Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
Entrevista com Nuno Rogeiro (II)
Conclusão da publicação da entrevista com Nuno Rogeiro ao semanário “O Diabo”, iniciada aqui.
Mudando de tema e falando do nosso país, como vê a política nacional hoje?
Vejo, como todos os portugueses vêem, aquilo que a minha geração vinha dizendo há bastante tempo: que Portugal estava a ser vendido aos pedaços e que tinha desistido dos seus maiores trunfos, que era o facto de poder produzir nacionalmente aquilo que consumia. O facto de termos desmantelado a nossa indústria, as nossas pescas e a nossa agricultura em troca de subsídios. E o facto de não termos aproveitado bem os subsídios estruturais injectados pela União Europeia. Tudo isso consumou aquilo que estamos hoje a ver.
Como aconteceu?
A actual III República não insistiu numa estratégica nacional de preservação da nossa agricultura, das nossas pescas e de parte da nossa indústria. A estratégia nacional de um desenvolvimento autónomo e sustentado, como hoje se diz, não existiu. Esse é o princípio de todos os nossos males. A questão de como chegámos aqui é uma questão menor.
Qual é a alternativa?
Só há duas soluções. Uma é ficar na União Europeia e dentro do Euro e, como se costuma dizer, fazer aquilo que nos consentem e consentir tudo o que nos fazem. Fora da UE e do Euro, talvez houvesse soluções, mas será que os portugueses estão dispostos a andar 30 ou 40 anos para trás?
E mesmo assim, dizer isto é um erro, porque como já escrevi, referindo um artigo na “Independent Review” de um professor canadiano, os grandes anos de desenvolvimento económico em Portugal foram entre 1959 e 1973. Algo que chocará muita gente. Mesmo que se considere que o desenvolvimento nessa altura era mais fácil por existir África, nós nunca explorámos verdadeiramente os chamados recursos ultramarinos.
Como assim?
Em 1974, Angola estava no começo da sua exploração de petróleo, ainda não era o gigante petrolífero que é hoje. Imaginemos o que seria Portugal, voltando atrás, mas tendo a capacidade e o petróleo barato de Angola...
E politicamente?
Há sempre o problema político, mas nós já vimos noutros sítios que quando há dinheiro é possível resolver muitos problemas políticos. Mas não é possível voltar a esse tempo, quando Portugal tinha mais opções. Agora, o que talvez seja possível, é voltar a um tempo no qual Portugal vai ser obrigado a viver com um bolo que tem que ser melhor repartido por todas as pessoas.
Uma última palavra sobre “O Diabo”...
Não tenho acompanhado o destino do jornal nos últimos anos, mas desejo-vos obviamente as maiores felicidades. Acho que é preciso, em Portugal, que as pessoas possam discutir mais e ler mais jornais. Estive ligado a “O Diabo” nos melhores tempos da minha vida, quando era jovem. Passei uma grande parte da minha vida ligado a “O Diabo”, primeiro como colaborador, depois como subchefe de redacção, chefe de redacção e por fim como director-adjunto. Isto entre os anos 80 e finais dos anos 90. Foram quase vinte anos. Foi a minha pequena contribuição para uma luta nacional que eu acho que ainda não acabou.
Publicado na edição de «O Diabo», de 24/1/2012.
Mudando de tema e falando do nosso país, como vê a política nacional hoje?
Vejo, como todos os portugueses vêem, aquilo que a minha geração vinha dizendo há bastante tempo: que Portugal estava a ser vendido aos pedaços e que tinha desistido dos seus maiores trunfos, que era o facto de poder produzir nacionalmente aquilo que consumia. O facto de termos desmantelado a nossa indústria, as nossas pescas e a nossa agricultura em troca de subsídios. E o facto de não termos aproveitado bem os subsídios estruturais injectados pela União Europeia. Tudo isso consumou aquilo que estamos hoje a ver.
Como aconteceu?
A actual III República não insistiu numa estratégica nacional de preservação da nossa agricultura, das nossas pescas e de parte da nossa indústria. A estratégia nacional de um desenvolvimento autónomo e sustentado, como hoje se diz, não existiu. Esse é o princípio de todos os nossos males. A questão de como chegámos aqui é uma questão menor.
Qual é a alternativa?
Só há duas soluções. Uma é ficar na União Europeia e dentro do Euro e, como se costuma dizer, fazer aquilo que nos consentem e consentir tudo o que nos fazem. Fora da UE e do Euro, talvez houvesse soluções, mas será que os portugueses estão dispostos a andar 30 ou 40 anos para trás?
E mesmo assim, dizer isto é um erro, porque como já escrevi, referindo um artigo na “Independent Review” de um professor canadiano, os grandes anos de desenvolvimento económico em Portugal foram entre 1959 e 1973. Algo que chocará muita gente. Mesmo que se considere que o desenvolvimento nessa altura era mais fácil por existir África, nós nunca explorámos verdadeiramente os chamados recursos ultramarinos.
Como assim?
Em 1974, Angola estava no começo da sua exploração de petróleo, ainda não era o gigante petrolífero que é hoje. Imaginemos o que seria Portugal, voltando atrás, mas tendo a capacidade e o petróleo barato de Angola...
E politicamente?
Há sempre o problema político, mas nós já vimos noutros sítios que quando há dinheiro é possível resolver muitos problemas políticos. Mas não é possível voltar a esse tempo, quando Portugal tinha mais opções. Agora, o que talvez seja possível, é voltar a um tempo no qual Portugal vai ser obrigado a viver com um bolo que tem que ser melhor repartido por todas as pessoas.
Uma última palavra sobre “O Diabo”...
