quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Postal de Paris (III): Ponto de encontro

A Notre Dame, que melhor local poderíamos escolher? Aqui nos encontrámos com o Miguel, o eremita dos Cárpatos, que decidiu descer das montanhas para um encontro europeu entre amigos que não se viam há meses. Foi um daqueles momentos que ficam gravados na memória, porque a verdadeira amizade é eterna. Onde um abraço transmite o que milhares de palavras não conseguiriam, porque estas coisas não se explicam, sentem-se.

Outros tempos



Quando os desenhos animados não tinham quotas...

Postal de Paris (II): O vício dos livros

No vício, noite adentro, em Saint-Germain

Quem acompanha este blog e os que me conhecem sabem que o meu grande vício são os livros. Em Paris é difícil controlá-lo. O meu amigo João que o diga... (Um abraço e obrigado pela paciência!) Não foram só as horas na Librairie Nationale a ver, folhear, descobrir, conversar e comprar. Foram os alfarrabistas na margem do Sena, depois de palmilhar quilómetros, e as livrarias abertas à noite em Saint -Germain. Um deleite!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Incómodo

Não estava cá quando recebi a notícia da vitória histórica da UDC/SVP nas eleições federais suíças, mas não posso deixar de referi-la. Dá-me sincero prazer ver os incomodados com a democracia, com a escolha popular, em especial depois de uma campanha de ódio e maledicência contra quem se atreve a defender os seus e a sua terra.

Postal de Paris (I): Para alguns amigos

Dedicado ao Pedro Guedes (a pensar no herdeiro que aí vem) e a todos os meus amigos que são contra o aborto.

Activistas anti-aborto manifestam-se em frente à Notre Dame.

Um português na XII Table Ronde

Crónica que escrevi para o Lusitânia Expresso, o programa português da Radio Bandiera Nera, do passado Domingo, disponível também no Novopress.

Desloquei-me este ano a Paris, mais concretamente a Villepreux, pequena localidade nos arredores da capital francesa, para a XII Table Ronde, a convite do Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, associação que organiza este encontro pan-europeu. Acompanharam-me dois amigos portugueses e desde logo nos sentimos em casa.

A Table Ronde decorre num óptimo local, de estilo campestre, que tem amplo estacionamento, espaços ao ar livre para confraternização e de passagem entre as grandes salas para a conferência, para os stands e para as refeições. O evento dura um dia inteiro, havendo intervenções na sala da conferência de manhã e à tarde, e um enorme salão onde estão presentes associações, movimentos, editoras de livros e de música, livrarias, revistas, bem como stands de artesanato e gastronomia.

A afluência é muito numerosa, originária de toda a Europa, mas com óbvia predominância francesa. Este ano, segundo me disseram depois de um cálculo provisório, foram ultrapassados os 800 participantes do ano passado, tendo havido mais de 1000 pessoas presentes. Um número que demonstra bem a vitalidade e a crescente importância deste encontro.

A conferência deste ano foi subordinada ao tema “liberdade para a História”, alusão directa às leis que em França impõem versões oficiais da História, impedindo o trabalho e a livre investigação dos historiadores. Da parte da manhã, houve duas intervenções. A primeira foi do diplomata de origem croata Tomislav Sunic, que criticou a História baseada em vitimizações por representar uma identidade negativa, aproveitando para falar ainda sobre o seu mais recente livro, Homo Americanus. Seguiu-se Henri-Paul Falavigna, director do colectivo “Crianças mártires de Beslan”, que falou sobre a desinformação que tem havido sobre este massacre de inocentes e sobre o trabalho que tem feito de recolha de dados e notícias sobre o mesmo e a sua compilação num CD.

Tempo depois para almoçar, comprar livros e música, pôr a conversa em dia com vários amigos e camaradas e conhecer novas pessoas e projectos. O ambiente estava óptimo e é sempre bom ver o espírito de camaradagem e entreajuda; dou aqui um exemplo a fixar, o de uma deputada do Vlaams Belang não teve quaisquer problemas em ajudar a servir no balcão de comidas rápidas.

