domingo, 12 de outubro de 2008

“Desenvolvidos”

O jornal «Público» noticiava ontem — dia em que se deu a trágica morte de Jörg Haider — que “metade dos jovens votou na extrema-direita na Áustria”, contributo importante para que o FPÖ e o BZÖ conseguissem atingir 28% dos votos nas últimas eleições legislativas, o primeiro acto eleitoral em que jovens de 16 anos puderam participar. Pouco antes, em Portugal, anunciava-se uma sondagem que dava aos comunistas e à extrema-esquerda, em conjunto, intenções de voto ligeiramente acima dos 20%. Analisando estes dados à luz do politicamente correcto, chega-se à conclusão que os “desenvolvidos” devemos ser nós...

6 comentários:

  1. Segundo a teoria do "lá fora é que é", o facto de termos uma extrema-direita (ainda) incipiente é uma demonstração do nosso atraso em relação aos outros países da Europa!

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  2. Eu diria antes que o facto de por cá ainda se achar graça ao rótulo "extrema-direita" demonstra também o nosso atraso (eu diria regressão já que, certamente o Duarte também se recordará, não assim há tantos anos esse rótulo era repudiado pela área).

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  3. "Extrema-direita" é um rótulo aplicado, nomeadamente pela imprensa, nunca uma posição reivindicada pela própria área política. É um verdadeiro "saco sem fundo" para onde se pode atirar tudo e, por isso, bastante útil para os seus detractores.

    Do lado da que prefiro chamar "área nacional", ainda perdura o clássico "nem esquerda, nem direita", se bem que, concorrendo num sistema eleitoral bipartido, tal posicionamento nem sempre seja entendido. E suscita a eterna questão (com a qual se justifica habitualmente o rótulo): se elegessem um deputado, onde se sentaria?

    Cumprimentos.

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  4. Duarte, essa questão não se põe pois na AR ninguém aceitaria ficar mais à direita que o PNR!

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  5. Claro que não. Aliás, não deixa de ser irónico que é o partido "rigorosamente ao centro" que ocupa desde Abril a "extrema-direita" do parlamento.

    Sobre a recusa de nos vermos como "direita", lembro-me de Benoist no seu Vu de Droite: «Para os homens de esquerda, a recusa em se dizer de direita é um dos traços característicos do homem de direita.»

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  6. Evidentemente. Tal recusa cheira-lhes a medo ou a vergonha.

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