domingo, 7 de maio de 2006

“Mon pays me fait mal”

Há dias, foi muito falado um estudo que chegava à conclusão de que os portugueses não se interessam pelo seu país e que se Portugal fosse uma marca muito poucos a comprariam.

Com ou sem estudos como este, temos a clara percepção de que a relação dos portugueses com o seu país e consigo próprios vai de mal a pior. Há quem diga que a questão da “inviabilidade de Portugal” é uma constante da nossa história — um fado — e que não há nada a fazer contra este pessimismo inato.

A verdade é que hoje Portugal é pensado como uma marca, uma equipa de futebol, um produto, etc. Os portugueses são cada vez mais apresentados como uma “mistura de povos”, o que justifica acolher de braços abertos hordas de invasores imigrantes. Um país que deixou de se considerar como tal e que será povoado em breve por uma massa cada vez mais indiferenciada e desenraizada, assinou a sua sentença de morte.

Na crescente ausência de um sentimento de pertença, os portugueses importam-se mais com televisores plasma e telemóveis de última geração do que com a sua cultura. Os “heróis” de hoje são aqueles que fugiram e vingaram noutros países, porque aqui não vale a pena ficar e lutar. Com a sociedade telemediática vieram as “celebridades”, cuja “obra” é o mero facto de aparecerem na TV. É a vitória da forma sobre o conteúdo. Na classe governante, o exemplo não é melhor. De um executivo que aposta no marketing e na domesticação dos media para fidelizar o eleitorado, imitando a moda da imprensa das “capas positivas”, o cúmulo é o ministro que se assume publicamente como “iberista”.

Mas o que é assustadoramente preocupante é o total alheamento da população em relação à política, ou seja, aos problemas e ao futuro da sua polis. O que interessa não é a continuidade do seu povo unido num destino comum, mas o presentismo e a afirmação pessoal através de bens materiais.

E quem ainda tem conceitos como Povo e Nação? Ah! Esses são os “racistas”, “xenófobos” e “nazis”. Porque a Europa quer-se multicultural... enquanto no resto do mundo os outros têm do direito e a obrigação de preservar a sua herança e cultura.

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