segunda-feira, 13 de março de 2006

“Haia matou Milosevic”

São mensagens como a que titula este post que se podem ver em Belgrado, seja nas paredes ou nos jornais, e que reflectem o sentimento de grande parte dos sérvios. Não vou fazer a defesa de Milosevic, nem dissecar o seu curriculum. A minha solidariedade, enquanto europeu, vai para o povo sérvio que, depois da guerra da ex-Jugoslávia, foi humilhado, vitimizado e diabolizado pelo Ocidente. Enfrentado a agressividade dos EUA e do Islão e a passividade e cumplicidade da União Europeia, os sérvios sofreram e resistiram. Mas o futuro afigura-se negro; estando na frente de batalha, a Sérvia enfrentará as duas bombas-relógio islâmicas criadas pelos americanos e uma UE mais interessada em interesses económicos do que no seu povo. A guerra está aí e para durar.

Em total descrédito cai agora o TPI, que acabou de criar um mártir. Aquela que tanto afirmou ser uma instituição para julgar pessoas e não ideologias, que recusou a acusação de ser um “tribunal de vencedores”, dificilmente conseguirá ser levada a sério depois do sucedido. Ainda para mais porque, para um tribunal tão empenhado em condenar “criminosos de guerra”, nunca houve grande preocupação com os “crimes de guerra” no Kosovo… contra os sérvios.

5 comentários:

  1. Na mouche!

    Legionário

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  2. Como é habitual o nosso amigo Duarte tocou na ferida!

    Saudações

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  3. Caro Duarte, só uma 'correcção':

    "Enfrentado a agressividade da UE (nomeadamente dos teutões, por motivos óbvios) do Islão e a passividade e cumplicidade dos EUA"

    Assim é que estaria correcto.

    Lembor-me bem que as pessoas notaram que quem estava 'in charge' naquele ataque eram os europeus. Os americanos apareceiam algi 'secundarizados' e, notóriamente, pouco à vontade...pois na verdade sentem-se desconfortáveis a combater na Europa e, ainda por cima, em sítios sem pinga de petróleo.
    Convem nunca esquecer que foi uma 'certa Europa' que arrastou os EUA, pelos 'colarinhos' (moveram 'céus e terra'), para o conflito e, se não tivesse acontecido 'aquilo', os EUA, muito provavelmente nunca cá tinham posto o cú.

    Assim não foram os EUA que criaram, por iniciativa própria, a situação. Foram, quando muito, adjuvantes.

    O sr.Milosevic, esse, foi pouco mais que um demagogo horrendo, um marxista 'recauchutado' à pressa, líder de um Partido Socialista dorecto herdeiro do antigo partido Comunista Jugoslavo de Tito e foi ele (em conúbio com o psicopata Karadzic e o imbecil do Mladic) quem, em última análise, fez 'detonar' os Balcãs por causa do devaneio imperialista da Grande Sérvia.

    As 'filha-da-putices' do UCK no Kosovo não apagam as 'filha-da-putices' cometidas pelos sérvios contra a Croácia e contra a Bósnia.

    Lembra-se do cerco a Sarajevo?
    Creio que o Duarte não só não iria gostar de estar na pele dos sitiados como, por certo, condenará a selvajaria 'pré-histórica' que ali se passou.

    ps - Sem provas concludentes, não se pode inferir que Milosevic tenha sido assassinado. Se o quisessem fazer já o teriam feito, e em circunstâncias bem mais favoráveis.
    Os médicos pessoais de Milosevic já tinham referido, por diversas vezes, que este sofria de problemas cardíacos sérios e de uma hipertensão crónica capaz de provocar 'graves danos'.

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  4. Habituei-me, nos últimos tempos, a concordar com o Nelson.
    Na questão dos balcãs e nas opções relacionadas com a economia muita coisa nos separa, e ainda bem!

    Falemos então de Milosevic e do conflito nos balcãs.
    Este remonta à segunda guerra mundial, onde os Croatas, católicos, (Utashis) e os Muçulmanos Bósnios, com a cumplicidade dos alemães, cometeram crimes hediondos contra a população Sérvia ortodoxa.
    Esta ferida não ficou cicatrizada com o consulado de Tito, pelo contrário, os Sérvios, apesar de serem a etnia maioritária,foram preteridos em favor das outras, em particular dos Croatas.
    Nas décadas de 70 e 80 a população albanesa, instigada pela Albânia iniciou actividades terroristas contra os Sérvios, já minoritários no Kosovo, por força da dinâmica demográfica dos albaneses (uma lição com a qual devemos aprender para o nosso futuro), muitos Sérvios foram forçados a abandonar as suas casa e alguns foram mortos.
    Milosevic tentou, na minha opinião muito mal, defender os interesses dos Sérvios. Isto também se aplica à Bósnia, à Croácia e em muito menor escala à Eslovénia, onde praticamente não havia Sérvios.
    Repare que na Eslovénia o reconhecimento da independência foi imediato e sem grande derramamento de sangue. A explicação deriva do facto de precisamente naquele território não haver Sérvios...para matar, perseguir e expulsar, como aconteceu na Eslavónia(território da Croácia habitado por Sérvios e na Krajna, também habitada por Sérvios). Até hoje os refugiados(Sérvios) não foram autorizados a regressar aos seus lares! Concerteza que não dará a sua anuência a esta situação. Penso eu...

    Se é bem verdade que a Alemanha e o Vaticano desempenharam um papel vergonhoso na causa do conflito também é muito verdade que os americanos com a sua criminosa intervenção ganharam um espaço de intervenção no flanco sul da Europa, virado para o Mediterrâneo, manipulando e utilizando os muçulmanos Albaneses, roubando aos russos mais uma área estratégica. Uma vergonha!

    Não tenho Milosevic como modelo de nada, considero-o um Sérvio que tentou proteger o seu povo, marcado por um trágico passado,receoso de um futuro com as mesmas marcas sangrentas.
    A sua estratégica foi errada, desastrosa e ineficaz. Pagou bem caro. Aguardemos o que a história nos reserva.
    Entretanto, o Kosovo é governado por bandidos, mafiosos, com ligações ao mundo ameaçador do islamismo internacional,e guardados(cúmulo da ironia)pela NATO!!!!
    E os Sérvios vão sendo expulsos, Igrejas queimadas, mosteiros destruídos, etc
    Sob o olhar cúmplice dos ocidentais!
    Concorda?
    Na Bósnia a situação não é tão grave porque felizmente existe a República S'rbska (Sérvia), vamos ver até quando.

    Cumprimentos

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  5. Acho que os comentários do Nelson e do Miguel se complementam, não se contradizendo fundamentalmente.

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