segunda-feira, 31 de maio de 2004

Feira do livro

Ontem, para desanuviar, dei um salto à Feira do Livro. Nunca costumo ir aos Domingos e tento evitar sempre os dias de maior enchente, mas este ano foi a primeira oportunidade que tive.

É sem dúvida revitalizante, passear entre livros, folheá-los, descobrir aquele que nem sabia que estava à procura. E durante o passeio encontrar um sem número de amigos e gente conhecida, muitos dos quais não via há muito.

Em cada ida à Feira há sempre episódios para contar e esta não foi excepção. Ia já aviado, carregando os sacos repletos de óptimas compras, em direcção ao topo do Parque Eduardo VII, quando dei de caras com o líder dos bloqueados - Louçã himself - a distribuir propaganda. É claro que aceitei, ainda para mais porque ao seu lado estava outro bloqueado, que frequentou o mesmo liceu que eu, e cujo rosto desenhou aquela expressão... Mesmo de quem pensou: “O Chico nem imagina a quem está a dar isto!”

Chegado ao cimo da Feira, deparei com uma agradável – ainda que temporária - melhoria arquitectónica. A estrutura montada tapa agora o monumentus erectus, ali erigido, com certeza, em honra dos trabalhadores nocturnos daquela zona da capital.

Já do outro lado do Parque, vendo o lindo espectáculo no pavilhão da Caminho, não resisti e soltei alto e em bom som: “Olhò candidato que vota em branco!” Os enfileirados que esperavam um autógrafo fitaram-me com espanto, o nobelizado hesitou por um brevíssimo instante e continuou assinando. Nenhuma reacção. Isto já não é como antes, as pessoas andam completamente alheadas da política, das ideias, de pensar. De qualquer forma, penso que estes caça-autógrafos não o faziam por amor à obra, mas por mera valorização de uma futura venda no e-bay.

Obrigado

A todos os que têm dado o seu apoio nesta altura difícil, o meu sentido obrigado.

A emissão segue dentro de momentos...

sábado, 22 de maio de 2004

Desabafo

Interrompi as férias devido a doença de familiar e passei a tarde de hoje no Hospital, vestido de cirurgião, a olhar para máquinas que faziam lembrar um filme de ficção científica. Sem poder fazer nada...

A sensação de impotência é a pior que há. Desculpem o desbafo.

sexta-feira, 21 de maio de 2004

Rainha Dona Leonor

O Pedro Guedes lançou aqui o desafio e, apesar da minha curta resposta na caixa de comentários, vou alongar-me.

O Rainha Dona Leonor foi o liceu onde estudei e, sinceramente, não sei como reagiria se amanhã o pretendessem transformar num condomínio ou na sede de algum banco.

Parece impossível, mas isso deve ter sido o que pensaram todos aqueles que frequentaram escolas que o (des)governo vai encerrando.

Respondendo ao Pedro, espero que nem o Rainha nem o Filipa sejam vendidos.

No entanto, e como dizes, nesta zona as crianças vão sendo cada vez menos e para estes (des)governantes de óculos de vista curta o lucro é quem mais ordena.

O negócio do PS foi vender quartéis. Será que o do PSD é vender escolas?

E quando não houver mais nada para vender?

segunda-feira, 17 de maio de 2004

Dá-lhe, Eurico!

Acabei de ler (aqui) o artigo de Eurico de Barros no Diário de Notícias, que diariamente nos tem posto a par do que se passa no festival de Cannes, e não posso deixar de salientar esta passagem:

"Moore é milionário mas gosta de andar vestido como se pertencesse à classe operária, e berrou a sua solidariedade com «os trabalhadores do espectáculo franceses, todos os trabalhadores», concordando com Bové quando este disse que ambos estão envolvidos «numa luta comum contra a exploração». Depois de ter ido ver o povo em luta, Michael Moore voltou para o Hotel Carlton."

O meu país traiu-me


O meu país me dói, pois que enche os seus caminhos,
Que lança filhos seus entre as águias sangrentas,
Que põe soldados seus em combates mesquinhos,
E dá ao céu azul um sol de armas violentas.

O meu país me dói em este tempo escuro,
Com juramentos vãos, com o quebrar dos laços,
Com a sua fadiga e as nuvens do futuro,
Com seus fardos de peso a entorpecer-lhe os passos.

O meu país me dói, ao ser dúplice e vário,
Ao abrir o oceano para os navios cheios,
Ao abater na morte o marujo e o corsário,
Ao apagar, ligeiro, os erguidos esteios.

O meu país me dói pelos seus exilados,
E tanto calabouço e p’los filhos perdidos,
Por cada prisioneiro entre arames farpados,
E pelos que estão longe e hoje desconhecidos.

