sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Boas festas

Recebi de um amigo um postal de boas festas em mirandês. Apesar de não ter laços familiares a essa região, tenho o maior respeito por quem se tem batido pelo património cultural de Miranda do Douro. Assim, em sua homenagem, aqui ficam os meus votos a todos os que por essa Europa fora defendem a sua identidade:

Bengo desear-bos a bos i a la buossa familia un feliç Natal i anho noubo com muita paç, alegrie i felecidade.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

O fracasso do sistema de integração republicano


É impressionante como a recente violência étnica em França parece que não aconteceu. Os media esqueceram habilmente o sucedido, fazendo-o parecer uma coisa de somenos importância, resolvida já com um simples “desbloquear de verbas” por parte do governo francês.

A realidade é muito diferente. Assistimos ao fracasso do sistema de integração republicano. A ideia utópica de uma república livre, igual e fraterna, regulada pelo contrato social desmoronou-se.

A França, tal como o resto da Europa, está a ser invadida e colonizada por massas de alógenos que não desejam integrar-se e que, pelo contrário, querem impor os seus costumes repudiando e ocupando o país que os acolheu.

Durante o pico dos confrontos, pude assistir na televisão a uma entrevista com um imigrante português em França, que foi bastante elucidativa e exemplificativa do que se estava a passar. O Micael tinha ido, ainda criança, com os pais para Aulnay-sous-Bois. Era mais uma de tantas famílias portuguesas que na altura procuravam melhor sorte noutros países. Lembrava-se que, no início, viviam naquela cité franceses, portugueses e outros imigrantes de origem europeia, argelinos, entre outros. Era o sonho da integração pelo urbanismo (curiosamente, o mesmo urbanismo que é hoje apontado como uma das causas da violência). Se todos tivessem um sítio agradável para viver, todos viveriam felizes, em paz e harmonia... O tempo e a convivência mostraram outra realidade. Segundo o jovem português, os primeiros a abandonar o local foram os franceses. A estes seguiram-se os imigrantes europeus, incluindo os portugueses. Tal havia sucedido, principalmente, por dois motivos: a ascensão social e a melhoria da situação económica desses franceses e dos imigrantes europeus, conseguida com trabalho árduo, estudo e desejo de sucesso, e, por oposição, uma atitude cada vez mais intimidadora da comunidade magrebina que, através de uma discriminação positiva, começava a conquistar terrenos “seus”, nos quais começavam a vigorar as suas regras, contrariando as leis francesas, um espaço onde a juventude optava pela vida fácil do crime e dos gangues recusando a educação e os valores de uma terra que não passava, para eles, de um inimigo opressor.

Para quem ainda está convencido das boas intenções da comunidade muçulmana em França, reproduzo aqui o que me contou um amigo meu que viveu alguns anos nos arredores de Paris e presenciou pessoalmente o expansionismo colonizador islâmico. Quando já era um dos poucos europeus que vivia naquele bairro, teve uma conversa elucidativa com o dono – também ele português - de uma mercearia local. Dizia o merceeiro que os “beurs” lhe tinham partido o vidro da montra pela segunda vez, por ele insistir em continuar a vender bebidas alcoólicas. Comunicou ao meu amigo que, ao contrário do que tinha prometido a si mesmo quando jovens magrebinos lhe vieram dizer que o álcool era ofensivo para a religião deles, iria deixar de vender essas bebidas que, aliás, praticamente já não vendia, porque a maioria dos residentes eram muçulmanos. Estava disposto a isso para não ser obrigado a passar a loja conseguida com o trabalho de uma vida, à semelhança do anterior proprietário de um talho ali perto, ameaçado por vender carne de porco e obrigado a vender o estabelecimento, para o ver transformar-se em talho hallal. Muita coisa tinha mudado por ali, a escola já não servia refeições que contivessem porco, já não se podia andar em segurança à noite, a mesquita e as associações islâmicas eram cada vez mais frequentadas e influentes, o trânsito era interrompido pelas orações diárias, mais importantes que a circulação rodoviária, os “jovens”, apesar do seu comportamento violento e do desrespeito às autoridades, beneficiavam de apoios ao estudo e de centres de loisirs, para além do aumento significativo dos “animadores culturais”, na realidade membros de gangues pagos pela Mairie para acalmar as hostes...

Esta não era já a França que o havia recebido e a quem tinha agradecido com muito trabalho. Pensava que, “se Deus quisesse”, dentro de poucos anos gozaria a reforma na sua aldeia, perto da Guarda. A este desejo respondeu o meu amigo com um adeus. Para ele não seriam uns anos, estaria de regresso a Lisboa daí a uma semana.

Sobre a tão apregoada “integração” tenho apenas a dizer que quem se quer integrar, integra-se. Os imigrantes portugueses em França foram um exemplo disso. Não necessitaram de medidas excepcionais de apoio. No início não viviam em cités, mas sim em bidonvilles com condições degradantes. Ultrapassaram-nas com trabalho e com respeito ao país de acolhimento. O panorama hoje é totalmente diferente. Os imigrantes afro-magrebinos são incomparáveis aos portugueses e aos restantes imigrantes de origem europeia. Apesar de todos os apoios, não se integram. Porquê? Por uma razão muito simples: porque não se querem integrar! E isto leva-me a fazer aquela pergunta difícil, aquela para a qual os integracionistas não têm resposta: Como integrar quem não quer integrar-se?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

A Chama

Este fogo resume uma tradição viva. Não uma imagem vaga, mas uma realidade. Uma realidade tão tangível como a dureza desta pedra ou o sopro do vento. O símbolo do Solstício é que a vida não pode morrer. Os nossos antepassados acreditavam que o sol não abandona os homens e que volta todos os anos ao encontro da primavera.

Cremos, como eles, que a vida não morre e que, para lá da morte dos indivíduos, a vida colectiva continua.

Que importa o que será amanhã. É levantando-nos hoje, afirmando que queremos permanecer como somos, que o amanhã pode vir.

Levamos em nós a chama. A chama pura deste fogo de fé. Não um fogo de lembrança. Não um fogo de piedade filial. Um fogo de alegria e de intensidade que temos que acender sobre a nossa terra. Lá queremos viver e cumprir o nosso dever como homens, sem renegar nenhuma das particularidades do nosso sangue, da nossa história, da nossa fé, amalgamadas nas nossas recordações e nas nossas veias...

Tudo isto não é a ressurreição de um rito abolido. É a continuação de uma grande tradição. De uma tradição que mergulha as suas raízes no mais profundo das idades e que não quer desaparecer. Uma tradição em que, cada modificação, só deve reforçar o sentido simbólico. Uma tradição que a pouco e pouco revive.

Jean Mabire

“Direitas”


Terminei a leitura da última edição da revista «Futuro Presente» e, apesar de não concordar com muitas das posições aí defendidas, reconheço a sua qualidade e aconselho-a aos que me lêem. Este número tem como tema central as “direitas”, indo o meu destaque para os artigos “Radicalismo de direita e neo-fascismo na Europa do pós-guerra: Um problema de definição”, de Marco Tarchi, “A Direita e as Direitas em França – o laboratório do século XIX”, de Jaime Nogueira Pinto, e “Para uma genealogia cultural”, um inédito de Rodrigo Emílio. De referir, ainda, a continuação do “Inquérito sobre a Europa”, iniciado no número anterior, e a habitual crónica de Roberto de Moraes, para além das restantes secções.

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Leitura para hoje

Na habitual referência ao semanário «O Diabo», destaco na edição de hoje a entrevista com o Bispo Emérito de Braga, que afirma que “há um lóbi gay em Portugal com muita influência na sociedade” e classifica como “aberração” a equiparação ao matrimónio das uniões de facto e homossexuais. Noutro campo, D. Eurico Dias Nogueira considera que um diálogo com o Islão é difícil de ser conseguido porque, segundo ele, “o Islão tem uma atitude muito fechada, muito fundamentalista”.

De referir, também, as críticas do Padre Carlos Gabriel às autoridades nacionais relativamente aos crimes contra portugueses na África do Sul, dizendo que “o PS esteve sempre de "cócoras" em relação ao governo sul-africano”. Para além das páginas obrigatórias “O Diabo a Sete” e “Coisas do Diabo”, tem esta semana a palavra o nosso conhecido blogger João Pedro Dias com o artigo “O doce sabor do "bolo" de Bruxelas”.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Violência no paraíso

Quem se lembra de “Bowling for Columbine”? Onde Michael Moore apresentava, numa versão simplista e tendenciosa dos factos, em oposição a uma América na qual a violência armada não era culpa de quem a praticava, mas de “racistas” como Charlton Heston e a National Rifle Association, um paraíso multicultural a Norte. No Canadá, segundo o filme, vivia-se uma situação totalmente diferente, os crimes violentos e com armas de fogo eram raros e era impensável ligar certos tipos de violência a determinados grupos étnicos.

A última edição do «Economist» revela-nos uma evolução da situação surpreendente, ou talvez não... A violência armada está em rápido crescimento naquele país e é hoje uma das principais preocupações nas grandes cidades. Toronto, por exemplo, bateu o recorde de assassinatos com armas de fogo em 2005. Na British Columbia as apreensões de armas de fogo aumentaram 50% em três anos e o número de gangues duplicou em dois anos, sendo os de origem punjabi os mais violentos. Nessa província há outro dado impressionante, o cultivo crescente de cannabis rende quase tanto dinheiro como a indústria do turismo. Da próxima vez que for acenada a bandeira do sucesso e exemplo canadianos, é bom lembrar que a situação está a alterar-se radicalmente e muito depressa.

De pequenino…


Tive este fim-de-semana a oportunidade de ver e ouvir o “Schulhof-CD” (CD do Recreio) de 2005, enviado pelo Andreas Molau, editor do Deutsche Stimme, a quem agradeço. Com este CD, disponível também na internet, repetiu o NPD uma excelente iniciativa dirigida ao público mais jovem. O CD contém treze músicas de bandas nacionalistas alemãs e termina com o hino nacional alemão. A acompanhá-lo vem um pequeno livrinho com uma banda desenhada, na qual o jovem Alex, descontente com a situação no seu país, recusa as propostas de elementos de partidos de esquerda e de direita, acabando por juntar-se ao NPD, por intermédio da sua amiga Tina. Podemos ainda encontrar a letra do hino nacional alemão e os contactos do partido. Quando conheci o Andeas Molau em Espanha, há cerca de um mês atrás, disse-me que na Alemanha já tinham distribuído gratuitamente centenas de milhares de CDs, tanto desta edição como da de 2004, à porta das escolas e que tinha sido um sucesso, pois a aceitação havia sido óptima. Segundo ele, a geração mais nova de alemães começa a perder os complexos de culpa da geração anterior e está mais aberta aos ideais nacionalistas perante a ameaça da imigração em massa e da mundialização. Um exemplo a seguir.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Fruto proibido

Quando falei da minha intenção de escrever este post a alguns amigos, fui automaticamente recordado do actual “peso” do tema e aconselhado a desistir dos meus intentos. Assim, antes de passarmos ao que interessa, começo com um esclarecimento necessário. Não é uma desculpa, é mais um aviso à navegação e uma salvaguarda – hoje em dia cada vez mais necessária – em relação a posteriores interpretações livres ou extensivas das minhas considerações.

