sábado, 3 de maio de 2008

Vitorino Magalhães Godinho em conversa

Por ocasião da reedição do livro “A Economia dos Descobrimentos Henriquinos”, agora com o título “A Expansão Quatrocentista Portuguesa”, o jornal «Público» conversou com Vitorino Magalhães Godinho, dando origem a um artigo muito interessante que pude ler no caderno «Ípsilon» de ontem. O insuspeito historiador, profere afirmações que, nos tempos que correm, estão longe de ser politicamente correctas.

Explicando que, por não existir “a ideia de nação” em África, os novos países construíram “um passado próprio”, passando “a dizer que tudo quanto os colonizadores tinham trazido era mau, que eram todos uns criminosos, que tinham que pedir desculpa. E os europeus desataram a pedir desculpa.” Recusando tais pedidos de desculpa, diz: “O que é condenável é esconder o que se passou. Mas eu não tenho nada que ver com o que fizeram os homens do século XV. A culpa não se transmite de pais para filhos, não é hereditária.”

Sobre o polémico tema da escravatura, afirma que esta “existia entre os povos africanos, os portugueses utilizaram as redes de escravaturas existentes. Os régulos gostavam muito de vender os seus negros como escravos. E isso permanece.” Magalhães Godinho traça a continuidade dessa postura até aos “actuais chefes políticos dos estados africanos, a cujos bolsos vão ter os subsídios atribuídos aos seus países.

Sobre a História hoje, diz-nos que “foi engolida pelo comemorativismo vão e pela ficção delirante” e critica o ensino actual, que considera ter abandonado a problemática. Para além disso, dá o seguinte exemplo: “O programa de História do secundário é uma coisa sem nexo. Passa-se do século IV para o século XV. Perde-se por completo a noção de uma sucessão, de um encadeamento.

Algumas opiniões contra a maré, para despertar a vontade de ler esta conversa a não perder.

1 comentário:

  1. "A culpa não se transmite de pais para filhos, não é hereditária.”

    nada mais certo e justo. sempre o disse e mesmo que alguem tenha sido culpado no passado, nem eu tenho o dever de me subjugar nem os descendentes desses escravos têm direito a "cobrar".
    mas os que mandam como não têm colhões para rebentar as amarras preferem ir pagando o perdão que nunca chegará (porque não convem...) com o dinheiro dos outros

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