quinta-feira, 24 de novembro de 2005

MICROBIOGRAFIA DE NATAL

À memória e na saudade de meu Pai,
quarent’anos depois de o ter perdido...

O que em mim mais sobressai
é a sobranceria secreta,
quando não o orgulho até,
de ter tido um pai
que era poeta,
ou lá o que é...

Mágica infância, a minha...!
... Feita de tardes, noites e manhãs
de sonho à solta e músicas de paz...
Onde isso vai, senhor’s! Onde isso jaz...
Onde isso tudo vai!

O tempo em que comigo eu tinha
a avó-madrinha,
irmãs,
o avô — o avô Thomaz —
e o pai. Principalmente, o pai!...

Sol para sempre posto,
eis que despede, porém, e ainda agora gera
renovados brilhos,
no nome e no rosto
de pérola
dos meus filhos.

Mas o mais fundo do forro
do que fui, serei e sou,
mal chega voz de socorro
que valha...

E enquanto morro
e não morro,
percorro os mais ignotos
— os mais ínvios e remotos —
meandros da cerração,
para perguntar aos mortos que horas são... Que horas serão?!...

Rodrigo Emílio
(Natal de 1994)

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