Alertei vários amigos para uma mini-feira do livro na Av. de Roma, onde é possível encontrar algumas coisas interessantes a preços razoáveis. Um deles foi o Miguel Vaz que, entre outras coisas, comprou “Céline e a Alemanha (1933-1945)”, de Alain de Benoist, publicado entre nós pela Hugin, em 2001, com tradução de Bernardo Calheiros. Leu, gostou e ficou surpreendido. Para avivar a memória fui resgatar o meu exemplar da prateleira e reli-o de um fôlego.Este pequeno livro é bastante revelador. Alain de Benoist, com a sua habitual erudição, desmistifica o infundado retrato de “nazi colaboracionista” de Céline, feito por alguma esquerda, bem como certas partes da defesa deste escritor a seguir à Guerra. É, como muito bem nos revela o subtítulo original, une mise au point.
Uma obra onde, para além de vermos que Céline não era um autor do agrado do III Reich tendo a sua obra sido censurada na Alemanha durante esse período, nos apercebemos de diferentes correntes e personalidades dentro do nacional-socialismo. Ao contrário da imagem de regime monolítico que habitualmente se quer fazer passar, é interessante verificar, por exemplo, o caso do Instituto Alemão em Paris, mais concretamente do seu director Karl Epting, muito criticado pelo seu apoio a Céline e pelos autores alemães traduzidos pela instituição, como é o caso de Jünger. Epting é afastado durante algum tempos, mas acaba por regressar, “apesar da opinião desfavorável da chancelaria do partido, que denuncia de novo o seu "liberalismo"”.
Bastante interessante, também, é a análise das traduções da obra de Céline na Alemanha, bem atribuladas, que implicaram várias alterações e deturpações. Não posso ainda deixar de referir, para terminar, a parte relativa às péssimas relações entre Céline e Ernst Jünger, nomeadamente no que respeita a uma referência nada elogiosa deste último no seu diário, onde substituiu o nome do escritor francês por “Merlin”.
Fiquei curioso, depois de ler o "Memórias de um Fascista" do Lucien Rebatet fiquei com a impressão que os alemães idolatravam o Céline, teve inclusive muitas mais regalias que os restantes exilados 'colaboracionistas'.
ResponderEliminarMelhor que ler "Céline e a Alemanha", é ler "De Castelo em Castelo" depois do "Céline e a Alemanha" ;D
ResponderEliminarCéline uno di noi! ahah
Mais a sério, como falámos, não deixa de ser interessante analisar mais a fundo a relação entre Jünger e Céline. Dois escritores geniais, dois veteranos da Guerra, dois condecorados, dois críticos do III Reich e dois odiados pela Ordem que floresceu na Europa após a derrocada alemã. Dois percursos análogos mas inversos. De um lado a perspectiva ascética e aristrocrática de Jünger. Do outro o niilismo e a provocação de Céline.
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