quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

PNR com a Sérvia!

O PNR manifesta-se em frente à Assembleia da República, na sexta-feira, dia 29 de Fevereiro, pelas 18 horas, em demonstração de “Solidariedade para com a Sérvia” nesta hora dolorosa e em testemunho da defesa das Nações.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

«IdentidaD» n.º 4

Racismos (VIII)

Mais um caso de racismo anti-branco na terra do multiculturalismo. Situações destas começam a ser recorrentes no Reino Unido, tendo falado aqui, no ano passado, na discriminação de Abigail Howart, que viu a sua candidatura a um emprego público recusada apenas por ser branca e inglesa.

Desta vez, segundo nos dá conta a notícia da Novopress PT, um soldado britânico que combateu no Iraque e no Afeganistão queixa-se de ter sido impedido de se tornar polícia devido à sua cor de pele. Depois de receber uma carta de recusa da Metropolitan Police, que argumentou estar à “procura activamente de membros de comunidades negras, minorias étnicas e mulheres”, Ben Mayer lamentou-se: “Quando estive na linha da frente, arrisquei a minha vida constantemente para combater o terrorismo. Voltar e ficar a saber que tenho a cor de pele e o sexo errado para me tornar polícia deixa-me sem palavras. Sinto-me discriminado”.

A “independência” do Kosovo (III)

De leitura obrigatória é como se pode classificar o comunicado de hoje das Synergies Européennes, intitulado “Reflexões sobre a proclamação unilateral da independência do Kosovo”, que analisa esta questão sob o ponto de vista do Direito e da geopolítica e as possibilidades de acção que nos proporciona a independência kosovar: “Nous aurons l’occasion de militer en faveur de notre vision de l’Europe. De demeurer des combattants. De véritables « zoon politikon ». Les Vestales d’un inéluctable Grand Retour de la tradition impériale.

Comunicado na íntegra em Euro-Synergies.

A “independência” do Kosovo (II)

Mais uma vez há uma voz dissidente entre os partidos portugueses, desta vez sobre a questão do Kosovo. “O PNR não reconhece a independência do Kosovo, declarada unilateralmente e apoiada por parte da comunidade internacional do Ocidente, já que configura um acto de violação do direito internacional, desta vez contra a Sérvia, nação com a qual o PNR se solidariza e apoia, alertando ainda para o perigo da kosovização cujo precedente foi agora aberto.

Comunicado na íntegra em PNR.pt.

A “independência” do Kosovo (I)

O presidente da Associação francesa “Terre et Peuple” reagiu à autoproclamada “independência” do Kosovo, que considera um “protectorado americano” e que, segundo ele, “apoia o processo de limpeza étnica empreendida desde há muito tempo por albaneses contra os sérvios. Esta é apenas uma etapa da islamização da Europa”. Por isso, apela à “mobilização dos europeus ainda lúcidos para mostrar, por todos os meios, a sua solidariedade activa com os seus irmãos sérvios. Estes têm grande necessidade de saber que não estão sós e que o seu combate identitário é o nosso. A terra do Kosovo é Sérvia. Um dia virá a reconquista desse berço histórico do povo sérvio”.

Texto completo do comunicado, em português, em Novopress PT.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Tropa de Elite

Tropa de Elite”, de José Padilha, ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Mesmo depois de uma campanha que o classificava como “fascista”, o júri decidiu reconhecer o excelente trabalho do realizador brasileiro.

Vi este filme polémico da mesma forma que milhões de brasileiros — através de uma cópia pirata. Vi e tornei a ver, porque não é todos os dias que aparecem coisas destas. O que era para ser um documentário sobre o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, conhecido por BOPE, tornou-se uma obra de ficção perante a ausência de militares dispostos a prestar o seu depoimento. O resultado foi um controverso sucesso, agora justamente premiado.

A acção desenrola-se naquela que é — como se afirma claramente —, a guerra que se vive no Rio de Janeiro. Na qual, para fazer frente aos traficantes das favelas, bem armados graças à corrupção generalizada, só um corpo de elite, constituído por militares incorruptíveis, alvo de uma selecção criteriosa e formação exigentíssima, consegue levar a melhor. O BOPE não é para brincadeiras e os seus inimigos também não. Defrontam-se num dos mais complicados teatros de combate urbano — os labirínticos morros. A preparação dos militares, a sua coragem e determinação garantem que sejam os melhores. Não hesitam em ser brutais e usar formas de tortura naquele inferno, porque guerra… é guerra.