Não tenho acompanhado o destino do jornal nos últimos anos, mas desejo-vos obviamente as maiores felicidades. Acho que é preciso, em Portugal, que as pessoas possam discutir mais e ler mais jornais. Estive ligado a “O Diabo” nos melhores tempos da minha vida, quando era jovem. Passei uma grande parte da minha vida ligado a “O Diabo”, primeiro como colaborador, depois como subchefe de redacção, chefe de redacção e por fim como director-adjunto. Isto entre os anos 80 e finais dos anos 90. Foram quase vinte anos. Foi a minha pequena contribuição para uma luta nacional que eu acho que ainda não acabou.
Publicado na edição de «O Diabo», de 24/1/2012.
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Herdeiros
No início de "Os Descendentes", o protagonista, Matt King (George Clooney), explica-nos: “Os meus amigos pensam que lá por eu viver no Havai, vivo no paraíso. Que estamos todos aqui a bebericar Mai-Tais e a apanhar umas ondas”. Mas como veremos, apenas o cenário é diferente, porque os problemas da vida são exactamente iguais. Matt parecia ter a vida perfeita, mas um dia tudo desaba. A sua mulher tem um acidente de barco e fica em coma. A partir desse momento, passa a ser ele o responsável pelas suas duas filhas, algo a que não estava habituado. Para piorar as coisas, descobre ela o enganava com outro homem.
Ao mesmo tempo, a família de Matt é descendente de um comerciante que casou com uma princesa havaiana, o que lhes deu uma considerável herança. Matt é o responsável pela venda do último pedaço de terra que ainda resta desse património – um magnífico e paradisíaco terreno junto ao mar, muito cobiçado pelos agentes imobiliários.
Apanhado por este turbilhão de acontecimentos, Matt começa a questionar-se. Sobre a sua vida de casado, a relação distante com as suas filhas, a identidade do homem que o substituiu e a venda da terra de família. Neste percurso emocional, recheado de peripécias, mas com uma carga sentimental muito forte, pressente-se – deseja-se – que o final seja um reencontro familiar.
Óptima realização de Alexander Payne, que conjuga muito bem esta comédia dramática com os particularismos havaianos, e nas representações uma nota obrigatória para os excelentes desempenhos do veterano George Clooney e da jovem Shailene Woodley.
Um história de continuidade familiar, com todas as atribulações e dúvidas que não poderiam faltar, onde apesar de tudo resiste o respeito à linhagem e à terra. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]
Ao mesmo tempo, a família de Matt é descendente de um comerciante que casou com uma princesa havaiana, o que lhes deu uma considerável herança. Matt é o responsável pela venda do último pedaço de terra que ainda resta desse património – um magnífico e paradisíaco terreno junto ao mar, muito cobiçado pelos agentes imobiliários.
Apanhado por este turbilhão de acontecimentos, Matt começa a questionar-se. Sobre a sua vida de casado, a relação distante com as suas filhas, a identidade do homem que o substituiu e a venda da terra de família. Neste percurso emocional, recheado de peripécias, mas com uma carga sentimental muito forte, pressente-se – deseja-se – que o final seja um reencontro familiar.
Óptima realização de Alexander Payne, que conjuga muito bem esta comédia dramática com os particularismos havaianos, e nas representações uma nota obrigatória para os excelentes desempenhos do veterano George Clooney e da jovem Shailene Woodley.
Um história de continuidade familiar, com todas as atribulações e dúvidas que não poderiam faltar, onde apesar de tudo resiste o respeito à linhagem e à terra. [publicado na edição desta semana de «O Diabo»]
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Entrevista com Nuno Rogeiro (I)
Nuno Rogeiro é um comentador político com larga experiência jornalística, passou por vários meios de comunicação, incluindo pelo nosso “O Diabo”, onde chegou a director-adjunto. Tornou-se especialista em questões internacionais e é actualmente responsável pelo programa “Sociedade das Nações”, da Sic Notícias. Publicou recentemente “Na Rua Árabe - Causas e Consequências das Revoltas no Médio Oriente”. Fomos a sua casa entrevistá-lo.O DIABO – Como é que começou realmente esta “Primavera Árabe”? Já que, como afirma no livro, tudo começou fora da “rua árabe”...
Nuno Rogeiro – Creio que assisti aos primórdios da “Rua Árabe”, fora do mundo árabe, no Irão. Quando visitei este país, descobri que por debaixo de uma unanimidade e homogeneidade aparente, característica destas sociedades, havia, de facto, uma pluralidade de pontos de vista e opiniões que poderiam chegar a grandes radicalizações. Por isso é que se costuma dizer que a sociedade iraniana é das “mais democráticas” que há. No sentido de que há sempre uma discussão profunda, mas que não é pública. Muitas das vezes, sendo o próprio Estado a fazer com que essa discussão não seja pública. Fui então percebendo as algumas sociedades muçulmanas não eram aquilo que pareciam. Por trás da aparente unidade existia uma grande série de opiniões que só não eram expressas de uma forma mais positiva porque havia pressões de outros Estados – do ponto de vista militar, financeiro, etc. – ou porque muitas destas sociedades árabes e muçulmanas não são sociedades livres do ponto de vista dos seus direitos civis. E quando não há esta liberdade as opiniões acabam por não passar para o público em geral.
Há um efeito de panela de pressão?
O “Rua Árabe” é a descrição de uma panela de pressão. Mais tarde ou mais cedo as tendências que eram observáveis e que eu encontrei no Irão e noutros países acabariam mais tarde ou mais cedo por vir ao de cima. A questão era saber como é que o governantes controlam esta panela de pressão. Podem controlá-la de várias formas e foi tentado por vários regimes em todo o mundo árabe mas, em geral, não deu resultado.
O que é que está a dar resultado?
