quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Postal de Paris (III): Ponto de encontro
Postal de Paris (II): O vício dos livros
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Incómodo
Postal de Paris (I): Para alguns amigos
Um português na XII Table Ronde
Desloquei-me este ano a Paris, mais concretamente a Villepreux, pequena localidade nos arredores da capital francesa, para a XII Table Ronde, a convite do Pierre Vial, presidente da Terre et Peuple, associação que organiza este encontro pan-europeu. Acompanharam-me dois amigos portugueses e desde logo nos sentimos em casa.
A Table Ronde decorre num óptimo local, de estilo campestre, que tem amplo estacionamento, espaços ao ar livre para confraternização e de passagem entre as grandes salas para a conferência, para os stands e para as refeições. O evento dura um dia inteiro, havendo intervenções na sala da conferência de manhã e à tarde, e um enorme salão onde estão presentes associações, movimentos, editoras de livros e de música, livrarias, revistas, bem como stands de artesanato e gastronomia.
A afluência é muito numerosa, originária de toda a Europa, mas com óbvia predominância francesa. Este ano, segundo me disseram depois de um cálculo provisório, foram ultrapassados os 800 participantes do ano passado, tendo havido mais de 1000 pessoas presentes. Um número que demonstra bem a vitalidade e a crescente importância deste encontro.
A conferência deste ano foi subordinada ao tema “liberdade para a História”, alusão directa às leis que em França impõem versões oficiais da História, impedindo o trabalho e a livre investigação dos historiadores. Da parte da manhã, houve duas intervenções. A primeira foi do diplomata de origem croata Tomislav Sunic, que criticou a História baseada em vitimizações por representar uma identidade negativa, aproveitando para falar ainda sobre o seu mais recente livro, Homo Americanus. Seguiu-se Henri-Paul Falavigna, director do colectivo “Crianças mártires de Beslan”, que falou sobre a desinformação que tem havido sobre este massacre de inocentes e sobre o trabalho que tem feito de recolha de dados e notícias sobre o mesmo e a sua compilação num CD.
Tempo depois para almoçar, comprar livros e música, pôr a conversa em dia com vários amigos e camaradas e conhecer novas pessoas e projectos. O ambiente estava óptimo e é sempre bom ver o espírito de camaradagem e entreajuda; dou aqui um exemplo a fixar, o de uma deputada do Vlaams Belang não teve quaisquer problemas em ajudar a servir no balcão de comidas rápidas.
Para além desta parte lúdica, tive que preparar a minha intervenção. Perante algumas faltas, como por exemplo a de Andreas Molau, impedido por estar em campanha eleitoral como candidato pelo NPD, fui convidado pelo Pierre Vial a falar sobre a situação portuguesa. Aceitei, claro, e tentei o meu melhor.
A seguir pudemos ouvir Pierre Krebs, presidente do Thule Seminar, pensador e orador brilhante, que falou sobre o direito dos alemães à memória histórica e motivou a assistência para o combate pela nossa identidade, com a energia que o caracteriza. Encerrou os trabalhos Pierre Vial, que explicou que o nome e o tema da conferência era igual ao de uma associação criada por René Rémond e outros historiadores de referência contra as leis francesas que impõem versões oficiais e castram os historiadores, como a famosa lei Gayssot.
Foi a minha segunda presença na Table Ronde e uma óptima experiência que espero repetir para o próximo ano, de preferência com uma delegação nacional maior. Um ponto de encontro pan-europeu que deve ser uma fonte de inspiração para tantos projectos possíveis e necessários no nosso país.
sábado, 27 de outubro de 2007
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Tierra y Pueblo n.º 15

Há cerca de um mês atrás, o Eduardo Núñez passou por Lisboa e teve a amabilidade de me trazer o último número da excelente «Tierra y Pueblo», revista da associação espanhola homónima, na qual colabora. Tendo como interessante e oportuno tema de fundo a possibilidade de um novo modelo económico, conta com artigos de Enrique Ravello, Pierre Vial, Federico Traspedra, Joaquín Bochaca, Eduardo Núñez, entre outros, crítica de livros, cinema e não só. Imperdível!
