terça-feira, 30 de setembro de 2008

O busto de César

Em Maio deste ano, o Ministério da Cultura e da Comunicação francês anunciou uma excepcional descoberta arqueológica subaquática, em Arles, de um busto de Júlio César em mármore. No último número de «La Nouvelle Revue d'Histoire», Dominique Venner acompanhou esta notícia com as reflexões que a mesma lhe inspirou. Afirmando, em primeiro lugar, a sua desconfiança do culto dos grandes homens, diz-nos: “Este rosto podia ser de hoje em dia, mas podia também ser mais antigo. O que é espantoso é até que ponto este rosto viril, esculpido pela vida, é o de um Europeu (Bóreo), um tipo humano particular que atravessou os tempos. Não é um Japonês, nem um Chinês (Han), nem um Africano desta ou daquela origem, e também não é um Semita como vemos sob o arco de Tito. E acrescento que a minha benevolência é devida a todos os representantes da diversidade humana desde que eles respeitem a minha. Mas acontece que o rosto de um Europeu, tão antigo e célebre como o de César, desperta em mim uma emoção particular, como a de Ulisses após a reconquista de Ítaca. Tal lembra-me que nós não nascemos ontem e que andamos nos passos dos nossos antepassados, conhecidos ou desconhecidos, que nos fizeram aquilo que somos sem parecenças com outros. Eu existo por aquilo que me distingue, pelo que me identifica àqueles que me são próximos pelas origens, partilham um mesmo passado, um mesmo destino, os mesmos valores constituintes, energia intrépida, vontade de excelência pessoal, culto da Pátria, espírito trágico. (...) César é um Europeu superior em quem nos podemos reconhecer.

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