O tema, como já muitos devem ter adivinhado, é a recente polémica relativa ao chamado “revisionismo do Holocausto”. Daí a necessidade de afirmar, pelas razões supracitadas, que este texto não pretende “rever” ou “negar” qualquer holocausto, independentemente de quem tenham sido as vítimas ou os culpados, ou da altura em que tenha sido cometido.

Adiante. Há dias, ao fazer um zapping, na minha ocasional busca de algo interessante para ver na televisão, dei de caras com David Irving. Não teria sido nada de mais, porque o programa onde o revi a fazer comentários sobre Adolf Hitler e a II Guerra Mundial era de 1989, se o historiador não estivesse nesse exacto momento preso na Áustria por “negar o Holocausto”, o que constitui crime nesse país, à semelhança da vizinha Alemanha.

Antes dele, havíamos tido notícia de outras prisões, por igual delito, como a de Ernst Zündel e a de Germar Rudolf. Ambos conseguiram chegar às páginas dos jornais, em especial Zündel, porém com pouco destaque, após as suas detenções. O caso de Irving levantou mais poeira, talvez por ser cidadão britânico, talvez por ser um historiador razoavelmente conhecido e com bastantes obras de valor reconhecido. Lembro-me, por exemplo, do excelente “The War between the Generals”, publicado pela Penguin Books em 1981, que recebeu o aplauso da crítica. O jornal «The Times», na altura, considerou o autor “one of Britain’s foremost historians”.

Não deixa de ser irónico, hoje, vê-lo na televisão, ver as suas obras nas prateleiras e saber que, para além de estar preso, está a ser tratado como um reles mentiroso, ou pior, classificado como um “nazi”. Todas as histórias, por mais trágicas, têm sempre um lado cómico. Até agora, no episódio Irving, houve uma que merece ser referida e que foi noticiada pelo «Telegraph». Durante uma visita à biblioteca da prisão onde se encontra, o historiador britânico descobriu algumas obras suas e assinou-as. Isto causou um certo mal-estar ao director da prisão que garantiu prontamente que iria desfazer-se dos ditos livros.

Depois deste surto de detenções, assistimos às declarações de Mahmud Ahmadinejad, actual presidente do Irão, e às reacções igualmente inflamadas dos governantes de Israel. Com ou sem revisionismo, Irão e Israel permaneceriam inimigos mortais ad aeternum, mas este tema é particularmente sensível aos judeus, como é compreensível. Aliás, é perfeitamente natural o repúdio da grande maioria dos judeus pelos chamados “revisionistas do Holocausto”. Simplesmente, penso que os primeiros escolheram a solução errada. Passo a explicar.

A minha formação em História diz-me que proibir a investigação, por mais loucas ou disparatadas que sejam as suas conclusões, é errado. Por muito que incomode os italianos um estudo que chegue à conclusão que Colombo era português, por muito que choque a Igreja Católica uma investigação que diga que Jesus foi casado e teve filhos, ou por muito que ofenda os judeus uma teoria que defenda que o Holocausto provocou cinco milhões de mortos, não devem ser proibidas. Devem, isso sim, ser debatidas e, se necessário for, contrariadas com argumentos e provas, em resumo, com outras investigações, nunca com leis.

Em geral, a defesa da liberdade de expressão é consensual, mas neste assunto tem-se vindo a adoptar, cada vez mais, uma atitude censória. Aqui é que a porca torce o rabo, como reza a expressão popular. Começo por um exemplo puramente académico. Imaginemos que amanhã, um dito “revisionista do Holocausto” chegava à conclusão de que este tinha vitimado sete — e não seis — milhões de pessoas. Seria considerado crime? Seria julgado por isso?

De qualquer maneira, quando se opta pela censura e se utilizam sanções legais como a prisão, dá-se uma importância elevada ao assunto. Quero dizer que, com tudo o que tem acontecido, o chamado “revisionismo do Holocausto” teve talvez a maior propaganda de sempre. Dir-me-ão que a importância é dada ao Holocausto e não aos seus revisores ou negadores, mas o que acontece é que eles é que sobem ao palco dos media. A publicidade é tal, que o tema tem corrido os jornais e televisões de todo o mundo, dando a conhecer a existência de uma “versão proibida” dos acontecimentos da II Guerra Mundial a milhares de pessoas que nunca dela haviam ouvido falar. Mais: se é proibido, gera automaticamente maior curiosidade. Todo este processo lembra-me o que me dizia um familiar meu sobre os livros censurados durante o Estado Novo: “A quantidade de merda que eu li, apenas por saber que tinha sido censurado!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

Música

Sabemos que na internet, nomeadamente na blogosfera, o que é bom é para se copiar. Assim, depois de ver os posts de música do BOS e a “Música Ambiente” na barra lateral do Último Reduto, não resisti. A partir de hoje, os leitores do Pena e Espada podem ser também ouvintes. Ainda não defini qual periodicidade de alteração da música que estará disponível. A experiência o ditará e estou, como sempre, aberto a sugestões, que agradeço. Para começar, podem ouvir “Mon enfant”, dos franceses Vae Victis, uma faixa retirada do álbum “Hors-la-loi”, de 2000.

A culpa é nossa

Mais uma vez as palavras de José Manuel Barata-Feyo na «Grande Reportagem» são politicamente incorrectas e merecem ser aqui reproduzidas. No seu artigo “Viva la muerte!”, na última edição da «GR», começa desta forma: “Azar o meu que nasci europeu, branco e cristão. Qualquer outra origem teria sido melhor. Ao que parece, qualquer outro destino também...” Este pessimismo reflecte bem a observação da culpabilização extrema dos europeus nos dias que correm, impedidos - ao contrário de todos os outros povos – de se orgulharem, afirmarem e preservarem a sua identidade. Ora leiam: “Chegou por fim o século XXI e, com ele, a derrocada de todas as convicções – das minhas, como europeu, branco e cristão, entenda-se. Subitamente iluminados por uma aparição, os meus semelhantes pela raça, pela cultura e pelo cristianismo descobriram que somos culpados de ter ganho as guerras em vez de as ter perdido. As militares, é certo, mas também as outras, a guerra dos Descobrimentos, da Razão, da Democracia, do Humanismo, da Solidariedade, a guerra dos Direitos do Homem. A minha ração diária escorre apenas pela ignomínia da Colonização, da Escravatura, da Inquisição e de mais horrores que cometemos. Os nossos, que não os dos outros. São dedos apontados ao presente, mas que tiveram o cuidado de apagar o contexto histórico. Sem ele é mais fácil imputar-nos o monopólio da culpa e omitir que a reconhecemos e corrigimos, tanto quanto possível. Eis, aliás, outra vitória de que somos culpados e uma nova suspeita de crime: abolimos a escravatura; derrotámos o obscurantismo e a intolerância das Igrejas; melhor ou pior, descolonizámos e varremos a noite das ditaduras, de esquerda e de direita. Falsa e magra penitência, dizem-nos os militantes da expiação. Nada pode resgatar a abjecção cometida. É indispensável reconhecer que fomos e continuamos a ser intrinsecamente maus! Nós, que não os outros. Porque os outros são bons. Assim exige a dicotomia...

Os europeus, façam o que fizerem, serão sempre os únicos culpados de todos os males do mundo, segundo os ditames do politicamente correcto. Barata-Feyo vai mais longe e afirma: “Somos a fonte de todos os males e a origem de todos os vícios. Somos o pecado original!” É assim, sem dúvida, que hoje se pretende que se vejam os europeus, apesar de todo o contributo da nossa cultura e civilização.

Embalado por esta dicotomia absurda e irónica nós-maus/eles-bons, Barata-Feyo conclui também ironicamente: “Se a Europa está reduzida ao execrável, o homem branco ao remorsos e o cristianismo à Inquisição; (...) se a salvação do mundo passa por uma cruzada contra nós e pela nossa autodestruição; se assim é, então a redenção colectiva, a justiça e a paz na Terra estão finalmente à vista, apontadas há uma semana por Muriel Degauque, a belga que entrou para a história como "a primeira bombista suicida europeia". De que maneira mais honrosa e com que melhor consciência pode acabar um europeu, branco e cristão do que no sopro de uma explosão e no voltejar sangrento dos seus próprios restos?

domingo, 11 de dezembro de 2005

Honrosa excepção

Dizia eu aqui há dias, que os media haviam deixado passar em branco os 150 anos da aclamação de D. Pedro V, e ontem pude ler uma honrosa excepção no «Diário de Notícias». É claro que quem marcou a diferença foi o Eurico de Barros, ficando aqui a reprodução do seu “Grande Rei, reinado curto”.

«Entretidos com as angústias da crise, os estados de alma futebolísticos e o restolhar dos "famosos", os media não deram por uma das mais importantes efemérides deste ano, os 150 anos da morte de D. Pedro V, que se assinalam hoje.

O filho primogénito de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, que subiu ao trono em 1855, aos 18 anos, após uma educação esmerada e um período de viagens de estudo ao estrangeiro, na companhia de seu irmão Luís, só reinou seis anos. O tifo levou-o a 11 de Novembro de 1861, dois anos depois da sua mulher, a Rainha D. Estefânia, ter sido vitimada pela difteria.

Nesse curto espaço de tempo, este jovem de uma precocidade rara, superiormente inteligente e culto, sequioso de saber, dotado em simultâneo das qualidades da acção e da reflexão, e empenhado em participar no bom governo do Reino e na sua modernização, apesar de rodeado por uma classe política medíocre e corrupta e de se confrontar com um país em aflição, deixou o seu nome ligado à construção de estradas, à expansão do caminho-de-ferro e das linhas telegráficas; ao desenvolvimento do comércio e da indústria; à fundação do Curso Superior de Letras; à criação da Direcção-Geral da Instrução no Ministério do Reino; à apresentação do projecto de Código Civil; à concessão de liberdade para todos os escravos que desembarcassem em território português, entre várias outras iniciativas e empreendimentos.

D. Pedro V conviveu com grandes nomes da cultura do seu tempo, como Herculano e Camilo, interessou-se pelos assuntos militares (raramente trajava à civil) e conquistou o seu povo logo no início do reinado, quando Lisboa foi assolada, por uma epidemia de cólera-morbo, seguida de uma de febre amarela, e o monarca recusou deixar a capital, quase deserta. Ficou, visitando os enfermos e supervisionando o combate às doenças. O mesmo povo, à sua morte, chorou-o do fundo do coração, e, como corressem rumores de que o Rei teria sido envenenado pelos políticos, houve sérios tumultos em Lisboa.