Mas apesar das espectaculares cenas de acção, realísticas e muito bem ritmadas, que alguns criticaram como americanizadas, “Tropa de Elite” não se resume a um “filme de bang-bang”, como se diz no Brasil. É um retrato social de um país, que mostra as intrincadas redes de corrupção que se estendem a praticamente todos os aspectos do quotidiano e a existência de uma classe abastada que vive num mundo à parte, diametralmente oposto, mas no qual muitos, enquanto fumam maconha, sonham em salvar os “pobres e oprimidos”, que apenas traficam porque são excluídos da sociedade… Onde é que já ouvimos esta conversa antes? A realidade mostrada no filme arrasa totalmente tais posições utópicas e mostra o seu efeito perverso, porque como nos diz o narrador a determinada altura: “não há nada pior que rico com consciência social”.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Racismos (VII)

“Black Power” foi como João Malheiro titulou a sua coluna no diário gratuito «Destak», no passado dia 11 de Fevereiro. Uma escolha perfeita, diga-se, já que o texto é um elogio às virtudes do sangue africano. Admirador confesso do futebolista Cristiano Ronaldo, o comentador desportivo diz que descobriu através a irmã deste a ascendência cabo-verdiana do jogador. Isso fez a sua felicidade, porque a sua observação já havia detectado que “os indícios estão lá, há um rasto afro que ele exala”. Assim, pode colocá-lo pacificamente no mesmo plano que Eusébio que, segundo ele, “até é filho de pai branco”. O autor explica bem a sua posição, terminando assim: “nestas coisas do futebol, da música ou da dança, a negritude ou os seus vestígios são mesmo sinónimos de sedução”.

Para reflexão: os anti-racistas de serviço não hesitaram em considerar James Watson culpado e forçá-lo a desculpar-se; por outro lado, declarar que os descendentes de negros, mesmo em grau afastado, são melhores em certas actividades, é louvável.

A Sérvia

Perante os acontecimentos de ontem, lembrei-me de um excelente post do Clark, que já havia sugerido aqui. Como foi publicado no saudoso Claque Quente, infelizmente interrompido (para quando o regresso?), decidi republicá-lo aqui.


«Sempre nutri um especial carinho pelas guardas avançadas. Pouco reconhecidas pelos seus pares, são chamadas à guerra quando necessário e pouco usufruem dos despojos depois dela. É isso que acontece há séculos com os meus irmãos sérvios.

Fazedores do seu próprio território, a que deram início a sul dos Cárpatos no século VII, os sérvios sempre revelaram uma noção de pátria - mesmo que se dela raramente tenham memorizado os contornos, tão fortes sempre foram os vários inimigos que ao longo do tempo conheceram.

Quis a geografia e a história que a Sérvia ficasse situada num terreno de fronteira e de passagem. Às portas de um mundo outro, a Sérvia cedo se manifestou europeia, desde o tempo em que o adjectivo faz sentido. Esteve ao lado de austríacos, franceses, alemães e russos em diversas fases da sua História, nunca comandando a lei da guerra mas dando sempre o corpo ao manifesto quando a velha Europa mandava expulsar turcos. Não raras vezes, quando as potências nobliárquicas se cansavam da batalha, pagou com carne, dignidade e território a factura da paz.

Cansados de ser moeda de troca, os sérvios lideraram outros povos com menor índole nacionalista numa arrancada moderna para a feitura de um Estado. No último quartel do séulo XIX estavam os alicerces lançados para o advento da Jugoslávia, país que viria a ver a luz do dia, a dois tempos, por volta dos anos vinte.

É típico das guardas avançadas ter um olho na fronteira e outro na própria retaguarda. É que nunca se sabe de onde vem o maior perigo - se da missão que nos foi confiada ou se de quem nos confiou a missão. Esta é, em termos breves, a história e a saga de todos os sérvios.

