quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Música (III)

Depois de certos amigos me lembrarem que não mudava de música de fundo há muito tempo, decidi dar lugar a uma que gosto muito, “Il paese dei balocchi”, dos italianos Hobbit, que faz parte da compilação “Vox Europa II”, editada em 2001 pela Rupe Tarpea Produzioni.

Il paese dei balocchi

Venite ce n'è per tutti
è il paese dei balocchi
alti, magri, belli e brutti
venite a vedere con i vostri occhi

Ci sono case di marzapane, e specchi per allodole
ci sono vetrine colorate, paghi 2 e prendi 3
ci sono fuochi sulle strade che aspettano soltanto te

Ci sono libri da bruciare, per nascondere la verità
ci sono lacrime da versare per chi lacrime non ha
ci sono bocche da sfamare, forza fate la carità

Venite ce n'è per tutti
è il paese dei balocchi
alti, magri, belli e brutti
venite a vedere con i vostri occhi

Ci sono mode da seguire, se vuoi essere più in
ci sono date da ricordare,
e storie per commuoversi
e cos'è il bene e cosa è il male,
te lo dice anche il tg4

Ci sono miti da sfatare, qui non esistono tabù
ci sono piste per ballare, o da tirare su
ci sono mari da inquinare, che un tempo erano blu

Altro giro altro gioco, e intanto ingrassa
Mangiafuoco

Altro giro altro gioco, prendi tanto e paghi poco
altro giro altro gioco, prendi tanto e paghi poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, parla tanto pensa poco
altro giro altro gioco, e intanto ingrassa
Mangiafuoco

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Liberdades de expressão

No ano passado, reflecti aqui sobre o “caso Irving” e o chamado “revisionismo do Holocausto”. As notícias confirmaram o esperado: o historiador britânico foi condenado a três anos de prisão por um tribunal austríaco. O seu crime? A “negação do Holocausto”. Segundo os seus acusadores, Irving seria movido por motivos políticos na sua “falsificação da História”. Seja como for, o que aconteceu — e que tem que ser dito — foi que um cidadão europeu foi condenado num país europeu pelas suas ideias!

Não me vou alongar em reflexões, mas segundo o meu conceito de liberdade de expressão não podem existir leis que proíbam a investigação histórica — seja ela qual for e por mais polémica que seja — na qual se inclui o “revisionismo do Holocausto”. E por isso me classificam como “anti-judeu”... Por outro lado, acho que associações judaicas, ou quaisquer outros que se sintam ofendidos, têm o direito de processar judicialmente um autor revisionista. E por isso me classificam como “filo-judeu”... É assim que concebo a liberdade de expressão, que não pode ser nem “anti” nem “filo-judaica”.

Neste caso impõe-se um paralelo com o episódio dos cartoons; a Europa não pode manter uma política de “dois pesos e duas medidas” e considerar a liberdade de expressão um dos seus fundamentos civilizacionais.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Hemeroteca (VII)

Hoje trago um jornal que no conturbado período pós-abrilino tentava ser livre, independente e pluralista.

Título: Liberdade
Data: 21 de Fevereiro de 1975
N.º 15
Director: Luís Arouca


Nesta edição do semanário «Liberdade», que custava 5$00, o destaque vai para as opiniões de Carlos Fabião e Paradela de Abreu sobre “Portugal e o presente”, para a institucionalização do MFA e para o suplemento “O aborto em debate”. De referir, também, uma entrevista sobre um tema que começava a ser trazido para a ordem do dia, os problemas do Ambiente, com Gonçalo Ribeiro Teles, na altura Subsecretário de Estado do Ambiente. Na secção “Artes e Letras”, dedicada à Internacional Situacionista, podemos ler uma interessante entrevista que os situacionistas fizeram a si próprios publicada num dos números da sua revista. Na última página, uma pequena caixa dava conta de que o jornalista Manuel Maria Múrias havia sido internado no Hospital-Prisão de Caxias depois de nove dias de greve de fome, exigindo o contacto com o seu advogado e a imediata realização do seu julgamento.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Ameaça islâmica?



