sexta-feira, 31 de dezembro de 2004

O ano que passou

Blog

Foi este o ano em que iniciei o meu blog pessoal. Devo à Blogosfera os meus parabéns por ser um espaço de pensamento e debate livre, acima da ditadura cultural e mediática. Aos meus companheiros bloggers, aos meus leitores assíduos e a todos os que visitam esta casa, um sentido obrigado.

Futebol

O país parou com o Euro 2004 e andou alegre por uns tempos, mesmo apesar de termos perdido a oportunidade de nos sagrarmos campeões. Na altura, vi nas notícias que quando havia jogos a violência em Israel parava. Lembremo-nos que o futebol foi o único desporto que os taliban não conseguiram proibir. Goste-se ou não, não podemos subestimar o poder deste fenómeno.

Baixa

Baixa é a política em Portugal, a mostrar que é possível ser pior que os piores, a fazer lembrar a bandalheira da I República. E lá vamos continuando no atoleiro, sem lugar para mudanças, que o rabo pesa quando é para se levantar da cadeira do poder.

Lá fora, a ilegalização do Vlaams Blok, a perseguição aos dirigentes do BNP, entre outros episódios, demonstram bem o medo dos totalitaristas daqueles que ousam pensar, ousam mudar.

Choque

O “Choque das Civilizações” está aí, quer queiram quer não. Como aqui já escrevi, não escolhemos os nossos inimigos. O Islão declarou guerra à Europa e só os mundialistas de vistas curtas não vêem (ou não querem ver) que a espiral de violência não se vai atenuar. 11 de Março, Beslan, Theo Van Gogh, foram picos daquela que é uma guerra declarada e consciente.

Europa

A Europa está na encruzilhada. Ou prepara a nova Reconquista, ou assina o seu bilhete de suicídio. Debaixo de fogo (invasão, colonização, terrorismo, Turquia, mundialismo, descaracterização, EUA, capitalismo selvagem, dependência energética, etc.), tem que reencontrar-se, unir-se e elevar-se, qual Fénix renascida, tornando-se uma super-potência, preparando as batalhas do futuro.

Adeus

O Rodrigo deixou-nos. Senti um frio na espinha quando recebi a notícia naquele fim-de-semana. Ia reencontrá-lo ao fim de uns anos num jantar de amigos na Quarta-Feira seguinte; ficou adiada a conversa. Por enquanto, vou matando saudades nos livros, nos blogs e, como no momento em que escrevo estas linhas, a ouvi-lo na voz do Campos e Sousa.

Rodrigo Emílio foi um dos maiores poetas pátrios e o mais injustiçado. Espero que a sua partida abra caminho a que se faça justiça à sua obra e ao reconhecimento do seu talento, pois o seu génio é imortal.

Adeus Rodrigo, de “braço ao alto, sonho ao léu…

quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

Aniversários


Hoje estão de parabéns o Metropolitano de Lisboa e o «Diário de Notícias», que fazem, respectivamente, 45 e 140 anos. Do primeiro fui um grande utilizador, hoje só ocasionalmente. Ainda me lembro das carruagens vermelhas e brancas e da linha que, para mim, começava em Alvalade e bifurcava na Rotunda para terminar em Entre Campos ou em Sete Rios. Hoje a rede do Metro cresceu, algumas estações mudaram de nome, outras foram embelezadas e o mais importante é que retomou um ritmo de crescimento, à semelhança dos primeiros anos de existência. Lembremo-nos que no período de 1972 a 1988, por entre “revoluções” e “nacionalizações”, o Metro morreu temporariamente. Esperemos que não se repita.


Quanto ao «DN», é um jornal que se tornou uma referência nacional. Tem vivido momentos piores e melhores. Este ano não se pode considerar dos melhores, com mudanças de direcção e alterações no jornal. O pior, na minha opinião, foi a saída de Vasco Pulido Valente, que rapidamente passou para a concorrência, e a entrada de Vicente Jorge Silva. Enfim... O «DN» foi um jornal inovador quando nasceu e espero que continue a sê-lo com quase século e meio de existência.

terça-feira, 28 de dezembro de 2004

Ucrânia

À terceira é de vez… Tudo aponta para que se concretize a esperada vitória de Iuchtchenko, o candidato pró-ocidental (leia-se pró-americano), nas eleições presidenciais ucranianas. O mundo observa com atenção o desenrolar de acontecimentos neste país que é a ponte natural entre a Europa e a Rússia.