A Sérvia dos dias de hoje sofre as depressões de outros tempos. É um soldado triste com a falta de reconhecimento dos seus comandantes. Fez o trabalho e, no entanto, é apontada a dedo como um mau exemplo. Foi usada, não como prostituta, mas como mulher fiel a quem o marido trai.

A guarda avançada está de luto. Mas sempre alerta.»

Agora mais do que nunca

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os livros depois de nós


O Eurico de Barros reflecte hoje, na sua coluna no «Diário de Notícias», sobre o destino das bibliotecas pessoais depois da morte dos seus proprietários. É um tema perturbante para qualquer bibliófilo, mas que com certeza já ocupou a mente da maioria. Não quero para os meus livros a solução cáustica que ele escolheu. Inclino-me mais para a continuação na família, mas isso traz problemas. Diz ele: “se há descendência e essa descendência foi criada e educada no gosto pelos livros e pela leitura, a nossa biblioteca fica em mãos seguras quando nos finarmos. Se não há descendência, ou a descendência não tem o menor interesse em livros, é o diabo”. Acrescento eu, e se um dos meus filhos cuidar da biblioteca, mas os meus netos não? É por isso que a melhor solução — já que perfeitas não há — é a doação a uma biblioteca pública. E o ideal seria fundar uma com a contribuição dos tantos bibliófilos que se debatem com esta questão.

“Continuação de uma actividade criminosa”

“Extrema-direita”, skinheads, Mário Machado. Para alguns, basta proferir estas palavras para que se sintam incomodados e atirem as habituais “soluções” drásticas. Não discuto tal atitude, porque esses com certeza terão as suas razões, as suas motivações, os seus preconceitos. Acontece a todos. O que não pode acontecer é que o sistema judicial se comporte da mesma forma.

Não vou aqui discutir a denominada “extrema-direita”, os skinheads, ou o Mário Machado. Goste-se de todos eles, de alguns deles, de parte de alguns deles ou de nenhum, pouco importa. Uma pessoa, um grupo, ou uma associação, não pode ser criminalizado por ser de determinada tendência política. Ou já chegámos ao “crimideia” orwelliano?

Vem este post a propósito do blog Prisões de Abril, considerado a “continuação de uma actividade criminosa”. Vão até lá, esqueçam por um momento as vossas posições políticas e as vossas simpatias ou antipatias pelos skins ou pelo Machado, e reflictam. A justiça é cega, mas parece que em certos casos alguém lhe levanta a venda.

Quem quiser ouvir, levante o braço!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Se não fosse o monstro...


Há duas semanas fui ver o filme Cloverfield, apesar de não ser grande fã das produções de J. J. Abrams.

Não gosto de cocktails, tenho sempre a sensação que tanta mistura serve para esconder algo, quanto mais não seja a falta de jeito ou inspiração. Este filme é exactamente isso. Um exercício de colagem que podia definir-se como um “Blair Witch Project/9-11”, com um cheirinho a Lost e umas salpicadelas de Escape from New York, Starship Troopers, Godzilla e King Kong, onde se desenrola uma tentativa de história de amor.

A favor do filme há, sem dúvida, o monstro. Se bem que eu, como apreciador incondicional de filmes clássicos com mostros, incluindo os Godzilla e Gamera série B, sou suspeito. Mas devo dizer que quando ouvi o som emitido pela criatura, perante as semelhanças com a “nuvem de mosquitos” que passa por monstro na série Lost, temi o pior. Felizmente o destruidor de Nova Iorque no filme está bem conseguido nas cenas monumentais, o que já não se pode dizer nos grandes planos. Bom está também o final, apesar de expectável, e serão com certeza interessantes as mensagens ocultas, para quem aprecie. Foi o caso do meu amigo Miguel Vaz, que me perguntou: Não gostaste? Nem por isso... Acho que merece no máximo duas estrelas (daquelas que se dão nos jornais) porque um filme onde um monstro gigante destrói uma cidade é sempre divertido.