Nos países onde as coisas têm decorrido de uma forma menos violenta, como é o caso de Marrocos, tem havido uma tentativa de abertura dos regimes. Que pode dar resultado, evitando para já banhos de sangue. Em outros países, como é o caso da Argélia, onde os militares estão no poder, têm tido resultados até agora. Não se sabe é quanto tempo aguentam mais. Nos outros países em que se tentou uma mistura de abertura e força militar não resultou, que foi o caso do Egipto ou da Tunísia.
O que aí vem será mesmo democracia?
Pode não ser. Estamos a fazer esta entrevista no dia em que alguns institutos de sondagens dizem que os portugueses em geral acreditam cada vez menos na democracia tal como a conhecemos. Portanto, vamos perguntar que democracia. Uma democracia que se traduz no voto maioritário das pessoas e depois a ausência das liberdades civis? Aquilo a que em outros tempos os politólogos chamaram democracia totalitária. A possibilidade de uma democracia do voto em que além disso não há qualquer espaço para a opinião? Poderá ser uma democracia em que há no fundo o semblante de liberdades civis, mas que na prática essas liberdades só estão escritas nas constituições e não podem ser garantidas. Uma coisa que este livro tenta fazer é não forçar uma explicação do fim da história. Nós não sabemos dizer verdadeiramente qual será o fim da história. Há muitas hipóteses em aberto, muitas delas são no sentido de haver mais liberdades civis, outras são no sentido de a actual panela de pressão substituir a antiga. Em que os laicos ou os militares são substituídos por islamitas.
Há o perigo islamita, até através do voto?
A questão da vontade democrática é só uma: ou se decide jogar o jogo até ao fim e tem que se aceitar o voto independentemente do resultado ou simplesmente uma democracia em que aceitamos uns resultados e outros não. A questão é esta. Quando se abre um processo deste tipo é muito difícil voltar a fechá-lo. Até porque nós estamos habituados através da história de que quando os povos desejam algo mais do que pão para a boca - e desejam por exemplo liberdades civis – é muito difícil dizer-lhe “tomem lá o pão e agora esqueçam a liberdade”.
No caso da Líbia, como se explica a mudança repentina da visão da Europa sobre Khadafi?
A atitude europeia foi determinada somente por dois ou três países que se adiantaram. Um deles foi a França, que se adiantou devido a questões de calendário eleitoral. A questão na política internacional é que quando se tomam decisões geralmente essas decisões acarretam consequências. Poderíamos perguntar se a França tinha a noção exacta daquilo que estava, no fundo, a fazer: a forma como estava a acelerar a História. A verdade é que houve uma consequência para a “precipitação” do Sr. Sarkozy, em parte devido ao facto de achar que tinha estado no lado errado da História no que respeita à Tunísia. Tentando desta vez estar do lado certo. Pela primeira vez os europeus tiveram um papel muito mais predominante numa acção deste género que os americanos.
Qual foi, então, o verdadeiro papel e interesse americano nestes países?
Continuo a achar, e há provas nas diversas declarações, que os EUA fizeram, desde o 11 de Setembro, uma aposta extremamente arriscada. Digo arriscada porque podia dar ou não resultado. A aposta era esta: canalizar os ímpetos revolucionários e até violentos de muitos grupos extremistas e salafistas contra os regimes corruptos. O que foi curioso porque ultrapassou todas as expectativas que a Al-Qaeda pudesse ter de todos estes regimes. É uma estratégia arriscada? É uma repetição daquilo que aconteceu no Afeganistão? Esse é o risco, sem dúvida. Qual era a alternativa? Era continuarmos com uma quantidade de regimes que não tinham qualquer tipo de aceitação política, sob a ficção de serem regimes que eram necessários para preservar uma espécie de paz pública e tranquilidade regional.
Qual é o perigo para a Europa caso os islamitas subam ao poder?
Agora há um ajuste de contas dentro do mundo islâmico. Ou seja, o Islão vai ajustar contas consigo próprio. Pela primeira vez nas últimas dezenas de anos, o Islão tem resolver a sua própria casa. O resultado, muito provavelmente, vai traduzir-se em que grupos islamitas vão ganhar eleições em todos estes países. Não tenho muitas dúvidas sobre isso. Já ganharam na Tunísia e no Egipto. No entanto, não acredito na tese de uma conspiração de um círculo islamista que esteja espalhado por todos estes países. O que eu tento demonstrar no livro é que todos estes países têm grupos islamistas diferentes.
Quais as consequências para a Europa?
A primeira consequência para a Europa, que está demonstrada em estatística, foi o afluxo de refugiados para a Itália. Em números que ultrapassaram largamente os que a Itália poderia alguma vez comportar. A segunda, prende-se com as comunidades islâmicas na Europa. Estas comunidades fortaleceram-se nos últimos dez anos, sobretudo na França, na Bélgica, de certa forma também em Itália, e todas elas estiveram a apoiar estas revoltas árabes. É muito difícil pensar nas revoltas egípcias ou sírias sem pensar nas comunidades destes países a viver, por exemplo, em Paris. A terceira, é haver uma pressão de vários Estados fundamentalistas que possam querer avançar com um cenário militar contra a Europa. Já o vi descrito em vários sítios, pessoalmente não acredito e acho que é uma possibilidade extremamente remota. Simplesmente porque estes Estados querem tratar da sua própria vida e não embarcar numa aventura militar contra a Europa.
Como comenta a atitude da chamada “direita populista” europeia que se baseia num discurso anti-islâmico?
A Direita tem “as costas largas”... Muitos dos grupos que se têm oposto à vinda sem controlo de imigrantes para a Europa, dos países do Norte de África e dos países islâmicos em geral, têm olhado para estas revoltas de uma forma ambivalente. Por um lado, acham que se as revoltas correrem mal, temos novas vagas de imigração sem controlo. Mas, por outro lado, se este regimes derem resultado, essa será uma forma de fixação dos candidatos a imigrantes. Se o Islão conseguir resolver a sua própria situação, haverá menos pressão sobre a Europa.
