segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Moskva em Lisboa

Uma das recordações que tenho mais vivas da Guerra Fria é a da permanente comparação de arsenais bélicos. Na altura, acompanhava com alguns amigos, que também gostavam destas coisas, as últimas novidades do armamento de um lado e do outro. Por isso, não resisti a ir ver, ontem, o cruzador Moskva ancorado no Tejo. Apenas foi possível vê-lo à distância, separado por grades, já que as visitas eram das 14 às 17 horas, segundo me informaram no local. Como era meio-dia e o ajuntamento dos que esperavam era considerável, contentei-me com umas fotografias. Pensei, depois, que se me dissessem em tempos idos que veria um dia um navio militar russo em Lisboa, dificilmente acreditaria.

Cruzador Moskva

domingo, 27 de janeiro de 2008

Excepções

Leio com agrado a reportagem sobre os “pequenos partidos” na última edição da revista «Única», do semanário «Expresso». Habitualmente, costumo apontar aqui vários casos do que considero ser “o mau jornalismo habitual”, nomeadamente aquele que, quando se refere à chamada “extrema-direita”, é politizado, preconceituoso e intolerante; violento, até. Neste caso, concretamente no que se refere ao PNR, surpreende pela positiva. Não é elogiosa — não me entendam mal —, isso seria negativo para uma peça jornalística que se quer objectiva. É isenta e informativa, já que descreve com verdade a vida do partido, as suas várias actividades e revela a opinião do seu presidente sobre alguns assuntos, ilustrando o trabalho com uma fotografia do José Pinto-Coelho, na sede, observando várias propostas de adesão angariadas.

Não posso referir nesta casa apenas os casos maus, também cá têm lugar obrigatório as excepções. Nem que seja para confirmar a regra...

sábado, 26 de janeiro de 2008

Bibliofilias

Os livros são o meu maior vício, não tenho dúvidas. Ontem, saído de um almoço no Campo Pequeno, descubro uma mini-feira de antiguidades e livros. Compro apenas um, conseguido com uma bela redução no preço, depois de uma agradável conversa com a vendedora, que me informou da periodicidade mensal daquela feira. O alfarrábio que me acompanhou até casa foi “A Aliança do Sim e do Não”, do ultra-católico Plínio Salgado. Publicado em 1944 pelas Edições Ultramar, é uma versão remodelada e ampliada da conferência que o brasileiro deu no Seminário dos Olivais, intitulada “Pensamentos de ontem e tragédia de hoje”, e inclui ainda o texto “O Mistério da Ceia”, sobre a Última Ceia.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Profanações

Repito o que disse aqui a respeito da profanação de um cemitério: não compreendo a falta de respeito pelos mortos. Agora, acéfalos do mesmo calibre deslocaram-se ao cemitério do Vimieiro para vandalizar a campa de Salazar. Um acto que, independentemente de posições políticas, deve merecer o repúdio de todos. Mas, como leio por , parece que não...

Portugal precisa de ti

É de novos portugueses como este que Portugal precisa. Parabéns!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O mau jornalismo habitual (VI)

Interrompo o meu habitual jantar em casa de familiares porque me chamam à sala, para ver o que está na televisão. O Jornal da Noite da SIC transmite uma peça sobre a angariação de filiados pelos pequenos partidos, onde a actividade da banca montada pelo PNR na Baixa lisboeta é filmada. Está em causa uma verdadeira luta do “tostão contra o milhão”, por quem ainda tem ideais e valores, estando disposto a denunciar e recusar uma lei injusta, injustificável, antidemocrática e absurda. Mas tudo isso é de somenos importância, quando se trata de um partido da “famigerada extrema-direita”. Os jornalistas sabem muito bem que isenção é coisa que não se aplica nestas situações. Assim, o interesse maior vai para a tentativa de mostrar o PNR e os seus militantes como “xenófobos”. Tão preocupados estão com a suposta intolerância alheia, que se esquecem da própria. É o habitual.

Obrigado aos militantes que, mais uma vez, apesar de todas as adversidades, mantêm a chama acesa.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Distopia

No aniversário da morte de Eric Arthur Blair, imortalizado como George Orwell, lembro-me que nunca fizeram tanto sentido como hoje o controlo do “Big Brother”, o “ministério da verdade”, a “novilíngua”, o “crimideia”, entre tantos outros conceitos visonários. O verdadeiro totalitarismo, a milhas das experiências do século XX e pressentido apenas por alguns, vive-se hoje. Dúvidas? Veja-se este apontamento irónico que fiz há uns anos e lembrem-se que continua apreendido, no nosso país, “O Triunfo dos Porcos”!