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Cinemas de outro tempo

O Cinema Alvalade, projectado pelo arquitecto Lima Franco em 1945 e inaugurado em 1953, ficava perto de minha casa e mesmo em frente à Escola Eugénio dos Santos, onde fiz o ciclo preparatório. Um dos filmes que me recordo de aí ver foi “A Corrida mais Louca do Mundo”. Em meados dos anos 80 do século passado, a IURD tomou conta do espaço, na sua vaga de ocupação de cinemas, para o abandonar em 2000, data a partir da qual foi totalmente vandalizado. Foi depois demolido para dar lugar a um novo edifício, actualmente em fase de conclusão.

O Cinema Império, magnífico edifício modernista projectado pelo arquitecto Cassiano Branco em 1947 e terminado em 1952, foi o local onde vi e me maravilhei com “O Império Contra-Ataca”. Classificado como imóvel de interesse público em 1996, resistiu à demolição e é actualmente ocupado pela IURD.

O Cinema Monumental, projectado pelo arquitecto Raul Rodrigues Lima e inaugurado em 1951, foi onde muito novo representei numa peça de teatro escolar, após a qual me esgueirei com alguns amigos para ver o filme “Rambo – A Fúria do Herói”. Foi demolido nos anos 80 do século passado e deu lugar a um caixote espelhado.
domingo, 14 de outubro de 2007
Em busca da «NRH»
No passado jantar das quartas, o meu amigo VL mostrou-me o último número de «La Nouvelle Revue d'Histoire», o 32, agradecendo-me por tê-lo alertado que a revista se vendia em Portugal. Quando vi a capa, com uma excelente imagem de Nicolau II da Rússia, apercebi-me que ainda não a tinha. Não cheguei a ver este número nos sítios onde habitualmente a compro e o VL ainda tentou conseguir-me um exemplar (obrigado!), mas em vão. Na passada sexta-feira pus-me em campo e, depois de ter corrido a Baixa, lembrei-me de ir ao Largo do Calhariz, ao sítio onde me abastecia de revistas quando trabalhava do Bairro Alto. Na mouche! O Luís, que eu não via há tempos, disse-me que este número tinha vendido bem e que eu o esgotava. Esta busca tem um lado extremamente positivo, a «NRH» está a ter grande aceitação em Portugal, o que é sinal que a qualidade é reconhecida, apreciada e procurada. Dá que pensar na quantidade de revistas de História estrangeiras que se vendem por cá, ao mesmo tempo que se assiste à falência da única nacional, exceptuando obviamente as revistas académicas. Tal demonstra que há público, mas que a oferta tenta impor modelos ultrapassados e não vai ao encontro da procura.Voltando ao presente número da «NRH», cuja capa nos dá conta do óptimo dossier intitulado “1917, l’année fatale”, onde se analisam todas as frentes de guerra, a Rússia como teatro das revoluções que vão mudar a história do mundo e a entrada dos EUA na guerra. Para além de um “quem é quem na Revolução” e um excelente artigo sobre a forma como o cinema viu a revolução. Destaque ainda para a análise da crise no jornal «Le Monde», por Jean-Claude Valla, e o artigo sobre a trágica epopeia de Numância, de Yann Le Gwalc'h.
sábado, 13 de outubro de 2007
Alinhados?
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Lusitânia Expresso

“Lusitânia Expresso” é o programa português da Radio Bandiera Nera, transmitido on line todos os Domingos, entre as 12 e as 14 horas. Uma excelente iniciativa a não perder e a apoiar.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
A República imaginária
Mas a I República estava bastante longe do éden adâmico apresentado pelos abrileiros. Representava, aliás, exactamente o contrário do que estes diziam defender em vários pontos-chave. Um regime onde existira a censura, que mandara soldados para a guerra, que nunca abdicara das colónias, onde a perseguição política e religiosa foi impiedosa, comandado por um partido que podia não ser único, mas sobrepunha-se (impunha-se) a todos os outros.
Esta incómoda realidade, pouco “democrática” segundo os padrões hodiernos, nascida do crime do regicídio e não da vontade ou expressão popular, é hoje sobejamente conhecida. Seria de esperar, por isso, que não se insistisse em mistificações, que alguns pretendem desculpar aos ânimos exaltados da insolação do Verão quente. Hoje exigia-se outra (com)postura, mas nas recentes comemorações oficiais do 5 de Outubro e na preparação do centenário da República percebeu-se que nada mudou.