É um Choque de Civilizações?
Se há 30 anos alguém dissesse que o Islão era o grande problema do Ocidente, ninguém acreditava. Ninguém previa que no final do século XX haveria uma guerra por causa da religião. Todos achavam que os problemas seriam outros: económicos, territoriais, derivados da Guerra Fria, etc. Apesar do conflito de Civilizações, aquilo que sai das revoltas árabes, é que as pessoas queriam aquilo que quiseram no Ocidente há 200 ou 300 anos atrás. Ou seja, a possibilidade de elevarem o seu estatuto económico, de falarem livremente, de educarem os seus filhos nas escolas que quisessem, de viverem sem medo. As chamadas liberdades e os direitos civis e económicos foi o que esteve na mesa no primeiro momento da revolta árabe. Se assim vai continuar, não sei. Mas sei que não foi a religião o grande motor destas revoltas. Se fosse uma revolta religiosa teria consequências totalmente diferentes. [Conclui amanhã]
Publicado na edição de «O Diabo», de 24/1/2012.
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Os escritores e a Ocupação
O último número do "Magazine Littéraire" tem um excelente dossier sobre "Os escritores e a Ocupação". A não perder.
Futebolice
O futebol, à semelhança do resto do País, também entrou na senda o endividamento. Notícias da semana passada revelaram o que já se suspeitava – a falência. Perante as notificações do fisco para o pagamento das dívidas do chamado “Totonegócio II”, os clubes ameaçaram paralisar todas as competições nacionais se o Governo não estiver disponível para encontrar uma solução negociada. Ou seja, o futebol quer uma situação privilegiada – de excepção – para continuar o circo. Se os clubes são empresas, devem ser tratados como tal. E se a distracção da bola parar, talvez os portugueses prestem mais atenção ao estado do País.
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Frase do dia
"Não se pense que isto [CCB] vai ser um centro de projecção das vanguardas. Recorrerá às vanguardas como às retaguardas, sem nenhuma espécie de complexo."
Vasco Graça Moura
in "Públco"
Vasco Graça Moura
in "Públco"
"Che" para toda a obra
Um recente caso de utilização publicitária da imagem de “Che” Guevara gerou polémica. A fotografia estilizada do argentino tornou-se um ícone dos tempos modernos para muita gente, que na sua maioria nem sabe quem ele foi. Das ‘t-shirts’ aos cigarros, passando pelos preservativos, hoje é possível encontrar o “Che” em quase tudo. Aquele que queria ser um revolucionário anti-capitalista, tornou-se numa marca comercial bastante lucrativa.
Numa recente apresentação da Mercedes em Las Vegas, nos EUA,, os publicitários tiveram uma ideia que pensavam “revolucionária”, mas que é usada nos mais variados produtos – a conhecida imagem de “Che” Guevara com a estrela da marca alemã na boina. Tudo se passou na Consumer Electronics Show, uma feira comercial anual dedicada à electrónica de consumo, e na presença do presidente da Mercedes-Benz, Dieter Zetsche. Em causa estava a apresentação de uma nova aplicação que facilita o ‘car-sharing’, a partilha de automóveis, diminuindo assim o trânsito e as emissões de dióxido de carbono. Zetsche disse que “alguns colegas pensam que partilhar o automóvel ronda o comunismo” e acrescentou “viva a revolução”. Esta “revolução” não foi bem vista, em especial pela comunidade cubana exilada nos EUA, que rapidamente protestou e apelou a um boicote à marca germânica. A congressista republicana Ileana Rós-Lehtinen, presidente da Comissão de Assuntos Externos da Câmara dos Representantes dos EUA, afirmou que “obviamente os criadores do anúncio têm uma imagem errada de Che Guevara”, acrescentando que “Che era um cobarde corrupto e sedento de sangue que matou incontáveis cubanos inocentes no princípio do regime de Castro”.
A utilização da imagem de “Che” está longe de ser uma novidade. Para além da sua presença nas manifestações dos mais variados movimentos e partidos políticos, o uso comercial generalizou-se. São bastante comuns as ‘t-shirts’ e as mais variadas peças de vestuário. Casacos, calças, chapéus, sapatos ténis, ou até ‘bikinis’, são ilustrados com a famosa imagem. Toda esta parafernália é habitualmente apreciada pelos jovens. No entanto, muitos deles desconhecem totalmente quem foi “Che”, o seu percurso de vida, a sua ideologia política e as consequências da sua aplicação.
História de uma imagem
A conhecida imagem de “Che” tem origem numa fotografia do cubano Alberto Korda, intitulada “Guerrillero Heroico” (Guerrilheiro Heróico), tirada a 5 de Março de 1960, em Havana, quando Guevara tinha 31 anos. A redução dessa fotografia, apenas com o busto de “Che” em alto contraste, começou a ser usada em larga escala pelos meios de comunicação social de todo o mundo. Dos ‘media’ ao uso comercial, foi um salto.
Korda nunca reivindicou direitos de autor sobre a imagem, opondo-se apenas uma vez a que esta fosse usada num anúncio de uma conhecida marca de vodka. Comunista assumido, Korda pretendia evitar a exploração comercial da imagem. Chegou a afirmar à imprensa: “Como defensor dos ideais pelos quais Che Guevara morreu, não me oponho à sua reprodução por aqueles que desejam difundir a sua memória e a causa da justiça social por todo o mundo.” Também a filha de “Che”, Aleida Guevara, chegou a contratar advogados para processar judicialmente as empresas que utilizassem a imagem do seu pai. Afirmou que não queria dinheiro, mas “o fim do abuso”, acrescentando, “ele pode ser uma pessoa universal, mas respeitem sua imagem”.