Para além desta parte lúdica, tive que preparar a minha intervenção. Perante algumas faltas, como por exemplo a de Andreas Molau, impedido por estar em campanha eleitoral como candidato pelo NPD, fui convidado pelo Pierre Vial a falar sobre a situação portuguesa. Aceitei, claro, e tentei o meu melhor.


Duarte Branquinho, Pierre Vial e Jean Haudry
À tarde, abriu a sessão Gabriele Adinolfi, pensador e autor italiano, presidente do centro de estudos Polaris, que falou sobre a situação em Itália, nomeadamente como Mussolini é visto pela maioria das pessoas e sobre a forma como se pode tratar historicamente esse período, que é muito diferente do resto da Europa, mas onde começa já a haver entraves. Seguiu-se a minha intervenção, onde tive oportunidade de dar conta da perseguição aos nacionalistas em Portugal e também sobre as versões históricas politicamente correctas nos manuais escolares, terminando com um apelo à formação dos mais novos, inspirados pelos escuteiros da Europe-Jeunesse que havia visto no início do dia. Dei então lugar ao meu caro amigo Enrique Ravello, presidente da associação espanhola Tierra y Pueblo, que falou dos mitos da Guerra Civil de Espanha, numa altura em que o governo de Zapatero legislou sobre a memória histórica e voltou a abrir feridas profundas. Foi depois a vez de Éric Delcroix, advogado especialista na defesa da liberdade de expressão, que numa excelente intervenção, mostrou como o sistema judicial francês está refém de uma dicotomia do “bem” e do “mal” no que respeita a ideologias e investigações históricas.
A seguir pudemos ouvir Pierre Krebs, presidente do Thule Seminar, pensador e orador brilhante, que falou sobre o direito dos alemães à memória histórica e motivou a assistência para o combate pela nossa identidade, com a energia que o caracteriza. Encerrou os trabalhos Pierre Vial, que explicou que o nome e o tema da conferência era igual ao de uma associação criada por René Rémond e outros historiadores de referência contra as leis francesas que impõem versões oficiais e castram os historiadores, como a famosa lei Gayssot.

Foi a minha segunda presença na Table Ronde e uma óptima experiência que espero repetir para o próximo ano, de preferência com uma delegação nacional maior. Um ponto de encontro pan-europeu que deve ser uma fonte de inspiração para tantos projectos possíveis e necessários no nosso país.

sábado, 27 de outubro de 2007

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Tierra y Pueblo n.º 15


Há cerca de um mês atrás, o Eduardo Núñez passou por Lisboa e teve a amabilidade de me trazer o último número da excelente «Tierra y Pueblo», revista da associação espanhola homónima, na qual colabora. Tendo como interessante e oportuno tema de fundo a possibilidade de um novo modelo económico, conta com artigos de Enrique Ravello, Pierre Vial, Federico Traspedra, Joaquín Bochaca, Eduardo Núñez, entre outros, crítica de livros, cinema e não só. Imperdível!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Cinemas de outro tempo

Veio hoje parar à minha caixa de correio um e-mail circular sobre os velhos cinemas de Lisboa, que me despertou algumas recordações.


O Cinema Alvalade, projectado pelo arquitecto Lima Franco em 1945 e inaugurado em 1953, ficava perto de minha casa e mesmo em frente à Escola Eugénio dos Santos, onde fiz o ciclo preparatório. Um dos filmes que me recordo de aí ver foi “A Corrida mais Louca do Mundo”. Em meados dos anos 80 do século passado, a IURD tomou conta do espaço, na sua vaga de ocupação de cinemas, para o abandonar em 2000, data a partir da qual foi totalmente vandalizado. Foi depois demolido para dar lugar a um novo edifício, actualmente em fase de conclusão.


