domingo, 12 de novembro de 2006

Nacionalismo étnico e potência mundial

A última edição do «Courrier Internacional» publica um artigo sobre a política externa americana intitulado “A América depois de George W. Bush”, retirado da revista de esquerda liberal britânica «Prospect». Analisando as grandes alterações em curso na ordem mundial, o autor, Michael Lind, afirma que “aquilo em que se acreditou ao longo dos anos 90 revelou-se falso do princípio ao fim. A doutrina mais poderosa do mundo de hoje não é o neoliberalismo, nem a democracia, mas o nacionalismo étnico.” Não posso estar mais de acordo. Aliás, por isso refiro frequentemente o absurdo de se estar a impor à Europa o utópico modelo do multiculturalismo, enquanto no resto do mundo se formam grandes blocos étnicos que serão as verdadeiras potências de amanhã. Este é um enfraquecimento tanto forçado como voluntário, já que muitos europeus não se conseguem libertar de complexos coloniais sem qualquer sentido, atemorizados pelo chavão do “racismo”, sempre pronto a ser disparado pelos fiscais do “politicamente correcto”. Ao contrário, todos os outros povos, independentemente do seu passado, ignoram este tipo de entraves. Veja-se o caso da China, futura hiper-potência mundial, um gigante populacional etnicamente homogéneo, monstro económico e industrial, verdadeira “fábrica do mundo”. A sua influência cresce a um ritmo alucinante em todo o globo, não se detendo perante a religião dos Direitos do Homem, o “antirracismo”, o “multiculturalismo”, ou outros dogmas contemporâneos. Defende os seus interesses e sabe quem são os outros. Observando, por exemplo, a forma como tem penetrado em África, podemos afirmar que os chineses poderão muito bem ser os futuros colonizadores do Continente Negro.

3 comentários:

  1. Sem discordar do essencial deste postal quero lembrar ao meu amigo que a China não é tão homogénea etnicamente como dizes. A percentagem de chineses da etnia Han é de 91%, havendo minorias como os uigures (muçulmanos na parte ocidental), tibetanos, mongóis, etc. Esta percentagem de 9% acaba por ser semelhante à de não europeus presente em países europeus.

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  2. O FSantos é um optimista! Provavelmente esses 9% até já em Portugal foram ultrapassados.

    NC

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  3. Não sei. De qualquer modo não são situações comparáveis pois a China foi absorvendo populações de outras etinias via expansão territorial e não pela imigração. E se no Tibete parece que ganhou a parada, já na região de Xinjiang a população de origem muçulmana não está pelos ajustes e revolta-se amiúde, algo que vai sendo mais ou menos abafado pelos media. Sem dúvida que o nascimento de tantos países independentes na Ásia Central após o colapso da URSS os deve inspirar na sua luta ("better dead than red"?).

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