Activismo em alta (II)

O passado sábado foi um dia em grande. Comecei por estar presente no almoço comemorativo do sexto aniversário do PNR, onde pela primeira vez se atribuíram prémios a militantes que se distinguiram pelo seu trabalho e onde se pôde claramente ver que o partido se encontra em franco crescimento e cada vez mais activo. O único problema foi a exiguidade do espaço que albergou a custo os setenta nacionalistas presentes; o aumento de militantes e o crescente interesse por iniciativas como esta vai obrigar, a partir de agora, à escolha de locais de maiores dimensões.

De seguida, ao fim da tarde, fui à SHIP para mais uma homenagem ao poeta Rodrigo Emílio, no dia em que passavam dois anos sobre o seu falecimento. Encontrei muitos amigos, entre os quais vários da blogosfera, e o ambiente estava óptimo. Das intervenções devo destacar a do meu amigo BOS, pois conseguiu superar as minhas já elevadas expectativas. Seguiu-se jantar e alegre convívio nas recém-recuperadas cozinhas medievais do Palácio da Independência. Rodrigo Emílio, presente!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

“Lei assassina”

A associação Causa Identitária protestou já contra a nova lei da nacionalidade, chamando-lhe “a lei assassina”. No seu comunicado, considera “esta lei um assassínio legal da Identidade dos Portugueses. Coloca em perigo o nosso presente e hipoteca o futuro dos nossos filhos.

Aprovada a nova lei da nacionalidade

Como prometido pelo (des)governo, foi aprovada ontem a nova lei da nacionalidade. Com as habituais desculpas da “integração”, o critério do jus soli ganha cada vez mais força na atribuição da nacionalidade. Os pregadores da utopia multiculturalista insistem nestas medidas suicidas, apesar dos exemplos de conflitos violentos em vários países europeus, como a França.

Veja-se a ligeireza com que uma decisão destas foi tomada e como a imprensa a tem tratado. Parece que se trata apenas de mais um assunto corriqueiro, quando é o futuro do nosso Povo que está em causa.

Como escrevi em Julho do ano passado: “Este é apenas um passo, mas na direcção errada. E, passo a passo, caminhamos para a obliteração da nossa Nação.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Olhos abertos

O caso das caricaturas de Maomé tem aberto os olhos a muita gente relativamente à ofensiva declarada do islão contra a Europa, que se sente chocada com as atitudes cobardes dos submissos como Freitas do Amaral. Hoje ouvi Maria João Avillez, no programa “Mel com Fel” na Rádio TSF, dizer não compreender o silêncio de José Sócrates face às reacções à tomada de posição do ministro dos negócios estrangeiros. E continuou assim:

Confundirá ele o caso dos cartoons dinamarqueses com um mero caso de liberdade de expressão? Achará ele, a sério, que estamos diante de uma reacção exclusivamente ditada pela ofensa face a convicções religiosas e que, como tal, necessita de "tolerância", entre aspas, e de "compreensão", também entre aspas, e logo de públicas desculpas apressadas e envergonhadas. Eu dormiria mais descansada se tivesse a certeza de que o nosso primeiro-ministro percebe o que aí está. A continuação da guerra - encetada de resto há um bom par de anos - contra o Ocidente e a sua civilização que ele gerou, pressupõe e representa, onde cabe aliás o próprio Sócrates e os valores que obviamente professa. Não compreender que estas caricaturas, por mais discutíveis que as queiram achar, são o inflamado e manipulado pretexto para continuar uma cruzada do terror no suposto nome de deus é muito simplesmente preferir esconder-se atrás do biomboda mais devastadora das irresponsabilidades. É que somos nós os visados. Trata-se da pátria europeia onde nascemos e que nos determinou a nossa matriz civilizacional, cujos alicerces estão, hoje, um a um, a começar a ser minados. Por fora, obviamente, mas também por dentro, por palavras actos e omissões, como as o titular dos negócios estrangeiros de Portugal.

Quem acha que isto vai lá com “paninhos quentes”, está a colaborar com a invasão e colonização islâmica — intolerante e totalitária.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

30 anos a contracorrente

O semanário «O Diabo» completou trinta anos de existência no passado dia 10 de Fevereiro e continua a ser um dos raros exemplos de independência e irreverência na imprensa portuguesa. Na edição de hoje, o destaque vai para a entrevista com o Prof. Dias Farinha, Director do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos, que afirma que “o holocausto ainda é um tabu para o Ocidente”, para a análise da corrupção em Portugal, sobre a qual, Adelino Maltez afirma: “em Portugal não há máfias mas alguns ladrões que deixámos subir ao poder”, e para o artigo sobre a dispensa de vários conselheiros e adidos por parte do MNE, titulada “Freitas está a abandonar as comunidades portuguesas”. Por fim, a habitual referência ao obrigatório “O Diabo a Sete” do Walter Ventura, desta vez sobre a liberdade de expressão, e com a participação Manuel Azinhal na coluna “Os meus blogues”.