A Reconquista

Dos mares da Irlanda e das costas da Bretanha
vão partir velas ao Sol
Há bandeiras desfraldadas, torres, lanças, brilham espadas
vão reconquistar o Sul
Os Celtas que vão partir
quando o Sol nascer...
Grinaldas nas ameias, ardem as
que não nos podem queimar
Gaiteiros enfeitados, vão
tocar cantos passados
por aqui vai começar
e vem dançar, vem dançar
até o sol nascer
Das ribeiras da Galiza, através da Ibéria antiga
em nome dos nossos Reis
retomar as fortalezas, "Sant´Iago e aos Mouros"
para impor as nossas leis
os Celtas que vão partir
quando o mar crescer...
Ignorem-se os presságios que nos falam de naufrágios
vão partir velas ao sol
São guerreiros enfeitados que ao som de cantos passados
vão reconquistar o Sul
Mas vem dançar, vem dançar
até o sol nascer...

Dos mares da Irlanda
Gaiteiros Guerreiros
Bandeiras Fogueiras
Castelos Reconquista



Corria o ano de 1987 e os Sétima Legião editavam o seu excelente segundo álbum Mar d'Outubro que, para além desta faixa, continha a inesquecível Sete Mares. Que bela recordação...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

De amigo para amigo

O meu amigo João Marchante elogia-me, dizendo que sou um homem “à antiga portuguesa”. Vindo de um homem da tradição, esta é uma das mais altas condecorações que me podia atribuir. Claro está que este post foi precedido de um telefonema onde, elogios à parte, falámos de livros — vício que ambos partilhamos — e deixámos no ar, como sempre, encontros a combinar.

Tenho saudades, à antiga portuguesa, de estar com ele numa tertúlia, porque a nossa conversa vai estando em dia, muito graças às novas tecnologias. É que foi na tertúlia bibliófila que com tanto prazer frequentava no Bairro Alto, em pleno território alfarrabista, na companhia do meu prezado amigo Paulo, entre outros que por vezes também aparecem pela blogosfera, que conheci o João. Fazendo um cálculo apressado, já lá vão uns anitos... Dez? Seguiram-se outras tertúlias, outras guerras, outras conversas. Foi uma amizade que se foi fortalecendo ao longo de todo este tempo e da qual muito me orgulho.

Estas palavras são para ti, caro amigo. Um abraço.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

“O advogado, o político e eu”

Este é o título do hilariante relato do Walter Ventura, publicado no semanário «O Diabo» de ontem, sobre os processos judiciais que lhe moveu Carlos Candal. Desde a primeira condenação “a pagar mil euritos de indemnização ao dr. Candal porque, disse-o o juiz sem se rir, consultara "um dicionário da Porto Editora que tinha em casa" e constatara que o termo rábula era ofensivo para um advogado que se preze”, ao segundo julgamento onde a juíza não só o absolveu “como, no texto da sentença que lavrou, ao longo de quase duas dezenas de páginas, praticamente provou que a primeira sentença fora uma injustiça”. Para concluir: “E muita curiosidade tenho em saber se o digno deputado Candal, essa espécie de dr. Jekyll e mister Hide que se sobrepõem ao sabor dos interesses imediatos e se entreajudam quando as coisas ficam negras ou se julga enxovalhado, verá nesses pobres textos – se chegar a encontrar alguns, razão suficiente para voltar a levar-me à barra dos tribunais”. A não perder!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Linkado

Esta casa mereceu ontem um link ao post Dos gangs” por parte do Sapo Notícias (Sintra), o que provocou um natural aumento de visitantes. Obrigado!


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Casos da Língua (II)

Na revista «Pública» de ontem, leio uma interessante reportagem sobre a única escola de cães-guia que existe em Portugal e deparo-me com a expressão “labradora”. Uma infeliz versão feminina da raça canina Labrador, como é conhecida na sua forma abreviada. Sendo a designação completa desta, em Portugal, Retriever do Labrador, o correcto será dizer uma cadela Labrador, ou uma Retriever do Labrador.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Dos gangs

Depois da morte de dois “jovens” — para usar a terminologia politicamente correcta — num acerto de contas entre gangs rivais na estação de Rio de Mouro, no mês passado, o «Diário de Notícias» publicou ontem uma reportagem sobre essa realidade da Linha de Sintra.

O tom deste trabalho jornalístico é o que seria de esperar, apoiado pelo editorial sarkozista que fala na “importância de dar esperança aos subúrbios”. Os entrevistados, imigrantes africanos ou descendentes desses imigrantes, queixam-se do costume: dificuldades financeiras, desintegração e racismo.