A Ucrânia é um país dividido; étnica, linguística, cultural e historicamente. De um lado, um país rural, mais próximo do Ocidente, isto é, ansiando o capitalismo coca-cola, mas com raízes mais próximas da Europa, do outro, um herdeiro do pesado passado industrial soviético, russófono e que olha com histórica desconfiança os ventos de mudança americanos. A Europa perde aqui a oportunidade de marcar posição como futura super-potência e de construir a sua ligação à Rússia.

Os EUA sabem que é na antiga cortina de ferro que se jogam importantes pedras da actual geopolítica. Como sempre, actuam impunemente perante uma Europa encolhida e servil. É a Guerra Fria revisitada, um conflito entre os Estados Unidos e a Rússia, com a Europa de cócoras.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

Turquia (VII)

Na Grécia, país berço da nossa civilização e profundo conhecedor dos seus vizinhos, 62% dizem não à adesão da Turquia à UE. Os europeus vão-se insurgindo, por toda a Europa, contra este golpe mortal contra o seu Continente. É tempo de dizer com determinação: Não à Turquia na Europa!

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Solstício de Inverno

A mãe entrançou a coroa do Advento,
Entrançou-a com ramos bem verdes,
Que tirou do grande abeto sempre verde.
Uma vela arde na coroa. Todos meditam.
Certamente, tudo irá bem, porque assim o desejamos,
Como os pais o desejaram e como desejarão os de amanhã.
Sabem que, apesar de tudo, a vida é assim.
É o dia mais curto do ano.
O de amanhã será maior, o Sol regressará.
É a grande festa do Inverno, dia de alegria,
Alegria calma, penetrante, que cada um encontra no fundo de si
Diante da pequena chama que bruxuleia no candelabro.
Cada um refaz o caminho percorrido.
A inquietação nasce no coração do homem se ele esquece
As leis da vida.
Um grande silêncio. Uma força enorme.
Como uma grande espera.
Diante da pequena chama que cintila agora no candelabro de pedra,
Cada um reencontra a confiança na sua força.
Alegria triunfante de quem guarda a esperança.
O Sol triunfará.
O pai acende a fogueira de Natal e, nos seus olhos,
Há também uma grande chama.
O fogo claro sobe na lareira.
A casa está cheia de calor e luz.
Todos meditam.
Todos prometem guardar fé em si mesmos
E na vida.
Em todos se eleva uma força nova.
A vida triunfará.

Jean Favre

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

Turquia (VI)


As mesquitas são as nossas casernas,

Os minaretes as nossas baionetas,
As cúpulas os nossos capacetes
E os crentes os nossos soldados.

Este poema é da autoria de Recep Tayyip Erdogan, o islamita “moderado”, actual primeiro-ministro da Turquia, que conseguiu impor à Europa, enfraquecida por complexos e condicionada pelos ditames do politicamente correcto, a abertura das negociações para adesão do seu país à UE. O poema valeu, em 1994, quatro meses de prisão a Erdogan, na altura presidente da câmara de Istambul.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2004

Turquia (V)

Quando já se percebeu que vai ser aprovada a abertura de negociações com a Turquia para a adesão à UE, merecem destaque as declarações de Muammar Kadhafi, presidente da Líbia, que considerou que “a Turquia será o cavalo de Tróia do mundo islâmico na União Europeia” e que “o mundo islâmico, nomeadamente os extremistas islâmicos, incluindo Bin Laden, vão congratular-se com a adesão da Turquia”. A Turquia não é europeia. Os efeitos da sua entrada na UE são bem conhecidos por americanos, islâmicos e pelos europeus preocupados com o futuro do seu continente. Só os eurocratas parecem querer ignorá-los. Como diz a sabedoria popular, mais cego é o que não quer ver…