Hemeroteca (VI)

Quando iniciei a rubrica Hemeroteca, decidi que o critério de escolha seria a data de publicação do jornal ou revista. Hoje, excepcionalmente, dou lugar ao primeiro número de «O Diabo» por ser terça-feira, apesar de este ter saído no dia 10 de Fevereiro de 1976, completando assim trinta anos de existência.

Título: O Diabo
Data: 10 de Fevereiro de 1976
N.º 1 (Ano I)
Director: Vera Lagoa

Renascia, no período conturbado do pós-25 de Abril, um jornal que começara no Porto, em 1895. A escolha do título era justificada assim: “Há quem se escandalize pela ousadia de retomar a direcção de um jornal de tão honrosas tradições. A verdade, porém, é que "O Diabo" apareceu, nas suas várias fases, normalmente em períodos de crise, quando se tornava necessário um certo espírito de crítica mordaz que não poupava ninguém escalpelizando todas as situações numa posição de independência sempre ao serviço da verdade.” A primeira página era dominada pelo editorial de Vera Lagoa e pela dúvida de quem seria o próximo presidente. Do conteúdo destaco o artigo sobre “As horas decisivas do 11 de Março”, “Quem inventou Otelo?”, de A. de Montemuro, uma entrevista com o jornalista Fernando Barradas, as crónicas de apoio a Vera Lagoa de Fernanda Leitão e Natália Correia, o dossier retornados e ainda as coisas do Diabo. O jornal custava 7$50 - sete e quinhentos, como se dizia então. Na publicidade, o destaque vai para a Citroën Dyane e para os apartamentos na Rua Filipe Folque que se vendiam a partir de 750 contos. Na última página, o jornal publicava o seu estatuto editorial: “O "O Diabo" é um semanário que pretende servir os interesses do Povo Português por meio de uma informação livre, independente e não partidária. Retomando uma tradição de jornal de combate, "O Diabo" repudia também qualquer espécie de manipulação ou censura interna. "O Diabo" defende ainda um jornalismo rigoroso, objectivo e verdadeiro, comprometendo-se a respeitar a Lei de Imprensa e os princípios deontológicos que regem os profissionais da informação.

Mundialização, mundialismo

Universalização planetária das trocas, dos circuitos e produções económicas e financeiras, bem como da informação; internacionalização da cultura. O “mundialismo” é a doutrina que prega a generalização deste fenómeno.

Na realidade, o processo de mundialização económica e cultural começou há mais de duzentos anos. Hoje fala-se de globalização da economia planetária. Este fenómeno, contudo, não é tão importante quanto podemos pensar, as economias e as culturas regionais e nacionais continuam muito fortes por toda a parte. A ideologia mundialista engana-se, porque a mundialização em exagero, apenas levará a catástrofes e fragilizará a economia mundial e o ecossistema.

O dogma mundialista, central na ideologia dominante, mesmo na esquerda neo-trotskista anti-liberal, é evidentemente partilhado também pelo islão, cuja ideologia é universal.
Observamos na realidade uma pluralidade de mundialismos, o do islão, o da esquerda cosmopolita e imigrófila, o do Ocidente liberal e pró-americano. O mundialismo é uma arma de guerra contra a Europa, a sua identidade, o seu poder e a sua independência económica. É a expressão da utopia do fim da história. Os chantres do mundialismo divinizam a internet, a “nova economia”, os fluxos migratórios em direcção à Europa, a globalização das redes financeiras, sem ver que as realidades étnicas e religiosas ancestrais serão sempre mais fortes.
De facto, a mundialização não põe em causa a diversidade das culturas e o choque das civilizações, antes pelo contrário. Por um irónico movimento dialéctico, ela provoca-os, regenera-os.

