sábado, 23 de setembro de 2006

Que bem que se está no campo!

Já sei, já sei... Tenho-o ouvido bastante: “Não escreves. Que se passa?” A verdade é que as duas últimas semanas não foram agradáveis — profissionalmente falando — e a motivação não foi muita. Razão de sobra para uma escapadela até ao Alto Alentejo, ainda que curta.

Nada como uma vinda ao campo para reequilibrar o estado de espírito. Ao contrário de certos amigos meus, detractores do mundo rural, que consideram afirmações como esta mais um mau anúncio do tipo “vá para fora cá dentro”, não só gosto sinceramente destas fugas da urbe, como preciso delas. Lembro-me sempre de uma grande amiga que, descontente com a frequência das idas ao centro do país, explicava: “Eu não sou do campo, sou do Campo de Ourique!” A quem comungue deste sentimento, aconselho a parar de ler estas linhas campestres.

Do alpendre da casa do Monte, é visível um mar de oliveiras bem espaçadas que desce tranquilamente até encontrar o azul da água da barragem. Ao fundo, a terra ergue-se de novo e, acima, as nuvens do céu impedem que tenha as cores habituais desta região. A chuva alterou os cheiros, mas o ar mais frio é revigorante. Parar, observar, sentir. Mudo a minha disposição e entro nos ritmos locais. Pressa? Para quê?

Depois do pequeno-almoço, uma ida à vila para café e jornais. De regresso a casa, reparo que o tempo não passou. Altura para ler, conversar e preparar as brasas para o almoço. Os legumes e as frutas são colhidos pouco antes. Não têm designações nem dimensões regulamentares, não vêm embalados nem rotulados. Pelo contrário, têm cheiro e sabor, coisa que rareia cada vez mais nos alimentos uniformizados. Come-se tarde e o vinho é tinto e encorpado, claro. Tudo a condizer. Pressa? Para quê?

Os miúdos adoram. O mais velho, especialmente. Quis ajudar. Apanhou fruta, aprendeu o nome das ávores, viu bichos, sujou-se com lama, e, alertado pelo som dos chocalhos, avistou um rebanho de ovelhas. Teve um dia em cheio e agora dorme o sono dos justos. Em família, o serão é passado com um jogo de tabuleiro, mas a hora é avançada e a cama espera. Fico acordado. O quilo de papel impresso comprado pela manhã foi lido e, talvez por isso, lembro-me de testar o telemodem. É verdade, o portátil veio atrás... pelo sim, pelo não. Tenho rede! É tarde, mas apetece-me escrever, e não sobre o que li, talvez amanhã. Pressa? Para quê?

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

O Islão avança em Portugal

Na última edição da revista «Única», um dos suplementos do semanário «Expresso», um dos artigos publicado por ocasião dos cinco anos passados sobre os atentados terroristas que destruíram as torres gémeas do World Trade Center, intitulado “A ameaça periférica”, analisa a atenção das forças de segurança portuguesas à comunidade islâmica residente no nosso país.

No geral, dá-nos a ideia que não existe perigo nenhum, reforçando o conceito de que em Portugal nada ou quase nada acontece. Diz-se mesmo que “ninguém acreditou verdadeiramente, logo após o 11 de Setembro, que Portugal pudesse estar em risco”. Só o Euro 2004 alterou um pouco este sentimento de imunidade, mas rapidamente se voltou ao habitual.

Mas, neste clima cor-de-rosa, há coisas que saltam à vista e nos fazem reflectir. Como o reconhecimento pela DCCB que “a dificuldade está em acompanhar a nova vaga de imigrantes que começaram a chegar nos anos 90, fora do contexto das ex-colónias”. Sobre os paquistaneses, “por enquanto, sabe-se pouco sobre onde estão, com quem se dão e por onde viajam”, e “os marroquinos, argelinos e os árabes do Médio Oriente que também têm vindo para Portugal são igualmente pouco conhecidos pelas autoridades e até pelos meios académicos”. Olhando para a origem dos autores de atentados terroristas islâmicos noutros países da Europa, não são afirmações muito animadoras.