O Cinema Império, magnífico edifício modernista projectado pelo arquitecto Cassiano Branco em 1947 e terminado em 1952, foi o local onde vi e me maravilhei com “O Império Contra-Ataca”. Classificado como imóvel de interesse público em 1996, resistiu à demolição e é actualmente ocupado pela IURD.


O Cinema Monumental, projectado pelo arquitecto Raul Rodrigues Lima e inaugurado em 1951, foi onde muito novo representei numa peça de teatro escolar, após a qual me esgueirei com alguns amigos para ver o filme “Rambo – A Fúria do Herói”. Foi demolido nos anos 80 do século passado e deu lugar a um caixote espelhado.

domingo, 14 de outubro de 2007

Em busca da «NRH»

No passado jantar das quartas, o meu amigo VL mostrou-me o último número de «La Nouvelle Revue d'Histoire», o 32, agradecendo-me por tê-lo alertado que a revista se vendia em Portugal. Quando vi a capa, com uma excelente imagem de Nicolau II da Rússia, apercebi-me que ainda não a tinha. Não cheguei a ver este número nos sítios onde habitualmente a compro e o VL ainda tentou conseguir-me um exemplar (obrigado!), mas em vão. Na passada sexta-feira pus-me em campo e, depois de ter corrido a Baixa, lembrei-me de ir ao Largo do Calhariz, ao sítio onde me abastecia de revistas quando trabalhava do Bairro Alto. Na mouche! O Luís, que eu não via há tempos, disse-me que este número tinha vendido bem e que eu o esgotava. Esta busca tem um lado extremamente positivo, a «NRH» está a ter grande aceitação em Portugal, o que é sinal que a qualidade é reconhecida, apreciada e procurada. Dá que pensar na quantidade de revistas de História estrangeiras que se vendem por cá, ao mesmo tempo que se assiste à falência da única nacional, exceptuando obviamente as revistas académicas. Tal demonstra que há público, mas que a oferta tenta impor modelos ultrapassados e não vai ao encontro da procura.

Voltando ao presente número da «NRH», cuja capa nos dá conta do óptimo dossier intitulado “1917, l’année fatale”, onde se analisam todas as frentes de guerra, a Rússia como teatro das revoluções que vão mudar a história do mundo e a entrada dos EUA na guerra. Para além de um “quem é quem na Revolução” e um excelente artigo sobre a forma como o cinema viu a revolução. Destaque ainda para a análise da crise no jornal «Le Monde», por Jean-Claude Valla, e o artigo sobre a trágica epopeia de Numância, de Yann Le Gwalc'h.

Programa (de rádio) para hoje

sábado, 13 de outubro de 2007

Alinhados?

Que se passou com a República dos Desalinhados? Será que os seus membros alinharam? Uma provocação amiga a um espaço que faz falta na blogosfera.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Lusitânia Expresso


Lusitânia Expresso” é o programa português da Radio Bandiera Nera, transmitido on line todos os Domingos, entre as 12 e as 14 horas. Uma excelente iniciativa a não perder e a apoiar.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Liberdade imediata para os nacionalistas

A República imaginária

Diz o preâmbulo da Constituição da República Portuguesa (parte que, mesmo analisada tendo em conta o elemento histórico da interpretação da lei, incompreensivelmente lá continua apesar das sucessivas revisões) que “a Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais”. Atente-se ao verbo “restituir”, este implica que se veio repor uma situação, que só se pode presumir que seja a da I República, isto é, o paraíso idílico criado pelos mesmos revolucionários para quem “fascismo” e “ditadura” eram a mesma coisa — a Ditadura Militar e o Estado Novo, com o consulado marcellista, constituíam um todo, sem distinções, que era a página negra da História nacional que urgia virar.