O meu país me dói pelas terras em chamas,
Dói-me sob o inimigo e dói sob o aliado,
Dói-me em seu corpo e alma e dói-me com os seus dramas,
Dói-me sob a grilheta onde está subjugado.

O meu país me dói por toda a mocidade
Sob estandarte estranho e dispersa em parcelas,
Perdendo um jovem sangue a cumprir a verdade
As promessas de quem já nem cuidava delas.

O meu país me dói, pois vejo tantos fossos
Cavados por fuzis que os irmãos empunharam,
Dói-me ver usurpar, até ao sangue e aos ossos,
O salário mais justo e os que renunciaram.

O meu país me dói, a escravizar-se, exangue;
Por seus carrascos de ontem e pelos que hoje há,
O meu país me dói, a lavar-se com sangue;
O meu país me dói. Quando se curará?

Robert Brasillach
3 de Fevereiro de 1945
(tradução de Goulart Nogueira)

sábado, 15 de maio de 2004

Parabéns!

De mim para ti.


Amena
é a tua expressão
no sono da escuridão.
Serena
é a noite para escrever:
amo-te, só de te ver.

É pena
não ser há trinta anos
que nos amamos
Pequena
parece a vida
assim, de seguida.


Vamos viver para sempre.
Vem. Para sempre...
Vens, Catarina?
Parabéns Catarina!

sexta-feira, 14 de maio de 2004

Torpor




Ponho-me a exumar a palavra de passe
Que outrora franqueava o Sésamo de lava
Que há no meu peito.


E face-a-face
Com o céu me deito...


Rodrigo Emílio
in "Reunião de Ruínas" (1977).

quinta-feira, 13 de maio de 2004

História

Aqui deixo um post dedicado a uma das minhas grandes paixões, com a melhor definição de História que alguma vez li:

"Notre vision du passé détermine l'avenir. Il est impossible de penser le présent et le futur sans éprouver derrière nous l'épaisseur de notre passé, sans le sentiment de nos origines. Il n'y a pas de futur pour qui ne sait d'où il vient, pour qui n'a pas la mémoire d'un passé qui l'a fait ce qu'il est. Mais sentir le passé, c'est le rendre présent. Le passé n'est pas derrière nous comme ce qui était autrefois. Il se tient devant nous, toujours neuf et jeune."

Dominique Venner

Qualquer dia...

Segundo esta notícia do "Público", o Partido Socialista Francês recomendou ao seu grupo parlamentar a preparação de uma proposta de lei autorizando o casamento civil entre duas pessoas do mesmo sexo e adopção de crianças por casais homossexuais.

Isto chega cá... Começou no Norte da Europa e já está a caminho.

Como dizia o outro: "Dantes era proibido, hoje já podem casar, qualquer dia é obrigatório!"

quarta-feira, 12 de maio de 2004

Censura (II)

Novamente pelo Último Reduto (este Guedes está sempre em cima do acontecimento), soube que Pedro Amorim, o tal da cuspidela do post anterior, desmentiu já a afirmação produzida sobre o fim dos blogs.

Como diz o povo, "das duas, três":

1. Será que ele se apercebeu com quem se estava a meter?

2. Será que andamos todos com uma vontade doida de 'molhar a sopa'?

3. Para que é que ainda damos credibilidade ao "Expresso"?

Censura

Soube, pelo Último Reduto, que no Expresso online, uma inteligência perdida de seu nome Pedro Amorim, num rasgo de brilhantismo, cuspiu a seguinte 'pérola': «Os blogs estão cada vez mais a ter uma relação com o jornalismo, e prevê-se uma grande tendência para a difamação. O objectivo da ANACOM é acabar com a criação de "blogs" e espero que seja cumprido».

Bom, se isto não é uma clara difamação dos blogs, não sei...

Assim, face à grande tendência da ANACOM para a difamação dos blogs, o objectivo dos blogs será acabar com a ANACOM?

E, cá para nós que ninguém nos ouve, este Pedro Amorim não está mesmo a pedir para ser difamado?

Ó Pedro, não faças aos outros...

Imigração

Sobre as medidas de combate à imigração, uma lição de História do genial Konk:

terça-feira, 11 de maio de 2004

País africano

Li (aqui) que Durão Barroso e Joaquim Chissano partilham a autoria de um artigo na edição de fim-de-semana do "Herald Tribune" pela reforma da ONU.