Honra seja feito à Texto, que acaba de reeditar 'D. Pedro V - Um Homem e um Rei', de Ruben Andersen Leitão. No resto, um país sem memória é um país sem futuro.»

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

D. PEDRO V

"Estou plenamente convicta da imensa
superioridade de D. Pedro quando comparado
com qualquer outro jovem príncipe"
Rainha Vitória


HÁ 150 ANOS FOI A ACLAMAÇÃO DE D. PEDRO V Primeiro filho de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, um desses príncipes cultíssimos que a Alemanha então exportava para renovar a seiva de algumas casa reais bem necessitadas, D. Pedro nasceu em 1837.
Em Novembro de 1853 morria inesperadamente a Rainha, com apenas 34 anos de idade, das consequências do 11.º parto, abrindo assim um período de dois anos da regência de D. Fernando II, Rei Consorte desde o nascimento do filho, que se estenderia até este atingir a idade de 18 anos, prescrita na Lei, em 1855.
Inicia-se então um período de viagens de estudos em que visita, com seu irmão Luís (mais tarde Rei), vários países europeus.
Dos relatórios e cartas que então escreveu, encontra-se já bem patente, no âmbito de uma precocidade invulgar, a sua inteligência superior, seu espírito de rigor, sua incansável vontade de saber, de aprender, quer no domínio das ciências, quer no das letras, e também, embora em menor medida, no das artes. São já documentos de um espírito maduro e não de um rapaz no fim da adolescência.
Logo no início do seu reinado depara com a epidemia de cólera-morbo seguida, um ano depois, pela não menos mortífera febre-amarela. Ao invés de muitas famílias mais abastadas e de não poucos políticos, o Rei não abandona a capital desdobrando-se em cuidados aos doentes, que visitava com perigo da própria vida, assim como em inspecções à operacionalidade de medidas de luta que havia delineado. O povo nunca esqueceria esta sua faceta.
Da estirpe de um D. João II a que se juntava algo da inteligência percutante e sombria de um D. Duarte, D. Pedro aliava as qualidades do homem de reflexão às do homem de acção, pois se era um realista que não podia ignorar o estado desgraçado em que se encontrava o Reino (muitos anos de guerra civil endémica, sucessão ininterrupta de Governos, humilhações face ao estrangeiro com a convenção de Gramido, revoltas como a da Maria da Fonte e a subsequente Patuleia, etc.), realista dobrado de pessimista, que não ocultava o idealista que também, lá bem no fundo, não deixava de ser.
Idealista activo, aliás, que só se dava por satisfeito na realização - livre e dentro da Constituição, isto é, pelos seus Governos e com apoio nas Cortes - dos planos que pensava e inspirava, ou procurava inspirar, e na possível aplicação prática das ideias que servia.
Atormentavam-no as limitações, principalmente quando eram contrárias aos interesses da Pátria e filhas de movimentos e interesses escondidos, intencionalmente egoístas e destrutivos.
No que se chocava amiúde com a classe política, corrupta e incapaz, na sua grande maioria, pois não era Rei que se deixasse ficar, mas sim soberano com tendências intervencionistas, exercendo o Poder Moderador - aliás perfeitamente legal e consignado na Constituição -, que fazia com zelo, clareza de espirito, inteligência e conhecimento aprofundado das causas, o que embaraçava e irritava muitos dos seus ministros.
O seu reinado, embora muito curto (uns escassos seis anos) foi rico em empreendimentos a que esteve intimamente ligado e dos quais foi, muitas vezes, tanto o pensador como o impulsionador: inauguração e planos para a expansão rápida do caminho-de-ferro; o mesmo para o telegrafo eléctrico; concessão de liberdade a todos os escravos que desembarcassem no continente, ilhas adjacentes, Índia e Macau; início da publicação da "Portugaliae Monumenta Histórica"; exposição industrial do Porto, a primeira internacional realizada em Portugal; criação da Comissão Central de Estatística do Reino; lançamento das primeiras carreiras regulares, a vapor, da metrópole para Angola; apresentação do projecto de Código Civil; introdução do sistema métrico: criação da Direcção-Geral de Instrução no Ministério do Reino; fundação do Curso Superior de Letras (mais tarde Faculdade de Letras, projecto pessoal do Rei); melhoria do curriculum da Escola Politécnica; supressão dos morgados e capelas ainda existentes; fundação da Associação Industrial Portuguesa.
Os assuntos militares, incluindo os mais técnicos, também o interessavam profundamente, seguindo-os de muito perto. Da sua iconografia, são raros os documentos fotográficos que o representam vestido à civil, pois andava normalmente fardado, envergando o sóbrio pequeno uniforme, com seu dólman azul ferrete (escuro) sem cordões nem agulhetas e correspondente calça de mescla cinzento-azulada. Levantava-se invariavelmente às sete da manhã começando logo a trabalhar, e das três às cinco da tarde, sempre que possível, visitava, sem avisar, quartéis, hospitais, instituições públicas, incluindo assistência a aulas no Curso de Letras e na Politécnica, onde se sentava, como qualquer aluno retardatário ao fim da sala. "Isto mantém alerta os indolentes", tal como escreveu a seu tio e mentor, o Príncipe Alberto de Inglaterra, também ele um Saxe-Coburgo.
A morte inesperada em 1859, por difteria, da sua amada mulher, a Rainha D. Estefânia, alemã oriunda da casa de Hohenzollern-Sigmaringen, tornou-o ainda mais sombrio extinguindo-se ele próprio a 11 de Novembro de 1861, vitima de tifo, que também levou mais dois dos seus irmãos e incapacitou parcialmente um outro por toda a vida. Precedeu na morte, por escassas semanas seu tio Alberto, príncipe-consorte da rainha Vitória que nunca deixou de pensar que o desaparecimento do monarca português, que amava como um filho, havia precipitado também a morte do marido, escrevendo numa carta dirigida ao rei dos Belgas, seu tio Leopoldo I, também ele um Saxe-Coburgo: "A morte de Pedro é uma terrível calamidade para Portugal e uma verdadeira perda para a Europa". E sublinhou a palavra "verdadeira ".
O povo chorou-o como nunca tinha chorado um Bragança nem nunca mais choraria outro, pelo menos até hoje. Convencido de que "os políticos" tinham envenenado o Rei, às ordens de Loulé, desencadearam-se verdadeiros tumultos em Lisboa e várias casas foram saqueadas e queimadas.
Devo dizer que não se surpreendeu muito (até pelo que também aconteceu, em parte, em 2002, no primeiro centenário da morte de Mouzinho) o facto até hoje e que eu saiba, nenhum média incluindo a TV se tenha referido, ainda que fosse apenas como simples efeméride, à figura deste Rei excepcional no aniversário dos 150 anos da sua aclamação.
São os média deste país que temos, país de invejazinhas e ódios vesgos, memória curta, atolado em superficialidade, premiando a mediocridade e a falta de rigor, favorecendo a ganância pacóvia, a hipocrisia e a corrupção, boçal e incívico em extremo mas prenhe de licenciaturas ridículas e inúteis. Pequeno país virtual e em bico de pés metidos em sapatos mais ou menos engraxados, de solas furadas, escondendo peúgas por lavar há muitas décadas.
Talvez seja melhor o silêncio, sim. Não mereciam de facto, um Rei como foi D. Pedro V.

Roberto de Moraes




Esplêndida e pouco conhecida fotografia de D. Pedro V - actualmente conservada nas colecções do Palácio Nacional da Ajuda -, tirada ao tempo da sua aclamação, em 1855, por Wenceslau Cifka, um grande pioneiro da fotografia em Portugal e amigo pessoal de D. Fernando II. Foi, pelo próprio Cifka, primorosamente colorida como atesta, por exemplo, a precisa tonalidade da calça de mescla azul acinzentada -"cor de flor-de-alecrim", como ainda constava no regulamento de Dezembro de 1948 -, que foi estupidamente abolida, já bem nos nossos dias, nos anos setenta do século XX. O Rei enverga o pequeno uniforme de Marechal-General, como se vê pela bordadura da gola e dos canhões das mangas do dólman azul-ferrete, assim como pelas insígnias patentes sobre a dragona: ceptro cruzado com óculo e monograma real encimado pela coroa. Este posto, ao tempo já só apanágio exclusivo de Rei, era superior ao de Marechal do Exército e fora, no passado, atribuído também a raras personagens tais como o conde de Lippe, duque de Lafões, Wellington e, por último, em 1816, a Beresford, que já era marechal desde 1809. O posto deixou de existir em Outubro de 1910, com a queda da monarquia, pois a república não o considerou na reforma de 1911. Aqui, o soberano, de dezoito anos de idade, ainda não ostenta o bigode que mostram fotografias posteriores e leva um corte de cabelo bem similar ao de muitos jovens de hoje, incluindo os das Forças Armadas. O que talvez contribua para conferir a esta foto um estranho, insólito e quase mágico travo de intemporalidade que, não obstante a distância de 150 anos, dela se desprende, revelando bem a forte personalidade do retratado, sua clarividência penetrante e sombria, sublinhada já por um ricto de precoce amargura. R. de M.

O Esperançoso

150 anos passaram desde a aclamação de D. Pedro V. Os media, como é hábito, votaram-se ao silêncio, entretidos como sempre com as tricas políticas diárias. Na blogosfera houve excepções, como é o caso do BOS e do FGSantos, que eu tenha lido. Este monarca, com uma inteligência notável e uma cultura e saber vastíssimos, distinguiu-se dos demais. Profundo conhecedor dos dossiers e decidido a intervir na boa governação do Reino, como era seu dever, elevou-se em relação à classe política medíocre da altura, tornando-se odiado por esta e amado pelo povo. Para lembrar nesta casa “O Esperançoso”, publicarei a seguir um artigo do meu amigo Roberto de Moraes, retirado do último número do «Lanceiro», com a sua autorização. Aqui fica a minha singela homenagem àquele que foi, sem dúvida e apesar do seu curto reinado, um dos nossos mais brilhantes reis.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Activismo em alta

O número e a qualidade de acontecimentos e iniciativas na área nacional tem vindo a aumentar significativamente. Este é um óptimo sinal para o crescimento do nacionalismo em Portugal, tanto no plano político como no plano cultural.

Estive presente, na passada quarta-feira, no lançamento de um livro do Rodrigo Emílio, que correu da melhor forma. Na sala maior do Círculo Eça de Queirós lotada, assistiu-se à apresentação do “Pequeno presépio de poemas de Natal”, a cargo de António Manuel Couto Viana, seguida algumas músicas tocadas pelo José Campos e Sousa. Passou-se depois à sala de jantar, decorrendo a refeição num convívio salutar entre os presentes, para depois regressarmos à sala principal para mais umas músicas. Uma óptima noite a celebrar um dos nossos maiores poetas, infelizmente falecido no ano passado. Está de parabéns a editora Antília, em primeiro lugar plena existência, depois pelo autor escolhido para se estrear e, finalmente, pela óptima organização do lançamento.