O real avanço do Islão vem nos dois últimos parágrafos, quando se revela “uma das revelações mais perturbadoras da recente tentativa de atentado no aeroporto de Heathrow, a origem de três dos suspeitos: jovens brancos com um passado de drogas e álcool que se converteram recentemente ao Islão.” É um fenómeno que não se fica pelo Reino Unido ou a França, países com grande presença islâmica. Até em Portugal, segundo o artigo, “o número de convertidos aumentou depois do 11 de Setembro”! Apesar de não ser feita qualquer relação ou análise deste fenómeno, ficamos também a saber que só em Lisboa fazem-se duas a três conversões por mês. É-nos relatado, ainda, o caso da conversão de André Martins, de 21 anos, que “fez amigos guineenses e sentiu o chamamento da religião deles”. André vive em Odivelas, uma das zonas com maior presença muçulmana em Portugal.

São os sinais de que até num país com uma presença e influência muçulmana por enquanto reduzida, o Islão começa a avançar.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Profetas


Hoje reflecti sobre a invasão imigrante do terceiro mundo a nível mundial na minha outra casa blogosférica e lembrei-me do caso americano. Ao saber, através do V Dare, que o último livro de Pat Buchanan, “State of Emergency: The Third World Invasion and Conquest of America”, está no top de vendas da livraria Amazon, parece-me que, do outro lado do Atlântico, muitos começam a aperceber-se da dimensão da ameaça de que é alvo não só a América e a Europa, mas igualmente outros países desenvolvidos do mundo.

Mas o que motivou este post foi o recente artigo de Pat Buchanan, “Powell, Raspail: Prophets Without Honor?”, em que ele recorda dois profetas dos trágicos acontecimentos que vivemos hoje, mas que foram ostracizados pelo que disseram e escreveram. O discurso “Rivers of blood”, de Enoch Powell, proferido em 1968, e o livro “Le Camp des Saints[1], de Jean Raspail, publicado em 1973, são (re)leituras obrigatórias nos dias que correm. O primeiro deixou de ser um aviso para se tornar uma constatação, o segundo deixou de poder ser considerado ficção.

[1] Publicado em Portugal pelas Publicações Europa-América, em 1977, com o título “Mortos: 200 Milhões - Todos Nós”.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

O Médio Oriente e a posição da Europa

A recente subida de temperatura no conflito israelo-árabe voltou a inundar os media e a captar a atenção de todos. De facto, parece que este é mais importante que a verdadeira tragédia a que a Europa assiste passivamente — a sua invasão por populações do terceiro mundo. Não é, apesar de nos quererem convencer do contrário.

A situação no Médio Oriente, como no resto do mundo, alterou-se e isso significa que determinadas posições não fazem sentido ou são mesmo contrárias aos nossos interesses. Israel tem vindo a perder, gradualmente, a importância geopolítica que tinha especialmente no período da guerra fria. Por outro lado, neste país que sempre praticou um terrorismo de estado e ignorou sucessivamente resoluções da ONU, o Tsahal tem cada vez mais poder e a recente guerra é prova disso. Quanto aos seus inimigos, a principal preocupação israelita não são os novos mísseis iranianos do Hezbollah, ou o rapto de militares. Israel sabe que os seus vizinhos árabes têm a arma mais poderosa de todas, a única que conseguirá eliminar a sua Terra Prometida — a “bomba demográfica”. Do lado árabe, longe vão o nacionalismo palestino e o pan-arabismo laico. O Islão surge como força aglutinadora quando o inimigo está “lá fora”, fora da comunidade muçulmana. Recorde-se que os mesmos elementos da Fatah e do Hamas que se defrontaram em confrontos armados na Faixa de Gaza, uniram-se num esforço comum contra Israel depois da ofensiva desencadeada após o rapto do cabo Gilad.