Com efeito, quanto mais os povos se aproximam num planeta sobrepovoado, “colados” uns aos outros, mais a necessidade de identidade se faz sentir por reflexo. É por isso que, no século XXI, é altamente improvável que o futuro da mundialização seja pacífico nem mesmo que esta resista a um previsível “choque das civilizações”.

Guillaume Faye
in “Pourquoi nos combattons”, L’Æncre (2001).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Evocação de Carl Schmitt


Mais uma vez volto aqui a aconselhar a revista «Futuro Presente», que no seu último número, o 59, publica um excelente artigo de fundo de Jaime Nogueira Pinto sobre Carl Schmitt, quando passam vinte anos sobre a sua morte. Para além de lembrar os dados essenciais da vida e obra daquele que considera “um dos nomes essenciais do pensamento político e jurídico-constitucional do século XX”, o autor conclui o texto olhando Schmitt à luz dos dias de hoje. A destacar, também, os artigos “Jean-Paul Sartre: O Poder do Pensamento Negativo”, de Roger Scruton, “Miguel de Cervantes: Meditações de um Economista sobre o Quijote”, de Juan Velarde Fuertes, e “D. Pedro V: Nos 150 anos da sua Aclamação”, de Roberto de Moraes, bem como a continuação do “Inquérito sobre a Europa”. Nas rubricas habituais, chamo a atenção para a “Primeira Página”, de Miguel Freitas da Costa, que, desta vez, tendo como tema a situação actual do continente africano e como título “Será preciso?”, conclui desta forma: “Há uns bons anos, perante a desgraça sangrenta e miserável de quase toda a África independente, sem esperança visível de emenda, um jornalista francês deu como título seu uma pergunta provocatória: Faut-il recolonizer l’Afrique? Será preciso recolonizar África? Foi do Figaro Magazine do famigerado Louis Pauwels, de Paris. Agora, mais delicadamente, faz-se a mesma pergunta – mas é na conspícua revista do council on Foreign Relations, de Washington. O mundo mudou muito.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Al-Carrefour

A submissão ao islão atinge níveis simplesmente inacreditáveis na Europa. A cadeia de hipermercados Carrefour, com sede em França, um dos países europeus mais islamizados, cedeu à pressão terrorista muçulmana e decidiu retirar produtos dinamarqueses dos seus espaços comerciais. A associação Causa Identitária está já a promover um contra-boicote.

Perante esta atitude cobarde de colaboracionismo com a colonização islâmica do nosso continente, vergando-se a leis que não são nossas, é caso para perguntar: para quando a retirada de carne de porco ou de bebidas alcoólicas?

6.º aniversário do PNR

O Partido Nacional Renovador está de parabéns. Este ano completa o seu sexto aniversário e está mais activo que nunca. A comemoração, que incluirá um almoço-convívio, terá lugar no próximo dia 18 de Fevereiro. Para mais informações, consultem o Portal Oficial do PNR.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Dos “maus da fita”

Como fiz no post anterior, volto a ligar aquilo que escrevi sobre a polémica dos cartoons, desta vez sobre os prontos-a-culpar, dizendo que “na Dinamarca ainda foi tentada a desgastada manobra de ilusionismo político-mediático dos perigosos grupos neo-nazis”, com o certeiro comentário de José Pacheco Pereira a uma notícia do «Público»:

Da liberdade de expressão

Quando escrevi sobre a polémica das caricaturas disse, sobre a liberdade de expressão, que “criticar o vigente sistema de "dois pesos e duas medidas" foi o único argumento válido apresentado pelo mundo islâmico e que deve levar os governos europeus a um repensar sério dos tiques e taras da ditadura do politicamente correcto.” Muitas vozes críticas se têm ouvido desde a publicação dos cartoons, mas quero aqui destacar o que José Pacheco Pereira escreveu ontem no jornal «Público», que também reproduziu no Abrupto: “Eu pensei que as coisas estavam melhores do que o que estão, mas, mais uma vez, se percebe como há apenas uma fina película entre a civilização e a barbárie. Película que estamos a deixar romper com a maior das displicências. Devia desconfiar que é assim porque os sinais estão por todo o lado. Mas a gente acredita, quer acreditar, que algumas dezenas de anos de democracia consolidada (na maioria da Europa) e duas centenas de anos desde a revolução americana e francesa tinham consolidado a liberdade como princípio. Mas não é, não é suficiente, como se vê.
Estamos em guerra e estamos a perder. Estamos a perder, antes de tudo, porque ainda não percebemos que estamos em guerra. A retórica olimpiana, de um mundo "multicultural", de uma "comunidade internacional" eficaz, assente na lei e na Realpolitik moderada, ofusca-nos e impede-nos de ver o que está à nossa frente. (...)

