sexta-feira, 21 de abril de 2006

“Política e Estratégia”

Nas primeiras páginas do último número da revista «Futuro Presente», na secção “Cartas dos Leitores”, leio o extracto de uma chamada de atenção que fiz sobre as gralhas e erros ortográficos — como não podia deixar de ser — que encontrei no n.º 58, onde lera o excelente e oportuno texto que muito bem alertava para a falta de revisores. Obrigado ao Miguel Freitas da Costa pela resposta e pelo interesse nesta minha crítica construtiva. O tema central do n.º 60 é “Política e Estratégia” e, a abrir os artigos de fundo, podemos ler “Ética, Política e Sociedade”, de Alexandre Franco de Sá, seguem-se umas “Reflexões (im)políticas sobre Portugal”, de Jaime Nogueira Pinto, e as óptimas “Notas actuais sobre a Teoria do Partisan”, de Teodoro Klitsche de la Grange. Nesta edição merece destaque “Al-Qaeda: a Doutrina”, de Yvan Blot, uma excelente análise dos textos de quatro dirigentes do islamismo radical, para melhor compreendermos as suas posições. Da síntese que faz, depois de tratar, em separado, os textos de Ossama Bin Laden, Abdallah Azzam, Ayman al-Zawahiri e Abu Mussab Al-Zarkawi, cito, de seguida, algumas conclusões. Para a doutrina islamita, de natureza político-religiosa, onde a separação entre religião e política não tem qualquer sentido, para os seus autores, “a soberania de Deus não pode ser partilhada, portanto, a democracia que afirma a soberania do povo é considerada ímpia”, por outro lado “a religião só prospera se estiver territorializada” e “não se deve aceitar a submissão a não-muçulmanos ou àqueles que são muçulmanos hipócritas”, por fim, no que respeita aos seus inimigos declarados, “a guerra não pode ficar limitada ao território muçulmano mas deve ser exportada para a Europa e para a América”.

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