Mas a I República estava bastante longe do éden adâmico apresentado pelos abrileiros. Representava, aliás, exactamente o contrário do que estes diziam defender em vários pontos-chave. Um regime onde existira a censura, que mandara soldados para a guerra, que nunca abdicara das colónias, onde a perseguição política e religiosa foi impiedosa, comandado por um partido que podia não ser único, mas sobrepunha-se (impunha-se) a todos os outros.

Esta incómoda realidade, pouco “democrática” segundo os padrões hodiernos, nascida do crime do regicídio e não da vontade ou expressão popular, é hoje sobejamente conhecida. Seria de esperar, por isso, que não se insistisse em mistificações, que alguns pretendem desculpar aos ânimos exaltados da insolação do Verão quente. Hoje exigia-se outra (com)postura, mas nas recentes comemorações oficiais do 5 de Outubro e na preparação do centenário da República percebeu-se que nada mudou.

O artigo de Rui Ramos, no «Público» de ontem, intitulado “História viva”, fala exactamente sobre este tema. Diz ele que, insensatamente, a Comissão de Projectos para as Comemorações do Centenário da República, no seu relatório, pede “às autoridades e aos cidadãos que, durante uns tempos, façam de conta que estão a continuar a obra "inacabada" dos Republicanos de 1910”. O mesmo é dizer que o mito se mantém vivo e defendido ao mais alto nível. O historiador diz ainda que, para construir o que considera um “disparate”, a comissão transformou estes republicanos “naquilo que eles nunca foram” e “atribui-lhes, por exemplo, a invenção da actual cidadania democrática, quando o que eles fizeram foi restringir o direito de voto que a monarquia alargara. Escondeu-lhes, por outro lado, a crença colonial, suficientemente acesa para Afonso Costa proclamar, perante o genocídio das populações do Sul de Angola em 1915, que "não nos deixemos mover por idealismos".

Mas Rui Ramos tem o cuidado de se defender, afirmando que não pretende criticar a I República, pois isso “segundo a comissão, só fazem os fascistas”. Veja-se o espírito democrático destes tipos, quem critica é “fascista”! Só falta mesmo dizer: cuidadinho, ou chamamos a “Formiga Branca”…

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Do processo penal

Ao ler a entrevista de Garcia Pereira, enquanto candidato à Ordem dos Advogados, na última edição do semanário «O Diabo», lembrei-me do caso de que falei ontem. Sobre as reformas do Código Penal e do Código de Processo Penal, diz ele: “A reforma do Processo Penal, que nasceu espantosamente de um acordo entre partidos e da qual os advogados foram expulsos deixou quase tudo na mesma. O Ministério Público continua a fazer o que bem quer, sem efectivo controlo quer por parte dos sujeitos processuais quer no que respeita ao controlo jurisdicional na fase de inquérito. A fase de instrução é pouco mais que uma farsa já que não podem ser pedidas diligências que foram efectuadas no inquérito. Esta lógica do Processo Penal, em que o princípio de «igualdade de armas» está completamente destruído à partida; em que o princípio do contraditório também está gravemente posto em causa; e em que os advogados estão expulsos da dinâmica do processo continua por resolver. E é completamente irresponsável o Governo ter aproveitado o mês de Agosto para pôr cá fora um conjunto de diplomas absolutamente essenciais para a generalidade dos cidadãos que entraram imediatamente em vigor.” Fosse eu advogado e já sabia em quem votar.

Ainda o Che

O santo padroeiro da esquerda revolucionária, aquele que está em todo o lado — estampado das t-shirts às cuecas, dos cadernos às paredes —, é um caso de marketing de sucesso. É uma marca que, para além de internacional, serve para praticamente tudo o que nos possamos lembrar. Mas o tempo abre sempre brechas nas estátuas; todas as construções se deterioram e acabam por desabar. O Che é isso mesmo, uma construção. Socorro-me aqui de Jacobo Manchover, refugiado cubano exilado em França e autor da recém-publicada biografia “The Hidden Face of Che” (A Face Oculta de Che), que afirmou que “atacar uma figura quase lendária não é uma tarefa fácil”. Mas talvez não seja impossível. Para Manchover, os defensores de Che “forjaram o culto de um herói intocável”, nomeadamente os intelectuais franceses que visitaram Havana nos primeiros anos do regime.

