sexta-feira, 31 de março de 2006

O último viking


Há semanas, tive más notícias sobre o estado de saúde de Jean Mabire. Há dias, soube do seu internamento. Ontem, da sua partida.

Quando imagino o funeral de um homem que tantos marcou, influenciou e inspirou com as suas obras e com o seu exemplo, vejo apenas uma grande chama que brilha no mar frio. Do fogo que consome o drakkar, que pouco a pouco ganha distância da terra, parte um guerreiro incansável para Walhalla, depois de uma vida de combate. Não o tendo conhecido pessoalmente, com muita pena minha, nem querendo fazer aqui a sua nota biográfica, decidi lembrar-me como este autor esteve presente na minha vida, até hoje.

O primeiro contacto com o seu trabalho foi na adolescência, através dos livros “Comandos de Caça” e “Os Panzers da Guarda Negra”, publicados em Portugal pela Ulisseia. Fiquei maravilhado e absorvido com a forma de escrita narrativa com que abordou estes temas de História militar. Nesta mesma altura “conheci” também Saint-Loup, de seu nome Marc Augier, de quem Mabire é o herdeiro directo na defesa da Europa das Pátrias Carnais. Seriam referências que jamais esqueceria e pensadores que me acompanhariam para sempre na formação e consolidação dos meus ideais.

As pátrias carnais, a história, a cultura, o paganismo, a defesa da identidade, a terra e o povo, entre tantos outros; estava cimentada uma ligação eterna com este bardo normando. E a Europa, sempre o sonho da Europa — unia-nos um destino comum!

Passados anos, em que fui lendo mais obras suas, conhecendo melhor o seu percurso e vendo como ele havia tocado tantos outros europeus como eu, fiz uma viagem onde ele esteve constantemente no meu pensamento. Percorri, de lés a lés, a sua amada pátria carnal — a Normandia. Da obra de engenharia moderna em Le Havre ao ancestral e mágico Mont Saint-Michel, passando por Honfleur, de onde partiram os navegadores transatlânticos, e pelas praias do desembarque que marcou o início do fim da guerra fratricida europeia, vi, observei e apreciei a terra e o povo pelos quais Jean Mabire tanto lutou para perpetuar, ao mesmo tempo que reconheci e me identifiquei com mais um membro da nossa grande família europeia.

Mais recentemente, quando conheci Pierre Vial, outra referência maior para mim, tive oportunidade de conversar um pouco sobre Mabire e admirá-lo ainda mais, para depois partilhar com vários camaradas europeus a forma como nos influenciou este viking que nunca se rendeu.

A melhor homenagem a Jean Mabire, que se definia a si próprio como “normando e europeu”, é o nosso combate pela Europa.

Magna Europa est Patria Nostra!

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