sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Na frente da invasão da Europa

A edição de hoje do «Diário de Notícias» contém uma notícia de duas páginas sobre a situação em Malta, que considera estar “sufocada por imigração ilegal”. Este país, que é o mais pequeno e o mais densamente povoado da UE, tem uma política de detenção de imigrantes ilegais, desde 2002, para tentar travar a verdadeira invasão humana proveniente da África subsariana. Ao contrário do que acontece noutros países, esta política não divide os principais partidos malteses e, apesar de algumas críticas da oposição, é vista como necessária, mesmo apesar de custar anualmente 10 milhões de euros. Veja-se o exemplo dos verdes, cujo líder, Harry Vassallo, criticou as condições dos centros de detenção de imigrantes, mas considerou que Malta não tem capacidade de absorção para esta massa humana. Esta incapacidade é também reconhecida por um eritreu estabelecido em solo maltês, que considera que a UE tem que ajudar o país a absorver os imigrantes. Simplesmente inacreditável! Reconhece que a imigração em massa é inabsorvível num país concreto, mas apresenta como solução dirigi-la para outros. Vê-se aqui claramente que se trata de um movimento de proporções maciças com o objectivo de invadir e colonizar a Europa. A ideia idílica dos imigrantes ingénuos e desafortunados — tão propagandeada pelos suicidas integracionistas — desfaz-se com algumas revelações interessantes. O tráfico de imigrantes tem por trás uma grande organização, como o confirma Ives de Barro, conselheiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Malta, ao descrever: “Os barcos são quase todos do mesmo tamanho. Muitos têm motores Yamaha. Alguns dos imigrantes têm telefones satélite para, a dada altura, ligarem às autoridades a dizer que precisam de salvamento”. Alguns destes barcos são arrastados por outros maiores desde a Líbia ou a Tunísia. Sobre o caso líbio, podemos ainda ler uma breve entrevista com o embaixador da Líbia em Malta, Saad Elshlmani, que afirma que o seu país é tanto um destino como um corredor para os ilegais que vêm para a Europa através do Mediterrâneo.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Solstício de Inverno


Sonhas com um sol hoje desaparecido
Símbolo da vida, de eterno retorno.
Encurtam os dias, o inverno chegou,
Mas no teu coração, sempre ficará a brilhar.

Na noite mais longa entraste na tua casa
A acender a coroa e preparar o fogo.
Vai começar uma longa velada
Com teus irmãos, irmãs, amigos, avós.

Sobre a mesa enfeitada há já três velas
Para os que estão longe, mortos, crianças a chegar.
O rito solisticial vai renovar-se
Em memória do passado, por um grande porvir.

Celebraram-se os nossos antepassados desde milénios
Esta noite consagrada à grande esperança
De um sol que regressará a iluminar a nossa terra
Um mais cada dia, à medida que avançam as estações.

Temos de juntar-nos na noite dos nossos povos
Para mais nos fortalecermos neste mundo hostil.
Amanhã, já o sabemos, o sol brilhará
No fundo das nossas florestas, no coração das nossas cidades.

É na obscuridade, durante esta pausa,
Que podemos forjar as armas que necessitamos
Para o triunfo das nossas ideias, da nossa causa,
E oferecer à Europa um amanhã melhor.

À volta desta mesa, homens e mulheres livres,
Vêm recordar e reencontrar os seus Deuses.
Sente-se a alma que vibra através dos nossos cantos,
A alma da linhagem, a dos nossos avós.

Nesta noite portadora de grande promessa,
A nossa longa memória nos manterá firmes.
Porque, se Dionísio nos trouxe embriaguês,
Também sabemos que Apolo regressará.

Robert Pagan
(Dezembro 90)
in “Os Solstícios – História e Actualidade”, Hugin (1995).

Prazeres natalícios (III)

Oferecer um presente a um amigo que não gosta(va?) do Natal.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Revisionismo revisto

Há um ano atrás, quando a prisão de David Irving motivou um aceso debate sobre o chamado “revisionismo do Holocausto”, escrevi aqui que “a minha formação em História diz-me que proibir a investigação, por mais loucas ou disparatadas que sejam as suas conclusões, é errado. (…) Devem, isso sim, ser debatidas e, se necessário for, contrariadas com argumentos e provas, em resumo, com outras investigações, nunca com leis”. É esse o princípio que me guia e que deve guiar qualquer historiador.