No Dia da Restauração da Independência, marcado pelo habitual “esquecimento” dos media, foi com grande alegria que participei nas comemorações que terminaram na Praça da Figueira com um discurso do Presidente do PNR, José Pinto-Coelho, perante todos aqueles que não se demoveram, apesar do frio e da chuva torrencial.

Ao fim da tarde, tive a honra de participar no Colóquio “Portugal (in)dependente”, que foi um sucesso. Os únicos pontos negativos foram a vandalização das paredes exteriores do edifício onde se realizou o evento, por parte dos habituais intolerantes da extrema-esquerda, e a exiguidade do espaço, incapaz de albergar todos os interessados. Esta iniciativa transversal, que envolveu várias organizações nacionalistas, decorreu de forma exemplar. Depois das excelentes exposições do Humberto Nuno de Oliveira e do Miguel Jardim, seguidas de uma pequena intervenção minha, teve lugar um debate com várias participações. Para terminar da melhor maneira, pudemos apreciar, ao jantar, a gastronomia típica portuguesa e, ainda, visitar uma banca que disponibilizava diversas publicações, entre outro material.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Primeiro de Dezembro. Pessoa. Portugal!

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar 'sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

Fernando Pessoa
in "Mensagem" (1934).

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Agenda (II)

Amanhã, comemoração do 1.º de Dezembro na Praça dos Restauradores, em Lisboa, às 16 horas, e no Porto, junto à Câmara Municipal, às 15 horas.

Às 18:30 terá lugar na Casa das Beiras, em Lisboa, o colóquio “Portugal (in)dependente”, organizado pela JN, com o apoio do PNR e da CI, onde serão oradores os meus amigos e camaradas Humberto Nuno de Oliveira e Miguel Jardim e para o qual fui convidado na qualidade de moderador do debate após as intervenções.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Prioridades

Em reacção à notícia do «Diário de Notícias» de ontem que, apresentando dados do Departamento de Segurança do Ministério da Educação, revelou que no ano lectivo 2004/2005 foram contabilizadas 1232 ofensas à integridade física e 191 alunos, professores ou funcionários tiveram de receber tratamento hospitalar, na sequência das agressões, a Ministra já “desdramatizou”. Maria de Lurdes Rodrigues, responsável pela pasta da Educação, considerou os números “insignificantes” e recusou a necessidade de medidas preventivas “porque o caso não é de urgência nem gravidade, são situações normais de perturbação nas escolas, que se tenta resolver caso a caso”. Age em conformidade a dita senhora, disso não há dúvida, pois já se percebeu que para o actual (des)governo o maior problema das escolas portuguesas são os crucifixos...

A nossa guerra

Devido à notícia da morte de um militar português no Afeganistão, disse aqui que esta não era a nossa guerra. Recebi alguns reparos de dois amigos blogonautas habituais, notoriamente ocidentalistas, aos quais esclareço a minha posição.

O Islão está em guerra com a Europa, disso não tenho a menor dúvida. Está, aliás, numa posição de vantagem em que nunca esteve historicamente: é um “inimigo dentro de portas”. Assim, o primeiro passo é o reconhecimento oficial por parte da Europa deste conflito, para depois poderem ser tomadas, conjuntamente, medidas eficazes contra a estratégia expansionista e colonizadora islâmica. Esta é a nossa guerra. Por muito que não queiramos ela está na nossa terra e aqui deve ser combatida. Quando o inimigo está em nossa casa devemos combatê-lo de dentro para fora, nunca no sentido inverso.

Quanto ao argumento de que se deve “cortar o mal pela raiz”, é necessário lembrar que a fonte do fundamentalismo islâmico é a Arábia Saudita, país aliado dos EUA, que não olha a meios para espalhar a palavra do profeta, financiando grupos islâmicos e a construção de mesquitas em todo o mundo. Ora os americanos não têm qualquer interesse em romper o bom entendimento com um dos seus mais poderosos amigos geopolíticos. Nas campanhas militares que têm feito, seja no Afeganistão ou no Iraque, o seu objectivo não é erradicar o fundamentalismo islâmico evangelizando-o com o credo da democracia parlamentar. O seu único objectivo é fazer eleger governos controláveis e proteger os seus interesses económicos. A invasão americana dos países atrás citados não contribuiu para o enfraquecimento do islão, pelo contrário, fortaleceu-o.

Os EUA não têm qualquer interesse estratégico em erradicar o fundamentalismo islâmico, porque essa é uma das suas armas contra a Europa, veja-se o apoio à criação de estados muçulmanos no nosso continente, como o Kosovo e a Bósnia-Herzegovina, e a pressão para forçar a entrada da Turquia na UE.

Os EUA são o nosso adversário geopolítico, não podemos, nem devemos depender deles para a nossa guerra. Devemos, isso sim, combater urgentemente a invasão islâmica da Europa, feita através de um fenómeno de imigração maciça e submersão demográfica, e a colonização do nosso continente, pela imposição de uma religião intolerante e de costumes que nos são estranhos e até contrários à nossa cultura e civilização. Esta é a nossa guerra.

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

MICROBIOGRAFIA DE NATAL

À memória e na saudade de meu Pai,
quarent’anos depois de o ter perdido...

O que em mim mais sobressai
é a sobranceria secreta,
quando não o orgulho até,
de ter tido um pai
que era poeta,
ou lá o que é...

Mágica infância, a minha...!
... Feita de tardes, noites e manhãs
de sonho à solta e músicas de paz...
Onde isso vai, senhor’s! Onde isso jaz...
Onde isso tudo vai!

O tempo em que comigo eu tinha
a avó-madrinha,
irmãs,
o avô — o avô Thomaz —
e o pai. Principalmente, o pai!...

Sol para sempre posto,
eis que despede, porém, e ainda agora gera
renovados brilhos,
no nome e no rosto
de pérola
dos meus filhos.

Mas o mais fundo do forro
do que fui, serei e sou,
mal chega voz de socorro
que valha...

E enquanto morro
e não morro,
percorro os mais ignotos
— os mais ínvios e remotos —
meandros da cerração,
para perguntar aos mortos que horas são... Que horas serão?!...

Rodrigo Emílio
(Natal de 1994)

“Pequeno Presépio de Poemas de Natal”

A novíssima Antília Editora estreia-se da melhor maneira com o livro “Pequeno Presépio de Poemas de Natal” de Rodrigo Emílio. A obra inclui oitenta e cinco poemas de Natal, escritos por Rodrigo Emílio entre 1959 e 2003, sendo estes — na sua grande maioria — rigorosamente inéditos. Apresenta-se ainda um amplo estudo panorâmico do autor, com o título: “O Tema da Natividade na Poesia Portuguesa, a nacionalização poética do Natal e a religiosidade e regionalidade inscritas no mesmo, enquanto motivo de inspiração criadora”, e um prefácio do poeta e crítico António Manuel Couto Viana. Segundo este, “Pequeno Presépio de Poemas de Natal” vem a ser: «Mais um livro fascinante do poeta que na quadra festiva a aproximar-se breve para a nossa comoção cristã nos toca «no presépio/ como prenda», magnífica, «de Natal».

O lançamento do livro terá lugar no Círculo Eça de Queirós, sito no Largo Rafael Bordalo Pinheiro, n.º 4, em Lisboa, dia 30 de Novembro, às 19 horas, sendo a apresentação da obra feita pelo poeta e crítico António Manuel Couto Viana.




Antília Editora, Lda.
Rua 15 de Novembro, 43 - 2.º
4100-421 Porto
Telef.: 226068828
Telem.: 917885190
e-mail:
antiliaeditora@gmail.com

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Melancias

Sobre o tema da impostura ecológica, publicou o Manuel Azinhal três textos a não perder daquele que considero um dos maiores pensadores contemporâneos, Guillaume Faye, muito referido nesta casa: L'imposture ecologiste I, II e III.

Vítima mortal

Na semana passada, a morte de um militar português no Afeganistão encheu os media. Muitos não hesitaram em classificá-lo como herói. Para mim, um herói sacrifica-se pelos seus ideais, não sei se foi o caso do sargento João Paulo Pereira. Sobre os heróis, não me alargo mais, porque o BOS já disse o que havia a dizer. Sobre este acontecimento, digo apenas que na guerra morre-se, não se deve é morrer numa guerra que não é nossa.

20-N... atrasado

Lembra bem o Paulo, nos comentários, que deixei passar aqui um 20-N em branco. Na impossibilidade de assinalar atempadamente a data, resta-me remeter-vos para os arquivos do ano passado.

Conferência Nacionalista

A Conferência Nacionalista do passado sábado foi um sucesso. O único problema foi o espaço, apesar da sala ser grande muitas das quase 250 pessoas presentes tiveram que assistir de pé. Cabe-me aqui dizer apenas muito obrigado aos organizadores por esta excelente iniciativa, aos oradores pelas posições esclarecidas e a todos os presentes pelo interesse e participação. Para mais informações, aconselho a notícia sobre o evento no Portal Oficial do PNR.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Agenda

Amanhã, Conferência “O Nacionalismo e as perseguições políticas a nacionalistas”, com a participação de oradores nacionais e estrangeiros, às 14 horas, no Hotel Roma, em Lisboa.

Opiniões lúcidas

Nem todas as opiniões sobre a guerra étnica que eclodiu em França e que mantém a chama foram de acordo com o discurso oficial desculpabilizante das eternas minorias (por quanto tempo?) supostamente oprimidas. Assim, como este post já vai com uns dias de atraso, reproduzo neste “lembrete para memória futura” algumas das posições lúcidas – em especial sobre as verdadeiras razões do conflito – que tive oportunidade de ler.

No «DN» do passado sábado, Carlos Vale Ferraz, apesar de me parecer inclinar-se para uma “solução” comunitarista, recusa as tão conhecidas como esbatidas razões de ordem social. Segundo ele, “o problema não é a falta, em França e em muitos dos mais ricos países europeus, de subsídios a empregos e a cursos de formação, não é a falta de habitações sociais, ginásios e centros culturais, não é a falta de polícias de proximidade e de animadores que procuram integrar jovens das segundas gerações de magrebinos, designados por beur, e africanos à deriva, nem se resolve, por isso, atirando-lhe dinheiro e bons conselhos. O problema é muito mais complexo e profundo que a conversão dos jovens delinquentes em respeitadores cidadãos e a sua resolução ultrapassa em muito o âmbito das operações de reposição da ordem, isto porque o problema é de identidade e de referências.” Sobre a tão apregoada integração, é categórico: “A crença de que é possível a integração, de que é possível a uma comunidade esquecer ou abdicar da sua identidade histórica, genética e cultural para assumir uma outra, surge assim como uma mentira permanente, uma grosseira hipocrisia exposta e sentida tanto pelos estrangeiros como pelos autóctones.” Pensando no futuro, conclui: “não é possível constituir novas realidades nacionais e europeias com aqueles que rejeitam as suas matrizes culturais, o seu ordenamento jurídico, os seus valores, a sua visão do mundo. Com aqueles que são estrangeiros ao processo histórico que fez da Europa aquilo que ela é. Com aqueles que procuram, mesmo inconscientemente, uma vingança histórica contra o que os europeus lhes fizeram nos últimos mil anos, das cruzadas à escravatura e ao colonialismo. Para que a convivência seja possível e pacífica devemos saber que para ter as portas abertas temos de manter levantadas as paredes que as sustentam.