Como é bem visível hoje em dia, tal não aconteceu e o fim para que a imagem é usada vai muito para além da política. Para além da utilização da imagem nas mais variadas peças de vestuário, referida atrás, o “Che” serve também como marca para os mais inacreditáveis produtos. Cerveja, cigarros, relógios, porta-chaves, fivelas, canecas e copos, isqueiros, bonecos e até preservativos! Uma marca comercial de sucesso e bastante lucrativa.
Che e a extrema-direita
Politicamente, se a utilização de “Che” Guevara e da sua imagem é amplamente sabida à esquerda, o facto de chegar até à chamada extrema-direita é quase desconhecida do grande público. À primeira vista parece estranho, quase impossível, mas os grupos da direita radical que reclamam esta figura admiram-no por ser um “revolucionário” e pela sua oposição ao “imperialismo norte-americano”. Em vários países europeus, grupos e militantes nacionais-revolucionários louvaram ou usaram “Che”, mesmo antes da sua morte. O país onde este fenómeno teve e ainda tem mais expressão é Itália. Desde os anos 60 do século passado que grupos da direita radical se apropriaram de “Che”. Mario de la Ferla, autor do livro “L’altro Che – Ernesto Guevara Mito e Simbolo della Destra Militante” (O Outro Che – Ernesto Guevara Mito e Símbolo da Direita Militante), escreve que: “Existe um outro aspecto do amor por Ernesto Guevara que não é inédito, mais é mais difuso. O amor à direita, aquele dos jovens nacionais-revolucionários, os fascistas vermelhos, que amavam o Che ainda antes da sua morte e para quem se tinha tornado mito e símbolo a partir de 68. A paixão por Guevara à direita é uma heresia, uma provocação, uma apropriação indevida mas perdoada.” Mas também na vizinha Espanha, na Bélgica, com Jean Thiriart, em França, com Jean Cau, por exemplo, que afirmou que “O Che batia-se para libertar o seu continente da ocupação americana, da opressão oligárquica e das injustiças”, assistimos a situações semelhantes.
Publicado na edição de «O Diabo», de 24/1/2012.
Numa recente apresentação da Mercedes em Las Vegas, nos EUA,, os publicitários tiveram uma ideia que pensavam “revolucionária”, mas que é usada nos mais variados produtos – a conhecida imagem de “Che” Guevara com a estrela da marca alemã na boina. Tudo se passou na Consumer Electronics Show, uma feira comercial anual dedicada à electrónica de consumo, e na presença do presidente da Mercedes-Benz, Dieter Zetsche. Em causa estava a apresentação de uma nova aplicação que facilita o ‘car-sharing’, a partilha de automóveis, diminuindo assim o trânsito e as emissões de dióxido de carbono. Zetsche disse que “alguns colegas pensam que partilhar o automóvel ronda o comunismo” e acrescentou “viva a revolução”. Esta “revolução” não foi bem vista, em especial pela comunidade cubana exilada nos EUA, que rapidamente protestou e apelou a um boicote à marca germânica. A congressista republicana Ileana Rós-Lehtinen, presidente da Comissão de Assuntos Externos da Câmara dos Representantes dos EUA, afirmou que “obviamente os criadores do anúncio têm uma imagem errada de Che Guevara”, acrescentando que “Che era um cobarde corrupto e sedento de sangue que matou incontáveis cubanos inocentes no princípio do regime de Castro”.
A utilização da imagem de “Che” está longe de ser uma novidade. Para além da sua presença nas manifestações dos mais variados movimentos e partidos políticos, o uso comercial generalizou-se. São bastante comuns as ‘t-shirts’ e as mais variadas peças de vestuário. Casacos, calças, chapéus, sapatos ténis, ou até ‘bikinis’, são ilustrados com a famosa imagem. Toda esta parafernália é habitualmente apreciada pelos jovens. No entanto, muitos deles desconhecem totalmente quem foi “Che”, o seu percurso de vida, a sua ideologia política e as consequências da sua aplicação.
História de uma imagem
A conhecida imagem de “Che” tem origem numa fotografia do cubano Alberto Korda, intitulada “Guerrillero Heroico” (Guerrilheiro Heróico), tirada a 5 de Março de 1960, em Havana, quando Guevara tinha 31 anos. A redução dessa fotografia, apenas com o busto de “Che” em alto contraste, começou a ser usada em larga escala pelos meios de comunicação social de todo o mundo. Dos ‘media’ ao uso comercial, foi um salto.
Korda nunca reivindicou direitos de autor sobre a imagem, opondo-se apenas uma vez a que esta fosse usada num anúncio de uma conhecida marca de vodka. Comunista assumido, Korda pretendia evitar a exploração comercial da imagem. Chegou a afirmar à imprensa: “Como defensor dos ideais pelos quais Che Guevara morreu, não me oponho à sua reprodução por aqueles que desejam difundir a sua memória e a causa da justiça social por todo o mundo.” Também a filha de “Che”, Aleida Guevara, chegou a contratar advogados para processar judicialmente as empresas que utilizassem a imagem do seu pai. Afirmou que não queria dinheiro, mas “o fim do abuso”, acrescentando, “ele pode ser uma pessoa universal, mas respeitem sua imagem”.
Como é bem visível hoje em dia, tal não aconteceu e o fim para que a imagem é usada vai muito para além da política. Para além da utilização da imagem nas mais variadas peças de vestuário, referida atrás, o “Che” serve também como marca para os mais inacreditáveis produtos. Cerveja, cigarros, relógios, porta-chaves, fivelas, canecas e copos, isqueiros, bonecos e até preservativos! Uma marca comercial de sucesso e bastante lucrativa.