Che Guevara, que assistia fumando charuto a inúmeras execuções, quando não premia o gatilho, é para muitos um derrotado. É o caso do historiador cubano Jaime Suchlicki, para quem o ícone da esquerda “como médico, nunca exerceu a profissão. Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria. Como guerrilheiro, foi eficiente apenas a matar por causas sem futuro”. Será que ainda assistiremos ao fim de um mito?

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A reboque

Com todo o “barulho das luzes” mediático em torno da “extrema-direita”, do “processo dos skinheads”, da carta do Mário Machado e da profanação do cemitério judaico, há quem esteja bem atento e não hesite em aproveitar a onda. Sabendo que o “perigo nazi” é notícia garantida, ainda para mais quando a histeria está instalada, o SOS Racistas — grupelho para o qual o racismo tem apenas um sentido — não perdeu tempo. Denunciou que “Os skinheads estão a levar o terror às escolas da Margem Sul. Estão a crescer e a recrutar jovens nas secundárias, há miúdos de 14 e 15 anos que andam com t-shirts do Hitler”. É no mínimo suspeito que quando se denunciam ataques de gangs étnicos isso é considerado um alarmismo racista e xenófobo, mas este tipo de idiotices é apresentado como sério e difundido pela Lusa. O responsável por esta chamada de atenção foi Nuno Chulagge, “mestre de hip-hop”, um racista que disse pérolas como “Portugal é um país racista e hipócrita” ou “os imigrantes têm o direito de vir para a Europa buscar aquilo que o Ocidente lhes tem vindo a roubar” e que “propõe que os negros se organizem e comecem a lutar pelo seu "power". Em vez de trabalharem para a riqueza dos outros, devem, sim, trabalhar para a sua, gerar postos de trabalho dentro da sua comunidade, procurar uma educação própria”, numa entrevista descoberta pelo HNO, que a republicou aqui.

Do “perigo nazi” e suas sequelas

Quando li na imprensa as primeiras notícias sobre as “ameaças” à procuradora responsável pelo processo contra a “extrema-direita”, pensei por momentos que acéfalos do tipo dos que profanaram o cemitério judaico de Lisboa haviam atacado de novo. Mas num processo de contornos kafkianos e que quase assume a perseguição política, não podemos ser precipitados. Muitos menos acreditar nos media sem confirmar as fontes. Neste caso concreto, depois de ler a famigerada carta, é difícil encontrar ameaças explícitas. Estas parecem ter sido depreendidas por certa imprensa — ávida de perigos iminentes — da frase “Os nacionalistas jamais se deverão esquecer deste nome [Cândida Vilar], pois esta senhora foi a responsável, e não a PJ (apesar de tudo), pela maior perseguição política dos últimos 30 anos” e da citação de Ramalho Ortigão “As ideias são como os tratados... pouco vale firmá-las com tinta... quando não somos capazes de confirmá-las com uma gota do nosso sangue”. Ameaças? Rebuscado, no mínimo. Estas notícias são do mais fabricado que há.

Mas a dita carta contém elementos bastante interessantes que não se viram nestas primeiras notícias, mais preocupadas em extrapolar fantasiando. É disto exemplo algo que li no «Público» de hoje: “Afirmando estar a ser alvo de perseguição política, Mário Machado cita depois uma alegada conversa que terá mantido com um inspector da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB) da Polícia Judiciária, no seguimento da qual o investigador, citando Cândida Vilar, lhe teria dito: "O Mário tem de pagar por tudo o que de mau o meu pai passou aquando do Estado Novo."” É de averiguar. A ser verdade, explica muita coisa...