O artigo de Rui Ramos, no «Público» de ontem, intitulado “História viva”, fala exactamente sobre este tema. Diz ele que, insensatamente, a Comissão de Projectos para as Comemorações do Centenário da República, no seu relatório, pede “às autoridades e aos cidadãos que, durante uns tempos, façam de conta que estão a continuar a obra "inacabada" dos Republicanos de 1910”. O mesmo é dizer que o mito se mantém vivo e defendido ao mais alto nível. O historiador diz ainda que, para construir o que considera um “disparate”, a comissão transformou estes republicanos “naquilo que eles nunca foram” e “atribui-lhes, por exemplo, a invenção da actual cidadania democrática, quando o que eles fizeram foi restringir o direito de voto que a monarquia alargara. Escondeu-lhes, por outro lado, a crença colonial, suficientemente acesa para Afonso Costa proclamar, perante o genocídio das populações do Sul de Angola em 1915, que "não nos deixemos mover por idealismos".”
Mas Rui Ramos tem o cuidado de se defender, afirmando que não pretende criticar a I República, pois isso “segundo a comissão, só fazem os fascistas”. Veja-se o espírito democrático destes tipos, quem critica é “fascista”! Só falta mesmo dizer: cuidadinho, ou chamamos a “Formiga Branca”…
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Do processo penal
Ainda o Che
Che Guevara, que assistia fumando charuto a inúmeras execuções, quando não premia o gatilho, é para muitos um derrotado. É o caso do historiador cubano Jaime Suchlicki, para quem o ícone da esquerda “como médico, nunca exerceu a profissão. Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria. Como guerrilheiro, foi eficiente apenas a matar por causas sem futuro”. Será que ainda assistiremos ao fim de um mito?
terça-feira, 9 de outubro de 2007
A reboque
Do “perigo nazi” e suas sequelas
Mas a dita carta contém elementos bastante interessantes que não se viram nestas primeiras notícias, mais preocupadas em extrapolar fantasiando. É disto exemplo algo que li no «Público» de hoje: “Afirmando estar a ser alvo de perseguição política, Mário Machado cita depois uma alegada conversa que terá mantido com um inspector da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB) da Polícia Judiciária, no seguimento da qual o investigador, citando Cândida Vilar, lhe teria dito: "O Mário tem de pagar por tudo o que de mau o meu pai passou aquando do Estado Novo."” É de averiguar. A ser verdade, explica muita coisa...
O Mário Machado pode ter muitos defeitos e ter cometido muitos erros, mas tal nada tem que ver com as alarvidades cometidas neste caso. Será que perante ideologias, ideias e posturas consideradas incorrectas, incómodas e “perigosas” politicamente se esquece o Estado de Direito democrático? O que se seguirá?
Como li no blog Contra Ordem: “basta uma opinião divergente — mesmo partilhada e por disparatada que seja — para ser preso?”
Uma “curiosidade” mil vezes repetida... (II)
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Blog em destaque
Uma lição de Fritz Lang
Kosovo: entre sérvios e albaneses
Elisabete, de 27 anos, casou há oito anos com um albanês que conheceu na Alemanha. Hoje vive enclausurada em casa dos sogros; não pode sair, “é o costume da terra”. Apesar de estar “farta de pobreza e de atraso” e querer vir embora, não pode. O marido conseguiu legalizar-se devido ao casamento e continua na Alemanha, mas não permite que a mulher saia do Kosovo, para garanti-lo ficou-lhe com o passaporte. Sobre a guerra e a situação actual diz: “Vocês devem ter feito alguma coisa para os sérvios vos atacarem. Agora querem ser independentes. Como? Viver de quê? Aqui só há corrupção!”
Entre os sérvios vive há 25 anos Natália com o marido, com quem casou em Paris. Diz que ainda se lembra de quando na então Jugoslávia “viviam todos misturados, sérvios, macedónios e montenegrinos e já os albanos [sic] faziam com que as outras raças não tivessem lugar”. Perante a acusação aos sérvios de limpeza étnica, é categórica: “os albanos é que começaram — nunca quiseram integrar-se nem tolerar outras culturas”.