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Argélia na OTAN

Segundo notícia do World Tribune, a OTAN considerou a Argélia como “o seu parceiro modelo no Médio Oriente”. Parece a sequela do filme “A Turquia como arma de arremesso americana contra a Europa”... Com a Turquia em vias de se tornar membro da União Europeia, os americanos verificaram que a estratégia funciona e decidiram aplicá-la a outros países islâmicos, começando pela Argélia e a que se seguirão provavelmente países como Marrocos, Tunísia ou Egipto. É simples, pelo seu “interesse estratégico”, estes países tornam-se membros da OTAN com o apoio dos americanos, depois, quando estiverem “suficientemente ocidentalizados”, no que respeita ao governo fantoche e a uma élite minoritária e privilegiada, nunca à população cada vez mais fundamentalista, contam com a pressão dos EUA aderirem à UE. É mais um episódio do choque das civilizações, com o governo americano a querer impedir a todo o custo a criação a longo prazo de uma super-potência europeia. Perante esta estratégia, os islamitas agradecem e aproveitam a oportunidade para continuarem a levar a cabo, impunemente, a islamização e colonização da Europa.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Discriminação positiva (II)

Fiquei a saber, através do Diário de Notícias, que algumas universidades brasileiras decidiram avançar com a implementação de uma política de discriminação positiva, criando quotas para negros. A polémica está instalada, já que uma decisão judicial considerou a medida anti-constitucional. O juiz federal, Mauro Spalding, considerou que “atacar a causa pelo efeito há muito que se demonstrou ineficaz. Assim como a violência não se resolve com violência, as segregações racial e social não se resolvem com medidas discriminatórias como aquelas previstas na norma administrativa que concede quotas”.

Como já escrevi neste post, citando Guillaume Faye, um dos maiores pensadores contemporâneos, considero a discriminação positiva racista e discriminatória. Ora vejam, parte do princípio que os negros são inferiores e devem ter alguma dificuldade natural, necessitando de tratamento preferencial, permitindo-lhes assim contornar o processo natural de selecção escolar com base apenas na cor da sua pele.

Para aqueles que justificam estas políticas porque constituem uma compensação histórica, lembro-lhes que, se fossemos aplicar essa ideia à luz da História Mundial, com certeza andaríamos todos a “pagar” uns aos outros para toda a eternidade… Por que deve um branco ceder o seu lugar a um negro no acesso ao ensino superior? Porque o seu bisavô foi esclavagista? E que fosse! Que tem ele que ver com isso? No campo da escravatura, aliás, deve-se aos europeus e aos ocidentais em geral o seu fim. Mesmo assim devem ser penalizados?

É curioso como os supostos anti-racistas negam a existência de raças, mas concordam com políticas de discriminação positiva baseadas na – espantem-se – raça! Para além disso, salta à vista que estas medidas não vão contribuir para a “integração”, mas pelo contrário vão acentuar, por vezes criar, conflitos sociais e raciais. Este caso é no Brasil, pensem como se sentirão todos os cidadãos brasileiros, seja qual for a sua origem, que não sejam negros, ao saberem que o seu filho terá menos hipótese de ingressar no ensino superior por causa da sua raça e não por causa do seu aproveitamento?

domingo, 12 de dezembro de 2004

Circo de três pistas

1. Presidente da República – Já se sabia o que ia anunciar, só faltavam as justificações. Demorou tanto tempo, que se esperava material original. A montanha pariu um rato… Confirmou-se que Sampaio esperou por Sócrates para tomar a única medida memorável durante todos os anos que esteve em Belém. Não deixará saudades.

2. Governo – Santana voltou ao seu terreno, o do espectáculo. Deve estar aliviado, aquela coisa da governação era chata como tudo. Ler dossiers? Livra! Demitiu-se depois de demitido, atacou Sampaio depois de ter cessado hostilidades. It's show business... Portas também sabe jogar a este jogo. Afinal, os ministros do CDS portaram-se bem, o problema eram os outros. Mas, não se preocupem, é fiel à coligação. A campanha está aí e em força.