O Mário Machado pode ter muitos defeitos e ter cometido muitos erros, mas tal nada tem que ver com as alarvidades cometidas neste caso. Será que perante ideologias, ideias e posturas consideradas incorrectas, incómodas e “perigosas” politicamente se esquece o Estado de Direito democrático? O que se seguirá?

Como li no blog Contra Ordem: “basta uma opinião divergente — mesmo partilhada e por disparatada que seja — para ser preso?

Uma “curiosidade” mil vezes repetida... (II)

Na sequência do post anterior com o mesmo título, cabe-me agradecer ao jornal «Meia Hora», mais concretamente à jornalista Margarida Caseiro, pela resposta e pela publicação do meu texto na edição de hoje.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Blog em destaque

Como alguns dos habituées desta casa já devem ter reparado, iniciei na coluna ao lado um espaço chamado “Blog em destaque”. Tornando-se o conteúdo óbvio pelo título, resta-me dizer que inaugura a secção o muito recomendável Contra Ordem, implacável na crítica à (des)Ordem dos Advogados e ao sistema judicial.

Uma lição de Fritz Lang

A reter, a lição do grande mestre do cinema Fritz Lang, lembrada hoje no «DN» por João Lopes: “Quando um realizador — ou talvez a palavra indicada seja criador de filmes — faz um filme, e o filme não exprime aquilo que ele quer dizer, e ele precisa de dar uma entrevista para explicar o como e o porquê, então é um péssimo realizador e não devia fazer filmes.

Kosovo: entre sérvios e albaneses

Na última edição da revista «Única», parte do semanário «Expresso», foi publicado um artigo que compara a vida de duas portuguesas que vivem actualmente no Kosovo, uma casou com um albanês, outra com um sérvio.

Elisabete, de 27 anos, casou há oito anos com um albanês que conheceu na Alemanha. Hoje vive enclausurada em casa dos sogros; não pode sair, “é o costume da terra”. Apesar de estar “farta de pobreza e de atraso” e querer vir embora, não pode. O marido conseguiu legalizar-se devido ao casamento e continua na Alemanha, mas não permite que a mulher saia do Kosovo, para garanti-lo ficou-lhe com o passaporte. Sobre a guerra e a situação actual diz: “Vocês devem ter feito alguma coisa para os sérvios vos atacarem. Agora querem ser independentes. Como? Viver de quê? Aqui só há corrupção!

Entre os sérvios vive há 25 anos Natália com o marido, com quem casou em Paris. Diz que ainda se lembra de quando na então Jugoslávia “viviam todos misturados, sérvios, macedónios e montenegrinos e já os albanos [sic] faziam com que as outras raças não tivessem lugar”. Perante a acusação aos sérvios de limpeza étnica, é categórica: “os albanos é que começaram nunca quiseram integrar-se nem tolerar outras culturas”.

Experiências pessoais que demonstram que as etiquetas “bons” e “maus”, que tantas vezes vemos repetidas na imprensa desinformada, não fazem qualquer sentido.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Da monarquia à república num pedaço de papel

Vasculhando por entre antigos documentos de família, encontrei alguns bem curiosos, referentes à carreira militar do meu bisavô paterno. Abaixo está o diploma da Escola do Regimento de Infantaria n.º 14, datado de 19 de Agosto de 1911, que tem uma particularidade deveras interessante.

Tendo em conta a data, a República era ainda recém-nascida e que papel oficial republicano devia ser coisa rara — se não inexistente, pelo menos no dito regimento —, o desenrascanço português solucionou o problema, colando por cima da coroa um pedaço de papel.


De cerca de dez anos depois, mais concretamente de 27 de Maio de 1922, encontrei a carta abaixo, referente à promoção do meu bisavô a tenente, já oficialmente republicana e com a particularidade de estar assinada pelo próprio presidente da República da altura, António José de Almeida.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Uma “curiosidade” mil vezes repetida...

