Segundo noticia hoje o jornal «
Público»,
Eva Herman, descrita como “
uma das personalidades mais importantes da televisão alemã”, foi despedida a estação onde trabalhava por dizer que “
valores como a família, a infância e a maternidade, que também foram promovidos durante o III Reich, foram destruídos pela geração de 1968”, durante a apresentação do seu último livro, cujo tema é exactamente “salvar a família”.
Com todas as falhas e faltas que possa ter esta notícia, é suficiente para chegarmos à conclusão que uma afirmação deste género, apesar de não ser necessariamente ideológica, choca na actual Alemanha dos tabus. Arrisco-me a sugerir que esta autora sabia bem o que se seguiria às suas palavras, que chegaram até Portugal, ou não fosse este um dos temas mais vendáveis hoje em dia. O seu objectivo era apenas publicidade e obteve-a.
Podemos especular sobre as posições polémicas de
Eva Herman. Podemos até ironizar que o seu nome “Eva”, como a sua homónima de apelido Braun (ou Hitler, perdoem-me os preciosistas), “Herman”, como Herminius, esse verdadeiro “Viriato germânico”, é uma composição do mais nazi que há. Mas a verdade é que a dita senhora, para felicidade da politicamente correcta Alemanha, apoia iniciativas como a “Laut gegen Nazis”, para que não restem dúvidas.
Desta manobra publicitária há uma lição a reter: muito cuidado da próxima vez que louvarem, por exemplo, a
Autobahn.
O lado negro da história é que se esquece rapidamente o gravíssimo problema da família e da natalidade na Europa, em favor do recorrente, mas bastante gasto, apedrejamento de fantasmas nazis.