Agora é que os americanos, esses especialistas da geografia mundial, vão ter a certeza que Portugal é um país africano.

segunda-feira, 10 de maio de 2004

better job

Um amigo meu enviou-me esta citação que não posso deixar de partilhar convosco:


«A few weeks ago, Rick Mercier, a young columnist for the Freelance Star, a small paper in Virginia, did what no other journalist has done this past year. He apologised to his readers for the travesty of the reporting of events leading to the attack on Iraq. "Sorry we let unsubstantiated claims drive our coverage," he wrote. "Sorry we let a band of self-serving Iraqi defectors make fools of us. Sorry we fell for Colin Powell's performance at the United Nations... Maybe we'll do a better job next war."»
Artigo completo em:
http://www.fpp.co.uk/online/04/05/Pilger_050504.html

sábado, 8 de maio de 2004

Torturas

Para os que ficaram surpreendidos com revelação da existência de torturas a prisioneiros iraquianos por parte de militares americanos e com as declarações de responsáveis da Cruz Vermelha de que não se tratavam de incidentes isolados, como se desculpou a administração Bush, mas de um vasto sistema instalado, aconselho a leitura deste excerto:

“Não restam dúvidas de que muitíssimos homens de todas as idades, a que se juntaram algumas mulheres e crianças, morreram de exposição às más condições climatéricas, à doença e à fome nos campos americanos e franceses da Alemanha e da França a partir de Abril de 1945, pouco antes do final da guerra na Europa. As vítimas excedem indubitavelmente as 800 mil, ultrapassando quase certamente as 900 mil e sendo até provável que passem de 1 milhão. A sua morte foi conscientemente provocada por oficiais do exército que dispunham de recursos suficientes para manterem os prisioneiros vivos. Os organismos assistenciais que tentaram ajudar os prisioneiros dos campos americanos não obtiveram autorização do exército para tal. Tudo isto se ocultou na altura e sobre tudo isto se mentiu posteriormente quando a Cruz Vermelha, Le Monde e Le Figaro tentaram dizer publicamente a verdade. Os registos foram destruídos, alterados ou mantidos secretos. Situação esta que ainda hoje se mantém.”

in “Outras perdas”, James Bacque, Edições ASA.

sexta-feira, 7 de maio de 2004

Europa (III)

Aqui vos deixo as palavras de um homem que há sessenta anos atrás exprimia uma preocupação que é hoje tão importante como então: a sobrevivência da Europa.

"Não devemos hoje chorar pela vitória da Europa. Durante anos a Europa esteve em pecado mortal e hoje paga os seus crimes. Ela chegou ao ponto de ter de perguntar-se se salvará a sua civilização, se sobreviverá, ou se a barbárie a afundará. Esta é a angústia de todos os soldados da frente…

Chegámos ao momento no qual todos os entraves da Europa de ontem, da Europa das guerras civis, caíram. Ou bem que os povos reencontram nas suas veias a grande força da juventude, o espírito de sacrifício e da grandeza e formam um bloco socialista e revolucionário; ou bem que conservam a sua esterilidade e decadência que já não compreendem nada…"


Léon Degrelle
Paris, 5 de Março de 1944.

quinta-feira, 6 de maio de 2004

2 poesias



soberano

sábio alquimista

soberano

simpatia não patia sim apatia
aresta química ora esta mica

soberano

sábio alquimista

soberano




papel pardo de ocasião

magnífica e feliz uma ideia

uma palavra no beco

à luz do beco há um gato

papel pardo arranhado

à luz do beco


gato condecorado


Artur Anselmo
in Tempo Presente n.º 24 (1961)

quarta-feira, 5 de maio de 2004

Boas novas

Fiquei a saber (aqui) que a construção do estacionamento subterrâneo na Av. da Igreja foi cancelada.

Obrigado a todos os moradores do bairro que se mobilizaram contra esta iniciativa.

Adeus, até ao próximo parque de estacionamento.

terça-feira, 4 de maio de 2004

Estacionado

Há uns bons anitos atrás fui de carro de Bruxelas a Amsterdão para passar um fim-de-semana prolongado. Chegado ao centro, fui reservar quarto numa pequena agência especializada em pacotes-desconto. Perguntaram-me se tinha carro e quando respondi afirmativamente informaram-me que não era possível estacionar sem pagar naquela cidade. - "Mas eu estacionei mesmo aqui atrás e não paguei nada...", disse. Aconselharam-me a ir rapidamente pagar. Ignorei o conselho e preocupei-me em marcar o hotel (com parque, claro). Quando cheguei ao carro, verifiquei que estava junto a uma esquadra de polícia e que felizmente não tinha multa.

Tudo isto se passou quando em Portugal não se pensava nisso e os parquímetros eram quase uma atracção turística do Porto. Mas, depois de viver aquele episódio, pensei que era uma questão de tempo até o negócio do estacionamento chegar ao nosso país.

A única coisa que dessa vez vi na cidade holandesa e duvidei que algum dia veria por cá foi o Rabo Bank. Prontamente imaginei uma campanha publicitária: "Ponha o seu dinheiro no..."

