sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

A Sombra da Águia

Este frio trouxe-me à memória uma leitura de férias, “La Sombra del Águila”, de Arturo Pérez-Reverte. A edição de que falo, e que comprei em Espanha, é a da Punto de Lectura, em formato de bolso, com ilustrações de José Belmonte e datada de Junho deste ano. Em cerca de 130 páginas, o bem conhecido escritor espanhol conta-nos, no seu estilo característico, uma história baseada num curioso acontecimento que teve lugar durante a campanha da Rússia em 1812. Durante um combate na colina em frente a Sbodonovo, no qual as forças napoleónicas estavam numa situação bastante adversa, algo totalmente inesperado acontece. O “326 de Infantería de Línea”, um batalhão de antigos prisioneiros espanhóis, voluntários à força na Grande Armée, tenta desertar avançando para os russos. Esta movimentação, que se dá quando a derrota na batalha parece inevitável, é entendida como um acto de heroísmo e coragem por Napoleão que ordena uma carga de cavalaria em seu auxílio. A vitória é muito celebrada e os espanhóis são condecorados em frente ao Kremlin numa Moscovo deserta. Nessa noite há uma passagem de que gostei especialmente sobre um encontro nocturno entre o Capitão García e Napoleão — a quem chamavam “O Maldito Anão” ou “Le Petit Cabrón” — onde o Imperador pergunta por que fizeram os homens do 326 aquele avanço. García hesita, pensa, toma o seu tempo e responde-lhe: “Não havia outro sítio aonde ir, Sire.” O silêncio que se seguiu foi esclarecedor, já que, como nos diz Reverte, “tanto ele como o Petit, no fundo, eram soldados profissionais e estavam a entender-se sem palavras.” Um divertido relato ligeiro sobre a pesada realidade da guerra e as relações humanas em condições extremas, que se lê de um fôlego.

1 comentário:

  1. Do mesmo autor aconselho vivamente a leitura de "Alatriste" e "O Hussardo".
    Giustiniani

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