Perante a guerra contra o Hezbollah, que voltou a destruir o Líbano, a opinião na Europa dividiu-se: de um lado, chocados com a violência extrema de Israel, os pró-palestino-islâmicos, do outro, chocados com o terrorismo islâmico, os pró-americano-judaicos. Quaisquer das posturas são insustentáveis, em especial face ao ataque de que a Europa está a ser alvo. O único lado em que devemos estar é no nosso lado. Temos que defender a Europa e os europeus, não Israel ou a Palestina. Temos que aprender com este conflito, sem intervir, vendo como os muçulmanos se unem contra os inimigos debaixo da bandeira político-religiosa do Islão e têm consciência do poder da demografia, bem como, do outro lado, a política de “faz o que eu digo, não o que eu faço” que caracteriza o estado israelita. Temos que aprender, para podermos preparar uma defesa eficaz do nosso continente.

O nosso combate é pela Europa! Não devemos enviar tropas de “manutenção da paz”, mas defender as nossas fronteiras, que diariamente são assaltadas por invasores do Sul. Os americanos e os seus aliados “moderados” na região que façam esse trabalho. O dever das forças armadas europeias é defender os europeus e não policiar zonas de conflito internacionais.

No tempo de crise em que vivemos, não nos podemos distrair com as manobras dos ilusionistas políticos. Tenhamos presente a difícil posição em que nos encontramos e o árduo combate que tão rapidamente se aproxima. A Europa não está em fase de expansão, está em fase de Reconquista.

domingo, 3 de setembro de 2006

Uma Ideia de Portugal

Por ocasião do segundo aniversário do Causa Nacional, os autores desta excelente “Biblioteca e Arquivo Nacionalista” na internet pediram-me que escrevesse um texto sobre a “ideia de Portugal” para assinalar a data. Descobri, com agrado, que não estava só nessa empresa e que a meu lado assinavam textos sobre o mesmo tema os meus amigos e camaradas José Pinto-Coelho e BOS. Aproveito para agradecer publicamente o convite e louvar o óptimo trabalho desta magnífica fonte de informação, desejando que continue por muitos anos. Resta-me aconselhar a todos a visita regular ao Causa Nacional e reproduzir aqui o texto publicado.


Os ditames do mundialismo vão conduzindo, a passo e passo, a Europa à sua destruição. O multiculturalismo é apresentado como panaceia para todos os males e, por isso, foi receitado aos países europeus. Mais, asseguram-nos que não há perigo de sobredosagem, o que é preciso é tomar. A continuarmos assim, vai ser um daqueles casos em que o paciente morre da cura…

Portugal não é excepção. Vive os mesmos problemas que o resto da Europa e, sob a ilusão do progresso materialista, morre gradualmente. Para a massa indiferenciada que vive no paraíso consumista da gaiola dourada conceitos como Povo ou Nação deixam de ter sentido. Pior, devem ser evitados a todo o custo, pois a sua defesa é com certeza a expressão de uma ideologia “racista” ou “xenófoba”.

Neste negro cenário, a ideia de Portugal — para quem ainda se preocupa com isso — vai sendo apresentada ora como uma marca ou um produto, porque o que interessa é a economia e o lucro, ora como uma equipa de futebol, porque o espectáculo é bonito e distrai as pessoas, ora como algo bem pior. Para a classe bem-pensante politicamente correcta, Portugal sempre foi um local de encontro de civilizações, de culturas, de povos. Que teoria fantástica! Era já o paraíso do multiculturalismo antes de este estar na moda.

Mas a História, felizmente, não é cor-de-rosa. O que devemos ter presente, hoje mais do que nunca, é que Portugal é um país europeu. Não apenas pela sua geografia, mas pela sua cultura e pelo seu povo. As nossas raízes estão na Europa e, mesmo que a nossa árvore tenha crescido e as suas folhas tocado os quatro cantos do mundo, numa altura em que quase nos tornámos um arbusto, são as raízes o nosso bem mais precioso.

As raízes não são algo estático a preservar numa redoma num museu ou numa arca sagrada. São a ponte que liga a terra à vida, ou seja o país ao povo, e por onde corre a seiva, ou seja a cultura. Nos tempos que correm, o nosso povo e a nossa cultura estão seriamente ameaçados. E mesmo que amanhã continue a existir aqui um país com o mesmo nome, sem esses dois elementos fundamentais não será Portugal.

