sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Para ouvir e reflectir

Boletim Evoliano n.º 2

Página 161

O Guedes decidiu mandar-me uma daquelas correntes que, sinceramente, não são do meu agrado, mas às quais tento responder por amizade e para cumprir este hábito blogosférico. Reza assim:

1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas;
2. Abra o livro na página 161;
3. Na referida página procure a 5.ª frase completa;
4. Transcreva na íntegra para o meu blogue a frase encontrada;
5. Aumente, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais 5 bloggers à escolha.

Ora esta até tem piada, já que o livro é de um autor muito apreciado pelo meu amigo, mas numa língua que ele não gosta de ler. Falo da excelente edição americana da obra de Julius Evola Ride the Tiger - A Survival Manual for the Aristocrats of the Soul, bem traduzida por Joscelyn Godwin e Constance Fontana e publicada pela Inner Traditions em 2003. Já o tinha lido em castelhano, mas estou a gostar bastante desta (re)visita. Uma lacuna editorial portuguesa a somar a tantas outras. E a frase é (expressão que lembra aqueles programas de rádio de outros tempos...): «Recently, music has experimented with sounds created by electronic technology, which transcend traditional orchestral means of production.»

Como vou de férias e tenho andado afastado da blogosfera, poupo as cinco próximas vítimas.

sábado, 10 de novembro de 2007

Postal de Paris (V): Louvre

Em várias idas a Paris, nunca tinha visitado o Louvre. Parece incrível, mas devia-se a uma das minhas muitas manias, que me levava sempre a crer que o tempo disponível não seria suficiente. Nada como um par de bilhetes oferecidos por um casal português e lá fui eu, esquecendo tal pressuposto, direito a ver a Gioconda (ou Mona Lisa) e a Afrodite (ou Vénus de Milo). É claro que deu para muito mais. Vi bem as antiguidades gregas, romanas e fenícias, e de raspão as egípcias. Na pintura, os franceses, italianos, alemães e flamengos, bem como alguma escultura. Valeu bem a pena, em especial porque já tracei os planos para uma próxima visita.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Réfléchir & Agir n.º 27

Este é o número de Outono desta excepcional revista francesa, que recentemente começou a ter uma distribuição pública nas bancas, o que teve como consequências directas uma subida significativa da tiragem e um aumento substancial de leitores. É sem dúvida um exemplo, o caso desta publicação que se tornou uma referência obrigatória, pela sua elevada qualidade e espírito interventivo e irreverente, iniciada há anos por um grupo de jovens motivado e dedicado.

Nesta edição, o destaque vai para o excelente dossier Le progrès c'est la décroissance”, que inclui entrevistas com Arnaud Guyot-Jeannin e Alain de Benoist e vários artigos. Mas a referência especial é para o reencontro com Alain de Benoist, passados quase 40 anos do aparecimento do GRECE, a única verdadeira escola intelectual a surgir nesta área política, que influenciou tantos de nós. Certo é que hoje esta corrente pouco ter que ver com a chamada “extrema-direita” e mesmo com grupos que inspirou, como a redacção da «R&A», assumidamente mais próxima do GRECE dos anos 70. Apesar disso, reconhece as qualidades deste autor, a sua curiosidade insaciável, o espírito não-conformista e o seu trabalho de humanista e enciclopedista. Mesmo divergindo em muitas posições, nomeadamente a identidade étnica da Europa, convergem noutras, como o paganismo e o anti-capitalismo. A «R&A» assume: “nós somos filhos do GRECE. E se cada um seguiu o seu caminho, o diálogo e o respeito perduram.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Postal de Paris (IV): Rugby e raça



Em Paris vivia-se o ambiente do dia da final do campeonato do mundo de rugby, tudo muito civilizado, claro. Ingleses e sul-africanos cruzavam-se nos Champs Élysées, local privilegiado para quem procurava vender ou comprar bilhetes inflacionados para o grande jogo. Aí chegavam até a partilhar mesas para uma cervejinha matinal em amena cavaqueira. Durante o resto do dia o consumo continuava por toda a cidade, mas apesar do excesso habitual dos ingleses, não se viam quaisquer distúrbios, apenas cânticos e brincadeiras com os locais. A diferença para o futebol é tremenda...