A reter, também, o artigo “A lição da França”, de José Manuel Barata-Feyo, na última edição da «Grande Reportagem», onde constata o “fracasso da integração social” e lembra o “choque dos belos princípios contra a dura realidade, nunca enunciada, das novas gerações de árabes e negros que só são franceses porque nasceram em França, mas cuja pátria (à falta de melhor escolaridade e de vontade de trabalhar) é a raça e a religião muçulmana...”, que considera “a raiz do problema”. Depois, faz a inevitável comparação com a imigração europeia para França, mas de uma forma séria, em contraste absoluto com os integracionsistas que insistem em não observar as diferenças óbvias entre estes dois fenómenos totalmente distintos. “Os factos são rebeldes. Milhões de italianos e polacos emigraram para França entre as duas guerras; milhões de espanhóis e portugueses fizeram outro tanto no pós-guerra. Os que quiseram integrar-se foram integrados. E mesmo os que optaram por regressar aos seus países de origem viveram diluídos no tecido social francês. Porque nem os franceses sentiam a necessidade de os excluir, nem eles sentiam a de se isolar. Os princípios e a teoria da integração funcionaram em relação a essas comunidades pela óbvia razão de que todas tinham um denominador comum, geográfico, histórico, religioso e cultural. Igual razão traça o destino diametralmente oposto das novas gerações de imigrantes oriundos de países árabes e da África Negra. Apesar de terem nascido em França, a verdade maior é que, à semelhança dos pais, já nasceram isolados: rejeitados pelos franceses que eles próprios rejeitam.” Concluindo, ciente da dimensão europeia do problema, não esquece o nosso país: “O exemplo dos subúrbios franceses acabará por se alastrar a todos os cantos da Europa onde jovens se sentem apátridas no seu próprio país. Como a França vai resolver o problema, creio que nem ela sabe. Mas acredito que chegou o tempo de Portugal retirar o indispensável ensinamento desta lição: onde se constituem comunidades apátridas, mesmo a pátria dos Direitos do Homem acaba por ter de mandar a tropa defender os valores da República. Nas suas próprias ruas.

Termino com uma referência obrigatória ao já muito citado postA espantosa complacência” de José Pacheco Pereira: “Basta haver um ar de revolta social contra o "sistema", um ar de "multiculturalismo" revolucionário dos "deserdados da terra" contra os ricos (os que têm carro, os pequenos lojistas, os stands de automóveis, os pequenos comércios), para a velha complacência face à violência vir ao de cima. Fossem neo-nazis os autores dos tumultos e a pátria e a civilização ficavam em perigo, mas como são jovens muçulmanos da banlieue, já podem partir tudo. Não são vândalos, são "jovens" reagindo à "violência policial", são "vítimas" do desemprego e do racismo dos franceses, justificados na sua "revolta", e têm que ser tratados com luvas verbais e delicadeza politicamente correcta. Os maus são as forças da ordem, os governantes, os polícias, os bombeiros e todos os que mostram uma curiosidade indevida pelos seus bairros de território libertado. No fundo, não é novidade nenhuma. Há muitos anos que é assim, que estas questões são tratadas com imensa vénia, não vão os "jovens" zangarem-se e vingarem-se. A culpa é nossa, não é?

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Um conflito europeu

A violência que se vive em França, na Alemanha e na Bélgica diz respeito a todos os europeus. Este é um ataque organizado contra o nosso Povo, a nossa Terra, a nossa Cultura e Civilização. Como muito bem alerta a associação Causa Identitária no seu último comunicado: “As imagens que nos chegam de França podem, no futuro, repetir-se em Portugal!

terça-feira, 8 de novembro de 2005

C’est la guerre!

Como era de esperar, a situação em França tornou-se incontrolável, tendo sido decretado o estado de sítio. Os ataques dos “jovens” afro-magrebinos islâmicos espalharam-se rapidamente por todo o país, atingido mais de duzentas cidades e não havendo região que escapasse.

Não deixa de ser curiosa a manchete do jornal «Público» de ontem: “A intifada francesa”. Talvez o título tenha sido motivado por alguma simpatia tradicional da esquerda, tanto para os imigrantes do terceiro mundo, como para os movimentos ditos de “libertação”. No entanto, sintetiza exactamente os acontecimentos, os seus motivos e os seus objectivos. Os “jovens”, ou seja, os descendentes dos imigrantes africanos e magrebinos, levaram para as ruas em larga escala a violência selvagem. Os seus alvos estão bem definidos. Com cocktails molotov incendeiam automóveis, que consideram símbolos dos franceses de origem, atacam edifícios públicos, a polícia e bombeiros, símbolos da autoridade e do Estado, destroem escolas e bibliotecas, símbolos da cultura europeia, bem como igrejas, símbolos da religião daqueles que consideram os “cruzados”. Toda esta ofensiva tem como fundamento o islão, utiliza como soldados jovens que preferem a vida fácil do crime e dos subsídios ao esforço do estudo e do trabalho e tem como objectivo aterrorizar a França e os seus habitantes autóctones, de modo a conseguir a criação de zonas “libertadas” onde vigore a charia – a lei islâmica -, numa clara estratégia de ocupação e colonização do país que os acolheu. Nesta intifada sui generis em solo europeu, os “jovens” desenraízados - que não se querem integrar nem respeitar o país onde estão -, motivados por um sentido de vingança histórica, usam a destruição e a chantagem para libertar o que consideram ser a “sua” terra, tendo por trás o apoio religioso do islão totalitário expansionista. É mais uma guerra contra a Europa.

Um abrir de olhos
As desculpas intelectuais dos colaboradores e idiotas úteis do costume perdem todo o sentido perante o descambar da situação. Apesar do discurso politicamente correcto, as televisões não deixam margem para dúvidas, mesmo com o controlo habitual e os repetidos pedidos de contenção. Os pulhíticos franceses, na impossibilidade de conter os “jovens”, tentaram conter os media, também sem sucesso. Como uma imagem vale mais que mil palavras, vemos claramente quem ataca e quem é atacado, enquanto a voz off nos tenta convencer do contrário, papagueando explicações desculpabilizantes.

Quando os líderes religiosos muçulmanos anunciam o repúdio pelas acções violentas, mas ao mesmo tempo exigem a demissão do Ministro do Interior e minimizam a situação lembrando as “condições de vida difíceis dos jovens”, é no mínimo suspeito. É a estratégia de dissimulação, típica do islão quando ainda não está em vantagem.

Entretanto, o conflito alastrou já à Bélgica e à Alemanha, o que prova a dimensão europeia do problema e contraria os disparates daqueles que o quiseram reduzir a um nível local. Este é o início de uma guerra de tipo novo que oporá outra vez a Europa ao Islão, mas desta vez tendo este último um “cavalo de Tróia” cada vez mais poderoso. O fosso entre nós e eles é cada vez maior. Esperemos que cada vez mais europeus abram os olhos e preparem o combate pela Nossa Terra. Reconquista!

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Barra noticiosa

Este é um post sobre um tema que já foi abordado na blogosfera (infelizmente, não me recordo onde) pelos mesmos motivos e ao qual sabia, instintivamente, que havia de regressar.

Ontem, ao assistir ao Jornal da Noite da SIC, o meu olho de revisor ortográfico revirou-se mais vezes que o costume. Para além dos maus títulos habituais e das notícias demasiado longas, consegui apontar num bloco as seguintes calinadas na barra noticiosa que ia passando no fundo do ecrã: “albúm”, “Reigões do Norte e Centro”, “mulher tailândesa” e “mosquitos tropicias”. A demonstração clara do decair dos padrões de qualidade dos media em Portugal. Nada, de resto, a que o jornalismo dito de referência não nos tenha vindo a habituar. E falo não só pelo que leio, mas também do que sei através dos desabafos de amigos jornalistas que, tendo muito orgulho no seu trabalho, se envergonham com a crescente ignorância e falta de brio profissional dos seus jovens colegas, bem como com o laxismo dos superiores hierárquicos.

Voltando à barra noticiosa, deixo duas dúvidas irónicas para aligeirar a questão: será que os jornalistas dela incumbidos são escolhidos entre os estagiários mais analfabetos, ou será que, por protesto, estes erram propositadamente?

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Ressalva sobre o aborto

Na edição de hoje do semanário «O Diabo», o Walter Ventura, que voltou a brindar-me com a publicação de um texto meu na sua coluna “Os meus blogues”, fez uma ressalva sobre o aborto nas suas “Pegadas de Pégaso” que não resisto a transcrever:

«Cumpre-me recordar que nada me move contra o historiador Rosas e seus sequazes nesta justa luta. Já aqui o disse e repito-o.
É que basta-me olhar para aquelas carantonhas pouco tranquilizadoras de um Rosas, um Anacleto Louçã e outros que tais para ver, ao vivo e a cores, a plena justificação do aborto… com efeitos retroactivos, é claro.
»

Solução: Presidente?

Os portugueses, de uma maneira geral, continuam deprimidos. A massa de arrependidos eleitorais que ajudou a eleger o actual governo contribui fortemente para este sentimento. No entanto, mesmo perante a grave situação que atravessamos, o espírito nacional continua a ser o de esperar que alguém, ou algum acontecimento, resolva miraculosamente todos os problemas.

Assim, depois do arrependimento pós-legislativas e do cartão (laranja?) mostrado nas autárquicas, as esperanças voltam-se para as eleições presidenciais. Não deixa de ser irónico, porque apesar de formalmente semipresidencialista, o sistema político português sempre menosprezou o Presidente. Já durante o Estado Novo, apesar do estipulado na Constituição, não é preciso lembrar quem mandava… Com a III República, o Presidente aparece como devendo ser uma figura de consenso e acima dos partidos. Aquilo a que poderíamos chamar um campeão do extremo-centro, um garante da manutenção da estabilidade.

Parece que hoje, seja por desespero ou por desilusão, muitas vozes se levantam a favor de uma maior presidencialização do regime – para sobressalto da “esquerda”, que já alertou para os perigos da tentação presidencialista e para o erro de se querer eleger um primeiro-ministro numas presidenciais – e por isso o candidato ideal é o técnico, o economista.

Desta vez os candidatos “políticos” estão em desvantagem. E, a concretizar-se um possível segundo lugar de Alegre, estaremos perante a morte política do clã Soares, com um “espalhanço” de fim de carreira do pai depois da segunda derrota autárquica consecutiva do filho.

