Passeio em Lisboa
Num volume que reúne curtos ensaios, publicado em francês nos fins do ano passado, com o nome “O Contemplador Solitário”, figuram algumas breves notas sobre Lisboa, sob o título “Balkon zum Atlantik” (“Varanda sobre o Atlântico”), onde esteve em 1966, e que evidentemente se revestem para nós de particular importância.
Sobre a Praça do Comércio – um dos grandes “foyers” do “teatro europeu” e de que gaba a consonância do verde mate com o cinzento das águas do Tejo – invadida pelos automóveis, alude aos Descobrimentos e ao carácter secundário do Mediterrâneo, com a sua navegação sem riscos, e sublinha que mesmo Colombo, o grande genovês, só pôde fazer-se à vela de um porto atlântico.
Acerca do Museu de Arte Antiga, que descobriu ao sabor de um passeio, depois de notar a inexistência de uma escola nacional (facto que o leva a supor, juntamente com o número “surpreendente” de obras anónimas, não ter tido a pintura, por aqui, muita estima...), qualifica Nuno Gonçalves de “fisionomista de primeira grandeza, a que poderia chamar o Duerer português”, com o mérito de uma originalidade própria, visto pertencer à geração anterior.
E de “A Tentação de Santo Antão”, também exposto nas Janelas Verdes, e que muito admirou, refere a actualidade de Bosch, com o seu saber oculto.
(Conclui na próxima Segunda-Feira)
sábado, 24 de julho de 2004
Ernst Jünger: O Mago da Floresta Negra (V)
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