quarta-feira, 22 de junho de 2005

Territórios ocupados

Existem muitos bairros, sobretudo na periferia de Lisboa, dos quais se costuma dizer: “ali a Polícia não entra”. De vez em quando, em qualquer data simbólica ou visita de algum político, um forte dispositivo policial assegura que tudo corra na normalidade, como se de um bairro pacífico se tratasse. Tais manobras publicitárias são cada vez menos levadas a sério pelos portugueses, que sofrem com a insegurança provocada pelo aumento brutal da criminalidade violenta. A expressão popular relativa à entrada da Polícia nessas zonas não deve ser entendida literalmente. Tem um significado mais profundo: classifica os territórios ocupados. Estes são zonas de não-direito, guetos fechados pela discriminação positiva, onde a autoridade do Estado não é reconhecida.

No passado Dia de Portugal, o Presidente da República decidiu visitar de novo a Cova da Moura e fazer os habituais discursos “anti-racistas” e “anti-xenófobos”, mostrando aos portugueses que é, cada vez mais, o “Presidente de todos os imigrantes”. Falou das leis da República, mas poucos acreditaram, já que nesse mesmo dia centenas de “filhos” das zonas ocupadas assaltavam e agrediam populares na praia de Carcavelos. Para além do escândalo desse ataque descarado, verdadeiro atentado terrorista contra o turismo em Portugal, um dos principais sectores económicos nacionais, pois foi noticiado na maioria dos países de onde vem quem nos visita, veio a público uma revelação absolutamente inacreditável. Segundo o semanário «Expresso», “o embaixador de Cabo Verde em Portugal, Onésimo Silveira, disse ter sido contactado pelo staff do Presidente da República para apurar se Sampaio poderia correr algum risco na visita à Cova da Moura (…)”.

Para a próxima vez que eu falar de territórios ocupados em Portugal, antes de me chamarem “alarmista” ou “teórico da conspiração”, lembrem-se de que nem o nosso representante máximo pode viajar no nosso país à vontade sem consultar um embaixador de um país estrangeiro.

2 comentários:

  1. Meu caro Duarte:
    Nem sequer se pode falar em "branqueamento" da Cova da Moura, já que, para além de politicamente incorrecta, a expressão inocente ainda passa por racista...

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  2. Inteira razao meu caro amigo Duarte.

    Saudacoes

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