domingo, 11 de dezembro de 2005

Honrosa excepção

Dizia eu aqui há dias, que os media haviam deixado passar em branco os 150 anos da aclamação de D. Pedro V, e ontem pude ler uma honrosa excepção no «Diário de Notícias». É claro que quem marcou a diferença foi o Eurico de Barros, ficando aqui a reprodução do seu “Grande Rei, reinado curto”.

«Entretidos com as angústias da crise, os estados de alma futebolísticos e o restolhar dos "famosos", os media não deram por uma das mais importantes efemérides deste ano, os 150 anos da morte de D. Pedro V, que se assinalam hoje.

O filho primogénito de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, que subiu ao trono em 1855, aos 18 anos, após uma educação esmerada e um período de viagens de estudo ao estrangeiro, na companhia de seu irmão Luís, só reinou seis anos. O tifo levou-o a 11 de Novembro de 1861, dois anos depois da sua mulher, a Rainha D. Estefânia, ter sido vitimada pela difteria.

Nesse curto espaço de tempo, este jovem de uma precocidade rara, superiormente inteligente e culto, sequioso de saber, dotado em simultâneo das qualidades da acção e da reflexão, e empenhado em participar no bom governo do Reino e na sua modernização, apesar de rodeado por uma classe política medíocre e corrupta e de se confrontar com um país em aflição, deixou o seu nome ligado à construção de estradas, à expansão do caminho-de-ferro e das linhas telegráficas; ao desenvolvimento do comércio e da indústria; à fundação do Curso Superior de Letras; à criação da Direcção-Geral da Instrução no Ministério do Reino; à apresentação do projecto de Código Civil; à concessão de liberdade para todos os escravos que desembarcassem em território português, entre várias outras iniciativas e empreendimentos.

D. Pedro V conviveu com grandes nomes da cultura do seu tempo, como Herculano e Camilo, interessou-se pelos assuntos militares (raramente trajava à civil) e conquistou o seu povo logo no início do reinado, quando Lisboa foi assolada, por uma epidemia de cólera-morbo, seguida de uma de febre amarela, e o monarca recusou deixar a capital, quase deserta. Ficou, visitando os enfermos e supervisionando o combate às doenças. O mesmo povo, à sua morte, chorou-o do fundo do coração, e, como corressem rumores de que o Rei teria sido envenenado pelos políticos, houve sérios tumultos em Lisboa.

Honra seja feito à Texto, que acaba de reeditar 'D. Pedro V - Um Homem e um Rei', de Ruben Andersen Leitão. No resto, um país sem memória é um país sem futuro.»

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