quarta-feira, 22 de junho de 2005

Manifestação (II): histórias de um dia

Tenho contado a várias pessoas o que observei na manifestação contra a criminalidade do passado sábado e decidi partilhá-las aqui. Este é um relato desse dia e de alguns episódios que vale a pena contar.

Concentração
Chegado com um amigo ao Largo do Martim Moniz antes das 14 horas, depois de ter assistido à vergonhosa campanha feita pelos media contra o evento, chamando-lhe “manifestação de skinheads” e alertando para contra-manifestações e possíveis confrontos, não me espantei ao ver que a maioria dos que lá se encontravam eram exactamente skinheads. No entanto, verifiquei que muitas outras pessoas iam chegando continuamente, acabando por reduzi-los a uma minoria. Sentindo o forte calor que se fazia sentir, procurei em vão uma boa sombra naquela praça mal desenhada e observei que à volta do largo e debaixo das poucas árvores existentes estava uma multidão de populares que fitavam a concentração com intenção de participar, mas estavam talvez desconfiados depois de tantas notícias negativas.

Até ao início da marcha, aproveitei para falar com diversas pessoas, alguns amigos e vários desconhecidos. Um homem na casa dos cinquenta anos dizia-me, revoltado, que era utilizador da linha de Sintra e que os assaltos e agressões não eram de hoje. Há anos que temia principalmente pela segurança do filho, a quem já tinham sido roubados três (!) telemóveis. Houve também uma senhora, muito exaltada, que se distinguia num numeroso grupo de comerciantes e moradores da zona, exigindo sem hesitar o repatriamento dos imigrantes que, segundo ela, eram já a maioria naquela parte da cidade e os principais culpados do aumento brutal da criminalidade e da insegurança. Senti o desespero de pessoas que se sentem esquecidas pelos governantes e são vítimas de criminosos aparentemente intocáveis, o que me impressionou bastante.

Um episódio interessante, que alguém me disse ter sido mal relatado num jornal, foi a presença de um turista japonês que se aproximou do grupo onde eu estava e tirou várias fotografias, depois de pedir autorização, ao mesmo tempo que conversou, num inglês básico, com várias pessoas que lhe explicaram o que se passava, ao que ele concordou. Para espanto de uma jornalista que ali passava a entrevistar meio mundo, o japonês repetiu que lhe tinha sido explicada a razão do protesto e que até concordava. Ela fez um ar incrédulo, de quem pensou que o turista não tinha percebido nada.

Havia também alguns brasileiros que expressaram o seu apoio à manifestação, assegurando que há muitos imigrantes que não querem trabalhar, dedicando-se a actividades criminosas, prejudicando assim a imagem de muitas pessoas honestas.

Marcha
Quando estavam já largas centenas de pessoas no Martim Moniz, o Vice-Presidente do Partido Nacional Renovador, José Pinto Coelho, proferiu algumas palavras dizendo que o PNR se associava a este protesto por sempre ter pugnado por maior segurança para os portugueses, recusando as habituais acusações de racismo, mas não ignorando as relações entre a imigração desregrada e o aumento da criminalidade violenta.

De seguida, a marcha arrancou, juntando cerca de mil participantes. Maioritariamente composta por jovens, contava também com muitos moradores e comerciantes locais, vários utilizadores da linha de Sintra, para além de pessoas vindas de vários pontos do país. Vi um grupo de skaters que, para se fazerem notar levantavam bem alto os seus skates, por entre os que faziam ondular bandeiras nacionais. Com os manifestantes caminhavam também alguns indianos, com certeza lojistas vítimas de assaltos. Havia também um mulato, de cabelo em crista, que sobressaía no meio daquela multidão. Estes são apenas alguns exemplos, fora do esperado, que mostram que a manifestação foi bastante diferente do apresentado pelos meios de comunicação social.

O comportamento foi sempre exemplar. Ao contrário das previsões alarmistas, não houve quaisquer conflitos. Por exemplo, em frente ao Hotel Mundial à porta de um café, encontravam-se vários negros que observavam sorridentes, de copo de cerveja na mão, os manifestantes que lhes passavam à frente a um palmo de distância.

