quarta-feira, 19 de abril de 2006

O mau jornalismo habitual (III)

Lendo a secção internacional do «Diário de Notícias» de hoje, eis que deparo com mais uma notícia condimentada. Começa logo pelo título, “Subida de racistas assusta partidos”. Nada como o racismo e o medo para chamar a atenção do leitor e fazê-lo ler o texto até ao fim.

Basicamente, a notícia consiste na subida da intenção de voto no British National Party, por parte dos eleitores britânicos, e a preocupação dos restantes partidos, que vêem as suas posições confortáveis ameaçadas. Mas, claro está que, para o actual “jornalismo” politicamente correcto, esta é uma “má” notícia. Assim, toca de temperar a coisa e considerar, à partida, o BNPum partido de orientação fascista”. Felizmente, vivemos na era da internet e a consulta das posições e estatutos do partido em causa é fácil e rápida, mas pelos vistos isso não interessa quando se fabricam notícias. Continuando, o correspondente do «DN» dá-nos conta que a ministra do Emprego britânica ficou chocada ao conhecer a “incorrecta” intenção de voto de cada vez mais londrinos, que se deve, segundo um inquérito, ao “sentimento de "impotência e frustração" das comunidades de trabalhadores brancos”. Chocados devemos ficar todos nós, trabalhadores europeus, que assistimos à crescente falta de preocupação e consideração pelas nossas condições laborais por parte dos que nos (des)governam, ao mesmo tempo que estes se concentram em ajudar e privilegiar as massas imigrantes que invadem a nossa terra. Devemos também ficar chocados ao ver altos responsáveis políticos condenarem publicamente a livre escolha a que os cidadãos têm direito num estado democrático. Esta questão leva-nos de novo à notícia, onde é dito que “outra conclusão "preocupante" citada pelos investigadores é que muitos milhares de eleitores deixaram de ter vergonha em assumir o voto no BNP”. Preocupante, numa democracia, deveria ser o facto de alguém ter vergonha das suas livres opções políticas, sejam elas quais forem, nunca o contrário.

Para terminar, apesar de estar mais que justificado o título deste post, devo ainda dizer que o jornalista nem se dignou a confirmar o nome do líder do BNP, chamando-lhe “Nick Grifais”. Já agora, para que conste, o nome dele é Nick Griffin. Bastava ter ido à internet, como disse atrás, mas parece que brio profissional é algo que rareia actualmente nesta classe.

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