terça-feira, 7 de outubro de 2008

O reconhecimento do Kosovo (I)

A caminho de Paris, foi com muito agrado que li as lúcidas linhas de Pacheco Pereira, no «Público», sobre o reconhecimento do Kosovo, que o autor considera “uma política errada e perigosa”. Num artigo com o qual estou inteiramente de acordo, conclui, sem papas na língua, que “a decisão do reconhecimento unilateral do Kosovo é também má para os conflitos internos, porque nos Balcãs estas feridas podem conhecer momentos de aparente cicatrização, mas têm uma longa história de abrir de novo. Por muito que isto possa chocar, se se quer mexer nas fronteiras da ex-Jugoslávia, então faça-se "limpeza étnica" a sério, deixando os novos países com um grau de homogeneidade étnica e religiosa bastante para a questão para eles passar a ser de política externa e não interna. Não se choquem muito com esta sugestão, porque foi o que a Sociedade das Nações fez com as populações gregas na Anatólia e turcas na Trácia, nos anos vinte e, já que se está numa de "engenharia nacional", mais valia redesenhar tudo, com muito dinheiro e muita negociação, em vez de reconhecer países na base das fronteiras administrativas da antiga Jugoslávia, mantendo todos os problemas por resolver e acicatando os ódios.
Só é pena que o seu partido não lhe tenha dado ouvidos...

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