domingo, 23 de julho de 2006

Afastar os “incorrectos”

O sistema demonstrou mais uma vez que não tolera vozes dissidentes. Lembram-se de António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), que quando teve a coragem de publicamente estabelecer uma ligação directa entre imigração e crime foi automaticamente classificado como “xenófobo”? Pois bem, tanto ele como o seu colega António Cartaxo foram aposentados compulsivamente por declarações proferidas... Este é um caso de contornos de tal maneira pouco claros, que ambos os sindicalistas afirmam que este não foi um processo disciplinar mas um “processo político”. O presidente do SPP considerou que foi “um processo cheio de ilegalidades, pois não houve acareações, não foram ouvidas várias testemunhas e não há actas”, acrescentando que “o Governo não reformou dois polícias, mas dois dirigentes sindicais”.

Recorde-se que o SPP é um sindicato que prima pela independência, pois não é controlado por nenhum partido político, e pela coragem, pois é o único a alertar publicamente para a falta de condições de trabalho das forças policiais em Portugal, nomeadamente face às novas formas importadas de criminalidade. Está visto que uma estrutura sindical destas não interessa ao presente (des)governo, preocupado em entreter o país com operações de marketing. E quando não interessa, afasta-se...

1 comentário:

  1. Sejamos coerentes, muitas vezes os dirigentes sindicais dizem coisas que deveriam ser ditas de forma mais comedida, não é que nalguns casos não tenham razão, mas e principalmente no caso de forças de segurança ou equiparadas, estarão sempre debaixo de olho e por conseguinte deverão evitar frases que possam dar azo a situações destas em que só as forças sindicais ficam a perder.
    Por outro lado, não duvido que à medida que o regime vai perdendo credibilidade, maiores serão as perseguições ao "dissidentes" do "políticamente correcto", aliás as ditaduras são isso mesmo, a inviabilização da existência de oponentes políticos e curiosamente começam sempre a partir de democracias "fracas" e que não dão perspectivas de futuro aos seus cidadãos.
    Hoje em dia, contudo como vivemos num "mundo democrático", as actuais ditaduras tomam um aspecto mais "soft" mas por isso mesmo tornam-se mais perigosas pois aparentemente não justificam a criação de frentes anti-ditatoriais e a única forma de as combater é fomentar uma cultura política séria e aprofundada nos cidadãos para evitar que caiam no "conto do vigário".
    As antigas ditaduras fascistas, nazis ou comunistas já passaram de moda e agora apresentam-se de "colarinho branco" da mesma forma que os "Al Capone's" dos anos 30, deram origem aos actuais criminosos de "botões de punho".

    P.S.- Ò Miguel Jardim, se quiseres fazer uma tentativa de saberes quem sou, vê o "post" que coloquei a propósito da vitória da equipe Italiana, um abraço.

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