Hoje voltou à carga na revista «Sábado» (cuja digitalização foi já disponibilizada pelo Camisa Negra): “Uma das principais entorses à liberdade de expressão no "ocidente" é um resultado directo da II Guerra Mundial, do universo dos vencedores e vencidos. Refiro-me ao tratamento legal desproporcional entre os subprodutos do totalitarismo nazi-fascista e do totalitarismo soviético, sendo uns criminalizados e outros não (com excepção dos períodos mais agudos da guerra fria, como o banimento do PC alemão na RFA, e a "caça às bruxas" americana). Defendo que se acabe com essa dualidade de critérios, que considera o ódio rácico um crime e o "ódio de classe" aceitável. O actual debate das caricaturas dinamarquesas devia servir para termos mais liberdade e não menos.
No meu entendimento da liberdade de expressão, cabe o "revisionismo" negacionista, uma pseudo-história que nega o Holocausto, criminalizado em vários países, e cabe o direito a ter opiniões xenófobas, racistas e a propaganda nazi. Lamento desiludir os puristas do politicamente correcto, mas para mim a liberdade de expressão destina-se proteger o direito de outrem apresentar os seus pontos de vista, por muito ofensivos, miseráveis, violentos que me pareçam. No limite, esta é a salvaguarda última da minha liberdade.


Reflexões como estas devem levar a Europa a reflectir sobre os seus valores e sobre a hipocrisia que os está a minar.

Vergonha

Uma vergonha é a única forma de classificar a “Declaração do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sobre a crise dos cartoons”. Por entre disparates inadmissíveis, rebaixa Portugal ao islão e apela explicitamente à censura, nunca se referindo às condenáveis reacções violentas do mundo islâmico. Depois da sua divulgação, Freitas do Amaral disse, justificando-se ao canal de televisão SIC Notícias, que queria “abalar as consciências”. Alá agradece.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Julgamentos incómodos

Há uns dias atrás, o Vanguardista lembrou o julgamento de Slobodan Milosevic, publicando a tradução de um texto de Neil Clark intitulado “O julgamento que o Ocidente preferiria esquecer”. Não é o único. O julgamento de Saddam Hussein tem sido muito confuso desde o início e agora é o insuspeito «Economist» que o considera “caótico”. Nesse artigo, que dá conta das peripécias deste julgamento atribulado, destaco a legenda da fotografia de Saddam: “um activista dos direitos humanos”. É a “justiça” dos vencedores, que está longe de ser cega...

Homenagem a Rodrigo Emílio


A Sociedade Histórica da Independência de Portugal organiza no próximo dia 18 de Fevereiro, sábado, pelas 18 horas, uma sessão de homenagem a Rodrigo Emílio no Salão Nobre do Palácio da Independência. Contará com a presença habitual de José Campos e Sousa e com comunicações de Francisco Ferro, José Carlos Craveiro Lopes, Luís António Serra, Vasco Barata e Bruno Oliveira Santos. Segue-se jantar nas instalações da SHIP, ao preço de 15 euros por pessoa, opcional e sujeito a inscrição para ahnonas@mail.telepac.pt.
Mais uma louvável iniciativa para celebrar um dos mais geniais poetas pátrios.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

“Presidenciais terminaram com o monopólio antifascista da República”

Este é o título da interessante entrevista com Maria de Fátima Bonifácio que o semanário «O Diabo» publicou ontem. Para além desse comentário à vitória de Cavaco, que considera um “democrata sem passado antifascista”, afirma que “o movimento cívico em torno da candidatura de Alegre esgotou-se no dia das eleições e não tem futuro”. Quanto aos partidos portugueses, considera que estão “mal arrumados” e sugere: “Há uma direita liberal dentro do PSD que devia fundir-se com o CDS-PP e fazer um grande partido liberal à direita. E, por outro lado, há gente com perfil social-democrata no seio do CDS-PP que devia passar para o PSD.” Sobre o BE considera que “é um partido anti-sistema e de protesto, cujas propostas que parecem modernas e aberta remetem para um modelo de sociedade anacrónico completamente estatizado, hostil ao mercado, à concorrência e à meritocracia e ainda igualitarista e estatista.” Sobre a classe política, diz que vivemos num “sistema de fraude eleitoral” no qual os “políticos sentem-se à vontade para mentir descaradamente na altura da campanha eleitoral”.

