sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Impressões de Paris (II)

Chegado ao aeroporto Charles de Gaulle pouco depois das 22 horas, dirigi-me, com o meu amigo que me acompanhou nesta viagem, à estação para apanhar o RER rumo ao centro da cidade. À entrada deparámo-nos logo com seguranças privados, um deles com um cão de guarda. Mas isso foi uma visão light, pois na plataforma circulavam quatro militares de camuflado e armados com espingardas automáticas FAMAS. Já dentro do comboio, verificámos que a nossa carruagem era ocupada metade por magrebinos e a outra metade por turistas recém-chegados, entre os quais um casal de japoneses que se sentou perto de nós. Antes de iniciarmos a marcha, o meu amigo chamou-me a atenção para as portas por onde entraram os militares que patrulhavam também no interior dos comboios. Quando passaram pelos japoneses, a mulher ficou com os olhos literalmente redondos, continuando estupefacta durante algum tempo, apesar das tentativas do marido para a tranquilizar.

Obtivemos, em seguida, a informação de que esse RER seria directo até à Gare du Nord, coisa que nos agradou pois permitiria poupar tempo. Apesar de não parar nas estações intermédias, o comboio todavia abrandava quando passava por elas. Aproximavam-se as 23 horas e o mais impressionante foi verificar que no norte da capital francesa existem autênticos territórios ocupados, já que nessas estações encontravam-se apenas negros e árabes. Já não é uma questão de eles serem a maioria em certos sítios, aqui não vimos um único europeu!

Sem querer alargar-me em pormenores do nosso percurso ferroviário, devo apenas dizer que ao circular e fazer mudanças de linha por volta da meia-noite na capital francesa se tem uma imagem muito diferente da dos postais turísticos, tal como noutras capitais europeias. Sente-se a tensão de parte a parte, o ódio no olhar. Neste clima, a presença de seguranças e polícia é uma constante, sinal claro de que a situação já não é controlável. Ao contrário do que a propaganda oficial nos quer fazer crer, as sociedades multirraciais tornam-se necessariamente sociedades multirracistas, onde as tensões se agudizam e a deriva securitária é uma inevitabilidade. Paris é um claramente um desses casos e fez-me lembrar as cidades americanas, com a agravante da forte presença muçulmana.

17 comentários:

  1. O que é que o facto de serem muculmanos tem a ver com o assunto?

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  2. "fez-me lembrar as cidades americanas"

    Nunca deves ter estado nos Estados Unidos!

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  3. Caro anónimo,
    A tensão existente entre a comunidade muçulmana em França e os franceses autóctones está ao rubro. É uma das razões da "deriva securitária" de que falo. O facto de serem muçulmanos é muito importante, porque o islão é usado como arma político-religiosa.

    Caro 'O Raio',
    Vejo que volta a duvidar do que afirmo. Começo mesmo a estranhar que não ponha em dúvida se estive realmente em Paris. Seja como for, já deitei fora os cartões de embarque.

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  4. Nem o Duarte esteve em Paris.
    Nem existem nenhuns problemas.
    Nunca foram queimados carros nem destruídas lojas e habitações.
    O arrastão foi uma alucinação colectiva.
    O Pai Natal desce pela chaminé no dia 25 de Dezembro.

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  5. Eurico de Barros14/10/06 3:34 da tarde

    Corroboro, as coisas encontram-se exactamente como quando estive em Paris em Janeiro.

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  6. O Raio é que certamente nunca esteve nos EUA de certeza, pelo menos em Nova Iorque a norte de Central Park, em Washington (com excepção das Independence e Pensylvannia Avenues), em Savannah ou Miami Beach - e eu não falo de Detroit ou East LA porque nunca me dei ao trabalho de lá pôr os pés.

    Relativamente a Paris, o Duarte tem carradas de razão - é uma metrópole completamente assediada pelas "cités" afro-islâmicas que a circundam, e nela o elementar bom senso aconselha a que qualquer europeu, sobretudo à noite, não se afaste minimamente das zonas turísticas centrais.

