Inspirado talvez pelos saldos no Nova Frente, decidi trazer para este blog um artigo que escrevi após o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001 às torres gémeas do World Trade Center, publicado no já defunto jornal «O Dia». Depois do 11-M em Madrid e dos recentes atentados em Londres, penso que o texto não perdeu actualidade, já que a atitude dos governantes ocidentais parece não se ter alterado. Os meus leitores que digam de sua justiça.
«Os EUA declararam “guerra ao terrorismo”. Os extremistas islâmicos foram eleitos os inimigos públicos número um do Ocidente. O medo generalizado tomou de assalto os americanos e alastrou-se rapidamente à Europa. Apesar de muitos países europeus lidarem com diversas formas de terrorismo e mesmo a América ter enfrentado atentados de origem interna como o de Oklahoma City, hoje o Mundo depara-se com uma nova realidade, para a qual diversos especialistas vinham alertando: a globalização do terrorismo. Esta é mais uma das consequências da crescente mundialização. Presenciamos um conflito que não está geograficamente delimitado e pelo menos um dos objectivos dos terroristas foi já alcançado. O sentimento de insegurança generalizou-se e ultrapassou fronteiras a uma velocidade impressionante.
Os autores dos atentados contra os EUA tiveram formação em escolas de aviação civil americanas e em universidades americanas e europeias. Mesmo hoje em dia, e ao que tudo indica, uma parte significativa da rede terrorista continua a usufruir da educação e dos meios que lhes são proporcionados pelos países que serão os seus potenciais alvos futuros. É impressionante constatar a liberdade de movimentos que estes grupos organizados tiveram fora dos países acusados de albergar e apoiar terroristas. Esta situação obriga necessariamente a repensar a forma de acolhimento destes “estudantes” nos países ocidentais. É altura da segurança se sobrepor à política das “portas abertas”.
A falta de controlo na imigração, o não cumprimento das leis que a regulam e as hesitações na definição de uma política comum sobre a matéria, provocam a entrada diária de milhares de pessoas no Velho Continente sobre as quais nada se sabe. Até os EUA, cujas políticas anti-imigração suscitaram duras críticas por parte de alguns sectores da comunidade internacional, não conseguem controlar eficazmente esta circulação de pessoas e o seu acesso a locais essenciais para a concretização de acções terroristas. “Depois dos atentados, os americanos descobriram que nalguns aeroportos trabalhavam imigrantes ilegais sobre os quais tudo se desconhecia. É ridículo”, disse Pedro Jordão, especialista em questões de segurança e relações internacionais, à revista Visão n.º 450, quando confrontado com a questão sobre a vulnerabilidade de uma potência com meios financeiros e tecnológicos quase inimagináveis.
Além das nefastas consequências de uma imigração em massa e desregrada, assistimos ao facilitismo, por parte de alguns países, na atribuição do estatuto de refugiado político. Aquele que devia ser um estatuto jurídico de excepção tornou-se um dos vistos de entrada mais fáceis de conseguir, em especial nos países do Norte da Europa. Um exemplo gritante é o caso de Anas Al-Liby. Nascido em 1964 no Líbano, viveu até há pouco tempo na Grã-Bretanha como refugiado político. É agora procurado por responsabilidades nos atentados contra as embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia, sendo oferecida uma recompensa de cerca de um milhão de contos pela sua captura.
Com o estabelecimento de grandes comunidades islâmicas na Europa e nos EUA, verificamos o aparecimento de gerações jovens desenraizadas que, não se identificando com a cultura do país onde nasceram, viram-se para o islão como forma de afirmação. É uma tentativa de reencontro com valores culturais longínquos e muito diferentes dos europeus, que se cruza com sentimentos de revolta e insatisfação. São os perigosos ideais destas novas gerações, que quanto mais força ganham mais extremistas se vão tornando. Cria-se assim mais uma parcela de terreno fértil para o estabelecimento de bases internacionais de organizações terroristas como a Al-Qaeda e para o desenvolvimento das suas actividades. Não é apenas no distante e montanhoso Afeganistão que é possível encontrar estes terroristas e os seus apoiantes.