A verdade é que, em pouco tempo, a preocupação com o estacionamento tornou-se banal em todos os países europeus. As intenções eram, de início, as mais nobres: melhorar o ambiente urbano, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, resolver problemas de mobilidade, etc. Uma autêntica viagem com a Alice ao país das maravilhas. Até que, alguém se apercebeu que o estacionamento é um dos negócios mais lucrativos dos últimos tempos. Ora vai daí e que se lixe o Ambiente. Toca a construir parques a torto e a direito, toca a dar competências policiais a empresas como a EMEL e, se os clientes demoram a chegar, construa-se um túnel, ora com certeza!

Eu refilo, refilo e vou refilando, mas sei que dentro em breve passarei de refilado a estacionado.

segunda-feira, 3 de maio de 2004

In Memoriam

Um dos meus grupos musicais favoritos e um dos grandes nomes do Rock Identitaire Français (RIF). Obrigatório para os apreciadores de boa música.
Podem ouvir aqui e comprar aqui ou aqui.



Discografia:

A travers les Temps (1997)
Entre terre et lumière (1998)
En Palestine (1999)
Paris-Belgrade (2000)
Persona non grata (2002)

domingo, 2 de maio de 2004

Europa (II)


Continuando na senda europeia, aqui fica uma referência obrigatória a um dos grandes pensadores que sonharam a Europa:

"Para nós, a Pátria é um FUTURO em comum, mais do que um passado em comum.
Queremos uma pátria de expansão e não de veneração. Assim será a nossa Pátria Europeia.

O nosso nacionalismo é um futuro comum, e aqueles que ele reunirá serão ligados uns aos outros por uma identidade de destino heróico.
A Europa Unitária será uma nação realizada por um escol revolucionário."

Jean Thiriart
in “Europa – um império de 400 milhões de homens”

sábado, 1 de maio de 2004

1.º de Maio

O habitual desfile do 1.º de Maio decidiu passar à minha porta e dar cabo de um Sábado tranquilo no Bairro de Alvalade. Santana – o popstar, como lhe chamou hoje Vasco Pulido Valente no DN – deve ter encaminhado os desfilantes para aqui, numa manobra intimidatória para acalmar os ânimos de quem protesta contra a construção de um parque subterrâneo na Av. da Igreja e o consequente corte de árvores e encerramento parcial durante pelo menos um ano.

Mas voltemos ao tema. Avaliando a média de idades dos desfilantes, eu juraria que se tratava de uma reivindicação de melhores reformas.

Foi um triste circo, daqueles com animais velhos e maltratados, palhaços sem piada e trapezistas de solo.

Ouvi palavras de ordem contra os fascistas (!?) que supostamente nos governam; vi a meia dúzia de bloqueados que transportavam um cartaz com a imagem de Marx dizendo: “Precários de todo o mundo, uni-vos”, e eu que pensava que eles já se tinham deixado disso… Houve ainda um pequeno grupo que gritava: “Abril, Abril”, estavam obviamente enganados; ou seriam um grupo de protesto de portadores de senhas de passe do mês passado? Mas a cereja em cima do chantilly, foram uns daqueles comunas paleolíticos, daqueles que eu pensava que já só existiam em exposição no Museu da R(D)esistência, passando na Av. de Roma e tendo por fundo um cartaz colado nos tapumes que cobrem o local onde estava o Cinema Alvalade, que mostrava um jovem cabeludo de guitarra em punho debaixo da palavra “Lenine” em letra garrafais.

Podem não acreditar, mas não tomei LSD. Juro! Isto aconteceu em Lisboa no século XXI.

A comemoração atraiu ainda uma feira e foi interessante ver tias contornando o desfile com sacos atafulhados de roupa de marca falsificada e DVDs copiados, isto tudo na presença dos atentos agentes policiais.

Ai, ai, porque não fui eu para Paris…

Esclarecimento

Três dias, três posts começados por «E». Convém esclarecer que foi puro acaso e não há qualquer semelhança com os abrilentos três «D» ou os ambientalistas três «R».

Pensando bem, é necessário mais do que um Empurrãozinho para uma Evolução na Europa.

E lá foi outro com «E»... Isto está a tornar-se crónico.

Europa

Em tempos de alargamento e indecisões, nada como lembrar as sábias máximas dos mestres:

"O que nos importa, é trabalhar até que um dia, próximo ou distante, viva, nos cérebros, nos corações e nas almas a nossa grande pátria a Europa. Que um dia os Europeus tenham a vontade de tomar o seu destino. Nesse dia tudo se tornará possível".
Pierre Vial

"A Europa será a Grande Grécia, a filha da Grécia".
Guillaume Faye