3. Sistema – Está visto e revisto que é uma paródia. Provou que não funciona e que nem os seus maquinistas o entendem. Não deixa de ser irónico que, apesar de nos fartarmos de ouvir apelos à sociedade para intervir politicamente e para se envolver no processo decisório, assistimos ao complicar de um sistema já de si complicado e com o qual os cidadãos não se identificam nem se querem identificar. Apesar de apelar à participação, o sistema afasta as pessoas. Evita os referendos, dificulta a constituição de novos partidos, deseja a extinção dos partidos sem representação parlamentar, etc. O sistema veda o seu charco para evitar pedradas.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

Coligações

Estava a ler o post «Ena tantos!» do Pedro Guedes e decidi deitar mais umas achas para a fogueira. Parece que, para enfrentar a provável união de forças entre o neo-guterrismo dialogante e os bloqueados de extrema-esquerda, a expectável coligação entre PSD e CDS conta com diversos pretendentes, a saber, PPM, MPT e PND. A concretizar-se esta verdadeira equipa de futebol de salão político, proponho desde já uma designação: Trem de Cozinha Eleitoral, onde todos têm um tacho.

Turquia (IV)

Recep Tayyip Erdogan, o primeiro-ministro islamita turco, está em Bruxelas para uma série de reuniões antes da cimeira que deverá lançar a adesão da Turquia à União Europeia. Não foi disposto a negociar, mas decidido a impor a sua vontade. Erdogan partiu logo na ofensiva, enumerando condições não-negociáveis, entre as quais a recusa do reconhecimento da República de Chipre, já membro da UE.

É absolutamente inacreditável a superioridade com que o governo turco se dirige à Europa, muito devida à protecção do amigo americano e à cobardia dos governantes europeus. É o caso de Jan Peter Balkenende, primeiro-ministro da Holanda, país que detém actualmente a presidência da UE, que apresentou já uma terceira versão da declaração final da cimeira com alterações favoráveis às exigências da Turquia. Os otomanos ordenam e os europeus baixam as calças... São os eurocratas de joelhos recebendo de braços abertos o cavalo de Tróia do Islão, numa atitude etnomasoquista e eurossuicidária.

Turquia na Europa? Não, obrigado.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

Independência

O Francisco Nunes, do muito recomendável Planície Heróica, escreveu um comentário no post do Advento, mas que se refere ao post anterior. Entusiasta que sou da participação dos que me lêem, agradeço-lhe o comentário sobre o qual passo a reflectir.

Diz o Francisco: “Vou ser politicamente incorrecto: Não sei se merecemos ser independentes”, obrigado pela postura, o politicamente correcto é algo que se abomina nesta casa, em relação à sua dúvida, choque quem chocar, também a tenho.

Continua: “O meu pai e o meu tio fizeram a guerra em África. Acreditavam que defendiam Portugal. Talvez...” Os meus avôs e o meu tio também, acho que acreditavam no mesmo, pelo menos na defesa de um Portugal que já não existe. O Estado Novo, nos seus anos do fim, convenceu os portugueses que o nosso caso era diferente do dos outros países europeus, apesar de todas as independências africanas e da anterior perda da Índia portuguesa. Queria tapar o Sol da Europa com a peneira de África… Não me entendam mal (eu tenho que fazer sempre esta ressalva), tenho o maior orgulho em todos os que combateram no Ultramar português, e tenho a certeza que, se na altura não passasse de um bebé de colo, estaria a seu lado. No entanto, esse período terminou. Foi uma fase da História Pátria e não um destino nacional. Hoje, Portugal reencontrou a sua mãe Europa e deve juntar-se a todos os seus irmãos na sua defesa perante a invasão do Islão e a colonização levada a cabo pelos seus ex-colonizados.

Diz ele: “O que é certo é que após o 25 de Abril chegaram ao poder todos os 'corajosamente fugidos' e, destruída a nossa estrutura económica e social, mas politicamente independentes, alguns portugueses falam em risco de se perder a independência, mais do que em moralizar esta 'macacada'...”, sou obrigado a concordar. Os nossos bravos morreram em África, foram presos a seguir à abrilada, ou voltaram tão desmoralizados que pensaram tudo estar perdido. Os corajosamente fugidos, como tão bem os apelida, (des)governam desde então o nosso rectângulo e os resultados estão à vista… Em relação à moralização das instituições, dos governantes, da sociedade em geral, acho-a essencial para sermos realmente independentes. Por outro lado, considero que a verdadeira independência vai muito para além do “politicamente”. Todos os dias vamos destruindo a nossa Língua, os nossos valores, costumes e tradições, vamos esquecendo a nossa História, a ligação à nossa terra e as nossas origens. Estamos a esquecer-nos que somos um Povo e a transformarmo-nos numa massa indiferenciada e descaracterizada, como muito bem ordenam os ditames da globalização. Estes são os pilares da verdadeira independência, que hoje em dia se vão corroendo. Até quando?