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  7. vcs sao e uma cambada de preconceituosos.
    o problema tem a ver com a imigraçao e nao com a religiao.

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  8. Os nossos portugueses não deram esses problemas em França, na Alemanha, na suiça ou no Luxemburgo... e eram imigrantes!

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  9. Pois Vera... imigrantes e... BRANCOS!

    A questão é racial, não é religiosa.

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  10. Sr.Flávio Gonçalves (Abdullah) (islamófilo)muitos dos islâmicos em França NÃO são BRANCOS!!!!
    E mesmo que sejam, alguns deles, considerados como brancos, criam PROBLEMAS....
    E porquê?
    Porque são MUÇULMANOS!!!
    Ou as bombas que explodiramm em Madrid, Londres e Paris foram virtuais?!

    Não passas de um colaboracionista!
    Nada mais do que isso!

    Miguel Angelo Jardim

    Ps/ Vera, tens inteira razão!

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  11. Sim, a questão é racial e....RELIGIOSA (cultural)!

    Miguel Angelo Jardim

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  12. São razões culturais... Um negro está associado a determinado tipo de cultura e, consequentemente, determinado tipo de comportamente, um branco idem, um muçulmano também. Mas se um branco se tiver convertido ao Islão..de que lhe serve a raça? A cultura é que o leva a determinados actos. E os imigrantes muçulmanos, africanos, de leste, etc, têm todos determinado tipo de culturas e, consoante as mesmas, definem-se os seus comportamentos..
    E relativamente aos seus comportamentos e cultura, prefiro os de leste. Não só por serem brancos mas porque o facto de terem uma cultura europeia os torna mais próximos dos nossos valores. Já os africanos, magribinos, muçulmanos, o que lhes queiram chamar, têm culturas diferentes que transportam para o país de destino..e dá no que dá.

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  13. LOL vocês metem-me nojo, nojo,nojo. Asco por terem mentalidades tão fechadas. O problema de Paris não tem nada a ver com raças nem culturas, será mais um reflexo do desemprego e da falta de respostas sociais. No entanto, caro ser pensante (se é que o é), eu também estive em Paris, sou branca e portuguesa, e senti mais esse ódio de parisienses contra qualquer espécime humano de outro país que não o deles, do que de quaisquer outras pessoas que circulavam pela cidade.
    O mundo não é de cada um de nós, é de todos e todos têm o direito de escolher onde querem viver. A pátria sente-se, não se nasce com ela.
    Tenha vergonha.

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  14. Tenha vergonha?!

    A Carla está a falar de si...Não está?

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  15. Só falta vir com a história de que do espaço não se veêm fronteiras, para ficarmos todos mt comovidos...

    O problema social é o desemprego? Porque é que são só os magrebinos a reagir assim? França está pejada de imigrantes, se os magrebinos assim reagem, presumo que os 500 mil portugueses de Paris tb o devam fazer...mas não fazem?
    Vejo jovens "franceses" magrebinos a fazer desacatos na rua, a encherem as prisões, a receberem casas e subsídios...tb é o desemprego? Então e os outros imigrantes?

    Porque é que são sp os magrebinos..? Eu vejo razões culturais, tanto para os ataques sociais, o rapinanço económico e as tentativas de restrição de liberdades.. A Carla vê o "nariz arrebitado" francês..pronto.. Vai daí que os Srs imigrantes não gostam do nariz arrebitado nem de viver de subsídios..e desatam a partir tudo. Sempre os magrebinos...

    "A pátria sente-se, não se nasce com ela."

    Esses "meninos" não a sentem..

    Mais uma vez..a Carla vê o mundo que é de todos...eu vejo-o com países, culturas e povos soberanos com direitos e deveres...

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  16. Escusado será dizer que um desses deveres é proteger o seu povo.

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