Final
Chegados ao Rossio, parámos para ouvir o Humberto Nuno Oliveira, que terminou o discurso agradecendo a presença e o extraordinário comportamento de todos, e cantar o hino nacional pela última vez, antes de começar a desmobilizar. O grosso dos participantes havia já retirado e o material como faixas, bandeiras, etc. estava já guardado, quando, do outro lado da rua, um pequeno grupo começou a chamar “racistas” e “fascistas” aos que ainda lá se encontravam. Algumas pessoas decidiram ir falar calmamente com quem berrava as ditas palavras e alguns insultos, o que provocou uma correria de jornalistas e fotógrafos em direcção aos contra-manifestantes, na ânsia de captar a tão desejada violência que simplesmente não existiu, gerando alguma confusão. Só aí foi necessária a presença da Polícia, que aliás cumpriu optimamente o seu trabalho nessa tarde, para cessar a troca de “piropos”.

É importante lembrar que isto aconteceu já terminado o protesto e depois da retirada da maioria das pessoas. Durante toda a manifestação não houve quaisquer incidentes nem nenhuma contra-manifestação, como os media haviam alertado.

Parece que já me alonguei; fico por aqui, nesta história que não passou nas televisões…

10 comentários:

  1. Não era japones,mas sim chines!!Ele tb em tentou falar em Ingles,mas nao percebia o que ele dizia!!! :)

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  2. Os meios de comunicação social estavam, de facto, ávidos de violência. Bem tentaram obter uma notícia que meta sangue para vender os jornais...
    Para azar dos jornalistas, a manifestação foi um exemplo de civismo...

    Mas se querem notícias para vender, podem ir acampar 1 mês para a Cova de Moura...

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  3. Parabéns Duarte Branquinho, sem ti este sonho não teria sido possível.

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  4. realmente como diz o fascimo em rede "Os melhores relatos sobre a manifestação contra a criminalidade e a insegurança" aqui no pena e espada.. só uma coisa? a fn nunca existiu nessa manif não é? É que como nunca foi mencionada..O branquinho é da direção do PNR e o PNR nunca fez nada disto não é? Porque terá sido?
    A falta de hombridade e humildade nestas situações é gritante
    Mario Machado

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  5. O Sr. Mário Machado devia prestar mais atenção à página da FN, pois es~´a lá bem expresso que a FN não é uma organização. Ora, não sendo uma organização não existe, certo?!

    Além disso, a falta de de humildade é sua, que vem para aqui gabar-se de ter organizado a manif. Deixe que sejam os outros a gabarem-no, se é que merece...

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  6. "O Sr. Mário Machado devia prestar mais atenção à página da FN, pois es~´a lá bem expresso que a FN não é uma organização. Ora, não sendo uma organização não existe, certo?!"

    Ahahahah

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  7. Mário,

    A razão pela qual a FN não foi referida neste post, foi porque se tratou de um relato pessoal daquilo que quem ficou em casa não viu.
    Ora a FN, depois de toda a publicidade televisiva, tornou-se bem conhecida da maioria dos portugueses.

    Como dizes, pertenço de facto à Comissão Directiva do PNR, pelo menos até ao próximo sábado. Infelizmente, não consegui concretizar muitas ideias, que nunca abandonei. Não deixarei de tentar levá-las avante e de lutar pela nossa Nação.

    É verdade que a FN foi o motor de arranque para trazer manifestações à rua. É, sem dúvida, uma grande vitória.

    Mas, como aqui já escrevi, a maior vitória de todas foi ter conseguido levar à rua os mais importantes grupos nacionalistas portugueses, incluindo o PNR, e principalmente centenas de populares anónimos.

    Esta união e mobilização extraordinárias são um motivo de orgulho para todos os presentes, incluindo os organizadores.

    Um abraço.

    PS - Esta união foi tão importante que vou agora escrever sobre isso.

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  8. Duarte ainda dás explicações a esse egomaniaco? Mas o que quer ele, uma estátua, uma rua com o nome dele? É o sindroma do mini-führer no seu melhor.

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  9. Branquinho ta tudo mais que esclarecido...quer por aqui quer pelos mails.. conheces o meu mau feitio de psicotico

    Para esses comentarios anteriores:
    Quando um dia forem homens para me dizerem na cara essas merdas, eu volto-vos a dirigir a palavra até lá escrevam muito.

    MM

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  10. há um gajo marado, que se julga muito passado, mas que devia era estar internado. Chama-se Mário Machado.

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