Agora espera-se no nosso país uma nova maioria popular cavaquista que traga um “salvador da Pátria”. Há quem lhe chame sebastianismo; eu chamo-lhe luz ao fundo do túnel. Não no sentido esperançoso do termo, mas como uma luz que não nos ilumina mas mantém-nos a caminho. Parece que ainda não é desta que temos uma vontade nacional de salvar o barco, mas apenas de o manter à tona.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Os primeiros passos da guerra civil étnica?

Vejo nas notícias que violência dos “jovens” (termo politicamente correcto para designar os descendentes de imigrantes) em Paris – a que o FGSantos se referiu ontem – continua. Os invasores-colonizadores da Europa demonstram a sua força. Desafiando a polícia, desrespeitando as instituições, a lei, o estado de direito, consideram-se inimputáveis. Mais: assumem o seu estatuto de intocáveis nas zonas que ocuparam. Para tal contam com o apoio dos colaboradores imigracionistas, sempre prontos a considerá-los como vítimas, mesmo perante a sua atitude violenta, intolerante e provocadora. É o caso do editorial do jornal «Le Monde» de hoje, que termina lembrando o “aumento de 18,5 % dos actos violentos policiais ilegítimos alegados”. Nada como culpar aqueles que ainda nos tentam defender, porque os que nos colonizam – que ocupam ilegalmente a nossa terra e nos impõem costumes estranhos – são os eternos coitados, totalmente isentos de responsabilidades e merecedores do nosso apoio, compaixão e, já agora, dos nossos subsídios, sistema de saúde, educação, etc. Um caso típico de síndrome de Estocolmo, onde a vítima sente solidariedade para com o seu captor. E para aqueles que insistem nas eternas justificações económicas, lembro as palavras desse grande pensador contemporâneo, Guillaume Faye, no seu livro “La colonisation de l’Europe”: “já não é a miséria económica que explica um número crescente de crimes e de delitos, mas uma ruptura étnica e cultural”. Estaremos, como ele prevê, a caminho de uma guerra civil étnica em solo europeu? Para Faye, “as novas formas de delinquência, por parte dos bandos afro-magrebinos levam a supor que não já não se trata de "delinquência" no sentido clássico, mas de um comportamento de guerra civil e de revolta étnica.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Do título

Uma dúvida de uma comentadora acidental levou-me a escrever sobre o título deste blog, coisa que nunca havia feito. Pergunta-me a Su se me lembro da “célebre frase sobre a força superior da pena em relação à espada”. Penso que só pode estar a referir-se à largamente disseminada “the pen is mightier than the sword” de Bulwer Lytton. Aproveito, já agora, para lembrar que esta se trata de uma amputação, pois originalmente a frase é: “Beneath the rule of men entirely great, the pen is mightier than the sword.” Pareceu-lhe ainda que a frase inspirou o nome desta casa. Devo esclarecê-la que não. A pena pode ser realmente mais poderosa que a espada, mas o inverso pode também acontecer. É por isso devemos ser versados nestas duas vertentes, um pouco como – extrapolando – acontecia no Japão feudal, onde esse era o caminho do guerreiro, o bushido. A escolha deste título reflecte, assim, a minha postura no “combate pelas ideias”, no sentido em que devemos conjugar pensamento e acção, nunca sobrevalorizando um em relação ao outro.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Autárquicas 2005

Conforme prometido, vou fazer um brevíssimo comentário às passadas eleições autárquicas. No geral, foram reduzidas pelos comentadores do costume a uma vitória da “direita” sobre a “esquerda”, mantendo o eleitorado o habitual recurso aos cartões, atitude que, como já aqui disse, aceito, mas não compreendo.

Nesta laranjada nacional, confesso que me deram especial gozo as derrotas de Carrilho em Lisboa e Soares em Sintra. Este ano o grande destaque foi para os “candidatos-bandidos”. A classificação é do Bloco de Extrema-esquerda que, continuando a reger-se pela máxima “faz o que eu digo, não o que eu faço”, se “esqueceu” de incluir a sua única candidata eleita - tresmalhada há alguns anos do PCP – no rol dos acusados. Tirando esses tristes casos, que não merecem mais que este adjectivo, é bom verificar que o número de candidaturas independentes subiu.

Sobre o PNR, por quem fui candidato e em cuja campanha estive envolvido, registo apenas que continuou a sua progressão natural e gradual. Recuso totalmente os derrotismos dos imediatistas e os delírios dos fantasistas. O caminho é longo e árduo, mas estamos dispostos a percorrê-lo. Já o demostrámos e vamos continuar a fazê-lo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

“Casa às costas”

Nas duas últimas semanas tenho andado a mudar de casa. Marquei férias nesse período para o efeito, mas nem assim consegui transportar tudo. Quem já passou por uma mudança – e esta para mim não é a primeira– sabe do que estou a falar. Então quando a casa é nova e o dinheiro emprestado, é melhor nem falar nos problemas burocráticos: construtora, banco, luz, faxes, encarregado, água, telefonemas, vistorias, spread, repartição de finanças, gás, entre tantas outras trapalhadas que deviam ser simples e se tornam assaz complicadas.

A verdade é que ainda não mudei, nem consegui tratar de tudo. No entretanto, estive quase sem acesso à internet e envolvido na campanha eleitoral para as eleições autárquicas, das quais falarei noutro post.

Em mais uma tentativa de pôr a leitura e a escrita em dia na blogosfera, não vou prometer um regresso com assiduidade, porque acho que já ninguém acredita... Este blog tem que ser como uma revista que um amigo meu espanhol me enviava há uns anos atrás e cuja periodicidade era sale cuando puede.

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Visto à distância

Tão elogiada como criticada, a manifestação de há duas semanas pela família e contra o homossexualismo levou de novo os nacionalistas à rua. Este activismo crescente na área nacional incomoda muita gente, ainda para mais numa altura em que o estado do país é o que sabemos. De destacar a forma ordeira como, à semelhança das anteriores, a manifestação decorreu e que tanto contrasta com inúmeros protestos organizados das esquerdas.

Tempo de antena
Diz o ditado popular: “fala mal, mas fala de mim...” Não sou um defensor acérrimo desta filosofia, mas tenho que reconhecer que, apesar das muitas tentativas de menosprezar o acontecimento, este teve uma enorme divulgação através dos media. Isto na era da política-espectáculo e da teledependência é essencial. Para os que acusaram o PNR de “golpe publicitário”, só tenho a dizer que o objectivo de um protesto público é exactamente esse: ser visto. Num sistema como o nosso, onde os pequenos partidos são normalmente relegados ao esquecimento, é preciso furar o bloqueio com coragem para se conseguir ser conhecido por todos os portugueses. Diga-se o que se disser, a verdade é que abrir telejornais e chegar às primeiras páginas da imprensa é uma vitória num sistema de meios de comunicação social controlados.

Os incomodados
O que mais me divertiu foi ver os incomodados do costume a serem forçados a falar no PNR e na “extrema-direita”. Eles estavam convencidos que, nesta ditadura cultural de esquerda em vigor, a tradicionalmente inactiva área nacional nunca conseguiria crescer e dar-se a conhecer. Enganaram-se. Mesmo os melhores alunos da escola trotskista – aqueles que resistiram a dizer o nome do PNR – tiveram que referir-se publicamente à manifestação e às posições aí defendidas. Os incomodados sabem também que é assim que se consegue lá chegar. Lembro-me de um agrupamento de extrema-esquerda que fazia manobras publicitárias com muito menos participantes e que agora se senta no parlamento. Os incomodados estão irritados, porque agora são os nacionalistas que estão na rua e eles - os pseudo-anti-sistema - estão institucionalizados...

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Agradecimento público

Venho, por este meio, agradecer publicamente à Câmara Municipal de Lisboa a Mega Bandeira Nacional colocada esta semana no alto do Parque Eduardo VII, local onde se iniciará a manifestação de amanhã e que, estou certo, inspirará os participantes.

Segregação racial no Havai?

Fui sempre da opinião que a segregação racial iria voltar aos EUA, mas desta vez por iniciativa das minorias. Parece agora que os primeiros passos nesse caminho começam a ser dados. É o caso da proposta do senador democrata Daniel Akaka, o “Native Hawaiian Government Reorganization Act of 2005”. A “Akaka Bill”, como é conhecida, pretende a criação de uma “entidade de governo” para os havaianos nativos, o que significaria leis diferentes consoante a origem étnica das pessoas e abriria caminho a um separatismo racial institucional.

Esta bill só não foi votada no Senado na passada semana, como estava previsto, porque foi dada prioridade à legislação relativa aos estados afectados pelo furacão Katrina. A votação ficou adiada, não se sabendo quando será. O mais curioso é que há fortes possibilidades de ser aprovada.

Leão rosa

Ainda relacionado com o homossexualismo e a causa gay, não posso deixar de fazer aqui uma referência negativa ao Festival de Veneza, que deixei passar na minha ausência. Este ano, o Leão de Ouro para o melhor filme foi atribuído a «Brokeback Mountain», de Ang Lee, um romance homossexual entre dois cowboys. Como disse o Eurico de Barros no «DN»: “Acaba de cair um dos últimos bastiões heterossexuais no cinema: o western.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Pela família. Contra o homossexualismo.

Um programa de pedagogia homossexual - mais uma pérola do telelixo com que ultimamente os canais sensacionalistas de televisão nos presenteiam -, exibido em prime time, onde gays “reconvertem” candidatos heterossexuais para os tornar no “homem de sonho de todas as mulheres”, motivou prontamente uma justificada reacção. Contra esta acção de propaganda pública ao “estilo de vida gay”, surgiu um abaixo-assinado contra a exibição do programa, ao qual se associou a Juventude Nacionalista, e foi agendada uma manifestação com o apoio do PNR. Este protesto público, contra o lobby gay e em defesa da família e das crianças, terá lugar no próximo sábado, dia 17 de Setembro, às 15 horas, no Parque Eduardo VII em Lisboa. Óptima oportunidade para repudiar publicamente o homossexualismo, ou seja o aproveitamento político da homossexualidade, que pretende consagrar pseudo-direitos como o casamento entre homossexuais e a adopção de crianças por estes.

Todos à manif! Pela família! Pelas nossas crianças!

Katrina

O furacão Katrina e os consequentes acontecimentos em Nova Orleães mostraram um lado da América desconhecido de muitos. Ao lado do “sonho americano” existe também um pesadelo. O mundo viu que o equilíbrio social e racial nos EUA está por um fio e que as tensões são atenuadas – se não controladas – por um estado policial.

Quanto à questão racial, não deixa de ser curioso verificar que o “fardo do homem branco” subsiste. Se as vítimas são negros, o dedo acusador é prontamente apontado aos brancos “opressores”, a quem só faltou serem culpados do próprio furacão. Se, pelo contrário, as vítimas em questão são os brancos pobres que vivem em condições miseráveis – o white trash -, aí a culpa é o sistema, da sociedade, etc.