Che e a extrema-direita
Politicamente, se a utilização de “Che” Guevara e da sua imagem é amplamente sabida à esquerda, o facto de chegar até à chamada extrema-direita é quase desconhecida do grande público. À primeira vista parece estranho, quase impossível, mas os grupos da direita radical que reclamam esta figura admiram-no por ser um “revolucionário” e pela sua oposição ao “imperialismo norte-americano”. Em vários países europeus, grupos e militantes nacionais-revolucionários louvaram ou usaram “Che”, mesmo antes da sua morte. O país onde este fenómeno teve e ainda tem mais expressão é Itália. Desde os anos 60 do século passado que grupos da direita radical se apropriaram de “Che”. Mario de la Ferla, autor do livro “L’altro Che – Ernesto Guevara Mito e Simbolo della Destra Militante” (O Outro Che – Ernesto Guevara Mito e Símbolo da Direita Militante), escreve que: “Existe um outro aspecto do amor por Ernesto Guevara que não é inédito, mais é mais difuso. O amor à direita, aquele dos jovens nacionais-revolucionários, os fascistas vermelhos, que amavam o Che ainda antes da sua morte e para quem se tinha tornado mito e símbolo a partir de 68. A paixão por Guevara à direita é uma heresia, uma provocação, uma apropriação indevida mas perdoada.” Mas também na vizinha Espanha, na Bélgica, com Jean Thiriart, em França, com Jean Cau, por exemplo, que afirmou que “O Che batia-se para libertar o seu continente da ocupação americana, da opressão oligárquica e das injustiças”, assistimos a situações semelhantes.
Publicado na edição de «O Diabo», de 24/1/2012.
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
O Estado das Direitas
Decorre nos próximos dias 1 e 2 de Fevereiro, das 10 às 17 horas, na Sala Polivalente do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), o colóquio com o tema “O Estado das Direitas na Democracia Portuguesa”, organizado por Riccardo Marchi.
Na linha do seminário dedicado ao estudo histórico e político das direitas portuguesas intitulado “As raízes profundas não gelam? - Ideias e percursos das direitas portuguesas”, realizado em Novembro de 2010, o investigador italiano radicado em Portugal Riccardo Marchi, autor dos livros “Folhas Ultras - As ideias da direita radical Portuguesa (1939-1950)” e “Império, Nação, Revolução - As Direitas Radicais Portuguesas no Fim do Estado Novo (1959-1974)”, organiza agora o colóquio “O Estado das Direitas na Democracia Portuguesa”.
O foco de análise neste colóquio é o Estado no seu duplo significado de “Condição” e “Ordenamento político-jurídico”. Como nos explica a apresentação, “por um lado, a ‘condição das Direitas’ na sua dimensão política e cultural, numa perspectiva diacrónica desde a institucionalização da democracia até aos nossos dias. Por outro lado, o ‘projecto institucional’ das Direitas na sua dimensão nacional e internacional, numa perspectiva de futuro”.
O colóquio será dividido em dois painéis por dia, aos quais se segue um período de debate. No primeiro, “Direitas e partidos”, moderado por Riccardo Marchi, falarão Tiago Fernandes, sobre “Direita e qualidade da democracia: Portugal em perspectiva comparada (1974 – 2010)” e José Pedro Zúquete, sobre “Direita, genética: entre o passado e o presente”. O segundo, subordinado ao tema “Direitas e Cultura”, terá as intervenções de Patrícia Silva, com a comunicação “Direitas e discurso político: O CDS entre passado e presente”, Alexandre Franco de Sá, com “Direita, Hegemonia e Filosofia Política”, e Pedro Mexia, com “Direitas e Artes”, e será moderado por José Pedro Zúquete. No segundo dia, o painel da manhã, com o tema “Direitas e Estado”, será moderado por Tiago Fernandes e terá como intervenientes Pedro Lomba, com a comunicação “As Direitas e o Estado na arquitectura constitucional”, João Pereira Coutinho, com “As Direitas e a relação entre o Estado e os Corpos intermédios”, e António Araújo, com “As Direitas e a relação entre o Estado e a Sociedade”. O último painel, intitulado “Direitas e Poderes”, com moderação de António Costa Pinto, terá as comunicações “As Direitas, o Estado e o Supranacional (Europa e Comunidade Internacional)”, de Marina Costa Lobo, e “As Direitas e o Estado face ao mercado”, de André Azevedo Alves. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.
Na linha do seminário dedicado ao estudo histórico e político das direitas portuguesas intitulado “As raízes profundas não gelam? - Ideias e percursos das direitas portuguesas”, realizado em Novembro de 2010, o investigador italiano radicado em Portugal Riccardo Marchi, autor dos livros “Folhas Ultras - As ideias da direita radical Portuguesa (1939-1950)” e “Império, Nação, Revolução - As Direitas Radicais Portuguesas no Fim do Estado Novo (1959-1974)”, organiza agora o colóquio “O Estado das Direitas na Democracia Portuguesa”.
O foco de análise neste colóquio é o Estado no seu duplo significado de “Condição” e “Ordenamento político-jurídico”. Como nos explica a apresentação, “por um lado, a ‘condição das Direitas’ na sua dimensão política e cultural, numa perspectiva diacrónica desde a institucionalização da democracia até aos nossos dias. Por outro lado, o ‘projecto institucional’ das Direitas na sua dimensão nacional e internacional, numa perspectiva de futuro”.