Um grande amigo meu disse uma vez que, na presente catástrofe, mais importante que a ideia de Portugal é a ideia dos Portugueses. Não posso estar mais de acordo. Sem Portugueses não haverá Portugal e, da forma como estamos a ser invadidos e colonizados, corremos o sério risco de tal tragédia se verificar.

Para continuar Portugal, tem necessariamente que haver vontade, tal como aconteceu por tantas vezes na nossa história. Temos que ter vontade de defender os portugueses e toda a nossa grande família europeia. Temos que transmitir esse sentimento a todos os nossos compatriotas e despertá-los da letargia em que se encontram.

Haja vontade para continuar e perpetuar os Portugueses. Haja vontade de continuar e perpetuar Portugal. Haja vontade de criar uma grande pátria europeia de povos irmãos!

sábado, 2 de setembro de 2006

Recuerdos de férias

Durante as férias, absorvido pela leitura e pelo convívio familiar, o meu contacto com o mundo exterior foi reduzido. Sem acesso à internet, na televisão via apenas ocasionalmente as notícias. Nas frequentes caminhadas matinais, passava pela banca de jornais e, por entre tablóides ingleses e edições locais de periódicos, optava pelo «ABC», que pode ter defeitos, mas o formato não é um deles. No conteúdo também tive algumas surpresas agradáveis e por isso fiz alguns recortes que são os meus recuerdos de férias para esta casa:

Clemência – No dia 12/8, Ignacio Camacho escreve na sua coluna um pedido de clemência a Alá por tudo o que representa a sociedade ocidental e, principalmente, “por ser, definitivamente, livres em vez de escravos, e querer continuar a sê-lo”, para concluir que “tudo isso não é suficiente. Porque quando o fizermos, quando abjurarmos a nossa civilização e as nossas crenças, quando nos retratarmos das nossas certezas, quando nos ajoelharmos implorando a misericórdia de Alá, matar-nos-ão da mesma maneira, sem nenhuma piedade nem compaixão. Porque somos diferentes e porque apenas querem a submissão ou o extermínio da diferença”.

Invasão imigrante – Perante a catastrófica situação nas Canárias, podíamos ler no editorial “Imigración desbocada”, da edição de 12/8, que “cresce o número dos que pensam que o desinteresse e o descanso com que a UE enfrenta o problema das Canárias não é um acaso e que talvez alguns países não esquecem a insensata política de legalização maciça de imigrantes levada a cabo pelo executivo espanhol”. No dia seguinte, uma notícia dava conta que oito cidades espanholas repartiam mais de 8 mil imigrantes ilegais transferidos das Canárias. Uma coisa verdadeiramente inacreditável! Os mais de 15 mil imigrantes ilegais que deram à costa das Canárias desde o início do ano são postos em liberdade pela Polícia e circulam indocumentados.

Aliança de civilizações – Sobre a proposta feita há dois anos por Zapatero de uma “aliança de civilizações” responde M. Martín Ferrand na sua coluna que “uma aliança entre o nosso mundo, o ocidental, e o muçulmano para combater o terrorismo internacional fundamental e fundamentalista islâmico, é como querer uma ONG, codirigida pelo Capuchinho Vermelho e pelo Lobo Mau em defesa das avózinhas desamparadas”. Lucidamente, afirma ainda que a “Europa, a nossa casa, não é fruto de uma casualidade, mas de um processo histórico complexo que se sustenta no pensamento grego, no direito romano, e na ética cristã. Podia ter sido de outro modo, mas é assim e para ele contribuiu essencialmente o enfrentamento sistemático com os inimigos islâmicos que nos cercam a Sul. A Reconquista espanhola, as Cruzadas ou a defesa de Constantinopla são, para além de acontecimentos históricos, nutrientes para a alma europeia da qual nos sentimos orgulhosos”.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

De volta

Foram maiores as férias blogosféricas que as reais, mas estou de volta. A seguir vou deixar alguns recuerdos de férias, apesar de estas parecerem já tão distantes...