terça-feira, 15 de abril de 2008

O (des)acordo

Sobre aquele a que chama “O acordo ortopédico”, diz-nos o Walter Ventura, no seu estilo característico, na edição de hoje do semanário «O Diabo»:

Durante os últimos tempos têm-me matado o bichinho do ouvido com a história do Acordo Ortográfico que, quanto mais o olho mais me parece um acordo ortopédico. Um assunto excelente para as cabeças de serviço perorarem nas televisões e afins. E para glória dessa espécie de jornalismo televisivo que dirime questões como se o pequeno ecrã fosse um ringue de box.
Para já, do que entendi, os que defendem o acordo (com bastante mais exaltação do que a dos que estão contra), esgrimem argumentos economicistas que muito me fazem desconfiar. Foi assim com a adesão à CEE e, há poucos meses, com o afamado tratado de Lisboa que nos podou os restos da soberania. Que importa? Soberania ou língua, que também o é, podem alijar-se quando alguém se resolva a pagar por elas.
Só que, como de costume, parece que o negócio acabará furado. Mostrámos o rabo e em troca nem a tigela das lentilhas que a avidez exige.
De resto, digam o que disserem, não é a aceitação de umas dúzias de palavras deturpadas pelos brasileiros que nos vão aproximar. No Brasil, fala-se uma algaraviada que dificilmente entendo e não só pela diferença de entoação. Aquilo é a subversão completa da nossa sintaxe e, com os anos, a coisa piorará. A menos que, como se tem visto, a malta cá da paróquia continue a instruir-se nas telenovelas brasileiras e a macaquear os nossos irmãos de além-mar. Assim, ao fim de mais uns vinte ou trinta anos, não haverá quem consiga distinguir diferenças entre o "português" falado nas duas margens do Atlântico.
Por essas e por outras, continuarei a escrever como até aqui, sem cuidar do mimoso acordo que nos vão impor.
Darei alguns erros ortográficos? Pois! Menos, porém, dos que os que cato em muitos jornais de referência, mesmo antes do acordo entrar em vigor.

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