terça-feira, 4 de abril de 2006

a morte

a morte tem um corpo
depois de si. A sílaba final
que lhe dá a consistência
é tão corpórea que é taça
de perecimento. A morte
é uma sílaba tão delicada
que é metade e todo da palavra.
Traz em si arreganhos
e naus embriagadas,
e um éter tão éter
que um pássaro basta
para lhe dar vida.
A palavra morte é a própria morte.
É um substantivo tão profundo
que a sua face
é curso, e é vária.
Não em texto
que a descreva
— é tão egoísta e escusa
que só poucos dão por ela
ou dela se alimentam.

José Valle de Figueiredo

in «Tempo Presente» n.º 19 (Novembro de 1960).

1 comentário:

  1. Do not go gentle into that good night,
    Old age should burn and rave at close of day;
    Rage, rage against the dying of the light.

    Though wise men at their end know dark is right,
    Because their words had forked no lightning they
    Do not go gentle into that good night.

    Good men, the last wave by, crying how bright
    Their frail deeds might have danced in a green bay,
    Rage, rage against the dying of the light.

    Wild men who caught and sang the sun in flight,
    And learn, too late, they grieved it on its way,
    Do not go gentle into that good night.

    Grave men, near death, who see with blinding sight
    Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
    Rage, rage against the dying of the light.

    And you, my father, there on the sad height,
    Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
    Do not go gentle into that good night.
    Rage, rage against the dying of the light

    Dylan Thomas (in "In Country Sleep", 1952)

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