quinta-feira, 23 de junho de 2005

Lusofonia

Os portugueses gostam muito de dormir sobre a sua História. Quer isto dizer que, por exemplo, a própria independência nacional nunca é uma preocupação já que Portugal é o país com as fronteiras mais antigas da Europa. Como se isso bastasse para ficarmos descansados. Um dos pilares fundamentais da identidade nacional é a nossa língua. Mas, até sobre essa dormimos. O português é a sexta língua mais falada do mundo e a terceira ocidental, a seguir ao inglês e ao castelhano, calculando-se que seja utilizada por mais de 176 milhões de pessoas. Para muita gente estes dados podem servir de garantia eterna, mas penso sinceramente que, no que toca à Língua de Camões, temos descansado à sombra da bananeira do império.

Há muito que tenho esta percepção, mas ao ler duas notícias no semanário «O Diabo» desta semana vi confirmadas as minha preocupações. O jornal alerta para o facto de o “ensino do português no estrangeiro estar em risco”, o que significa que o “governo vira as costas a cinco milhões de emigrantes”. Paralelamente, outra notícia revela que o “Instituto Camões em Paris pode fechar”. Assim vai a defesa da nossa língua no mundo, principalmente na Europa. E depois admiramo-nos que a UE não considere o português como uma das línguas principais. Neste campo, os nuestros hermanos não brincam em serviço, talvez fosse melhor olhar para o lado...

Os governantes, mais preocupados com os imigrantes do que com os emigrantes, ou seja com os filhos dos outros do que com os seus, esquecem o seu próprio povo. Quando se esquece o ensino da língua a milhões de portugueses de origem, porque milhões de estrangeiros a falam em partes longínquas do globo, está-se a destruir aos poucos um povo e a sua identidade, matando a longo prazo uma Nação.

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