
Perpassa uma onda em terra,
Ombros a onda nos traz.
E a Raça em flor se descerra
— Que esta paz chama-se guerra,
Chama-se guerra esta paz.
Céu d'armas — ao sol soldado.
Dia crente. Ar, Terra e Mar.
Em parada ondulatória.
— E o passado no Presente
A passar
Na nossa História!
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Ombros em onda. Ondas pardas.
Ronda de fardas e fardas.
Corpo de guerra, em renovo!
Fulgurações marciais
De espingardas.
Sobre Terra, vibram cardas:
— impressões digitais
de todo um Povo!
Ó armas e barões assinalados,
Em resplendor recortados
Sob um céu azul castor!
— Surtos de todos os lados,
no horizonte abrasador,
Soldados ao Sol dados.
Soldados, Senhor!
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Rodrigo Emílioin «Vestiram-se os Poetas de Soldados», Cidadela (1973).