É claro que a História é uma arma política poderosa e, como tal, tem sido utilizada amiúde ao longo dos tempos. Nada se alterou nos nossos dias e o tema do Holocausto e do seu revisionismo é particularmente “quente”. O “revisionismo do Holocausto” tem sido aproveitado politicamente por muitos sectores. Do lado considerado “negacionista” pelos seus detractores, foi guiado por agendas políticas de extrema-esquerda, extrema-direita e fundamentalista islâmica. Do lado considerado “exterminacionista” foi aproveitado por grupos sionistas e outros grupos judaicos, grupos “anti-nazis”, entre outros. Neste último, interessa referir que a pressão destes grupos levou a que em vários países surgissem leis que condenam o “revisionismo ou negação do Holocausto”.

Este processo levou a que, rapidamente, se equivalesse revisionismo a negação do Holocausto e que, como a negação do Holocausto foi considerada crime, o revisionismo também o fosse automaticamente. Não apenas o revisionismo do Holocausto, mas o revisionismo em geral; este, aliás, começou a ser algo muito mal visto em favor de versões “oficiais” da História!

Isto leva-me à questão central deste texto — o revisionismo precisa de ser revisto. É essencial à investigação histórica que o espírito crítico e a vontade de verdade e exactidão não sejam toldados por discussões encerradas.

O problema do revisionismo tem sido a falta de seriedade de vários “investigadores”. No caso do revisionismo do Holocausto, tal tem sido notório — de um lado e do outro, sublinhe-se. Um aspecto importante foi levantado pelo meu amigo e colega de disciplina Humberto Nuno de Oliveira, que alertou para a importância de não se ficar apenas pelas fontes secundárias, nomeadamente por impedimentos linguísticos, num oportuno post.

Nesta revisão do revisionismo, o primeiro passo é recusar os dogmas — de um lado e do outro, sublinho mais uma vez. Como escrevi em tempos, os “santificadores da Shoah” e os “reverendos do revisionismo” estão no mesmo plano. A História é uma disciplina fascinante e o trabalho do historiador nunca está terminado.

Felizmente, a blogosfera é um local para o livre debate e reflexão e, sobre o revisionismo, o Humberto Nuno de Oliveira, historiador e professor universitário, iniciou já uma série de textos sérios e obrigatórios sobre o tema. Ontem publicou o primeiro, “À laia de introdução ao tema do revisionismo”, que a todos aconselho, ficando a aguardar ansiosamente os seguintes.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Prazeres natalícios (II)

Lembrar-me que mesmo em períodos bastante difíceis da vida esta época nunca perdeu a sua elevada importância.


domingo, 17 de dezembro de 2006

Sinceridade

Um bom amigo diz-me, em conversa, que este blog está muito melhor no que toca à forma. Mais ligeiro, mais agradável. Concordo com ele, sem defender por um instante o template anterior, que tão duramente criticou. Há mudanças boas e os que às mudanças são avessos — como eu — precisam de ouvir comentários destes.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