Ganharam os Springboks, como é sabido, mas a questão política — ou político-racial, melhor dizendo — mesmo assim não deixou de marcar a selecção sul-africana. Já no avião, li no «L'Équipe» que o ANC fazia questão, já antes deste campeonato, de africanizar a selecção, forçando esse processo de modo a que em 2011 esta tivesse uma dezena de jogadores negros, número onde não se incluem os mestiços. Raça pesa mais que resultados na balança dos que querem fazer outra África do Sul, pois de outra forma não se sentem representados, não sentem que a selecção seja nacional. Lembrei-me, então, de como seria interessante o governo francês aplicar semelhantes quotas raciais à sua selecção de futebol.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

200 Anos da Guerra Peninsular


Hoje estive com o HNO, que me alertou para o evento, na inauguração da exposição Guerra Peninsular – 200 anos, na Biblioteca Nacional. Óptimo aperitivo, como lá foi apelidado, para todas as realizações evocativas deste momento decisivo na nossa História, como é o caso do Congresso Internacional e Interdisciplinar Comemorativo da Guerra Peninsular, que começa amanhã na Fundação Calouste Gulbenkian. A esse não posso infelizmente ir, mas aqui fica a sugestão.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Mudanças

Mesmo avesso às mudanças no que toca ao visual desta casa, não resisti à mestria e criatividade do Miguel Vaz. Obrigado pelo novo banner e adeus ao antigo.

sábado, 3 de novembro de 2007

O exemplo que vem de Espanha

Boas ideias levam a bons projectos e a concretização destes leva a bons resultados. Assim espero que aconteça com «IdentidaD». A autodenominada “revista independente contra o pensamento único e o politicamente correcto” é, na verdade, um jornal profissional de excelente qualidade, tanto no conteúdo como no grafismo, distribuído publicamente, podendo ser encontrado nos quiosques do país vizinho. Dirigido por Enrique Ravello, conta com uma equipa de colaboradores espanhóis e estrangeiros para produzir mensalmente as quarenta páginas em formato tablóide com capa a cores e é vendido ao preço de € 3.

No número 1, que foi para as bancas há cerca de duas semanas, merece destaque o óptimo dossier sobre a imigração e crescimento económico em Espanha, que desmistifica a solução mágica de Zapatero de desenvolvimento. Podem também ler-se artigos sobre a situação política espanhola, a ETA, o perigo islâmico em Marrocos, a possibilidade de uma nova Guerra Fria entre os EUA e a Rússia, videojogos, maternidade, a proibição de Tintim, uma entrevista com Pierre Krebs e mais.

«IdentidaD» começou a ser levado a cabo em Março deste ano e entretanto foi feito um número experimental, que pode ser consultado aqui. Mas este projecto não se fica pelo jornal, mantém também uma agência de informação alternativa online chamada ID Press.

O título do editorial do número 1 é “Você pertence a uma elite: você lê…” É caso para dizer, junte-se à elite!

Amanhã à mesma hora

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Música (IX)

Mudando a música de fundo, mas continuando nos italianos, aqui fica “Tokyo Quattrocinque” de Skoll, retirada do álbum “Sole e Acciaio”, um trabalho de 2005 fortemente marcado por Yukio Mishima, como se adivinha pelo título.



Tokyo Quattrocinque


La guerra è finita rovine che svelano aperture nel cielo
Granelli di polvere si librano in volo (la guerra è finita)
Studenti passeggiano all’Università (la guerra è perduta)
Intorno più niente: macerie!
L’imperatore ha perduto l’immortalità non è più Dio c’han detto così sarà

Tokyo! Tokyo! Sprofondando nel disonore di questa realtà di questa città
Tokyo! Tokyo! Aspettando di nuovo il sole, c’è chi attenderà, c’è chi attenderà

Non molto lontano, pescatrici di ostriche si tuffano in mare
La notte si avventa sulla luce di un faro (la guerra è finita)
Un cielo stellato sulla costa di Yokohama (la guerra è perduta)
Intorno più niente: macerie!
L’imperatore ha perduto l’immortalità non è più Dio c’han detto così sarà