Os portugueses continuam a morrer e a matar-se na estrada. E a culpa é nossa. Não alteramos a nossa maneira de ser, porque “mais cego é o que não quer ver” e nos inquéritos anuais divulgados, os automobilistas nacionais consideram que “a culpa da situação é dos condutores, mas que eles próprios conduzem bem”.
Perante tal situação, foi lançada uma operação de marketing pomposamente apelidada de “novo código”. Ora a grande novidade, para além do colete reflector, é a subida generalizada das multas. Numa atitude típica de “se não podes vencê-los, lucra com eles”, os nossos (des)governantes preparam-se para anunciar o sucesso da iniciativa, já que a curto prazo este elemento intimidador funciona, para depois voltarmos ao topo do ranking europeu de sinistralidade.
O cerne do problema – reconhecido por todos – é a mentalidade dos portugueses e enquanto não houver uma tomada de consciência generalizada que a faça alterar continuaremos na mesma. Ainda hoje me lembro da melhor descrição dos condutores portugueses que ouvi, fê-la uma actriz britânica reformada, que havia escolhido o Algarve como residência, numa entrevista na televisão: “os portugueses são excelentes pessoas, simpáticos, hospitaleiros, prestáveis, mas quando estão atrás de um volante crescem-lhes cornos e transformam-se em autênticos demónios…”
«O Diabo», 19/04/2005.
Não concordo, de todo. As nossas estradas (e autoestradas) são uma merda (e basta passar a fronteira para se ver a diferença), mal sinalizadas e mal construidas. Os nossos carros também continuam a ser umas latas velhas, as inspecções funcionam mal e as escolas de condução pior. É claro que resolver estes problemas é dificil, e opta-se pela solução fácil: atirar a culpa para cima do pagode, que de tanto ouvir a mesma ladainha, até já acredita (é a velha história, uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade).
ResponderEliminarNC