domingo, 20 de janeiro de 2008

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Tierra y Pueblo n.º 16

O último número da «Tierra y Pueblo», revista da associação identitária homónima, tem como tema de fundo um património europeu ancestral, hoje ameaçado pela onda uniformizadora da civilização mundialista: as festas populares. Num excelente dossier que reúne vários artigos, destaque para o da autoria de Ernesto Milà sobre as tradicionais festas de “mouros e cristãos”, que evocam a epopeia da Reconquista, hoje atacadas pelas organizações muçulmanas em Espanha. Uma situação inacreditável, já que se tem assistido à cedência gradual das autoridades locais e nacionais. Destaque ainda para o artigo de Eduardo Núñez sobre o psicólogo alemão Philipp Lersch, para o de Gabriele Adinolfi sobre o injustiçado Luigi Caivardini e a entrevista com o presidente da fundação Kontinent Europa, Patrick Brinkmann.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Crónica belga: Um português na «4ème fête de l'identité»

Tal como havia prometido, apesar de com um mês e meio de atraso, sem esquecer o Flávio Gonçalves, que esperou por este relato impacientemente.

A quarta “Festa da Identidade”, organizada pelo partido belga Nation e subordinada ao tema “O Espírito Rebelde”, realizou-se no passado dia 1 de Dezembro de 2007 numa pequena localidade na região flamenga, perto de Bruxelas. Decorreu num castelo totalmente renovado, com várias salas onde estavam bancas de associações e movimentos, com livros, revistas, discos, artesanato, entre outros, bem como a zona de comidas. Um elevador dava acesso à sala de conferências no último piso, que encheu com os cerca de 150 participantes, onde decorreram as várias intervenções e mesas redondas. O ambiente foi óptimo, neste evento que colocou diferentes posições a discutir, sempre com elevação e respeito.

Château Coloma

Chegado ao Château Coloma, fui muitíssimo bem recebido pelo Hervé Van Laethem, presidente do Nation, com quem tive oportunidade de falar da situação política de Portugal e da Bélgica, e que me apresentou a vários camaradas europeus. Entre as várias pessoas com quem falei, destaco Robert Steuckers, que conheci finalmente em pessoa depois de contactarmos regularmente por correio electrónico há alguns anos, e Christopher Gérard, a quem disse que muito tinha apreciado a sua obra “Parcours Païen”, que se mostrou muito curioso acerca do interesse sobre o paganismo em Portugal.

O primeiro orador da conferência foi um jovem militante do Nation, que falou sobre várias personagens que considerou exemplos de rebeldia: Leónidas, Charles Martel, Patrick Pearse, Subcomandante Marcos. De seguida, foi possível ouvir um participante que se opunha ao sistema fiscal belga não pagando impostos, dizendo que estaria disposto a saldar o seu contributo com trabalho em favor da comunidade. Passou-se, então, a uma mesa redonda onde participaram Alain Escada, da associação Belgique et Chrétienté, que defendeu a família tradicional como forma de rebeldia no mundo actual, o responsável da Novopress belga, que apelou à utilização da internet para espalhar as nossas ideias, Pascal Cums, da associação Renaissance Sociale, que falou sobre a interdição da “sopa identitária” e sobre o projecto de auxílio social de distribuição de roupas a famílias belgas, e, por fim, Kris Roman, da associação Euro-Rus, com quem já havia falado em Paris, que defendeu um entendimento com a Rússia como solução para a tragédia actual da Europa. Após um breve intervalo, houve lugar para a entrega de um prémio de militância a Pascal Cums, após o qual Robert Steuckers apresentou Alain Soral, presidente da Égalité et Réconciliation, que defendeu a “união entre a direita dos valores e a esquerda social” e contou o seu percurso “não-contraditório, porque sempre patriota”, segundo o próprio, que precisou que “foi marxista, mas nunca trotskysta”. Apesar de apoiar uma política de imigração-zero e ser contra a construção de mesquitas-catedrais, considerou que “os imigrantes com nacionalidade francesa e o Islão, são um problema complexo, que não pode levar-nos à lógica do choque das civilizações”. Apesar de discordar pessoalmente com Soral em alguns pontos-chave, gostei de o ouvir, reconhecendo a sua inteligência, eloquência e abertura perante ambientes que lhe são teoricamente hostis.

Após a conclusão sobre o espírito rebelde, feita por Hervé Van Laethem, houve ainda a participação de um militante flamengo da Nouvelle Action Solidariste, e a leitura por Georges Hupin de um texto de Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, impossibilitado de estar presente por motivos de saúde.