A Sombra da Águia

Este frio trouxe-me à memória uma leitura de férias, “La Sombra del Águila”, de Arturo Pérez-Reverte. A edição de que falo, e que comprei em Espanha, é a da Punto de Lectura, em formato de bolso, com ilustrações de José Belmonte e datada de Junho deste ano. Em cerca de 130 páginas, o bem conhecido escritor espanhol conta-nos, no seu estilo característico, uma história baseada num curioso acontecimento que teve lugar durante a campanha da Rússia em 1812. Durante um combate na colina em frente a Sbodonovo, no qual as forças napoleónicas estavam numa situação bastante adversa, algo totalmente inesperado acontece. O “326 de Infantería de Línea”, um batalhão de antigos prisioneiros espanhóis, voluntários à força na Grande Armée, tenta desertar avançando para os russos. Esta movimentação, que se dá quando a derrota na batalha parece inevitável, é entendida como um acto de heroísmo e coragem por Napoleão que ordena uma carga de cavalaria em seu auxílio. A vitória é muito celebrada e os espanhóis são condecorados em frente ao Kremlin numa Moscovo deserta. Nessa noite há uma passagem de que gostei especialmente sobre um encontro nocturno entre o Capitão García e Napoleão — a quem chamavam “O Maldito Anão” ou “Le Petit Cabrón” — onde o Imperador pergunta por que fizeram os homens do 326 aquele avanço. García hesita, pensa, toma o seu tempo e responde-lhe: “Não havia outro sítio aonde ir, Sire.” O silêncio que se seguiu foi esclarecedor, já que, como nos diz Reverte, “tanto ele como o Petit, no fundo, eram soldados profissionais e estavam a entender-se sem palavras.” Um divertido relato ligeiro sobre a pesada realidade da guerra e as relações humanas em condições extremas, que se lê de um fôlego.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Pinochet


Por motivos óbvios, lembrei-me de uma história que costumo contar recorrentemente. Há uns bons anos atrás, ao balcão de uma cervejaria em Alvalade, ouvi alguém ao meu lado pedir um “pinochet”. Virei-me automaticamente e, corrigindo o sujeito de meia-idade, disse-lhe que o que ele queria pedir era um panaché. Incomodado por esta chamada de atenção vinda de um adolescente e motivadora, ainda para mais, de alguns esgares de vários dos presentes, retorquiu:
— O menino nunca ouviu falar do Pinochet?
— Sim, claro. Mas o que tem ele a ver com isto?
A resposta foi tão pronta, que deu a ideia de não ser um improviso da altura:
— Pois foi ele que inventou esta bebida.
Perante tal sabedoria, não me contive:
— Já ouvi acusar o Pinochet de muita coisa, agora de estragar cerveja é a primeira vez!

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Prazeres natalícios (I)

Observar a felicidade do meu filho ao descobrir a surpresa diária que lhe reserva o calendário do advento.

Cinco manias revisited

Apesar da ausência, fui solicitado por vários amigos a responder a um inquérito blogosférico sobre manias, que anda por aí a circular de novo. Lamento desiludi-los, mas já em tempos o mesmo cá caiu. Resta-me encaminhá-los: Cinco manias.

Lavar a cara

Foi o que fiz nesta casa, para tentar redimir-me da ausência demasiada dos últimos tempos. Nada como ser confrontado com a indecisão de um bom amigo em continuar o seu excelente blog para chegar à conclusão de que o único conselho válido que posso dar-lhe é continuar a grafar nesta casa regularmente. Até já.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

“A Nova Reconquista: da Ibéria à Sibéria”


O título deste post foi, como a maioria dos que me lêem saberá com certeza, o tema do I Encontro Internacional da Causa Identitária, associação de que sou actualmente o presidente, um evento transversal histórico que juntou várias organizações e participantes nacionais e estrangeiros e que teve lugar em Lisboa no passado dia 25 de Novembro. Quem me conhece, ou pelo menos acompanhe aqui as minhas ideias, sabe o valor que tem para mim conseguir que Portugal inclua o roteiro identitário europeu e o que significa a presença no nosso país de Pierre Vial e Guillaume Faye, duas referências maiores para mim. Quero neste post agradecer a todos os que comigo colaboraram para concretizar este projecto. Aos que sempre acreditaram que o nosso rectângulo também é Europa e que somos tão válidos quanto os demais. Aos que, na associação, deram o seu voto de confiança à actual direcção e se centraram neste objectivo tão importante. Aos meus camaradas e amigos Miguel Jardim e Humberto Nuno de Oliveira, pela sua extraordinária disponibilidade, Pierre Vial, Enrique Ravello e Guillaume Faye, pelo seu interesse em Portugal e pelo reconhecimento da importância deste país no nosso combate conjunto europeu. Obrigado! Outros desafios se aproximam.

Para mais informações aconselho que consultem a página da Causa Identitária e, concretamente, a notícia relativa à conferência.