O diário gratuito «Meia-Hora» de hoje publica um dossier intitulado “Monarquias superam Repúblicas em índice de desenvolvimento”, que inclui uma coluna com “curiosidades em Portugal e no estrangeiro”. Aí se diz que “o reinado mais curto da História é português e durou 20 minutos”. Não é a primeira vez que vejo esta dita “curiosidade”, e por isso é necessário que se tente evitar a sua futura difusão. Refere-se ao regicídio e ao facto de o príncipe real D. Luís Filipe ter morrido minutos após o seu pai, o rei D. Carlos. Segundo o jornal, “nesse hiato, Luís Filipe foi rei de Portugal”. Ora tal não é verdade, já que no nosso país só poderia acontecer após a aclamação, o acto de reconhecimento do herdeiro ao trono como novo rei de Portugal. A D. Carlos, como é sabido, sucedeu D. Manuel II, seu filho e último rei de Portugal.

PS - Este texto foi enviado para o e-mail do jornal.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Combate cultural

No passado sábado tive a oportunidade de participar na conferência “Batalha Cultural do Nacionalismo”, organizada pelo PNR, que decorreu na sede renovada do partido. Para além do óptimo espaço, que se tornou num ponto de encontro nacionalista em Lisboa, louvo também o orador, o meu amigo e camarada Bruno Oliveira Santos, por ter conseguido, com a clareza e eloquência que o caracterizam, gerar o interesse e a motivação da assistência para um tema tão importante como este.

Não vou aqui repeti-lo, mas nunca é demais salientar a importância do combate cultural. Gostei de ver que os militantes que mais intervieram, na sua maioria estudantes universitários e com quem falei no final, estão cientes de que tal constitui a fundação do edifício que nos propomos construir.

É também óptimo ver que o PNR não esquece o combate cultural, nem o menospreza. Esta conferência foi apenas mais uma das que se têm realizado todos os fins-de-semana, sobre variados temas, sempre com um público diversificado, de militantes, simpatizantes, interessados, ou simples curiosos. Para além destas actividades, que vão continuar (estejam atentos), o partido iniciou a constituição da sua biblioteca e conta com doações para aumentar o seu acervo. A Juventude Nacionalista também tem actuado neste campo, como por exemplo com a recente denúncia do estado de degradação do Jardim do Torel. Um excelente trabalho!

Notas sobre a semana que passou

PPD vs. PSD — Gosto sempre de ver os “democráticos” a criticar as directas, os barões contra as bases e a baixa política no interior do que se diz o maior partido português. É realmente difícil a democracia dos partidos com partidos sem democracia.

Braindead — Leio a notícias que dois indivíduos de cabeça rapada (por dentro, como diria o saudoso Rodrigo Emílio) foram apanhados em flagrante delito enquanto profanavam campas do cemitério judaico de Lisboa. Não vou repetir o que já foi dito sobre pessoas nas quais entre as orelhas passa não uma aragem mas uma verdadeira corrente de ar. Digo apenas que não compreendo a falta de respeito pelos mortos.

Birmanices — A todos os que ficaram incomodados com os recentes acontecimentos no autoproclamado Myanmar, aconselho um tour mundial onde apliquem os mesmos critérios. Não é um exercício desculpabilizante, até porque a situação na Birmânia não é de agora, é um abrir de olhos para a hipocrisia da política externa.

My friend Bob — Lembram-se do outro que tinha o “mon ami…”? Pois agora a coisa piorou e de que maneira. Sócrates habilita-se a ter o “my friend” — dito em inglês técnico, claro está — no Zimbabwe. A vinda de Mugabe a Portugal, enquanto país que preside à União Europeia, é a consagração do paradigma dos cleptocratas africanos e racistas anti-brancos. Parabéns! Estamos no bom caminho para a destruição nacional e europeia.