Vemos que o utópico melting pot é na realidade uma panela de pressão onde fervilham tensões raciais e sociais e onde o risco de explosão é iminente.

Dia “não”

Anteontem tive um dia daqueles em tudo parece correr mal. Espero que tenha sido o pico de uma maré de azar e que a partir de agora as coisas comecem a melhorar. Nada como o regresso à blogosfera para iniciar um período que espero que seja mais favorável. Apesar do atraso, vou tentar fazer um breve comentário aos acontecimentos mais importantes que se verificaram na minha ausência cibernética.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

Hemeroteca (IV)

O jornal “velho” de hoje é o “Diário da Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS”, do final da II Guerra Mundial, onde o destaque vai para as primeiras fotografias da bomba atómica.

Título: Alerta
Data: 29 de Agosto de 1945
N.º 2477


Na capa o destaque vai para o discurso do Papa Pio XII perante membros do congresso americano e para as primeiras fotografias da bomba atómica. Ainda no Japão, noticia-se o início da ocupação americana. Numa notícia vinda de Lisboa, dá-se conta de uma vitória diplomática do general De Gaulle em Washington. Podemos ainda ler um artigo sobre a ganederia em Espanha e uma coluna de desporto, com notícias de futebol, basquetebol, natação e tiro ao prato. Na publicidade, destaco uma secção intitulada “Anuncios por palabras”, que custavam, até cinco palavras, 2 pesetas, sendo cada palavra mais 0,25 pesetas.

Racismos (II)

Mais um caso curioso, que vi num artigo sobre o défice de melanina, na última edição da «Grande Reportagem»: “Em certos países, onde a população é maioritariamente africana, o albino é visto como um cidadão de segunda. Até há bem pouco tempo foi assim na Jamaica.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

“A democracia parlamentar está esgotada”

Esta é a frase do Prof. Marques Bessa que sobressai na capa da edição de hoje do semanário «O Diabo». Numa entrevista a não perder, o catedrático do ISCSP diz que as candidaturas presidenciais “são reveladoras da crise instalada na III República, de fim e toque a rebate. Soares e Cavaco são candidatos da gerontocracia”. Ainda sobre os “pais da pátria”, é contundente: “Chamar isso a Cavaco e a Soares é um disparate. Os "pais da pátria" são bem conhecidos de todos: D. Afonso Henriques, D. Nuno Álvares Pereira, D. Dinis, D. João I, D. João IV, Conde Castelo Melhor, Marquês de Pombal, etc. Vê algum português que depois do 25 de Abril alargou o país, o território e a economia, e nos tenha enchido de grandes propriedades e melhorado o Estado?

Quanto à elite governante, Marques Bessa é da mesma opinião de Alberto João Jardim, é constituída por “falhados”. Para ele, “está repleta de medíocres, que não tinham para onde ir e que dificilmente teriam emprego noutro sítio sem ser na política. Os portugueses de verdadeiro mérito encontram-se nos livros de História e talvez por isso já quase se boicota o ensino da História de Portugal. Qualquer dia temos, à semelhança do que se passou na URSS, um livro intitulado "A falsificação da História em Portugal".

Sobre a imigração, que considera um dos principais problemas que afligem Portugal, diz que é uma questão “perigosíssima porque não está a ser controlada. O SEF não é capaz de identificar centenas de pessoas, nomeadamente do Leste, que entram no nosso território.” Defensor de uma política de quotas para a entrada de estrangeiros, diz que “a política dos governos na área da imigração tem sido a de absorver os "dejectos", quando isso não contribui para o país progredir.

Em relação à posição de Portugal na cena internacional, afirma que o nosso país “não definiu quem é o amigo e o inimigo” e que “a certeza que se mantém é absurda. Temos de ter inimigos e esse deve ser o império americano.

A questão autárquica

A manchete de hoje do «Diário de Notícias», reflecte bem a realidade que se tornou o poder local: “Autarquias triplicam dívidas em ano de eleições”. A má gestão autárquica em Portugal é um problema nacional, alimentado por inúmeros interesses, que poucos querem ver resolvido ou têm coragem de apresentar soluções.

No mesmo jornal, José Alberto Xerez aponta medidas que, segundo ele, proporcionariam uma “uma maior eficiência e transparência da gestão municipal”. Não acredito em soluções milagrosas, mas penso que é necessário estar aberto a outras políticas e a diferentes formas de encarar realidades que se tornaram estáticas e imobilistas.

Nesta questão, para José Alberto Xerez, é essencial que se contrarie a “estrutura dirigista e centralizada” do Estado com a aplicação do princípio da subsidiaridade. Para ele, “a regra de ouro deverá ser a de que tudo o que puder ser eficazmente resolvido a um nível inferior não necessita de ser decidido a um nível superior”, o que, sinceramente, não sei se no nosso país seria possível. Por outro lado, concordo inteiramente com ele quando diz que “uma gestão autárquica eficiente exige circunscrições municipais com populações reduzidas”. Acho que se deve travar o crescimento urbano desenfreado e deixar de privilegiar as cidades como forma preferencial de ocupação do território. Quanto à fiscalidade autárquica, prevê alterações de modo a que “os munícipes, que suportam localmente com os seus impostos uma parte acrescida das despesas, terão uma maior apetência para analisar como os seus dinheiros foram gastos”. Este é um ponto muito importante, já que possibilitaria a aplicação de uma democracia local directa, ligando as pessoas à sua terra, quando “as grandes prioridades estratégicas da política autárquica fossem referendadas localmente”.

Perseguição política

Apesar do atraso, não posso deixar de referir aqui o revoltante caso de perseguição política feita pelo ACIME ao PNR e manifestar a minha solidariedade e o meu total apoio ao camarada Carlos Branco, delegado distrital do PNR no Porto.

Os agentes da ditadura do politicamente correcto querem, à viva força, instituir que a defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses é “racismo” ou “xenofobia”. Neste caso concreto, na sequência de uma campanha “pelo comércio tradicional, contra a invasão do comércio chinês e a proliferação de grandes superfícies”, levada a cabo pelo Núcleo do Porto do PNR, foi apresentada pelo ACIME na Polícia Judiciária uma queixa por “racismo” (!!!), sendo o delegado distrital consituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência.

Tanto o Núcleo do Porto como a Comissão Política Nacional do PNR já emitiram comunicados a denunciar este caso escandaloso. O combate nacional é cada vez mais difícil, mas nem por isso os nacionalistas o abandonarão!

Antes fosse...

A minha ausência prolongada da blogosfera, fez com que o meu amigo Rebatet pensasse que eu tinha ido de férias. Infelizmente, para esse período ainda me faltam uns “mesitos”. Acontece que, com o computador de casa no “estaleiro”, com os meus colegas de férias e uma semana de Agosto longe de ser “parada”, e um fim-de-semana fora para aliviar pelo meio, tem sido impossível actualizar o blog. Agora que tenho uma aberta, toca de pôr a leitura e a escrita em dia.

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

Civilização

«Uma civilização, por mais superior que seja, não passa de um colosso com pés de barro, se o nervo viril perde o vigor.»

Ernst Jünger
in “A Guerra como Experiência Interior”

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Sobre História

Da revista «Futuro Presente» referida no post anterior, reproduzo aqui a “Nota sobre História”, da autoria de Roberto de Moraes, publicada no final do artigo “Na esteira da Grande Guerra”, por concordar inteiramente com a sua posição sobre esta disciplina, que também é a minha.

Nota sobre História:
É justamente quando escrevo sobre História, a minha disciplina, que mais procuro proteger-me do pecado de “sabedoria retrospectiva”. A escrita da História está muito exposta à contaminação do presente, ao conhecimento do que se passou entre o então e o agora. Entender e sentir o estilo e o ser das camadas humanas de épocas passadas, constitui viático que muito pode ajudar. Quem politiza ou diaboliza a História, pode eventualmente aviar interesses ou cuidar de desideratos de outras ordens, mas não serve, com certeza, nem o homem honrado, nem a própria História.


Roberto de Moraes

“Inquérito sobre a Europa”

Só hoje li o último número da revista «Futuro Presente», o 57, referente aos meses de Maio e Junho, dominado pelo “Inquérito sobre a Europa”. Sob o tema central da questão europeia, podemos ler “Reflexões sobre a História recente”, de Jaime Nogueira Pinto, seguida de uma entrevista feita por este último e por Miguel Freitas da Costa ao Professor Martim de Albuquerque, e ainda, a visão económica de José Alberto Xerez em “Constituição europeia ou o fim da Europa?” e um olhar histórico de Roberto de Moraes sobre a Primeira Guerra Mundial intitulado “Na esteira da Grande Guerra”. Para além da concordância, ou não, com as posições tomadas, este é, sem dúvida, um conjunto de textos a não perder, pela sua qualidade e rigor, bem como pela actualidade e importância do tema.

domingo, 7 de agosto de 2005

Racismos

Na última edição do «Courrier Internacional», li na secção “Palavras ditas” uma citação curiosa de Blackman Ngoro, conselheiro em comunicação do presidente da câmara do Cabo, cidade onde fica o parlamento da África do Sul: “Os africanos são culturalmente superiores aos mestiços. Estes últimos, a menos que passem por uma transformação ideológica, morrem das sequelas do abuso do álcool”. Só falta mesmo os “especialistas” do costume virem dizer que afirmações destas ainda são culpa do apartheid

Remodelação

Esta casa andava há muito tempo necessitada de algumas novidades no campo estético. Comecei pelo banner - foi prenda de aniversário do meu cunhado (Obrigado!) - e com uma citação de um dos autores que mais me marcaram. Ainda estou a considerar outras alterações, a introduzir gradualmente. A ver vamos…

sábado, 6 de agosto de 2005

Realidade nuclear


Sessenta anos volvidos, servem estas linhas para lembrar o holocausto nuclear com que terminou a II Guerra Mundial: o massacre de Hiroshima, a que se seguiria, três dias depois, o de Nagasaki. O genocídio perpetrado pelos “bons” arrastar-se-ia durante anos, revelando ao mundo o horror da guerra atómica.

O fim da guerra fria fez desaparecer o temor generalizado de um conflito mundial com recurso ao armamento nuclear. No entanto, essa possibilidade mantém-se e em contornos muito mais tortuosos. Analisando os países detentores de armas nucleares, verificamos que à cabeça estão os EUA, ou seja, os únicos que já “usaram o anel” e os que mais facilmente poderiam ter uma recaída. A seguir está a Rússia, onde se mantêm muitos dos problemas inerentes ao fim da URSS e ao crescimento caótico e galopante de uma economia capitalista. Depois, um dos maiores perigos do futuro: a China, um monstro em desenvolvimento. Na Europa, temos o Reino Unido, sempre toldado pelo seu atlantismo excessivo, e a França, a verdadeira potência nuclear europeia. No clube de alto risco está, em posição destacada, Israel, que tenta a todo o custo esconder a real dimensão do seu arsenal, seguida dos inimigos figadais Índia e Paquistão, com a sua guerra fria em miniatura localizada, terminando com a Coreia do Norte, com a sua estratégia de chantagem.