Quem vê capas não vê caras? (II)

Mais um almoço com o Miguel Vaz, com os livros debaixo do braço, desta vez os de trabalho: o dele para o curso de engenharia, o meu para pesquisar bibliografia para o meu projecto de tese. Uma ideia a expandir.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Ponto de encontro

Realizou-se anteontem a III Convenção Nacional do PNR, onde foi reeleito José Pinto-Coelho como presidente do partido, que apresentou também uma das moções apresentadas e aprovadas intitulada "Continuar para servir Portugal". Fui igualmente eleito na lista por ele encabeçada, como secretário da Mesa da Convenção, órgão presidido pelo meu amigo e camarada BOS, para o qual me convidou.

Este é um projecto político que apoio, na medida do possível, quase desde o seu início. Alguns amigos questionam-me regularmente por esta opção. Não tem a minha concordância total, obviamente. Um partido político é assim mesmo. Não é um clube, nem uma igreja. Deve ser — tem que ser — um ponto de encontro de determinadas linhas de orientação, que assentam em pontos-chave. Sempre entendi o PNR assim, como uma frente comum. Foi por isso que anteontem dei os parabéns ao autor de uma das moções apresentadas, rejeitada, que criticava a direcção e muitas das suas opções; agradeci-lhe por não ter ido formar um novo movimento, uma nova associação, uma nova seita ou um novo partido. Se tem críticas, apresenta-as e discute-as internamente, no local apropriado. É um dos sinais de maturidade que o partido começa a ter e que contrastam com o passado. Numa das minhas intervenções lembrei aos presentes as diferenças abissais entre esta e a primeira convenção, com todas as suas peripécias, talvez naturais de um partido que dá os primeiros passos. Parabéns a todos os que têm aguentado o barco, nesta empresa onde é tão difícil ver uma luz ao fundo do túnel. Às adversidades que nos guarda o futuro apenas podemos contrapor a nossa determinação.


A Mesa da Convenção, fotografada pelo HNO, onde eu,
ladeado pelo Bruno e pela Sónia, redijo a acta.

Reflexões de fim de ano (II)

...publicadas no ano seguinte

Perguntam-me porque não fiz reflexões destas antes. Precipito-me e solto o lugar-comum “porque há coisas que se escrevem quando menos se espera”, ou porque, pensando melhor, quando vemos o desabar, o abuso e a intromissão no seio da nossa família, em frente aos nossos filhos, nos guardamos no silêncio. Esse refúgio para o qual me remeti durante a breve detenção, onde reli na memória um dos meus livros de eleição, que tanto me ajudou. Qual personagem de “Fahrenheit 451”, sentia que nem tudo estava perdido enquanto me lembrasse de “Le Coeur Rebelle”. Curiosamente, depois do sucedido, essa experiência foi transmitida ao autor do livro por um amigo meu, a quem agradeci. O mundo é pequeno, mas amizade é enorme. Foi o que tive a felicidade de sentir através de todos os que me apoiaram. A eles cabe-me apenas, sinceramente, renovar o meu obrigado.

A queda dos mitos

Leio na edição de hoje do «Público» uma notícia baseada no apelo anual feito a pensadores, investigadores e comunicadores pelo site edge.org, que lhes fez a seguinte pergunta: “O que é que já o fez mudar de opinião? Porquê?” Deparo-me com a queda de dois mitos tão caros à cartilha politicamente correcta do pensamento único: o igualitarismo e a inexistência de raças humanas.

À afirmação “Somos todos iguais”, responde Simon Baron-Cohen, psicólogo, conhecido especialista do autismo, da Universidade de Cambridge, “Quando eu era novo, acreditava que a igualdade era um princípio orientador da vida. Mudei de opinião. Ainda acredito nalguns aspectos da noção de igualdade, mas já não consigo aceitá-la em bloco. A igualdade de oportunidades sociais representa um sistema de valores que vale a pena defender, mas temos de aceitar que, no domínio da biologia, não há lugar para a igualdade.

Quanto à “verdade” oficial “As raças não existem”, esclarece Mark Pagel, biólogo da evolução, da Universidade de Reading, “Existe uma censura na maneira como somos autorizados a pensar e falar da diversidade das pessoas. Oficialmente, somos todos idênticos: não há raças. Se é um facto que as velhas ideias sobre as raças têm muitas falhas, os estudos modernos do genoma revelam um panorama diferente e surpreendente da diversidade humana. O que isto significa, gostemos ou não, é que poderá haver muitas diferenças genéticas entre as diferentes populações humanas - incluindo diferenças que até poderão corresponder às velhas categorias de "raça" - que são reais, tornando um grupo melhor do que outro na sua resposta a um dado problema ambiental. Isto não quer de maneira alguma dizer que um grupo seja em geral "superior" a outro, ou que deva ser preterido. Mas alerta-nos para o facto que devemos estar preparados para debater as diferenças genéticas entre populações humanas.