculo”, as posições mais tomadas face a este caso.

Quero com isto dizer que os acusados devem ser condenados pelos crimes que eventualmente cometeram, depois de provado em tribunal. O que não pode acontecer é condenar pessoas por aquilo que são, ou por aquilo que alegadamente pensam ou defendem. Da mesma forma, não se podem tratar diferentemente os skinheads, nomeadamente quanto às medidas de coacção aplicadas e à intenção, revelada hoje, de tornar este o “julgamento mais rápido de sempre”. Que aconteceu ao princípio de que “a Lei é igual para todos”? Qual a razão de não vermos esta preocupação com a celeridade em processos de pedofilia, criminalidade violenta, ou corrupção?

Não devia ser necessário lembrar isto num “estado de direito democrático”, mas parece que nunca é demais. Mesmo depois das corajosas palavras de Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, que denunciou esta situação apesar de adivinhar os ataques que se seguiriam, ouvi hoje na rádio o presidente do PNR e o advogado de Mário Machado alertarem para os contornos políticos deste processo, que mais parece uma perseguição por delito de opinião.

“XII Objectos do Itinerário de Mário Saa”

Este é o título de um livro publicado pela Fundação-Arquivo Paes Teles, com textos e investigação de Elisabete J. Santos Pereira, colaboração de Quintino Lopes, Luísa Ratinho Freire e Teresa Lageira Fernandes, e desenho arqueológico de Hermínia Santos. Contactei a fundação, que desconhecia, falei com a dr.ª Elisabete Pereira, a quem tenho que agradecer a disponibilidade e simpatia, e já encomendei o livro na loja online. Por esta informação, preciosa e oportuna, tenho que agradecer ao meu amigo Mário Martins, que em boa hora falou desta obra e de um número da revista «Águia» dedicado a Mário Saa, que também já pedi, na sua Voz Portalegrense.

Apesar dele se queixar nos comentários da pouca divulgação, há que dizer que nos cabe fazer o mesmo que ele: aproveitar a internet e todos os meios ao nosso alcance para dar a conhecer tantas coisas de interesse e qualidade que se produzem no nosso país, mas que infelizmente, por variadas razões, passam ao lado do mainstream.

O Mário aproveitou para publicar as capas dos livros do autor que possui. É uma óptima ideia. Prometo digitalizar as dos meus e partilhá-las aqui em breve.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Foice


Depois de ver isto e agora isto, lembrei-me do conselho dado por Trasíbulo a Periandro... Mas o Miguel Vaz está realmente acima — é uno di noi!

Racismos (XI)

Uma leitora enviou-me um caso curioso, retirado de um artigo sobre Rita Egídio, publicado na revista «Nova Gente» n.º 1646. Diz a entrevistada que foi vítima de racismo em São Tomé e Príncipe, local onde viveu até aos 19 anos, explicando: "era branca, loira, de cabelo comprido, olhos claros, um patinho feio, um alienígena. Tive momentos complicados, algumas tensões, não ao ponto de me ofenderem, mas, por exemplo, ser preterida pelos professores por ser branca. Muitas vezes perguntei à minha mãe porque não era preta".

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Gueto

“Como ratos numa ratoeira” é o título do artigo publicado na última edição do «Courrier Internacional» sobre a situação dramática daquele a que chama o “gueto de Gracanica”. Neste enclave a poucos quilómetros de Pristina, organizado à volta do mosteiro local, à semelhança de outros no Kosovo, vivem 30 mil sérvios num verdadeiro mundo à parte, cuja única ligação com exterior é a estrada para Belgrado, protegida por militares sérvios.

Mosteiro de Gracanica

As recentes celebrações da auto-proclamada independência do Kosovo, ilegal à luz do Direito internacional, esqueceram o drama dos sérvios que ainda lá vivem. Como nos diz este artigo: “calculada em cerca de 250 mil pessoas antes dos bombardeamentos da NATO em 1999, a população sérvia do Kosovo caiu para metade, vítima de uma contra-limpeza étnica e do medo, desde que a província é gerida pela ONU”. São os expendable assets da Nova Ordem Mundial…

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Racismos (X)

Ainda ontem falei aqui do n.º 2 da «Afro» e só depois vi que o blog Feio, Porco e Mau reproduziu o editorial, intitulado “uma questão de raça!”, e a secção de cartas dos leitores do n.º 3 da mesma revista. É de ler atentamente e imaginar o que aconteceria se existisse uma revista chamada «Euro», com o mesmo discurso, mas referindo-se aos brancos...

terça-feira, 1 de abril de 2008

La Nouvelle Revue d'Histoire n.º 35

Anunciar a saída de mais um número de «La Nouvelle Revue d’Histoire» é para mim um prazer e uma obrigação. Um prazer porque não resisto a partilhar esta publicação excepcional que proporciona sempre óptimas leituras e reflexões. Uma obrigação porque sinto que não devo deixar passar despercebida uma revista de qualidade ímpar, que sobrevive apenas das assinaturas e vendas avulso; para que se mantenha é obrigatório comprá-la.

O tema do dossier do n.º 35 é “Nobreza e Cavalaria”, enquadrado pelo editorial de Dominique Venner que apresenta, com a clareza e sapiência que o caracterizam, a “Ilíada” como “o primeiro romance de cavalaria, prescritor de modelos eternos” e a “Odisseia” como “obra fundadora total”. Dos vários artigos, há a destacar “Dos cavaleiros aos Templários”, de Bernard Fontaine, “Um nobre na tormenta”, o interessante retrato do Marquês de La Fayette feito por Philippe Conrad, “O sentido da morte e da vida”, a reflexão de Dominique Venner sobre a dignidade do suicídio, onde nos fala dos casos de Drieu La Rochelle, Henry de Montherland e Saint-Exupéry, e o texto de Oswald Spengler, para quem a nobreza é “A quintessência da hereditariedade”, reflexões retiradas da sua obraO Declínio do Ocidente”.

Ainda neste número, destaque para a entrevista com George Nivat, professor universitário e tradutor de grandes autores russos, essencial para compreender a Rússia. Para além do artigo “René Bousquet: un homem de esquerda em Vichy”, de Jean-Claude Valla, a recensão crítica do livro de Ernst Nolte “Entre as linhas da frente, entrevistas com Siegfried Gerlich”, e a habitual crónica de Péroncel-Hugoz, desta vez intitulada “Revisionismo em Poitiers”.

Como sempre, a não perder!

Racismos (IX)

«Afro», uma publicação recente do Grupo Impala, lançada sob o slogan “a revista para a mulher de origem africana”, mostra no número 2 a sua cor. A pretexto da defesa da “fabulosa vitalidade da cultura africana” faz a promoção da mestiçagem, como o demonstra a fotografia de Seal e Heidi Klum na capa anunciando o principal artigo “casamentos multirraciais dão certo”. É claro que quando se trata de negros as raças humanas já existem... Mas esta revista não promove a raça negra, podemos dizer que promove a raça “afro”. Para além do referido artigo, a maioria das personalidades retratadas são mestiças, e para esta revista os mestiços são “afro”. O homem do futuro será, nesta ordem de ideias, “afro”, porque como nos diz a editora “África está onde eles estão”.