“Tropa de Elite”, de José Padilha, ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Mesmo depois de uma campanha que o classificava como “fascista”, o júri decidiu reconhecer o excelente trabalho do realizador brasileiro.Vi este filme polémico da mesma forma que milhões de brasileiros — através de uma cópia pirata. Vi e tornei a ver, porque não é todos os dias que aparecem coisas destas. O que era para ser um documentário sobre o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, conhecido por BOPE, tornou-se uma obra de ficção perante a ausência de militares dispostos a prestar o seu depoimento. O resultado foi um controverso sucesso, agora justamente premiado.
A acção desenrola-se naquela que é — como se afirma claramente —, a guerra que se vive no Rio de Janeiro. Na qual, para fazer frente aos traficantes das favelas, bem armados graças à corrupção generalizada, só um corpo de elite, constituído por militares incorruptíveis, alvo de uma selecção criteriosa e formação exigentíssima, consegue levar a melhor. O BOPE não é para brincadeiras e os seus inimigos também não. Defrontam-se num dos mais complicados teatros de combate urbano — os labirínticos morros. A preparação dos militares, a sua coragem e determinação garantem que sejam os melhores. Não hesitam em ser brutais e usar formas de tortura naquele inferno, porque guerra… é guerra.
Mas apesar das espectaculares cenas de acção, realísticas e muito bem ritmadas, que alguns criticaram como americanizadas, “Tropa de Elite” não se resume a um “filme de bang-bang”, como se diz no Brasil. É um retrato social de um país, que mostra as intrincadas redes de corrupção que se estendem a praticamente todos os aspectos do quotidiano e a existência de uma classe abastada que vive num mundo à parte, diametralmente oposto, mas no qual muitos, enquanto fumam maconha, sonham em salvar os “pobres e oprimidos”, que apenas traficam porque são excluídos da sociedade… Onde é que já ouvimos esta conversa antes? A realidade mostrada no filme arrasa totalmente tais posições utópicas e mostra o seu efeito perverso, porque como nos diz o narrador a determinada altura: “não há nada pior que rico com consciência social”.
"a existência de uma classe abastada que vive num mundo à parte, diametralmente oposto, mas no qual muitos, enquanto fumam maconha, sonham em salvar os “pobres e oprimidos”, que apenas traficam porque são excluídos da sociedade… Onde é que já ouvimos esta conversa antes?"
ResponderEliminarVimos esse filme em grupo, depois de uma marcha de 6 horas na montanha e antes de um treino...
Esse também foi um dos muitos comentários que nos suscitou essa obra prima que passou a ser para nós mais um filme de culto.
Recordo o stress e os ataques de ansiedade do capitão nascimento resultado de uma vida de alta tensão, e bem sei o que isso é. Quando se tem que cumprir mandatos junto dos coitadinhos, excluídos, perseguidos...e desarmados moradores dos bairros "sociais"
O BOPE VAI-TE PEGAR!
Abraço
O BOPE foi o melhor filme que vi em 2007.
ResponderEliminarUm abraço camarada
Nunoaneves
É um grande filme!
ResponderEliminarSem Comentários.
ResponderEliminarExcelente filme.
Não há nada pior que riquinhos hipócritas com consciência Social? Uma classe média mais númerosa hipócrita e com consciência social.
Este filme expressa a realidade, nada mais e, sabem que mais?
Só espero é que os capitães Nascimentos que andem por aqui em Portugal sejam assim tão duros, honrados, firmes e incorruptos como o do filme.
É o que faz falta em Portugal, um BOPE, em vez de uma PSP ou GNR. Grande filme.