terça-feira, 8 de abril de 2008

Faça-se justiça!

Este é o meu desejo para o julgamento, a que os media chamam “dos skinheads” , que hoje começou no Tribunal de Monsanto. Se o meu desejo parece estranho, porque supomos habitualmente de a Justiça é justa, ele impõe-se por oposição ao “faça-se vingança” ou “faça-se espectáculo”, as posições mais tomadas face a este caso.

Quero com isto dizer que os acusados devem ser condenados pelos crimes que eventualmente cometeram, depois de provado em tribunal. O que não pode acontecer é condenar pessoas por aquilo que são, ou por aquilo que alegadamente pensam ou defendem. Da mesma forma, não se podem tratar diferentemente os skinheads, nomeadamente quanto às medidas de coacção aplicadas e à intenção, revelada hoje, de tornar este o “julgamento mais rápido de sempre”. Que aconteceu ao princípio de que “a Lei é igual para todos”? Qual a razão de não vermos esta preocupação com a celeridade em processos de pedofilia, criminalidade violenta, ou corrupção?

Não devia ser necessário lembrar isto num “estado de direito democrático”, mas parece que nunca é demais. Mesmo depois das corajosas palavras de Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, que denunciou esta situação apesar de adivinhar os ataques que se seguiriam, ouvi hoje na rádio o presidente do PNR e o advogado de Mário Machado alertarem para os contornos políticos deste processo, que mais parece uma perseguição por delito de opinião.

5 comentários:

  1. Que se faça justiça.
    Existem vários factos curiosos que rodeiam este caso, e um deles é a ditadura de pensamento democrático.
    Apelidam este sistema de democracia, mas é a democracia DELES.
    Este é o sistema deles, é a voz deles, é a opinião deles... Se tens um pensamento que não corresponde ao deles, és considerado anti-democrático... Mas afinal o que é a democracia?

    O poder do Povo, será ouvido... e nosso povo um dia irá erguer-se contra esta gente que nos governa.

    Nuno Neves

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  2. Skinheads: «Nunca me considerei racista», diz Mário Machado

    O líder nacionalista Mário Machado, um dos 36 arguidos a serem julgados por discriminação racial, assegurou hoje em tribunal que "nunca se considerou racista" e que "não tem qualquer ódio primário à raça negra" ou a outras.

    Mário Machado, apontado também como líder do movimento "hammerskins" em Portugal, começou hoje de manhã a ser ouvido pelo colectivo de juízes, presidido por João Felgar, que deu uma grande amplitude ao arguido para expor as suas ideias, explicar comportamentos e esclarecer situações relacionadas com mensagens divulgadas na Internet e com as claques de futebol.

    O principal arguido referiu no Tribunal do Monsanto, Lisboa, que o conceito de racialismo que aparece em algumas mensagens da Frente Nacional "é diferente do racismo", porque a primeira defende o orgulho de uma raça (que até pode ser negra) e o segundo significa "o ódio por outra raça".

    Segundo Mário Machado, o racialismo "não impõe supremacia de uma raça sobre outra", nem em termos de "inteligência" ou de "aspectos físicos", dizendo que ele próprio "conhece negros que são melhores pessoas e mais inteligentes do que brancos".

    "Nunca me considerei racista. Não tenho qualquer ódio primário à raça negra, mas tenho orgulho em ser branco", disse Mário Machado, justificando, em defesa do movimento nacionalista, que também no PS e PSD haverá "pessoas racistas, mas não é isso que faz deles partidos racistas".

    O arguido admitiu, porém, ter "forte convicção" de que "há a propensão da raça negra para o crime", designdamente em Portugal, alegando que isso é "visível" na própria cadeia em que está preso, onde "só cerca de 25 por cento" dos detidos são brancos.

    Mário Machado considerou que tem havido dualidade de critérios em torno destas questões, alegando que os "judeus sionistas são racistas", mas que, devido à protecção norte-americana, "nunca foram considerados racistas", apesar de se proclamarem como o "povo eleito".

    "Somos contra os judeus sionistas", da mesma maneira que há judeus que são contra os judeus-sionistas, argumentou o arguido, criticando ainda a dualidade de critérios do Ministério Público (MP) quando as afirmações polémicas são feitas por outros quadrantes políticos.

    O arguido lembrou que o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse publicamente que não queria chineses e indianos na Madeira e que o MP não teve qualquer intervenção para punir a discriminação racial contida em tais afirmações.

    Durante a sua audição, Mário Machado condenou os elementos "skinheads" que atacam e danificam cemitérios judeus ou sinagogas, apelidando-os de "nazis de Hollywood", admitindo que dentro do movimento "skinhead" existe o problema de impedir a entrada de pessoas que, por qualquer trauma, querem praticar a violência.

    "Não há problemas que se resolvam com a violência", disse o arguido, justificando que os simpatizantes do movimento têm sido incentivados a colar cartazes, a realizar conferências e a "fazer o jogo da democracia", porque um dos objectivos é obter representação parlamentar, através de Pinto Coelho, dirigente do Partido Nacional Renovador (PNR).

    Mário Machado defendeu, porém, que os nacionalistas "devem comprar armas", desde que por meios legais, invocando o "direito de auto-defesa" e serem o "último baluarte", num mundo cheio de ameaças e guerras entre facções e grupos.

    Confrontado pelo juiz João Felgar com uma mensagem dos nacionalistas num "site" de que "os activistas de rua deveriam levar os paus", o arguido contrapôs que se tratou de "um apelo às armas em sentido figurado", apelando apenas à mobilização, pois na respectiva concentração em Coruche a GNR "não encontrou quaisquer paus" ou armas

    "Admito que foi um uma expressão infeliz", disse Mário Machado, que, confrontado com outras mensagens divulgadas pelos meios electrónicos a apelar à violência inter-étnica, explicou as dificuldades de controlar um forum de ideias na Internet, que é de livre acesso.

    Socorrendo-se de declarações públicas do comentador político Pacheco Pereira e do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, o arguido reiterou no julgamento a ideia de que o seu processo tem contornos políticos, declarando-se "satisfeito" por saber que a maioria das pessoas o considera um "preso político".

    Numa altura em que se preparava para criticar a procuradora que o acusou neste caso, a representante do MP no tribunal interveio para pedir ao colectivo de juízes que Mário Machado se cingisse "ao objecto do processo" e não "à actuação do MP".

    http://diariodigital.sapo.pt/news.as...=327188&page=4

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  3. ciclista Völkish10/4/08 9:26 da manhã

    Sim Duarte, concordo com o que escreveste.
    Que se faça de facto, justiça.

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  4. Já tinha a ideia de que o senhor Nuno Neves era um palhacito sem pingo de vergonha na cara e o comentário aqui publicado, das duas uma, ou vem confirmar a ideia que tinha dele ou então é um comentário de um cobardolas com medo que lhe caia o carmo e a trindade em cima.

    Quanto ao resto, que se faça justiça e que seja implacável.

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  5. Que o julgamento interessa a alguem, interessa...

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