No entanto, há muitas vozes que se levantam dizendo que os alvos dos terroristas islâmicos são apenas os EUA e o Reino Unido. O primeiro pelo seu imperialismo e pelo seu apoio a Israel e o segundo pela sua aliança com o primeiro e pelo seu passado colonial no Médio Oriente. Apesar da civilização ocidental ser hoje marcadamente anglo-saxónica e americanizada, é ridículo não ter em consideração os tantos outros países europeus que albergam comunidades islâmicas e onde foram recentemente descobertos vários terroristas implicados nos atentados de dia 11 de Setembro.
É completamente irresponsável não considerar a existência de um perigo crescente no interior dos países ocidentais. Não nos esqueçamos que o expansionismo islâmico já provocou a ocupação da Península Ibérica e, do outro lado da Europa, a ocupação dos Balcãs, de Constantinopla e o cerco a Viena. Tenhamos em conta as valiosas lições da História na apreciação da situação política que hoje vivemos.
O discurso actual – politicamente correcto – é que esta guerra é contra os terroristas extremistas e não contra a sua religião, cultura ou mesmo civilização. Assistimos à defesa de um islão “moderado” inventado por ocidentais em nome de uma falsa tolerância religiosa. Vemos que hoje o Presidente americano George W. Bush mantém a posição do seu antecessor, mas tal como diz Samuel Huntington na sua obra “O Choque das Civilizações”: “Alguns ocidentais, entre eles o presidente Bill Clinton, têm defendido que o Ocidente não tem problemas com o islão, mas apenas com os extremistas islamitas violentos. Quatrocentos anos de história demonstram o contrário”.»
in «O Dia», de 31/10/2001.
O problema número 1 está em Telavive. Essa é que é essa.
ResponderEliminarO inimigo dentro de portas é essa FN que anda a manipular os dirigentes do PNR. É uma tristeza a falta de coragem para impedirem esses agentes infiltrados de darem cabo do PNR. Incluindo você Duarte.
ResponderEliminarsó para avisar do nascimento de um novo blog nacionalista, vejam em:
ResponderEliminarwww.vozdosangue.blogsopt.com
O problema nº2 está em Nova Iorque. Cidade ocupada...
ResponderEliminar;)
O Eurico e o A sabem-na toda...!
ResponderEliminarMendo Ramires
Estou de acordo com o Duarte.
ResponderEliminarExistem inimigos, nao o "inimigo"!
Leiam o Carl Schmitt.
Saudacoes
Tenho amigos educados na religião muçulmana e que são pessoas correctas que, tal como eu educado na religião católica, são ateus e mandaram a religião às urtigas.
ResponderEliminarÉ que é aqui que está o principal problema, na sobrevalorização da religião na sociedade.
A História mostra-nos que, deixada à vontade, a religião católica foi sempre pior, mais fanática e cruel, do que a religião muçulmana. Na religião muçulmana nunca houve uma instituição como a Inquisição, por exemplo.
O que está a acontecer actualmente é que enquanto que nos povos culturalmente critãos a religião é um tigre de papel, nos povos muçulmanos, historicamente mais atrasados, a religião ainda tem a importância que o catolicismo tinha entre nós há cem ou duzentos anos.
O que devemos fazer para ganharmos esta guerra é facilitar que milhões de muçulmanos se libertem das garras da religião como nós o fizemos e não hostiliza-los.
Hostiliza-los é fazer um favor aos extremistas pois isso aumenta as suas bases de recrutamento.
"O problema número 1 está em Telavive."
ResponderEliminar"O problema nº2 está em Nova Iorque. Cidade ocupada..."
"O Eurico e o A sabem-na toda...!"
Pois...e se a minha avó tivesse rodas, podia ser um autocarro.
Ja temos uma alternativa para o raiozinho: envia-lo, empacotado, para as Arabias.Bastara um pontape no traseiro!
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