O colóquio será dividido em dois painéis por dia, aos quais se segue um período de debate. No primeiro, “Direitas e partidos”, moderado por Riccardo Marchi, falarão Tiago Fernandes, sobre “Direita e qualidade da democracia: Portugal em perspectiva comparada (1974 – 2010)” e José Pedro Zúquete, sobre “Direita, genética: entre o passado e o presente”. O segundo, subordinado ao tema “Direitas e Cultura”, terá as intervenções de Patrícia Silva, com a comunicação “Direitas e discurso político: O CDS entre passado e presente”, Alexandre Franco de Sá, com “Direita, Hegemonia e Filosofia Política”, e Pedro Mexia, com “Direitas e Artes”, e será moderado por José Pedro Zúquete. No segundo dia, o painel da manhã, com o tema “Direitas e Estado”, será moderado por Tiago Fernandes e terá como intervenientes Pedro Lomba, com a comunicação “As Direitas e o Estado na arquitectura constitucional”, João Pereira Coutinho, com “As Direitas e a relação entre o Estado e os Corpos intermédios”, e António Araújo, com “As Direitas e a relação entre o Estado e a Sociedade”. O último painel, intitulado “Direitas e Poderes”, com moderação de António Costa Pinto, terá as comunicações “As Direitas, o Estado e o Supranacional (Europa e Comunidade Internacional)”, de Marina Costa Lobo, e “As Direitas e o Estado face ao mercado”, de André Azevedo Alves. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Terre & Peuple Magazine n.º 50
O último número da "Terre et Peuple Magazine" tem como tema central "Amanhã o Apocalipse?" e inclui excelente um dossier com artigos de Pierre Vial, Jean Haudry, Robert Dragan, Yvan La Jehanne, Alain Cagnait, Aristide Corre e Roberto Fiorini. Nota para o editorial de Pierre Vial, "Rebeldes, revoltados, revolucionários". Destaque ainda para o artigo de Claude Perrin sobre os Hiperbóreos, a entrevista com Jean-Patrick Arteault sobre as raízes do mundialismo ocidental, o artigo de Yvan La Jehanne sobre o "Nosso paganismo", e o artigo de Tomislav Sunic intitulado "A Figura do Rebelde: A balcanização do sistema, Ernst Junger e o fim dos tempos". Como habitualmente, podemos ainda ler outros artigos e as secções de notícias, crítica a livros e revistas, e actividades da associação.
Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Chesterton no Méridien Zéro
Hoje, o programa Méridien Zéro terá como tema o escritor G.K. Chesterton e tem como convidado Philippe Maxence. A emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser seguida através da Radio Bandiera Nera.
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
A cultura alternativa vive
Está disponível o número 4 da “Finis Mundi – A Última Cultura”, um exemplo de como há espaço no nosso país para uma revista cultural alternativa de qualidade, que tem vindo a mostrar uma óptima evolução.
Dirigida pelo Flávio Gonçalves, a “Finis Mundi – A Última Cultura” é a concretização de um projecto do qual muitos duvidaram, considerando não haver espaço para uma revista de cultura alternativa em Portugal. Agora, já com quatro números publicados e um ano de existência (talvez devêssemos dizer persistência), não só desmentiu os cépticos e pessimistas, como se foi melhorando substancialmente, numa evolução natural, para uma publicação que se quer de referência. O conteúdo desta revista assumidamente para-académica é fornecido por uma rede de académicos e intelectuais (nacionais e internacionais) e gerido por um Conselho Científico e pelo director.
Neste número 4, relativo ao último trimestre de 2011, Flávio Gonçalves afirma, em editorial, que apesar do primeiro aniversário da revista e da boa recepção e crítica positiva, não baixará a guarda e que quer fazer mais e melhor. Acrescenta ainda que “por estarmos a assistir a um ‘finis mundi’ tal não quer dizer que assobiemos para o lado e não nos esmeremos”. Uma postura a saudar.
O variado conteúdo está dividido em cinco secções, a saber: “A Última Cultura”, “Actualidade”, “Resenha”, “História”,”Cultura” e “Tradição”. Na primeira, para além do editorial, podemos ler os artigos “A Balcanização do Sistema, Ernst Jünger e Os Dias do Fim”, do ex-diplomata croata Tomislav Sunic, “O Fim de Portugal e o Seu Futuro”, de Renato Epifânio, e “Sociopatologia, o ónus da Inversão social e subse quente involução civilizacional e da Pessoa Humana”, de João Lino Santos. Na secção de actualidade, o destaque vai para os artigos “Não derretam os escudos”, de Rainer Daehnhardt, “Geração Erraste”, do jornalista João Filipe Pereira, “Prossegue o Rapto da Europa”, de João Franco, e, especialmente, para “A Imigração, exército de reserva do Capital”, do pensador francês Alain de Benoist. Na secção de História, há a destacar os artigos “Bandeirantes: A Canoa contra o Cavalo”, de Alberto Buela, “A descoberta portuguesa da ‘Grande Terra do Sul’ e da Nova Zelândia”, de Kerry Bolton, “O Integralismo Lusitano”, de Vítor Figueira Martins, e, principalmente, “Portugal: Do Integracionismo Imperial ao Etno-nacionalismo. Pistas de investigação, do historiador e investigador italiano sedeado no nosso país Riccardo Marchi. Na secção cultural, refira-se o artigo sobre “A Chegada de Corto Maltese a Portugal”, de Mário Casa Nova Martins, e “Reconquistar Tudo: Identidade”, do filósofo italiano Adriano Scianca. Por fim, na secção “Tradição”, o destaque vai para os artigos “As Festividades de Solstício de Inverno nos Açores”, de Luís Couto, “A Doutrina da União Divina na Tradição Helénica”, de Claudio Mutti, e “Lar: O Fogo Central”, de Luiz Pontual.
Última referência para a apresentação gráfica que foi profundamente renovada e está de parabéns. Não só pela sobriedade chamativa da capa, como pela paginação cuidada e a escolha e tratamento das imagens que ilustram os artigos, até ao pormenor do logótipo do cabeçalho.
A “Finis Mundi” é uma voz dissidente num mundo uniformizado pelo politicamente correcto. Um verdadeiro espaço de liberdade, reflexão e pensamento.