Dá que pensar...”, dá sim senhor, mas é para isso que cá estamos, por essa blogosfera fora. “Não será melhor justificar primeiro que merecemos ser independentes? Que isso será de facto o melhor para os nossos filhos?” Não acho que seja melhor, acho que essa justificação é essencial e devemos fazê-la através da conservação dos pilares da verdadeira independência. Só assim os nossos filhos podem herdar Portugal.

Em post scriptum, o Francisco termina: “Não se interprete mal o que escrevi, não estou a pensar apenas com o estômago, estou a pensar em Dignidade, valor muito em desuso por estes dias...”, acho que não o interpretei mal, aliás fez-me reflectir nesta questão, que penso ser a sua intenção. Dignidade, ainda há quem a tenha, mas infelizmente não está só em desuso, há mesmo quem parece querer fazer desaparecer este valor fundamental.

Um abraço, Francisco Nunes e, mais uma vez, obrigado pela sua participação.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

O Advento

Åsgårdsreien, Peter Nicolai Arbo (1872)

A palavra “avent”, registada desde o século XII, representa um empréstimo do latim adventus, “chegada”, empregue na linguagem eclesiástica para designar a Natividade de Cristo. A forma “advent”, conservando o “d” de origem, manteve-se até ao século XVI. O plural avens, designando as quatro semanas (ou os quatro domingos) do Advento, era de uso corrente na Idade Média; sobreviveu em alguns falares locais. A Igreja teria querido fazer das semanas que precedem o Natal um período de jejum e situa antes da Páscoa. Em 604, o papa Gregório, o Grande, pregou nesse sentido uma série de homilias sobre o Advento. Mas essa iniciativa não obteve qualquer êxito. Tradicionalmente, o período do fim de ano, se era incontestavelmente marcado por um certo recolhimento, é também um período de alegria e regozijo. Pouco a pouco, o jejum do advento foi encurtado a alguns dias. O seu carácter obrigatório perdeu a força graças às indulgências pontificais, sendo revogado pelo novo código de Direito Canónico, em 1918.

Segundo os locais, a duração do Advento varia. Em geral, considera-se que o período de antes do Natal cobre as quatro semanas precedendo o 25 de Dezembro. Na Alemanha, onde tem também o nome de Vorweihnachtzeit, começa em 11 de Novembro, dia de S. Martinho, da Vestefália até ao Tirol. No folclore europeu, o Advento corresponde ao fim do Outono, marcado, no princípio de Novembro pela festa tradicional dos mortos. É a época em que, ainda não há muito tempo, nos campos alemães (mas também na Holanda, em Inglaterra, na Normandia, no Norte e no Leste da França), afirmava-se de boa vontade que o velho deus Odan-Votan, montado no seu cavalo de oito patas Sleipnir, passava nos ares ao fim do dia levando atrás de si o barulhento grupo da “Caça selvagem”.

Este tema da “Caça selvagem”, chamada por vezes “Chasse Artus”, “Chasse Gallery” ou ainda “Mesnie Hellequin”, representa uma das sobrevivências pagãs que mais tempo permaneceram vivazes no mundo rural. Afastados do panteão germânico, Odan-Votan e o seu cortejo de guerreiros mortos em combate, os Einherjar, foram transformados na crença popular em um demónio ou um “caçador maldito”, cavalgando nos ares, com grande cópia de cocalhos e algazarra, seguido de uma procissão de “almas danadas” ou de “crianças mortas sem baptismo”.

Alain de Benoist
in “Festejar o Natal” (Hugin, 1997).

1.º de Dezembro

Independência: algo que hoje quase ninguém parece interessado em restaurar.