Para além desta entrevista, aconselho como sempre as duas páginas do Walter Ventura, desta vez com a participação do Manuel Azinhal, e as implacáveis “Coisas de o Diabo” na última página.

Caricaturas: Da polémica à política

A actual polémica em volta dos cartoons de Maomé publicados inicialmente no jornal dinamarquês «Jyllands-Posten» e reproduzidos por outros jornais europeus, incluindo o «France Soir» o que motivou o despedimento do seu director, é mais uma erupção evidente do “choque de civilizações” que se agrava a cada dia, merecendo por isso uma reflexão.

Liberdade de expressão
A “liberdade de expressão” foi a justificação imediata para a publicação das caricaturas, mas não convenceu e provocou interrogações incómodas. É claro que, em teoria, no mundo ocidental somos livres de dizer o que queremos, podendo ser alvos de processos judiciais e condenados caso se prove que determinadas afirmações incentivavam, por exemplo, a actos violentos que se concretizaram. Pode ser um belo princípio — e muito útil neste caso concreto — mas a realidade, para a qual muitos europeus só agora despertaram, é bastante diferente. Sabemos perfeitamente que há vários temas ditos “delicados”, com os quais jornais que publicaram as caricaturas da discórdia nunca se atreveriam a brincar. Criticar o vigente sistema de “dois pesos e duas medidas” foi o único argumento válido apresentado pelo mundo islâmico e que deve levar os governos europeus a um repensar sério dos tiques e taras da ditadura do politicamente correcto.

Representação de Maomé
O islão mostra a sua verdadeira face ao afirmar que o seu profeta não pode ser representado. A origem desta proibição está no Corão, o seu livro sagrado, que é fonte de direito e que deve guiar a conduta de qualquer muçulmano. Este argumento demonstra que para os muçulmanos, a sharia, a lei islâmica, não tem um âmbito restrito de aplicação. Aquilo que alguns intelectuais ocidentais tentam negar é desta maneira totalmente exposto, o islão é intolerante, totalitário e expansionista. A sua versão “moderada” é uma invenção utópica e perigosa, que tem aberto as portas do nosso continente a massas populacionais muçulmanas que começam a colonizá-lo.

Quanto às representações propriamente ditas, convém dizer que esta não é, obviamente, a primeira fez que o profeta é representado. As reacções violentas às caricaturas explicam-se porque estas foram mais uma gota de água que transbordou ligeiramente o copo. É um óptimo caso concreto para os líderes religiosos muçulmanos justificarem popularmente a guerra santa aos infiéis. Aqui até há uma coincidência que facilita esse apelo à jihad. As bandeiras tanto da Dinamarca como da Noruega têm cruzes, sendo excelentes para simbolizar os inimigos “cruzados”, que é como os islâmicos se referem aos europeus e aos ocidentais em geral, sejam ou não cristãos.

Os “maus da fita” e o inimigo
Depois de algumas posições de força (sé é que podemos considerá-las de força) escudadas pelo chavão da “liberdade de expressão”, a maior parte dos governos europeus voltou à sua postura habitual, isto é, vergados ao islão.

Deste lado publicaram-se cartoons, do outro houve manifestações e ataques violentos, ameaças armadas a representações diplomáticas, boicotes a produtos comerciais, entre outras posturas arrogantes e agressivas. Colocando tudo isto nos pratos da balança do politicamente correcto — a tal dos dois pesos e duas medidas — vimos que, como sempre, a culpa é nossa. Os nossos (des)governantes rebaixaram-se aos muçulmanos de uma forma que estes só o fazem a Alá. Com pedidos de desculpas oficiais, justificações para as agressões islâmicas, condenações das caricaturas e apelo à censura, transmitiram a habitual imagem de fraqueza ao islão, que só entende a linguagem da força.