Encomendas para o endereço electrónico antagonistaeditora@gmail.com (disponível a opção de envio à cobrança). O preço da revista são 12 euros, e a editora oferece os portes. Também disponível através da Amazon.com.
Dirigida pelo Flávio Gonçalves, a “Finis Mundi – A Última Cultura” é a concretização de um projecto do qual muitos duvidaram, considerando não haver espaço para uma revista de cultura alternativa em Portugal. Agora, já com quatro números publicados e um ano de existência (talvez devêssemos dizer persistência), não só desmentiu os cépticos e pessimistas, como se foi melhorando substancialmente, numa evolução natural, para uma publicação que se quer de referência. O conteúdo desta revista assumidamente para-académica é fornecido por uma rede de académicos e intelectuais (nacionais e internacionais) e gerido por um Conselho Científico e pelo director.
Neste número 4, relativo ao último trimestre de 2011, Flávio Gonçalves afirma, em editorial, que apesar do primeiro aniversário da revista e da boa recepção e crítica positiva, não baixará a guarda e que quer fazer mais e melhor. Acrescenta ainda que “por estarmos a assistir a um ‘finis mundi’ tal não quer dizer que assobiemos para o lado e não nos esmeremos”. Uma postura a saudar.
O variado conteúdo está dividido em cinco secções, a saber: “A Última Cultura”, “Actualidade”, “Resenha”, “História”,”Cultura” e “Tradição”. Na primeira, para além do editorial, podemos ler os artigos “A Balcanização do Sistema, Ernst Jünger e Os Dias do Fim”, do ex-diplomata croata Tomislav Sunic, “O Fim de Portugal e o Seu Futuro”, de Renato Epifânio, e “Sociopatologia, o ónus da Inversão social e subse quente involução civilizacional e da Pessoa Humana”, de João Lino Santos. Na secção de actualidade, o destaque vai para os artigos “Não derretam os escudos”, de Rainer Daehnhardt, “Geração Erraste”, do jornalista João Filipe Pereira, “Prossegue o Rapto da Europa”, de João Franco, e, especialmente, para “A Imigração, exército de reserva do Capital”, do pensador francês Alain de Benoist. Na secção de História, há a destacar os artigos “Bandeirantes: A Canoa contra o Cavalo”, de Alberto Buela, “A descoberta portuguesa da ‘Grande Terra do Sul’ e da Nova Zelândia”, de Kerry Bolton, “O Integralismo Lusitano”, de Vítor Figueira Martins, e, principalmente, “Portugal: Do Integracionismo Imperial ao Etno-nacionalismo. Pistas de investigação, do historiador e investigador italiano sedeado no nosso país Riccardo Marchi. Na secção cultural, refira-se o artigo sobre “A Chegada de Corto Maltese a Portugal”, de Mário Casa Nova Martins, e “Reconquistar Tudo: Identidade”, do filósofo italiano Adriano Scianca. Por fim, na secção “Tradição”, o destaque vai para os artigos “As Festividades de Solstício de Inverno nos Açores”, de Luís Couto, “A Doutrina da União Divina na Tradição Helénica”, de Claudio Mutti, e “Lar: O Fogo Central”, de Luiz Pontual.
Última referência para a apresentação gráfica que foi profundamente renovada e está de parabéns. Não só pela sobriedade chamativa da capa, como pela paginação cuidada e a escolha e tratamento das imagens que ilustram os artigos, até ao pormenor do logótipo do cabeçalho.
A “Finis Mundi” é uma voz dissidente num mundo uniformizado pelo politicamente correcto. Um verdadeiro espaço de liberdade, reflexão e pensamento.
Encomendas para o endereço electrónico antagonistaeditora@gmail.com (disponível a opção de envio à cobrança). O preço da revista são 12 euros, e a editora oferece os portes. Também disponível através da Amazon.com.
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Crise da Democracia
Cumpre distinguir entre a vontade da maioria e a vontade nacional. A vontade da maioria é consciente; a vontade nacional é inconsciente. Em determinada altura, determinada nação segue certo rumo; não o sabem os políticos, em geral, nem o sabe o povo.
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
O que se considera uma democracia? Se for uma questão de designação, podemos até incluir a Coreia do Norte. Fora de ironias, cada vez menos pessoas se identificam com o actual sistema político – que normalmente desconhecem – e desconfiam dos políticos, como classe considerada “corrupta”. Para muitos vivemos uma “partidocracia”, onde as “quadrilhas políticas”, como lhes chamou António Marques Bessa, tomam de assalto o poder. Talvez por isso não seja de estranhar o resultado do estudo revelado na semana passada, onde apenas 56% dos portugueses consideram que “a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo”. Algo de que as elevadas percentagens de abstenção eleitoral já eram um sinal.
A actual concepção de democracia assenta na existência de eleições livres e de direitos civis e políticos. Mas será que esta vai perdurar quando terminar a era do conforto económico?
O historiador francês Dominique Venner, no seu livro “O Século de 1914 – Utopias, Guerras e Revoluções na Europa do Século XX”, escreveu: “A democracia liberal, que apareceu nos Estados Unidos em fins do século XVIII, na esteira das tradições britânicas, estava associada a um desenvolvimento económico contínuo, do qual procedia. Ajustava-se a uma sociedade próspera, empreendedora, preocupada com a liberdade e a igualdade. Num contexto de crise social e política, como o da Europa em 1929, um tal sistema foi necessariamente substituído por um tipo de governo autoritário mais eficaz, que utilizava entre outros o instrumento, com provas dadas, de um partido único mais ou menos disfarçado.” Perante a actual crise, será que tomaremos um rumo semelhante?
Editorial da edição desta semana de «O Diabo».
Frase do dia
"A angolanização do país tem um preço e é esse preço que nos custa encarar."
Pedro Lomba
in "Público".
Pedro Lomba
in "Público".
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