Concluindo, por muito que alguns queiram, o mundo não está a safer place no que respeita à eventualidade da utilização de armas nucleares.

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

A religião dos direitos do homem

Ao ter conhecimento das declarações de hoje do primeiro-ministro britânico que, sob a tónica do “abusaram da nossa confiança”, referindo-se aos bombistas, disse que “as regras do jogo mudaram” e que “não serão tolerados mais abusos no país”, garantindo que o Reino Unido só receberá “quem estiver disposto a partilhar os valores”, lembrei-me da definição de Guillaume Faye de “direitos do homem” cuja entrada, com o mesmo título na sua obra excepcional “Pourquoi nos combattons”, reproduzo abaixo. Um texto de leitura essencial, ainda para mais porque Tony Blair anunciou uma alteração das políticas de extradição e o repensar da filiação do país à Convenção Europeia dos Direitos Humanos, tudo para “agilizar a expulsão de quem defende o terror”.

Direitos do Homem
Aparelho central da ideologia moderna do progresso e do igualitarismo individualista, e meio de instaurar uma polícia do pensamento como uma destruição do direito dos povos.

Síntese da filosofia política (muitas vezes mal compreendida) do século XVIII, o direito-do-homismo é o horizonte incontornável da ideologia dominante. Com o anti-racismo, funciona como um dos dispositivos centrais do condicionamento mental colectivo, do pronto-a-pensar e da paralisia de toda a revolta. Profundamente hipócrita, a ideologia dos direitos do homem acomoda-se de todas as misérias sociais e justifica todas as opressões. Ela funciona como uma verdadeira religião laica. O “homem” não é aqui mais do que um ser abstracto, um consumidor-cliente, um átomo. É impressionante constatar que a ideologia dos direitos do homem foi formulada pelos conventionnels da revolução francesa imitando os puritanos americanos.
A ideologia dos direitos do homem conseguiu legitimar-se fundamentando-se em duas imposturas históricas: a da caridade e da filantropia, assim como a da liberdade.
O “homem” (noção já bastante vaga) não possui direitos universais e fixos, mas apenas aqueles que decorrem de cada civilização, de cada tradição. Aos direitos do homem é necessário opor duas noções centrais: a dos direitos dos povos (ou o “direito das gentes”) à identidade, e a de justiça, sendo esta última variável consoante as culturas e supondo que todos os indivíduos não são igualmente respeitáveis. Mas estes dois conceitos não poderão assentar no pressuposto de um homem universal abstracto, mas antes sobre o dos homens concretos, localizados numa cultura.
Criticar a religião laica dos direitos do homem não é evidentemente fazer a apologia da selvajaria, pois a ideologia dos direitos do homem caucionou muitas vezes a barbárie e a opressão (o massacre dos vendéens ou dos índios americanos). A ideologia dos direitos do homem foi demasiadas vezes o pretexto de perseguições. Em nome do “Bem”. Ela não representa de maneira nenhuma a protecção do indivíduo, tal como o comunismo não representava. Pelo contrário, ela impõe-se como um novo sistema opressivo, fundado sobre as liberdades formais. Em seu nome, vai legitimar-se, desprezando toda a democracia, a colonização populacional da Europa (qualquer um, não importa quem, tem o “direito” de se instalar na Europa), a tolerância em relação às delinquências liberticidas, as guerras de agressão feitas em nome do “direito de ingerência”, a inexpulsabilidade dos clandestinos colonizadores; mas esta ideologia não se pronuncia sobre a poluição maciça do ambiente ou sobre a selvajaria social provocada pela economia globalizada.
A ideologia dos direitos do homem é hoje sobretudo um meio estratégico de desarmar os povos europeus culpabilizando-os em todos os domínios. Ela é a legitimação do desarmamento e da paralisia. Os direitos do homem são uma espécie de assunção perversa da caridade cristã e do dogma igualitário segundo o qual todos os homens seriam iguais.
A ideologia dos direitos do homem é a actual arma central de destruição da identidade dos povos e da colonização alógena da Europa.

Guillaume Faye

in “Pourquoi nos combattons”, 2001.

As chamas do lucro

O país está de novo a arder mas, apesar das condições climatéricas e o desordenamento florestal serem propícios aos incêndios, sabemos que por trás da maioria dos fogos está uma mão criminosa. O que a move? Será que a motivação de tanta destruição é o lucro? Será que vamos ter, em breve, Portugal de novo em cinzas apenas devido à eterna ganância gerada pelo vil metal?

José Gomes Ferreira, subdirector de informação da SIC, escreveu um artigo intitulado “A indústria dos incêndios” onde garante que “há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada”. Um artigo corajoso, que põe o dedo numa ferida sobre a qual poucos querem falar, onde são apresentadas várias questões incómodas sobre a realidade dos incêndios, ao que se segue uma série de propostas do que o Estado podia – e devia – fazer, com as quais estou totalmente de acordo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Casos da Língua

Nos comentários ao meu post intitulado Fact checker, o Dragão solicitou-me que confirmasse o termo utilizado para definir a HK MP5. Eu chamei-lhe “pistola-metralhadora” e ele “submetralhadora”; estamos ambos correctos, já que estas definições referem-se ao mesmo tipo de armas. Há ainda outro termo para as designar que é “metralhadora-de-mão”, mas que caiu em desuso.

Aquela que é considerada a primeira pistola-metralhadora da História foi a italiana Villar Perosa, introduzida em 1915, mas que não originou nenhum termo específico para designar esse novo tipo de armas. A primeira designação, que subsistiu até hoje, deve-se à alemã MP-18, criada por Hugo Schmeisser, que viria a notabilizar-se com a famosa MP-40. As iniciais MP são da palavra alemã Maschinenpistole, que entrou na língua portuguesa através da sua tradução directa “pistola-metralhadora”. No entanto, em 1921, do outro lado do Atlântico, o americano John Thompson apresentou uma arma a que chamou “Thompson Submachine Gun”, que seria um sucesso e viria a ser conhecida por “Tommy gun”. O termo submachine gun passou, daí em diante, a designar “pistola-metralhadora” no continente americano, passando para a língua portuguesa, por via brasileira, através da sua tradução directa “submetralhadora”. Ainda hoje, é mais comum no Brasil dizer-se “submetralhadora” e em Portugal “pistola-metralhadora”. O significado de ambos os termos é idêntico, apenas a sua origem etimológica é diferente.

terça-feira, 2 de agosto de 2005

560

Recebi uma mensagem de correio electrónico sobre o Movimento 560, uma iniciativa louvável de quem considera fundamental apoiar a produção nacional e apela a que se comprem produtos portugueses. O nome do movimento é inspirado nos três primeiros algarismos do número existente no código de barras dos produtos portugueses. A apoiar e divulgar, porque o proteccionismo começa em casa.

Blogs n'O Diabo (IX)

Há duas páginas que considero obrigatórias no semanário «O Diabo» e, por isso, aconselho-as todas as terças-feiras. Assim, não podia deixar de mencionar aqui “O Diabo a Sete” do Walter Ventura, hoje com o artigo “Apelo ao voto”, seguido da coluna “Os meus blogues”, desta vez com o Manuel Azinhal, que está de parabéns pelos dois anos de Sexo dos Anjos, e as habituais “Pegadas de Pégaso”.

Passadismos

Carlos Blanco de Morais analisa hoje no «DN» a possível candidatura presidencial de Mário Soares, começando por citar os argumentos do próprio há dois meses atrás na televisão, naquela que considera “uma candidatura fora de prazo”. Depois, desmontando as quatro razões apontadas para a candidatura do ex-presidente, conclui que “Soares presidente seria, assim, o mais temível adversário do Governo”.

Na minha opinião, a concretizar-se a candidatura, este será, sem dúvida, o sapo mais velho e mais gordo que o actual primeiro-ministro irá engolir. A recente novela presidencial demonstra bem o apodrecimento da III República, estrangulada por uma “esquerda” supostamente maioritária e declaradamente passadista, sem soluções para o futuro. Vemos hoje que os “revolucionários de abril”, são, na realidade, conservadores paralíticos, agarrados ao sonho que nunca conseguiram concretizar. Como diz o povo – aquele por quem todos lutam e de quem todos se esquecem – “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Hemeroteca (III)

Hoje trago-vos uma revista de informação dos anos 80 ligada à Torralta, com edições em português, francês e inglês, que apostava no mesmo formato das revistas internacionais de então.

Título: Espaço T Magazine
Data: Agosto de 1981
N.º 14
Director: José Miguel Júdice


A capa é ilustrada com o famoso entertainer narigudo da altura, Júlio Isidro, figura de proa do programa de televisão de sucesso “Passeio dos Alegres”. De seguida, podemos ler um artigo sobre o Príncipe Carlos e a sua recente esposa Lady Diana, com uma previsão astrológica do seu futuro juntos. Entre outras, há uma reportagem sobre “o comboio dos imigrantes”, de um jornalista que fez a viagem Paris-Lisboa acompanhado dos portugueses que lá trabalhavam, e outra sobre Israel, da autoria de António Mega Ferreira. De destacar, também, o texto sobre a Batalha de Ourique, de José Valle de Figueiredo, e o artigo “Virgindade: Tabu em decadência”, sobre a mudança de mentalidades e atitudes na sociedade portuguesa. Como cronistas temos Adriano Moreira, Sottomayor Cardia, Rogério Martins e António Alçada Baptista. Na publicidade abundam os anúncios ao complexo turístico de Tróia e aos casinos de Vilamoura e Alvor.

Aaltramente

Rir da desgraça dos outros? E se os “desgraçados” também o fizerem? E se, ainda por cima, se aproveitarem da sua condição para abusar da boa vontade alheia? É o que acontece em “Aaltra”, um road movie de cadeira de rodas, filmado a preto e branco e com muito grão, tão áspero como a realidade que retrata. Um festival de humor negro, do mais politicamente incorrecto do que há. Já aqui havia falado dele e ontem fui finalmente vê-lo ao cinema King, o único onde está a ser projectado. Dei umas valentes gargalhadas, por situações daquelas sobre as quais não é suposto rir. São as que sabem melhor! Um excelente filme, especialmente para quem não tem já paciência para as tão abundantes comédias - ditas familiares - americanas.



Escrito, realizado e interpretado por Benoît Delépine e Gustave Kerven, esta comédia negra é uma história de dois vizinhos que nutrem um ódio mútuo, comme il faut, sobre os azares da vida e a falta de escrúpulos, e sobre a natureza humana, tendo como pano de fundo uma viagem pelo mundo rural da Europa do Norte. Um filme onde os protagonistas principais são dois paralíticos que não inspiram pena de espécie alguma, antes pelo contrário...