Na Dinamarca ainda foi tentado a desgastada manobra de ilusionismo político-mediático dos “perigosos grupos neo-nazis”, mas com a dimensão assustadora da comunidade islâmica naquele país dificilmente surtiu qualquer efeito. Mas a busca de uns “maus da fita” prontos-a-culpar não ficou por aí, muitas teorias — algumas da conspiração — foram apresentadas.

Vemos como os líderes europeus e as elites bem-pensantes que os alimentam continuam em negação. Preferem o combate contra os conceitos vagos como a “intolerância”, o “racismo” ou a “xenofobia”, à definição clara de quem é o nosso inimigo — como teorizado por Carl Schmitt. O islão já o fez e por isso está em vantagem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Manuel Cavaleiro de Ferreira

Quando li as referências a Manuel Cavaleiro de Ferreira feitas pelo Manuel Azinhal e pelo Jansenista, lembrei-me do seu filho, seu homónimo, que conheci e que também já não se encontra entre nós. O “Manelzinho”, como era conhecido, vivia para o pai e para a sua obra. Recordo as longas conversas que tive com ele, sobre o pai, claro, mas também sobre Salazar e os meandros da política durante o Estado Novo. Admirava o trabalho do pai, como académico e como ministro, e todos os seus esforços eram gastos na preservação da sua memória, conseguindo a publicação de algumas das suas obras, estando envolvido no processo que levou à atribuição do nome do seu pai a uma rua em Lisboa e elaborando de uma página na internet. Essa página tem uma história curiosa. O “Manelzinho” era uma pessoa muito solitária, com o pensamento sempre absorvido pelo seu único objectivo. Quando soube que ele havia iniciado a construção de um sítio na internet sobre o seu pai e onde disponibilizaria vários dos seus textos, ofereci-me para lhe dar algum auxílio técnico, caso necessitasse. Recusou imediatamente. Apesar de não ter computador nem conhecimentos profundos de informática, aprendeu e, utilizando um posto público de acesso à web, dedicou-se a esta empresa. Sabia perfeitamente que esta nova tecnologia era um dos meios fundamentais para a divulgação e preservação da obra do seu pai. Morreu pouco tempo depois da última actualização da página, mas esta ficou e continua a ser visitada e referida. Obrigado ao Manuel Azinhal e ao Jansenista, pois o melhor elogio ao Manuel Cavaleiro de Ferreira (filho) era elogiar o seu pai.

Cinco manias

O meu amigo BOS, que gosta tanto destas coisas como eu, não hesitou em enviar-me um desses inquéritos blogosféricos, que me parecem ser musas tipo fast-food para quem lhe falta inspiração ou assunto. Desta vez a intenção é que o participante descreva “cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue”.

Aqui ficam cinco manias minhas, to whom it may concern:

1. Tenho mania de me sentar sempre no mesmo sítio à mesa, mesmo em casa de outras pessoas.

2. Quando vou a casa de alguém, tenho a mania de passar em revista a biblioteca alheia.

3. Tenho a mania de chegar a horas, mesmo sabendo que esse hábito rareia no nosso país.

4. Tenho a mania de ser amigo dos meus amigos.

5. Tenho a mania de ler.

Para terminar, os senhores que se seguem: Rodrigo, Francisco Nunes, Biollante, JM Telles da Silva e Assur.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Tierra y Pueblo n.º 10

Estava a reler um artigo do último número da «Tierra y Pueblo» e lembrei-me que ainda não havia referido esta excelente publicação no blog. Quando estive em Valência no ano transacto, no II Coloquio Internacional de Tierra y Pueblo, o camarada Enrique, que tive o maior prazer em conhecer e a quem agradeço, teve a amabilidade de me oferecer uma colecção completa desta revista identitária. O artigo em causa é de Guillaume Faye e sobre a sua viagem à Rússia, onde foi recebido na Duma, o Parlamento Russo e nas Universidades de Moscovo e São Petersburgo, dando várias conferências e entrevistas. O número da revista é o 10, referente a Outubro de 2005, e tem como tema central “Sérvia, orgulho da Europa”. Conta com vários artigos sobre a Sérvia, o Kosovo, a Bósnia-Herzegovina, entre outros, bem como uma entrevista merecedora de destaque com Yves Bataille, um dos maiores especialistas mundiais em geopolítica e conhecedor da realidade sérvia. É sem dúvida uma revista a não perder e aconselho-a a todos os que me lêem.