Experiências pessoais que demonstram que as etiquetas “bons” e “maus”, que tantas vezes vemos repetidas na imprensa desinformada, não fazem qualquer sentido.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Da monarquia à república num pedaço de papel
Tendo em conta a data, a República era ainda recém-nascida e que papel oficial republicano devia ser coisa rara — se não inexistente, pelo menos no dito regimento —, o desenrascanço português solucionou o problema, colando por cima da coroa um pedaço de papel.
De cerca de dez anos depois, mais concretamente de 27 de Maio de 1922, encontrei a carta abaixo, referente à promoção do meu bisavô a tenente, já oficialmente republicana e com a particularidade de estar assinada pelo próprio presidente da República da altura, António José de Almeida.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Uma “curiosidade” mil vezes repetida...
O diário gratuito «Meia-Hora» de hoje publica um dossier intitulado “Monarquias superam Repúblicas em índice de desenvolvimento”, que inclui uma coluna com “curiosidades em Portugal e no estrangeiro”. Aí se diz que “o reinado mais curto da História é português e durou 20 minutos”. Não é a primeira vez que vejo esta dita “curiosidade”, e por isso é necessário que se tente evitar a sua futura difusão. Refere-se ao regicídio e ao facto de o príncipe real D. Luís Filipe ter morrido minutos após o seu pai, o rei D. Carlos. Segundo o jornal, “nesse hiato, Luís Filipe foi rei de Portugal”. Ora tal não é verdade, já que no nosso país só poderia acontecer após a aclamação, o acto de reconhecimento do herdeiro ao trono como novo rei de Portugal. A D. Carlos, como é sabido, sucedeu D. Manuel II, seu filho e último rei de Portugal.
PS - Este texto foi enviado para o e-mail do jornal.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Combate cultural
No passado sábado tive a oportunidade de participar na conferência “Batalha Cultural do Nacionalismo”, organizada pelo PNR, que decorreu na sede renovada do partido. Para além do óptimo espaço, que se tornou num ponto de encontro nacionalista em Lisboa, louvo também o orador, o meu amigo e camarada Bruno Oliveira Santos, por ter conseguido, com a clareza e eloquência que o caracterizam, gerar o interesse e a motivação da assistência para um tema tão importante como este.Não vou aqui repeti-lo, mas nunca é demais salientar a importância do combate cultural. Gostei de ver que os militantes que mais intervieram, na sua maioria estudantes universitários e com quem falei no final, estão cientes de que tal constitui a fundação do edifício que nos propomos construir.
É também óptimo ver que o PNR não esquece o combate cultural, nem o menospreza. Esta conferência foi apenas mais uma das que se têm realizado todos os fins-de-semana, sobre variados temas, sempre com um público diversificado, de militantes, simpatizantes, interessados, ou simples curiosos. Para além destas actividades, que vão continuar (estejam atentos), o partido iniciou a constituição da sua biblioteca e conta com doações para aumentar o seu acervo. A Juventude Nacionalista também tem actuado neste campo, como por exemplo com a recente denúncia do estado de degradação do Jardim do Torel. Um excelente trabalho!
Notas sobre a semana que passou
Braindead — Leio a notícias que dois indivíduos de cabeça rapada (por dentro, como diria o saudoso Rodrigo Emílio) foram apanhados em flagrante delito enquanto profanavam campas do cemitério judaico de Lisboa. Não vou repetir o que já foi dito sobre pessoas nas quais entre as orelhas passa não uma aragem mas uma verdadeira corrente de ar. Digo apenas que não compreendo a falta de respeito pelos mortos.
Birmanices — A todos os que ficaram incomodados com os recentes acontecimentos no autoproclamado Myanmar, aconselho um tour mundial onde apliquem os mesmos critérios. Não é um exercício desculpabilizante, até porque a situação na Birmânia não é de agora, é um abrir de olhos para a hipocrisia da política externa.
My friend Bob — Lembram-se do outro que tinha o “mon ami…”? Pois agora a coisa piorou e de que maneira. Sócrates habilita-se a ter o “my friend” — dito em inglês técnico, claro está — no Zimbabwe. A vinda de Mugabe a Portugal, enquanto país que preside à União Europeia, é a consagração do paradigma dos cleptocratas africanos e racistas anti-brancos. Parabéns! Estamos no bom caminho para a destruição nacional e europeia.



