quinta-feira, 5 de outubro de 2006

O regresso de «Le Choc du Mois»

Só hoje concluí a leitura do primeiro número de «Le Choc du Mois», referente ao mês de Maio, mas que infelizmente só recebi em Setembro, quando havia saído já o n.º 4. Apesar deste atraso, não podia deixar de referi-lo aqui. Nascida em 1987, em plena Guerra Fria, e publicada até 1993, esta revista foi desde o início “totalmente livre, de todos os interesses políticos ou financeiros, de todos os grupos de pressão, de todos os círculos de influência”, nas palavras do seu director Jean-Marie Molitor, que nos assegura no editorial que assim continuará a ser. Com uma tiragem de 45 000 exemplares e disponível nos quiosques, esta publicação não pretende ser marginal, mas um “journal de unité national”. Um óptimo regresso de uma revista livre de reflexão e análise à qual desejo uma vida longa.

Este n.º 1 custa € 6,50 e tem 68 páginas. O tema central é o “Choque de Civilizações”, num extenso dossier podemos ler, um debate entre Alain de Benoist, Christophe Réveillard e Guillaume de Tanoüarn, a opinião de vários intelectuais franceses sobre as teses de Huntington, entre outros artigos sobre o Islão e o Ocidente. De seguida, uma entrevista com o comediante Dieudonné M’Bala M’Bala, que garante querer disputar a segunda volta das eleições presidenciais com Jean-Marie Le Pen. Depois deste comic relief, um interessante artigo sobre Cachemira, pomo de discórdia entre a Índia e o Paquistão. Por fim, o último destaque vai para o artigo sobre as comunidades de militantes alternativos em Roma que são abertamente fascistas, coisa impensável noutro país da Europa, como a Casa Pound ou a Casa Montag, associações constituídas com o fim de fazer ocupações legais de edifícios para albergar dezenas de famílias sem habitação, para além de desenvolverem um extenso trabalho cultural, promovendo conferências, concertos e gerindo uma livraria. A mostrar que Roma é um paraíso militante com uma mentalidade comunitária que não se encontra noutros lados. Breve referência às secções de crítica literária e cinematográfica e também à atenção dada à Banda Desenhada, numa entrevista com Jean Van Hamme, pai de “XIII”, “Largo Winch” e “Thorgal”.

3 comentários:

  1. Se a revista mantiver a qualidade que era seu apanágio constitui leitura obrigatória.
    O actor Dieudonné M’Bala M’Bala, até um certo momento querido dos esquerdistas e mundialistas, borrou a pintura quando fez um número em que gozava com os judeus. A partir daí sucederam-se os boicotes aos seus espectáculos.

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  2. Meu Caro Duarte:
    Recebi o Teu abraço. Bora combinar um almocito para a semana?
    Ab.

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  3. Amigo Paulo,
    Infelizmente, até ao fim do mês a azáfama profissonal não o deve permitir. Se tiver uma 'aberta', ligo-te.
    Abraço.

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