Sobre as “dificuldades financeiras”, que estão longe de ser um problema localizado no nosso país, devo referir que ao longo desta reportagem percebemos que estes “jovens” têm telemóveis, consolas de vídeojogos, roupa de marca e ainda dinheiro para a bebida e charros. Não digo que tenham uma vida de luxo, mas estão longe de uma situação de pobreza e necessidade vivida — é preciso dizê-lo — por muitos portugueses de origem, que por isso não se dedicam ao crime, nem vêm exigir que outros solucionem os seus problemas.

Sobre a “desintegração” e o “racismo”, verificamos que a maioria deles não frequenta a escola porque não quer, e não porque lhes tenha sido negado, tendo um deles chegado inclusivamente ao ensino superior. No plano laboral, apesar das queixas habituais, alguns estão empregados e outros conseguem trabalhos esporádicos quando necessitam. Mesmo sendo alguns deles estrangeiros, têm acesso à educação, à saúde, etc. Quanto à nacionalidade portuguesa, os que a pretendem conseguir não são movidos por um amor a um país no qual se revêem e do qual querem fazer parte. O motivo é o futebol, querem ser “portugueses” de papel porque isso lhes pode facilitar a carreira desportiva com que sonham.

Os jornalistas terminam o texto com esta citação: “isto não é um gangue, é uma família”. Qualquer mafioso diria o mesmo da Cosa Nostra...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

“Assim se mata um rei duas vezes”

Portugal tem habitualmente pouco respeito pelo seu património histórico e este caso é mais uma demonstração inacreditável dessa delapidação. No «Diário de Notícias» de hoje, a propósito do centenário do regicídio, o Eurico de Barros fala dos registos sonoros do nosso penúltimo monarca. Diz ele: “Como seria a sua voz? Como falaria D. Carlos? Perguntei a um amigo que sabe destas coisas de arquivos. Segundo ele, havia na antiga Emissora Nacional gravações da voz de D. Carlos. Foram destruídas depois do 25 de Abril, juntamente com muitas horas de programas. E assim se mata um rei duas vezes: primeiro em pessoa, depois em memória sonora.” Incrível? Apenas mais um atentado. Realmente incompreensível é a repetição sucessiva de situações como esta.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Abrir o caminho

As igrejas na Europa, na sua maioria, são dos maiores colaboracionistas com a invasão populacional do nosso continente, já o sabíamos. Mas, mesmo assim, não deixa de espantar a posição do Arcebispo da Cantuária, líder da Igreja Anglicana, que defendeu a introdução parcial da Sharia no Reino Unido. Num discurso nos tribunais reais de Londres disse que “nós simplesmente não temos um antagonismo entre dois sistemas legais rivais quando discutimos as leis islâmica e britânica. Reconhecer Sharia é reconhecer um método de jurisprudência regulado por textos revelados em vez de um único sistema”.

Apesar da pronta reacção do ministro do Interior, entre outras críticas, propostas como esta, sobretudo defendidas por figuras cimeiras de importantes sectores da sociedade, abrem cada vez mais o caminho à constituição de zonas de jurisdição própria no seio dos países europeus — verdadeiros colonatos que logo se quererão expandir. Qual o resultado final da crescente abertura de fronteiras e do reconhecimento de regimes especiais privilegiados para os muçulmanos na Europa? Uma multiplicação de Kosovos?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Decrescer

Leio a última edição do «Courrier Internacional», que alterou a periodicidade para mensal e o formato para revista, e vejo um interessante dossier, que faz capa, sobre um conceito que aqui já referi brevemente — o decrescimento. É bom ver que parte da imprensa mundial dá a conhecer uma postura cada vez mais necessária e que é tão simples e tão poderosa. O decrescimento é a verdadeira ecologia e depende apenas de cada um de nós; recusa o consumismo e a ideia de eterno progresso e denuncia conceitos mágicos como o de “desenvolvimento sustentável”. Algo que merece, hoje mais que nunca, a nossa reflexão. Acabemos com o homo consumans que há em nós.

Bem a propósito vêm os posts de Agit-Prop do Novopress Portugal com o título “Abaixo as catedrais do consumo”, dos quais surripiei uma imagem para ilustrar este texto.