sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O mau jornalismo habitual (VII)

O recém-colocado cartaz do PNR na rotunda de Entrecampos, em Lisboa, foi noticiado em vários meios de comunicação. Alguns tentaram denegri-lo, dizendo que foi “copiado dos nacionalistas suíços” (porque não inspirado?), ou usando críticas de entrevistados. Mas houve um caso que me pareceu o mais deplorável. O diário «Público» de ontem, debaixo da fotografia do outdoor, oferece uma pequena sequência baseada nas reacções de dez transeuntes. há uns pormenores que merecem referência. Um cabo-verdiano considera “isto é racista” (palavra obrigatória nestas construções), mas curiosamente é o mesmo que “nem acha que se deva proibir”. Nos dez inquiridos encontrou-se apenas uma excepção. Como 10% até pode ser visto como uma boa base de apoio, é-nos “explicado” que se trata de uma mulher que “não perdoa ao preto que na véspera esfaquera o filho que até era amigo dos preto”. Ficamos também a saber que a agressão aconteceu dentro de uma sala de aulas, mas rapidamente esta auxiliar de enfermagem é confrontada com a questão de “também os brancos darem facadas” e explica: “Eu sinto-me revoltada, e até nem era contra pretos, nem era revolucionária.

É claro que já havia sido utilizada a expressão “papão da imigração” e dito que a esta senhora “concordou com a ideias de que os imigrantes são criminosos e roubam empregos e, por isso devem deixar Portugal”. Nem adianta repetir as posições oficiais do PNR, nem as declarações do seu presidente, porque isso devia ser conhecido pelo jornalista que fez este trabalho. O PNR critica a imigração enquanto fenómeno negativo que é e alerta para as suas consequências nefastas, salvaguardando sempre que não é, obviamente, contra as pessoas em concreto, pelo contrário. Este tipo de generalizações infundadas é normalmente utilizado contra os nacionalistas ou o “papão da extrema-direita”, para utilizar a terminologia dos contos infantis tão cara aos detractores profissionais de apenas uma tendência política.

Há ainda um comentário referido, “é a merda do PNR”, que demonstra bem o nível a que se chega no campo do jornalismo depreciativo.

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